Arquivos do Blog

Um olhar aprofundado sobre as Bond girls

Não importa a cor da pele, o nome, a nacionalidade ou se preza ou não pela virtude. Bond girls devem ser belas, únicas e sofisticadas e nos parágrafos a seguir vamos embarcar juntos no universo dessas mulheres que fizeram e fazem o agente James Bond perder a cabeça em um estudo detalhado das mais de 195 mulheres que apareceram nas telonas ao lado do espião e suas inspiraçãoes que vieram de mulheres reais para as páginas dos romances de Ian Fleming e que saltaram para as telas do cinema.

Foi em 1953 que a primeira aventura de James Bond apareceu. No livro Cassino Royale onde o espião tinha de derrotar um agente soviético chamado Le Chiffre nas mesas de bacará em um luxuoso cassino no sul da França a primeira Bond girl surgiu e se tornou referência. Vesper Lynd foi a primeira a arrebatar o coração de James Bond ao ponto de fazer 007 abandonar a profissão para se casar e constituir uma vida a dois, mas após a morte da amada Bond descobre que esta era na verdade uma agente dupla trabalhando para seus inimigos do outro lado da Cortina de Ferro.

Depois de Vesper Lynd muitas outras mulheres passaram pela vida de James Bond. A cada novo romance de Ian Fleming uma nova garota era apresentada e muitas semelhanças são notadas entre elas. Na maioria das vezes as Bond girls tem idade estabelecida na casa dos vinte anos, mais precisamente entre 23 e 25 anos, a mais velha sendo Pussy Galore já na casa dos 30 e a mais nova Gala Brand com 18 anos sendo uma das raras exceções com quem o espião não chegou a se envolver amorosamente. Uma grande parte das garotas de Bond sofreram abusos sexuais quando jovens e acabaram por desenvolver uma expécie de aversão aos homens o que as tornam mulheres fortes e independentes, porém nenhuma delas é capaz de resistir ao charme do espião. Fora isso outra semelhança entre elas são os detalhes de sua aparência. Fisicamente muitas Bond girls se parecem entre si onde são descritas por Fleming como tendo os cabelos sempre ao natural caídos sobre os ombros, os olhos bem afastados entre si e se vestem de modo pouco vaidoso com sapatos de bico quadrado, relógios masculinos e nem sempre fazem uso de jóias além de apresentarem unhas curtas e desesmaltadas.

Indo na contramão onde a maioria das mulheres nos anos 50 eram donas de casa dependentes de seus maridos as Bond girls eram mulheres independentes que trabalhavam para o governo ou sendo até criminosas, algumas chegando a reger seu próprio sindicato do crime como é o caso de Pussy Galore.

Na maior parte das histórias de Fleming os interesses românticos de Bond fazem de algum modo parte essencial da trama sendo peça-chave na missão do agente, porém em certos casos elas não passam de puros objetos sexuais como uma espécie de berloque para entreter o espião em suas horas vagas.

INSPIRAÇÕES E CURIOSIDADES

Muitas histórias sobre a origem das Bond girls são contadas mas nenhuma delas é dada como certa. A primeira delas é que as Bond girls em sua maior parte são inspiradas na pessoa de Christine Granville, espiã nascida em 1 de maio de 1908 na Polônia. Seu nome real era Krystyna Skarbek e ela era apenas alguns dias mais velhas que Fleming que nascera no dia 28 do mesmo mês e ano e de quem fora amante de acordo com a própria Christine. Muitos dizem que Christine foi a inspiração do escritor para as personagens de Vesper Lynd e Tatiana Romanova.

Christine foi encontrada morta no dia 15 de junho de 1952 assassinada a facadas em um quarto do Kensington Hotel em Londres. Seu carrasco foi Dennis Muldowney, um fuzileiro naval e ex-colega obcecado por ela de quem Christine rejeitara investidas. Meses depois em setembro Muldowney foi enforcado pelo crime.

Uma segunda hipótese que ronda as origens pouco conhecidas das Bond girls é a de que Muriel Wright que fora amante devota de Fleming nos anos de 30 e 40 apesar das várias outras aventuras do autor tenha sido a inspiração para todas as Bond girls. Muriel era excepcionalmente bela além de ser uma talentosa piloto de automóveis, esquiadora, jogadora de polo, independente, rica e modelo. Apesar de tais características Muriel também era inocente e vulnerável e sofreu uma morte terrível em 1944 em um borbardeio pouco antes de seu casamento. Devastado Fleming declarou na época que Muriel era boa demais para ser verdade.

