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CHICOCAST 1 – Batman Arkham City

O ano de 2012 será cheio de surpresas para os leitores do Chico Louco!
Entramos na onda dos Podcasts!
Agora temos o CHICOCAST, o Podcast do Chico Louco!
Para começar em grande estilo, um debate sobre o jogo Batman: Arkham City.
Ouçam e tirem suas próprias conclusões sobre o game que agitou o mercado.

E não deixem de comentar, compartilhar com seus amigos e deixem sugestões para outros temas a serem discutidos por nossos autores.
Enjoy!

Link para ouvir o CHICOCAST: CHICOCAST – Batman Arkham City

Bizarre Creations 1994 – 2011

Não há mais luz. As mesas se encontram vaziam, as janelas fechadas com as cortinas cerradas, os interruptores voltados para baixo e as portas trancadas. Não há um som sequer. É uma imagem congelada do tempo. De um tempo que passou e que enquanto durou foi maravilhoso. Mas agora o que resta apenas é o silêncio. Os móveis guardarão as lembranças felizes de outrora, mas o farão somente para si. Não há mais luz.

Nesta última sexta-feira a Bizarre Creations fechou suas portas pela última vez e é com um forte sentimento de saudosismo que redijo o texto a seguir.

Bizarre Creations foi a evolução da antiga desenvolvedora de games Raising Hell Software fundada em 1988 por Martyn Chudley que mas após sofrer pressão da Sega teve de largar mão do nome Hell e ficou sem um nome até ser adquirida pela Psygnosis que fazia parte da Sony. Os novos donos aceleraram o processo para se achar um novo nome e foi então que o fundador da companhia redigiu no documento de compra entre as duas empresas o nome Weird Concepts. Posteriormente o documento foi passado pela enciclopédia do Microsoft Word e Weird Concepts tornou-se Bizarre Creations. Era a mão do destino.

File:Bizarre Creations 2000 Logo.png

Antigo logo da empresa usado em 2000 – 2001


O time de criação da Bizarre começou com apenas 5 pessoas e logo lançaram mãos à massa e começaram a desenvolver um projeto chamado Slaughter (matadouro). Após assistir ao demo do projeto a Psygnosis se impressionou e incumbiu a Bizarre do desenvolvimento de Formula 1 para o na época inédito PlayStation. O resultado foi que o game de corrida se tornou o mais vendido na Europa no ano de 1996.

File:Formula 1 Coverart.png

Formula 1 foi o primeiro game da Bizarre Creations


A Bizarre passou então a desenvolver games expecializados em corridas. Depois de Formula 1 para PlayStation e PC foi a vez do Dreamcast receber um título da companhia de Liverpool. Metropolis Speed Racer de 2000 assim como a game anterior foi uma grande vitória da empresa.

Em 2001 a Bizarre Creations criou uma das mais bem sucedidas franquias de games do gênero corrida que se iniciou com Project Gothan Racing para Xbox. Dois anos depois a Bizarre foi adquirida pela Microsoft e passou a desenvolver títulos exclusivos para os consoles da companhia de Bill Gates. Nos anos subsequentes duas continuações de Project Gothan foram lançadas entre outros tantos games de gêneros variados até que em 2007 o contrato de exclusividade com a Microsoft terminou e a Bizarre Creations foi incorporada à Activision mas não antes de a quarta parte de Project Gothan ser lançada para o Xbox 360. Depois da separação entre a gigante de Bll Gates e a Bizarre Creations os direitos do título continuaram em poder da Microsoft. A Bizarre não poderia mais desenvolver games sobre a franquia.

File:Project Gotham Racing Coverart.png

O primeiro Project Gothan Racing para Xbox


À partir de 2007 a Bizarre lançou games multiplataforma, investiu em novos gêneros e criou novas franquias como Boom Boom Rocket e Geometry Wars cujo game original saíra ainda durante a parceiria com a Microsoft. O game The Club era algo inédito na empresa que resolveu investir em um gênero muito lucrativo, violência pesada. Em 2010 um quarto game de Geometryc Wars foi lançado para aplicativo de iPhone e um inédito game de corrida chamado Blur chegou às lojas. Mas foi em novembro que aquele que deveria ser um dos maiores títulos da empresa foi o seu último.

