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John Carter entre Dois Mundos

Pois é, já se foram 100 anos. Em 2012 um grande ciclo se completa para o clássico personagem de ficção científica John Carter que apareceu pela primeira vez em publicações pulp saído da mente do escritor Edgar Rice Burroughs, mais conhecido por também ser o pai de outro personagem icônico, o Tarzan. Mas quem diabos já ouviu falar em John Carter? Bom, eu aposto que muita gente não. O primeiro livro do personagem se chama John Carter e a Princesa de Marte e faz parte da coleção de ficção científica intitulada Barsoon, nome do planeta Marte nas histórias de Burroughs. Ao total o autor escreveu 12 romances protagonizados pelo personagem.

Em 1931, Bob Clampton procurou Burroughs para adaptar seus livros sob a marca da MGM. O autor aceitou e o processo de um filme animado teve início, já que fazer um live-action na época sobre a obra de Burroughs era algo inviável, pelo menos nesse mundol. Porém, com as críticas das sessões teste de exibição, a MGM decidiu que o projeto não teria lucro algum e mandou Clampton produzir uma série animada do Tarzan. Para desgosto de Clampton a Universal Studios lançou em 1936 uma série animada de Flash Gordon que teve um estrondoso sucesso nos Estados Unidos. Nos anos 70 o neto de Edgar Rice Burroughs achou entre as coisas do avô material do filme produzido por Clampton que nunca fora usado. Se tivesse sido lançado o filme de John Carter teria sido o primeiro filme animado do mundo no lugar de Branca de Neve e os Sete Anões de Walt Disney em 1937.

Durante esse um século de existência o herói de Burroughs já foi adaptado para as telas inúmeras vezes, mas foi em 2007 que a Disney anunciou que faria a sua própria versão das história do herói, coisa que pretendia fazer há anos, desde lá da década de 1980 quando o diretor John McTiernan havia sido escolhido para dirigir mais esta adaptação e Tom Cruise encarnaria o personagem, porém a precariedade de tecnicas visuais da época desanimaram o diretor que pulou fora do projeto que foi esquecido. A validade de compra dos direitos expirou e a Disney perdeu os direitos sobre o material que foi parar nas mãos da Paramount e teve ligados ao projeto nomes como Robert Rodriguez e Jon Favreau. Depois de muita água correr entre esses mundos a Disney conseguiu novamente os direitos sobre o personagem e o entregou para a Pixar.

A nova adaptação do romance teve seu título modificada para soar mais sutíl aos ouvidos daqueles que nunca haviam sequer ouvido falar no personagem. Em inglês o título é pura e simplesmente, John Carter, no Brasil porém recebeu o nome de John Carter entre Dois Mundos.

Na trama, John Carter, ex-capitão do Exército Confederado dos Estados Unidos está à procura de ouro em territótio Apache. Após ser preso pelo coronel Powell ao se recusar em ajudar seus conterrâneos americanos na batalha contra os indígenas, Carter consegue fugir mas é pego em um tiroteio entre os nativos e os caras pálidas. Na tentativa de fugir acaba encontrando em uma caverna um estranho medalhão que o leva para outro planeta, adivinha qual!

Após despertar em Marte, Carter é aprisionado por Tars Tarkas, líder de um povo chamado Tharks. No planeta Carter descobre devia a diferença de sua densidade corpórea e a gravidade de Marte que tem a habilidade de dar pulos de incontáveis metros e ainda detém uma força sobre-humana, algo que Carter descobre ser muito útil quando descobre que caiu em meio a uma guerra milenar pela sobrevivência de Barsoon.

Carter luta pela sobrevivência contra dois macacos albinos

A princípio lutando somente por si, Carter acaba aos poucos se apaixonando pela princesa da cidade de Helium, a mesma princesa que dá nome ao título do romance original de Burroughs. A princesa, Dejah Thoris está de casamento marcado com Sab Than, príncipe de Zodanga que massacra Helium com seu exército. O casamento na verdade serve como um cessar fogo para a guerra. Além disso Carter tem de lutar contra a indecisão de regressar para a Terra ou permanecer no planeta vermelho ao lado da mulher que ama.

John Carter e Dejah Thoris

Produção grandiosa rica em efeitos especiais, John Carte entre Dois Mundos não apresenta uma história original, o que é realmente original é a forma como ela nos é contada. O diretor Andrew Staton trabalhou duro ao lado dos roteiristas Mark Andrews e Michael Chabon para que cada página do roteiro fosse indispensável para o filme de mais de duas horas e meia de duração.

Apesar de ser rotulado como ficção científica esta só serve mesmo é de pano de fundo para uma clássica história de romance e tragédia com um protagonista altruísta mas despedadaçado emocionalmente, uma beldade audaciosa de sangue nobre e um vilão tão sádico quanto ganacioso. No caso o vilão Sab Than é vivido por Dominic West. O canadense Taylor Kitsch encabeça o elenco ao lado de Lynn Collins, ambos trabalharam no incrível X-Men Origens: Wolverine de 2009. Aqui, Collins se parece muito mais com a personagem que desempenhou no filme do carcaju. Mês que vem Kitsch também poderá ser visto ao lado da cantora Rihanna em Battleship, adaptação do clássico jogo Batalha Naval. Willen Dafoe, Mark Strong, Ciáran Hinds e Samantha Morton fecham o elenco de astros do filme.