Existem outras histórias que se referem a Bond girls expecíficas como em Moscou contra 007 (From Russia With Love) de 1957 em que Fleming após uma vasta e detalhada descrição de Tatiana Romanova enquanto ela espera pelo preparo de uma sopa para o jantar em seu quarto ele a compara com a atriz Greta Garbo, e há também semelhanças entre a personagem Gatilho (Trigger) do conto de The Living Daylights, mais conhecido no Brasil como Encontro em Berlim. Gatilho é uma assassina russa que disfaça-se de violoncelista para apanhar o seu alvo que Bond tem a missão de proteger, e curiosamente a meia-irmã de Ian Fleming chamava-se Ammaryllis Fleming e era uma grande violoncelista, então acreditasse que esta tenha servido de inspiração para a personagem.

Ammaryllis Fleming

Entre muitas curiosidade está a personagem vivida ela exuberante Eunice Gayson no primeiro filme da série, 007 contra o Satânico Dr. No (Dr.No) . A personagem Sylvia Trench surge na cena em que vemos James Bond primeira vez. Depois de uma partida de Bacará e regressar para casa após receber sua missão de M o agente reencontra Sylvia em seu apartamento onde fazem amor. No filme seguinte a personagem reaparece em cena romântica com o espião e faz uma referência ao tempo em que ele passou na Jamaica na missão contra o Dr. No e eles ficaram sem se ver. Posteriormente foi revelado que a personagem seria recorrente na série aparecendo em filmes futuros como amante permanente de Bond.

No filme 007 um Novo Dia para Morrer (Die Another Day) a cantora Madonna que canta a música-tema do filme foi a única de todos os que emprestaram suas vozes para uma cançao de um filme de James Bond a aparecer de fato no filme. Madonna apareceu durante alguns poucos minutos como a professora de esgrima Verity. Fato semelhante havia acontecido em 007 Somente para seus Olhos (For Your Eyes Only) onde a cantora Sheena Easton aparece cantando durante a sequencia de créditos depois da abertura do filme.

Outro fato interessante a ser comentado é um caso de conecção entre os filmes de James Bond e a famosa série sessentista The Avengers que transcendeu os anos até os dias de hoje. As atrizes britânicas Honor Blackman e Diana Rigg que interpretaram pepéis-chave na série de TV abandonaram o programa com o intuito de participarem de novos projetos e ambas acabaram sendo escaladas respectivamente como as principais Bond girls nos anos de 1964 e 1969. O ator Patrick Macnee que atuava como o protagonista da série no papel de John Steed apareceu anos depois em 1985 como sir Godfrey Tibbett, perito em cavalos de corrida que ajudou James Bond a desmascarar os planos sinistros de Max Zorin em 007 na Mira dos Assassinos (A View To A Kill). Em 1998 um filme que buscava reviver The Avengers estrelando Ralph Fiennes, Uma Thurman e como vilão Sean Connery foi produzido e recebeu péssimas críticas. Atualmente Fiennes é cogitado para interpretar um papel de destaque no próximo filme de James Bond que tem estréia marcada par 9 de novembro de 2012. O papel que seria interpretado pelo ator de O Paciente Inglês (The English Patient) é mantido sob sigilo.

Fato curioso a respeito das mulheres que fazem parte da vida de James Bond é o sentido de ambiguidade que muitas delas carregam em seus nomes. Um desses casos e por sinal um dos menos conhecidos ocorre com o nome da primeira das Bond girls, Vesper Lynd onde seu nome é um trocadilho com as palavras West Berlin (Berlim Ocidental) em alusão à lealdade da personagem que é forçada a trabalhar como agente dupla para a Inteligência soviética. No segundo livro de Fleming sobre o espião a personagem Solitaire somente é chamada assim por ser virgem e indiferente aos homens, entretanto seu nome de batismo é Simone Latrelle. Mas talvez o mais famoso nome entre as Bond girls seja o de Pussy Galore que na época do lançamento do livro e também anos depois com a adaptação do romance para as telonas causou grande polêmica isso devido ao fato de a palavra pussy em inglês ser um termo chulo para vagina e galore tem tradução de “aos montes”. Fora isso a personagem também era lésbica assumida então jamais um nome ficcional serviu tão bem ao seu personagem.

Nos filmes casos semelhantes também existem como em 007 os Diamantes são Eternos (Diamonds are Forever) de 1971 onde a personagem Plenty O’Toole vivida por Lana Wood apresenta-se a Bond interpretado por Sean Connery com a seguinte frase: “Hi, I’m Plenty”, ao que 007 rebate: “But of course you are.” A palavra plenty em inglês quer dizer abundante, e como Bond percebe rapidamente os seios dela também são.