File:Blur (video game).jpg

Em 2010 foi a vez de Blur


Em julho de 2010 fora anunciado que o novo game da empresa seria também a nova aventura do mais famoso espião do mundo. James Bond 007: Blood Stone deveria ser um marco para a empresa e também para os fãs do espião que desde James Bond 007: Everythig or Nothing desenvolvido pela EA Games esperavam por um game descente do personagem.

Era possível ver pelos diários em vídeos lançados pela produção o entusiasmo de todos os envolvidos no projeto por estarem trabalhando em um game de um personagem que também era um conterrâneo. Foi criada muita expectativa. Então o game foi lançado e também nocauteado pelo próprio James Bond. No mesmo dia do lançamento de Blood Stone a nova versão de GoldenEye 007 para Wii feita pela Eurocom também em parceiria com a Activision chegou às mãos dos fãs. Era de se imaginar que uma nova versão de um dos games mais prestigiados da história que deflagrou um gênero e um estilo de jogabilidade que é usado até hoje faria muito mais sucesso que um game que apresentava uma história totalmente inédita. Enquanto o novo GoldenEye vendia milhões Blood Stone ia na contramão. Nem seus gráficos superiores e detalhes dados aos cenários e figurinos foram capazes de superar GoldenEye.

File:Blood Stone cover.jpg

James Bond 007: Blood Stone, último game da Bizarre Creations


Com o fracasso do game a Activision disse estar entre a cruz e a espada com a Bizarre Creations e que a companhia corria o risco de fechar. Um mês se passou e enfim o que se mostrava inevitável aconteceu. Como foi dito anteriormente a Bizarre Creations fechou suas portas pela última vez nesta sexta-feira e deixou desempregados cerca de 200 pessoas que se despediram com um forte aperto no peito mas também com o sentimento de dever cumprido.

A última realização desses 200 ex-funcionários foi a concepção de um vídeo de pouco mais de 2 minutos em tributo a todos aqueles que um dia passaram pela empresa. Uma mensagem dedica o vídeo a todos os homens e mulheres que ajudaram a fazer da Bizarre Creations o que ela foi um dia.

Porém somente as pessoas morrem. Um nome, seja ele qual for sempre permanecerá entranhado nas raízes da história não importando o quão profundo tais raízes estejam enterradas. Bizarre Creations 1994 – 2011. Esses números não representam o fim de um nome, apenas de uma fase. Uma companhia com um nome tão “Bizarro” ainda promete muito e um dia voltará para continuar surpreendendo. Tal fato já ocorreu antes com companhias de outras mídias.

A queda da empresa se deu de dentro para fora, como uma implosão. Se os responsáveis fossem mesmo responsáveis jamais teriam marcado o lançamento dos 2 games de James Bond para o mesmo dia. Se tivessem se preocupado em fazer o próprio trabalho, pesquisas e enquetes para saber o que pensavam os fãs jamais teriam cometido tamanho erro. Mas a ganância os fez pensar que ambos os games venderiam como água potável no deserto, ainda mais em uma data tão perto da natal. Eis o resultado. Um game excelente, como foram todos os lançados pela Bizarre acabou por matar a própria mãe ao nascer.

Assista ao vídeo de despedida dos funcionários

Retrospectiva: Tomb Raider

Foi com a canção “Amami Lara” que o cantor italiano Eugenio Finardi homenageou Lara Croft, no ano de 1999. A heroína havia surgido três anos antes, saída da mente do designer de jogos britânico, Toby Gard, que na época trabalhava para a desenvolvedora Core.

Logo no início do projeto Gard idealizou um arqueólogo do sexo masculino, que seria muito parecido com o Indiana Jones de George Lucas, e por tal motivo a ideia foi rejeitada pelo estúdio. Gard então remodelou seu personagem o transformando em mulher e lhe deu o nome de Laura Cruz, sendo ela uma aventureira sul-americana. Conforme as engrenagens da mente de Gard funcionavam a todo vapor para melhor desenvolver o projeto, ele tornou a personagem uma garota de origem inglesa, cujo nome ele tirou da lista telefônica. O nome completo da personagem foi: Lara Croft Mandy DeMonay, condessa de Abbington. Estava criada então a caçadora de relíquias que todos nós conhecemos muito bem.