Com um custo na casa dos US$250 milhões, John Carter entre Dois Mundos já tem sua continuação nos planos da Disney, a adaptação do segundo livro do personagem, The Gods of Mars, cujo título provisório adotado pelo estúdio é John Carter: The Gods of Mars. O plano da Disney é fazer uma trilogia com o personagem de Edgar Rice Burroughs.

John Carter entre Dois Mundos é sem dúvida um dos maiores filmes do ano. Na verdade ele é mais do que isso. É mais porque parece ser algo vindo de outro planeta e que jamais havia sido descoberto. Esse estranho sentimento de que o nosso futuro pode estar guardado em nosso passado e nem desconfiamos disso é algo estranho mas muito mais inspirador e que consegue acalentar nossas mentes e por quê não, nossos espíritos?

Trailer

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X-Men Origens: Wolverine

Lá estava eu olhando meio desinteressado a força com que a chuva batia contra o vidro das janelas. Por mim eu teria ido embora debaixo do temporal mesmo, nunca me importei de tomar chuva. Ao invés disso me recostei no sofá de couro escuro do saguão do edifício e abri minha mochila. Apanhei a caixa parda de papelão e a abri. Depois de conseguir emergir do mar de confete que transbordou para todo lado eu apanhei o meu presente de aniversário dado por meus dois irmãos e minhas cunhadas. Estava olhando, ainda incrédulo e cheio de uma felicidade infantil para nada mais nada menos que X-Men Origens: Wolverine para o PS3. Feliz não apenas pelo jogo mas por ter sido lembrado por meus amigos/familiares.

Bom, antes que isso vire um “Querido diário” vamos direto ao ponto. Antes eu vou dar o grande desfecho desse dia. Na volta para casa eu ainda tomei a maior chuva, até aí estava tudo bem. Passei no supermercado (até super-heróis precisam comer) e caí no meio da calçada com aquelas caixas de papelão porque usar saquinho vai destruir o planeta. Mas se você pagar por eles nada acontece. Depois da vergonha e de fazer aquela cara de “nossa, o que aconteceu?” cheguei em casa e corri para estrear meu presente de aniversário.

Na história vemos como James Howlett ou Logan, como preferir, ganhou seu esqueleto e garras de adamantium, se tornou a tão misteriosa Arma X, seu romance com a Raposa Prateada e sua eterna rixa com o Dentes de Sabre. O game é baseado na produção homônima para o cinema de 2009 que assim como está implícito no título conta as origens de um dos personagens mais queridos dos quadrinhos, porém os desenvolvedores da Raven Software tomaram a liberdade de introduzir muito mais coisas na aventura do irado carcaju que o game em certos momentos parecerá ser uma história completamente inédita que se completa com os eventos reproduzidos do filme que intercalam presente e passado através de flashbacks.

X-Men Origens: Wolverine não é tipo de game psicológico cheio de quebra-cabeças a serem resolvidos. O game é pancadaria generalizada do começo ao fim em cenários tão longos e vastos mas que acabam sendo repetitivos que deixam aquela sensação de dejá vù constante porém não ao ponto de enjoar. Cortar, fatiar, estripar, esmurrar e chutar nunca foi tão divertido e prazeroso. A jogabilidade é quase totalmente pegada emprestada de God of War, o que se encaixa perfeitamente no game de um cara como Wolverine que assim como Kratos faz o tipo bater antes, bater mais um pouco e se sobrar alguma de algum coitado aí sim pensar perguntar alguma coisa.

Além da violência que recheia a aventura ela também vem regada a muito, mas muito sangue mesmo, o que torna a aventura para adultos. O processo de regeneração de Logan é visível e se dá em tempo real. Apanhe muito e você será um esqueleto de metal todo destripado com um enorme topete andando por aí até voltar a ter a cara de Hugh Jackman. O jogo também traz algumas coisas interessantes como a utilização do olfato animal de Wolverine para se localizar no cenário que indica rapidamente a direção que o jogador deve seguir ou para saber que caminho determinado personagem tomou para escapar. Isso serve como o detective mode que apareceria em Batman: Arkham Asylum meses depois no mesmo ano. Além disso é possível melhorar habilidades e aprender novas maneiras de literalmente destruir seus inimigos. Atacar seus oponentes com os chamados lunges que consiste em dar pulos enormes para perfurá-los com suas seis garras mortais enquanto ouve Hugh Jackman berrar enfurecidamente é de longe o melhor modo de satisfazer o desejo assassino que existe em todo gamer.

Wolverine executando lunge.

Como ponto alto do jogo estão as batalhas contras os chefes de cada estágio: a sequência aérea contra o Sentinela, a “tourada” com Blob no supermercado (nessa época ainda podia usar as sacolinhas), a demolição com Gambit no cassino e o embate final contra Deadpool. Além disso há os destravamento de trajes clássicos do herói que são liberados após se completar desafios de muita pancadaria contra si mesmo nessas versões após coletar os itens escondidos in game.

X-Men Origens: Wolverine é a prova de que com mais capricho e tempo de trablho um game à altura do personagem pode ser feito. Quem sabe um excelente game de Wolverine inspirado nos próprios quadrinhos ainda não pinte por aí seguindo na cola do sucesso dos dois últimos jogos originais de Batman.

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