Talvez mais sutil que os outros nomes mas que também apresenta um jogo de palavras interessante é o nome da Bond girl Kara Milovy do filme 007 Marcado para a Morte (The Living Daylights) de 1987 com um convincente Timothy Dalton em seu primeiro filme no papel do espião. Kara Milovy é uma modificação das palavras em português “cara” significa em inglês “my love”, isso para fortalecer mesmo que indiretamente a candice e inocência da personagem. No filme 007 contra GoldenEye (GoldenEye) de 1995 a Bond girl Xenia Onatopp é uma junção das palavras “on top” e em 2002 no filme 007 Um Novo Dia para Morrer a vilã Miranda Frost interpretada pela atriz inglesa Rosamund Pike recebe esse nome por ser completamente avessa as investidas de Bond vivido pela quarta e última vez nos cinemas por Pierce Brosnan. Em 007 Quantum of Solace (Quantum of Solace) a Bond girl conhecida apenas por agente Fields e vivida por Gemma Arterton em parte alguma do filme revela seu pré-nome a Bond, nem mesmo no momento em que ele a indaga sobre isso. Posteriormente descobre-se que o primeiro nome da personagem é Strawberry o que junto de seu sobrenome Fields tem a tradução livre de “campos de morango”, dai a relutância da moça em revelar o seu nome por inteiro. Apesar disso muitas Bond girls apresentam nomes comuns como Tatiana Romanova, Mary Ann Russell, Judy Havelock, Vivienne Michel e a falecida esposa de James Bond condessa Tereza di Vicenzo.

Não é só com as Bond girls que esses trocadilhos são feitos mas também com  outros personagens como é o caso de alguns dos vilões que tiveram a má sorte de terem seus planos megalomaníacos frustrados pelo agente. O vilão Auric Goldfinger é o maior desses exemplos já que a palavra auric quer dizer “aurico” e Goldfinger tem tradução livre de “dedo de ouro” e assim como o nome de Pussy Galore que é a piloto particular do vilão um nome nunca caiu tão bem ao seu personagem já que Goldfinger é obcecado por ouro e tem o costume de matar suas vítimas pintando-as com tinta dourada o que impede os poros do corpo de respirar e causa morte por asfixia. Outro caso semelhante é o de general Ourumov do filme já mencionado 007 contra GoldenEye onde a primeira parte de seu nome referesse diretamente à palavra ouro. Em Quantum of Solace de 2008 outro que também tem seu nome moldado seguindo estilo semelhante  é o repulsivo general Medrano cujo nome deriva-se da palavra medo.

DIFERENÇAS ENTRE OS LIVROS E OS FILMES

A primeira diferença entre as aventuras originais do espião escritas por Ian Fleming e suas adaptações para o cinema é a ordem cronológica em que ocorrem. O maior exemplo disso se dá com Cassino Royale que foi lançado no ano de 1953 mas somente ganhou uma adaptação oficial em 2006. Com um intervalo de tempo tão grande entre a obra original e o filme mudanças significativas tiveram de ser feitas em matéria de costumes de sociedade como por exemplo uma maior liberdade sexual e a presença da independência feminina que veio ganhando espaço através das décadas foram inseridas no filme.

Apesar de cronologicamente falando os livros e os filmes do espião se distanciarem a essência das histórias mesmo com o passar dos anos continuaram sendo originais e até mesmo atuais.

Outra distinção entre as obras literárias e as películas, isso principalmente nos anos 60 é o fato de que enquanto muitas das Bond girls eram traumatizadas sexualmente nos livros nos filmes tal aspecto era na maioria das vezes pouco explorado ou simplesmente ignorado.

Em qualquer adaptação de um livro para o cinema já se é de esperar que os atores selecionados nem sempre correspondem fisicamente à descrição de seus personagens nas páginas do livro, mas é curioso de se ver até meados dos anos 60 o fascínio exercido pelo indústria cinematográfica, principalmente Hollywood por cabelos louros. Apesar de no primeiro filme de James Bond a atriz Ursula Andress realmente se parecer com sua personagem de Honey Rider de 007 contra o Satânico Dr.No, as atrizes Daniela Bianchi e Honor Blackman que apareceram nos dois filmes seguintes como Tatiana Romanova e Pussy Galore respectivamente em Moscou contra 007 e 007 contra Goldfinger, suas personagens nos livros são morenas e não loiras. A própria esquadrilha de pilotos formada somente por mulheres sob o comando de Pussy Galore tem como integrantes apenas mulheres de cabelos tão claros que chegam a ter um tom platinado.