Com tudo planejado o game da jovem condessa entrou em fase de desenvolvimento pelas mãos dos programadores da Core Design. Toby Gard teve liberdade total sobre sua criação, sendo ele o responsável pela animação dos personagens, das cutscenes e do design dos ambientes por onde se passaria a história. Apesar de estar no comando, havia algo que Gard não podia mudar. Era evidente a intensão da Core de transformar Lara Croft em um símbolo sexual, vendendo seu sex appeal em poses que atrairiam a atenção dos jogadores. Foi pedido a Gard que ele disponibilizasse um código que ao final do game tiraria as roupas de Lara. Ele se recusou. Não queria que sua “menina” fosse vista como um vadia qualquer.

Sem ter a liberdade que tivera no primeiro game, Gard deixou a Core em 1997, deixando de ter controle sobre sua criação.

Toby Gard

Após lançar um game em 2004 chamado “Galleon”, exclusivo para Xbox, ao lado de seu amigo e também ex-funcionário da Core, Paul Douglas, através de sua desenvolvedora independente Confounding Factor que fundou com o amigo, Toby Gard chamou a atenção da Eidos que era a responsável pelos direitos de Lara Croft. A Eidos chamou Gard para que ele servisse de consultor no reboot da série Tomb Raider, criada por ele oito anos antes. Ele se juntou ao time de programadores da Crystal Dynamics para desenvolver uma nova aventura para Lara Croft. Agora que a Core havia ficado para trás, Gard pode remodelar a personagem a sua maneira, tornando-a menos sensual, com roupas menos reveladoras e com seios e um traseiro bem menor. O game “Tomb Raider: Legend” saiu em 2006 e se tornou um grande sucesso. No ano seguinte Gard e a Crystal Dynamics em parceria com a Buzz Monkey Software lançaram Tomb Raider: Anniversary” (remake do primeiro game) e em 2008 “Tomb Raider: Underworld”, onde Gard escreveu a história ao lado do diretor criativo do game, Eric Lindstrom. No ano seguinte Gard anunciou que trabalharia em um projeto até então sem nome. Pouco tempo depois ele abandonou o grupo de design para se dedicar ao tal projeto e atualmente trabalha como consultor para a Focal Point Games LLC.

A história da origem de Lara Croft confunde-se ao meio de tantas adaptações para outras mídias como cinema, literatura e histórias em quadrinhos. Oficialmente, existem duas biografias para a personagem. Na primeira delas, contada no manual da primeira continuação nos videogames, Lara fora criada como uma aristocrata até que foi a única sobrevivente de um desastre de avião no Himalaia aos 21 anos. O acidente mudou sua natureza, ou simplesmente fez com que ela percebesse que a vida era curta demais e que toda a paparicação e o luxo não eram para ela. Ela viu-se livre das correntes que a prendiam à família e tornou-se independente.

Já a biografia atual da aventureira conta que Lara sobreviveu a um desastre de avião na Cordilheira do Himalaia quando tinha 9 anos e foi obrigada a caminhar durante dez dias até Katmandu. Sua mãe foi dada como desaparecida no acidente e a jovem foi então criada pelo pai, o arqueólogo Richard Croft, conde de Abbington. Desde então Lara passou a acompanhar o pai em buscas arqueológicas até a morte dele quando ela tinha 18 anos. Assim ela herdou a fortuna da família e o título de condessa. A motivação que guia Lara através de suas aventuras é a esperança de que um dia ela descubra a verdade por trás das mortes de seus pais.

Em “Tomb Raider: The Last Revelation”, o jogador faz parte do passado da personagem. O jogo inicia-se quando Lara tem apenas 16 anos em uma expedição ao Cambodia ao lado do explorador Werner Von Croy. Depois da aventura, que parece ter acabado em tragédia, um grande distanciamento surge entre Lara e Von Croy, mas a passagem serviu para despertar na garota uma paixão por relíquias e civilizações passadas. O game faz parte da primeira biografia da personagem. Apesar da idade de Lara nunca bater com as histórias de sua origem, no game “Tomb Raider: Chronicles”, continuação de “The Last Revelation”, onde Lara supostamente está morta, há em uma estátua memorial dedicada a ela a seguinte data: 1968. Atualmente Lara teria então 42 anos.