Ainda na década de 60 as Bond girls eram tratadas como já foi dito antes como enfeites, isso porque suas personagens não eram tão bem desenvolvidas nos filmes como eram nos livros, assim mesmo se um filme do espião da época não contasse com a presença de Bond girls não era impossível para ele cumprir sua missão, somente entediante.

Com a franquia de James Bond entrando na década de 70 os produtores Harry Saltzman e Albert Broccolli e o roteirista Richard Maibaum começaram a desenvolver tramas onde o papel das Bond girls fosse indispensável e que sem o seu auxílio o espião jamais seria capaz de alcançar seus objetivos e poderia até em certos pontos morrer se não fosse pela intervenção de alguma de suas garotas.

Na década seguinte as Bond girls tornaram-se mulheres de ação que não temiam enfrentar o perigo ao lado de 007 e em determinados chegavam a ser tão letias quanto ele o que poderia se tornar uma dificuldade quando alguma delas resolviam mostrar do que eram capaz para o agente como aconteceu em 1985 no filme 007 na Mira dos Assassinos (A View To a Kill) quando May Day encarnada por Grace Jones resolve mostrar ao espião que ela podia ser tão durona quanto ele e isso não só fora dos lençóis…

À partir de meados dos anos 90 quando a cinesérie ressurgiu depois depois de um hiato de seis anos James Bond reapareceu no filme 007 contra GoldenEye cujo nome havia sido tirado da morada de Ian Fleming na Jamaica onde o jornalista se refugiava para dar vida as histórias fantásticas de seu personagem e que curiosamente o próprio Fleming havia roubado o nome de GoldenEye de uma operação da qual fizera parte em seus tempos na Inteligência Naval. Na película de 1995 Bond encontra Bond girls ainda mais independentes do que as que havia se deparado na década anterior. A perceira do vilão era sem dúvida a mais psicopata e ninfomaníacas das mulheres que haviam entrado na vida do espião e talvez o motivo pelo qual 007 não tenha ido para cama com a beldade tenha sido o fato de que a perversa Xenia só era capaz de atingir o orgasmo no momento em que conseguia tirar a vida do parceiro entre suas pernas. Nem mesmo Natalya Simonova na pele da polonesa Izabella Scorupco como principal interesse romântico do agente deu-lhe uma colher de chá o que rendeu ao espião alguns hematomas à mais.

No filme de 2002, ano em que a mais famosa, duradoura e lucrativa cinesérie, somente perdendo para a franquia Harry potter, completava quarenta anos um dos filmes mais audaciosos do espião foi realizado, 007 Um Novo Dia para Morrer, e fora os aparatos tecnológicos mais mortais usados pelo vilão Gustav Graves um debilitado James Bond teve de também “enfrentar” duas novas Bond girls que assim como ele eram agentes treinadas de seus governos que pela primeira vez se igualavam em habilidade e destreza ao espião quarentão. Miranda Frost, como revelado pela atriz Rosamund Pike em documentário especial para os extras do DVD do filme disse que originalmente sua personagem havia sido batizada de Gala Grand, nome da Bond girl do romance Moonraker (007 contra o Foguete da Morte)e que ficou de fora da adaptação de 1979 deste para o cinema. A atriz também contou que o nome somente foi alterado de última hora por revolta dos fãs que não queriam que o nome de uma Bond girl clássica das histórias de Fleming fosse dado a outra.

Dos anos 90 para frente o papel das Bond girls tornou-se tão grande quanto o do próprio James Bond. Enfim, de certo modo as personagens estavam mais parecidas com as que haviam aparecido nos romances originais deIan Fleming quase quarenta anos antes.

AS MAIS MARCANTES BOND GIRLS DO CINEMA

 

Honey Ryder – 007 Contra o Satânico Dr. No (1962)

Apesar de ser considerada a primeira Bond girl da cinessérie a personagem imortalizada pela suíça Ursula Andress na cena em que sai do mar do Caribe usando um biquini branco foi a terceira conquista do espião que já havia se envolvido no começo do filme com a bela e audaciosa jogadora de Bacará Sylvia Trench e depois com a fascinante srta. Taro que nada mais era que uma das várias pessoas na Jamaica sob o comando do malévolo Dr. No.

Sean Connery e Ursula Andress em locação de Dr. No

Tatiana Romanova – Moscou contra 007 (1963)

Apesar do sucesso do primeiro filme foi somente com sua continuação no ano seguinte que o fenômeno de James Bond estourou e a personagem Tatiana na pele da belíssima atriz italiana Daniela Bianchi foi cruscial para que isso acontecesse já que até hoje é quase impossível não se apaixonar pela beleza etérea e a ingenuidade da personagem que se apaixona perdidamente pelo agente de Sua Majestade.

Daniele Bianchi

Pussy Galore – 007 Contra Goldfinger (1964)

A serviço da ganacioso Goldfinger a destemida Pussy Galore foi a primeira Bond girl a se impor contra o agente 007 em um filme que reunia pela primeira vez todos os elementos da fórmula que até hoje resultam no sucesso das películas estreladas pelo espião.

Pussy Galore

Fiona Volpe – 007 Contra a Chatagem Atômica (1965)

Fiona Volpe foi de fato a primeira super vilã a bater de frente com James Bond até seu fim derradeiro em uma agitada pista de dança e uma das únicas a conseguir pelo menos arranhar o orgulho de macho do agente.

[LucianaPaluzzi0704.jpg]

Luciana Paluzzi

Tereza di Vicenzo – 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade (1969)

Esse filme não é apenas lembrado por apresentar George Lazenby no papel de James Bond como substituto de Sean Connery e por ser um dos mais longos e fiéis aos romances de Ian Fleming, mas por ser aquele em que o espião se apaixona e se casa. Infelizmente a senhora Bond interpretada por Diana Rigg é alvejada com um projétil disparado da metralhada de Irma Bunt de um carro dirrigido pelo maior inimigo que James Bond já encontrara até então, Ernst Stavro Blofeld, vivido por Telly Savalas.

Diana Rigg

 

Anya Amasova – 007 o Espião que me Amava (1977)

A personagem de Barbara Bach marca um momento único no universo de James Bond onde Inteligência britânica e soviética tem de unir forças para enfrentar um inimigo em comum e a major Anya Amasova, agente XXX, inicialmente uma concorrente de James Bond tem de unir forças a ele e administrar seus sentimentos de amor e ódio que sente pelo espião, por quem se apaixona e por quem deseja vingar-se pela morte de seu amante. No final a espiã fica a um passo de tirar a vida de 007 com sua própria arma mas opta por entregar-se a seus braços.

Barbara Bach

May Day – 007 na Mira dos Assassinos (1985)

De aparência exótica e pouco feminina a capanga e amante de Max Zorin foi a primeira Bond girl negra a se destavar em um filme de 007. A personagem vivida pela atriz e cantora Grace Jones era tão letal quanto o próprio Bond e sem a ajuda dela o espião jamais teria conseguido impedir os planos macabros do vilão Zorin na pele de Christopher Walken. O nome de May Day referece ao tão conhecido chamado de socorro. Perto do final do filme May Day troca de lado e auxilia Bond contra Zorin e desloca a bomba que o vilão plantara com o intuito de inundar o Vale do Silício em São Francisco. Pasmo em vê-la arruinando seus planos Zorin deixa escapar: ”May Day!”

May Day

Elektra King – 007 o Mundo não é o Bastante (1999)

Este filme é considerado uma das maiores aventuras de James Bond e uma grande obra do cinema pois não peca em nenhum aspecto. Mas também é lembrado por abordar o personagem de James Bond de uma forma pessoal, fato que somente havia ocorrido dez anos antes no filme 007 Permissão para Matar (Licence to kill). Seguindo essa linha mais dramática o filme apresenta Elektra King vivida pela francesa Sophie Marceau que consegue mexer com os sentimentos do espião e em certos momentos tirá-lo da pista de seu real inimigo. Elektra é uma das personagens mais marcantes do universo do espião por ser talvez a mais elegante e mais bela das mulheres que o agente já teve o prazer e o desabor de conhecer. Até hoje dentre todos os seus inimigos Elektra foi a única mulher que James Bond já matou.

Sophie Marceau como Elektra King

Jinx – 007 um Novo Dia para Morrer (2002)

No último filme de Pierce Brosnan no papel do super agente um novo tipo de Bond girl surgiu. A personagem de Halle Berry, uma agente da NSA (National Security Agency/ Agência de Segurança Nacional) se comparava em todos os aspectos a Bond e após passar uma noite de amor com a escorregadia espiã 007 se viu pela primeira vez despertar sozinho na manhã seguinte.

Halle Berry

Vesper Lynd -Cassino Royale (2006)

James Bond pode ter se casado com Tereza di Vicenzo, mas foi com Vesper Lynd que o agente realmente abaixou a guarda, renunciou ao Serviço Secreto e disse pela primeira vez em décadas a frase dos apaixanados: “Eu amo você.” Mesmo com a traição de Vesper e com o coração cheio de ódio a agente não exitou em arriscar a própria vida para salvar a dela. Entre Bond e Vesper houve pela primeira vez uma história real do tipo que existe entre um homem e uma mulher, o que fez o frágil espião fechar-se emocionalmente como um modo de proteção, e apesar de suas negativas ele jamais esqueceu ou deixou de amar a figura de Vesper Lynd. A atriz Eva Green que interpretou Vesper disputa com sua conterrânea Sophie Marceau o título de Bond girl mais bela.