Em “Tomb Raider: Legend, primeiro game do segundo universo de Tomb Raider (o primeiro universo englobam os games feitos pela Core), é criada a versão atual sobre suas origens, onde o avião em que ela viajava com sua mão, caiu no Himalaia.

 Recentemente foi divulgado que um novo game de Tomb Raider está em desenvolvimento pela Crystal Dynamics e que será distribuído pela primeira vez pela Square Enix. O game será um novo reboot que contará a origem de Lara, mas desta vez na íntegra. Em uma viagem onde seu navio naufraga, Lara Croft, então com 21 anos é levada pelo mar até uma praia. A ilha onde se encontra (tudo indica que será uma ilha japonesa) apresenta inúmeros perigos. Lara tem de suar muito para sobreviver, aprendendo gradativamente as técnicas que realiza sem dificuldades nos games anteriores, além de ter que procurar por alimento e água, semelhante à “Metal Gear Solid 3: Snake Eater. Desta vez porém, Lara em nada lembrará suas versões passadas, à não ser pela cor dos olhos, castanhos, os lábios carnudos e o rabo de cavalo. A personagem foi redesenhada para que ficasse mais proporcional e assim parece-se mais humana. Ela também deixará para trás toda a sua confiança e sensualidade, sendo como deve ser, uma jovem amedrontada e solitária que tem de superar seus medos e inseguranças para manter-se viva.

Lara em seu início à esquerda e em futuro game à direita

Como dito anteriormente, Lara Croft também migrou para outras mídias além dos videogames. No cinema foi representada por Angelina Jolie nos filmes de 2001 e 2003. Um fato curioso sobre isso é que no primeiro filme o pai da aventureira é vivido por Jon Voight que na vida real é o pai de Jolie. Os dois atores vivem em pé de guerra mas concordaram em deixar as indiferenças de lado durante a produção do filme. Outra curiosidade é que em ambos os filmes os interesses românticos de Lara são também os vilões e nos dois filmes foram interpretados por atores de origem britânica. No primeiro filme, intitulado “Lara Croft: Tomb Raider, o par de Lara foi encarnado por Daniel Craig, que alguns anos depois tornaria-se figurinha conhecida em todos os meios por interpretar o personagem de James Bond nos cinemas. No segundo filme, “Tomb Raider: The Cradle of Life, o papel do interesse romântico de Lara foi o personagem de Gerard Butler, que também se tornaria conhecido após atuar na nova versão de “O Fantasma da Ópera” de Joel Schumacher e no filme “300”. Os filmes de Tomb Raider foram dirigido respectivamente por Simon West e Jan de Bont. Um terceiro filme está em desenvolvimento. Se serve a dica, a modelo e atriz britânica Kelly Brook, seria uma excelente escolha para viver a personagem.

Kelly Brook

A partir do ano de 1999 a editora de histórias em quadrinhos Top Cow passou a publicar histórias inéditas das aventuras da exploradora, pelo pincel do desenhista Adam Hughes. A edição de número 50 também foi a última, publicada em 2004.

Lara Croft por Adam Hughes

Lara Croft também deu as caras no mundo da literatura com romances publicados pela Ballantine Books em parceria com a Eidos à partir de 2004 com histórias originais “The Amulet of Power” foi o primeiro de três livros sobre a arqueóloga escrito por Mike Resnick. “The Lost Culty” por E. E. Knight veio em seguida e “The Man of Bronze de James Alan Gardner foi o último a ser publicado. Os livros diferem entre si desde a estrutura da narrativa a experiências da vida de Lara que certas vezes coincidem com algumas passagens dos games ou dos filmes.

Lara Croft foi eleita a heroína mais sexy dos games por diversas vezes e a mais humana das personagens também. Lara é bela, astuta, perseverante e destemida e nós sempre iremos “correr” atrás dela com a mesma intensidade com que ela busca seus tesouros perdidos.

 

video de Amami Lara de Eugenio Finardi