Eva Green na estreia de The Golden Compass

 

AS BOND GIRLS NO MUNDO DOS VIDEOGAMES

As Bond girls passaram a se destacar também nos jogos eletrônicos baseados na mitologia de James Bond quando um dos maiores games de todos os tempos e talvez até hoje o melhor game do espião de Sua Majestade foi lançado em 1997 pelo desenvolvedora inglesa Rareware para Nintendo 64. GoldenEye 007 foi um divisor de águas no mundo dos videogames e serve de referência para muitos games até os dias de hoje. Com GoldenEye os games de James Bond passaram a se basear em histórias mais profundas e apresentar grandes níveis de detalhes. Em games posteriores tais como Agent Under Fire e NightFire que apresentavam histórias originais independente dos filmes apresentavam também Bond girls originais, mas somente com Everything or Nothing de 2004 que trazia um elenco de verdadeiros astros do cinema as Bond girls nos videogames passaram a ser interpretadas também por atrizes e outras famosas.

Heidi Klum e Shannon Elizabeth roubaram a cena no game da EA Games estrelado por Pierce Brosnan em sua última aparição oficial como James Bond. No ano seguinte a cantora Natasha Bedingfield e Maria Menounos se juntaram a Sean Connery na versão de Moscou contra 007 para os consoles da Sony, Microsoft e Nintendo.

Quando os direitos passaram para as mãos da Activision a coisa não mudou e as atrizes Eva Green e Olga Kurylenko interpreteram mais uma vez seus papéis na adaptação de Quantum of Solace que teve seu lançamento junto com o filme no qual se baseava. O game também contava os eventos de Cassino Royale.

No ano passado com o lançamento de Blood Stone que novamente apresentava uma trama totalmente original escrita pelo veterano dos filmes do espião de Sua Majestade Bruce Feirstein que teve sua estreia no universo do agente como um dos roteiristas de 007 contra GoldenEye. A Bond girl da vez foi a britânica Joss Stone que também emprestou sua voz para a canção-tema da aventura.

Curiosamente o autor norte-americano Raymond Benson que de 1997 até 2002 foi o escritor oficial de novos romances de James Bond e responsável pelas novelizações de 007 O Amanhã Nunca Morre, 007 O Mundo Não é o Bastante e 007 Um Novo Dia para Morrer foi o responsável pelo roteiro de alguns games durante os anos 80, alguns até do próprio James Bond, entre eles uma versão de Cassino Royale.

Heidi Klum que interpretou a vilã Katya Nadanova

Joss Stone como Nicole Hunter

 

M E MONEYPENNY

Se existem as Bond girls também existem as Bond women. Apesar de nos livros de James Bond e também nos filmes a figura imponente e respeitosa de M, chefe do Serviço Secreto Britânico ser um homem, uma jogada inovadora e arriscada foi feita em 1995 com o retorno triumfal de Bond aos cinemas quando o lendário persopagem foi substituido pela figura de uma mulher. Desde de GoldenEye a gigante do cinema, Judi Dench vem interpretando M e  mostrando que até uma mulher consegue manter o mais eficiente espião em rédeas curtas.

O primeiro M foi o ator veterano Bernard Lee que interpretou o almirante aposentado da marinha e superior de Bond de 1962 à 1979, ano em que falesceu. No filme seguinte, 007 Somente para seus Olhos (For Your Eyes Only) de 1981 o personagem pela primeira vez não apareceu, deixando o cargo em aberto em uma espécie de homenagem dos produtores ao ator. Depois de Bernard Lee foi a vez de Robert Brown assumir o papel de M. Fato curioso é que Brown já havia aparecido como coadjuvante ao lado de Lee em 007 o Espião que me Amava.

Assim como Lee que ficou no papel por dezessete anos e se imortalizou no imaginário dos fãs como a figura de M, Judi Dench também não decepcionou e já se matém no papel há dezesseis anos. O resposta dos admiradores de James bond foi totalmente possitiva em relação a atriz assumir o papel da chefona de 007 que diz que já que existem as Bond girls, ela é então uma Bond women.

Mas muito antes de Judi Dench tornar-se a superiora de James Bond havia uma mulher que sempre esteve envolvida com o espião, pelo menos de um modo profissional que muitas vezes chegou muito perto de ultrapassar tais barreiras. A srta. Moneypenny, secretária pessoal de M apareceu pela primeira vez na aventura de estréia de 007 no romance Cassino Royale. Entre ela e Bond sempre houve uma atmosfera de flerte que nos filmes foi intensificada com a secretária sempre se derretendo pelo espião que nunca deixou de atiçá-la. O interessante de tal relação é ver que quando Bond realmente está disposto a se envolver com Moneypenny é ela quem o rejeita sempre de modo provocador e brincalhão.

De 1962 a 1985 o papel da srta. Moneypenny foi interpretada pela britânica Lois Maxwell que atuou em quatorze filmes da série e sobreviveu a três Bonds diferentes. E pensar que a atriz que imortalizou-se no papel da secretária de M quase ficou com o papel de Sylvia Trench no lugar de Eunice Gayson. Com a chegada de Timothy Dalton na franquia uma Moneypenny mais jovem teve de entrar em cena e a atriz Caroline Bliss assumiu o papel nos dois filmes estrelados por Dalton. Com a estréia de Pierce Brosnan no papel de James Bond foi a vez de uma nova Moneypenny aparecer. Samantha Bond, que com um sobrenome como esse tinha o dever quase cívico de participar de um filme de Bond embarcou na franquia em 1995 dando a Moneypenny um ar fatal e elegante além de uma dose extra da vacina anti-Bond.

Atualmente especula-se que a atriz britânica Naomie Harris está em negociações com os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccolli para ser a quarta atriz a interpretar a eficiente Moenypenny.

Ficheiro:M trio.jpg

Bernard Lee, Robert Brown e Judi Dench

 

Lois Maxwel  em 2007

 

BOND GIRLS AO REDOR DO MUNDO

Para uma atriz ser escolhida como Bond girl era algo maravilhoso. Significava destaque internacional, a promessa de novos contratos com estúdios maiores além da imagem de sex symbol. Muitas foram as atrizes que decolaram em suas carreiras após terem interpretado Bond girls. Porém com o passar dos anos a situação se inverteu e ser uma Bond girl tornou-se uma espécie de estigma e um obstáculo para projetos maiores. Enquanto que anos antes uma atriz ficar marcada como uma das várias garotas que passaram pela vida de 007 era algo de grande poder e status, ultimamente tornou-se quase uma maldição. Ficar marcada por um personagem seria sempre ser vista como ele e não ser capaz de mudar, algo que para um ator ou uma atriz pode ser fatal.

O lado bom é que ao escolher atualmente uma atriz para o papel de uma Bond girl tornou-se algo para qual os produtores passarm a dedicar mais atenção e a fazer excelentes escolhas. Como prova de que a tal maldição das Bond girls não passa de supertição atrizes que participaram recentemente de filmes do agente dispararam em suas carreiras e hoje brilham como nunca nas telonas, maior prova disso são as atrizes Eva Green e Gemma Arterton. Esta última depois de ter participado de Quantum of Solace emplacacou um sucesso atrás do outro como Fúria de Titãs, Príncipe da Pércia: As Areias do Tempo e o ainda por ser lançado MIB III.

Os vencedores de Cannes deste ano

Mesmo sendo vaiado pelo público em sua primeira exibição, “A Árvore da Vida” de Terrence Malick foi o grande vencedor do 64º Festival de Cannes, levando seu prêmio máximo, a Palma de Ouro. O filme do diretor americano conseguiu encantar o juri da premiação formado por Robert De Niro, Jude Law, Uma Thurman, Martina Gusman, Nansun Shi, linn Ullmann, Oliver Assayas, Mahamat Saleh Haroun e johnnie To que não se deixou intimidar pela opinião negativa do público. Para receber a Palma de Ouro subiu ao palco Bill Pohlad, um dos produtores do filme que recebeu o prêmio no lugar de Terrence Malick que jamais compareceu ao evento na Riviera Francesa e que não se deixa fotografar há três décadas.

Poster de “A Árvore da Vida”


O prêmio de melhor diretor foi para Nicholas Winding Refn por seu suspense “Drive” estrelado por Ryan Gosling. O prêmio de melhor atriz foi para Kirsten Dunst por seu trabalho em “Melancolia” de Lars Von Trier, diretor expulso do festival na quinta-feira após causar polêmica ao dizer em uma coletiva de imprensa que era nazista. Já como melhor ator o vencedor foi o francês Jean Durjadin pelo muitíssimo bem recebido “The Artist” do diretor Michel Hazanivicius, filme mudo em preto e branco .

Kirsten Dunst

Jean Durjardin


O Prêmio do Júri foi para a cineasta francesa Maiwenn, por “Polisse” enquanto que houve um empate no Grande Prêmio do Festival, segundo prêmio mais importante depois da Palma de Ouro entre o turco “Once Upon a Time in Anatolia”, de Nuri Bilge Ceylan, e “The Kid with a Bike”, dos irmãos Jean-Luc e Pierre Dardenne dividiram a honraria.

Ao todo foram duas dezenas de filmes que disputaram entre si a Palma de Ouro de Cannes, a mais importante vitrine de cinema do mundo, a maioria deles sendo filmes de origem européia.

O vôo do morcego

 

Foi em 1939 que a criação de Bob Kane e Bill Finger surgiu na revista de histórias em quadrinhos Detective Comics. Batman, o homem-morcego apareceu para bater de frente com outro super-héroi de uma publicação concorrente, o Superman da Action Comics, tanto que muitas semelhanças entre os dois vigilantes podem ser notadas até os dias de hoje como no figurino bicolor onde ambos tem seus símbolos costurados sobre o peito, vestem uma cueca da cor da capa sobre a calça, cinto amarelo e botas de cano alto além do fato de ambos terem sua própria cidade ficcional.

A primeira vez que Batman, alter-ego do bilionário Bruce Wayne(na época em que surgiu era milionário) apareceu foi na cidade de Nova York lutando contra o crime com assas de pano no lugar da capa e orelhas curvas e não retas como se tornariam mais tarde. Depois o herói iria combater nazistas na Segunda Guerra Mundial. Quando pequeno o jovem Bruce perdeu os pais durante um assalto nos becos da violenta cidade de Gothan após os três saírem de um espetáculo teatral. Atormentado e podendo contar somente com o apoio de seu mordomo Alfred Pennyworth o rapaz cresceu determinado a enfrentar os demônio de seu passado e se rebelar contra a tirania da cidade gótica.

Os mais marcantes artistas que já tiveram o privilégio de desenhar o herói além de Bob Kane que não tinha um traço tão bom assim foram Frank Miller e Jim Lee. Foi o carrancudo Miller quem trouxe os quadrinhos de Batman de volta à vida nos anos 80 com a sua obra intitulada simplesmente O Retorno do Cavaleiro das Trevas que mostrava um Batman de meia idade mais sombrio e brutal do que nunca, mas não se enganem, apesar da história de Miller ser insuperável seu traço do herói é deplorável. Foi com Jim Lee que Batman ganhou o século XXI nas revistas em quadrinhos. Os desenhos cheios de detalhes e impecáveis de Lee alavancaram o herói como só havia acontecido antes com Miller.


Batman de Jim Lee


Batman tem uma vasta coleção de inimigos, entre eles o sádico Coringa, também conhecido no submundo como o Palhaço do Crime cuja verdadeira identidade continua sendo um dos maiores mistérios de toda a mitologia do super-herói até hoje. Entre os mais conhecidos vilões do Cavaleiro das Trevas estão o sagaz Charada, o disforme Duas-Caras, a excêntrica Arlequina, namorada do Coringa, a mortífera Hera Venenosa, o “esquentadinho” sr. Gelo e o falante e aristocrático Pinguim além da bela e escorregadia Mulher-Gato com quem o heroí mantém um eterno caso de amor e ódio.

Entre seus principais aliados Batman conta com o mordomo Alfred, o menino prodígio Robin, identidade secreta de Dick Greyson, o comissário de polícia James Gordon e sua filha Barbara, vulgo Batgirl, nas horas vagas.

O universo de Batman já sofreu tantas, mas tantas mudanças desde que surgiu nos anos 30 que se é quase impossível estabelecer uma linha cronológica exata que não seja tão exagerada quanto um desfile de escola de samba. Então a única parte conhecida universalmente e que é imutável é a origem e as motivações do herói.

Com o passar dos anos Batman já teve bonecos, kits vendidos com máscaras e batarangs, inúmeros desenhos animados, integrou a Liga das justiça, teve um bem sucedido seriado nos anos 60, filmes derivados do tal seriado que rendeu até um filme solo da Mulher-Gato e muitas outras imersões em mídias diversas.

Um dos aspectos mais perturbadores sobre Batman são as piadinhas feitas sobre sua sexualidade. Como o herói não possui um par romântico definido em suas histórias como acontece com Superman e Lois Lane e ainda por cima o bilionário Bruce Wayne mora com um menino orfão, o Robin, Batman é chamado até hoje de pedófilo e homossexual pelos que se acham mais engraçadinhos. Porém há um lado positivo. Enquanto Superman/Clark Kent batalha para conseguir manter um relacionamento sério  e pacífico com Lois, o homem-morcego já conquistou inúmeras beldades.

Batman e Robin em paródia “animada” gay


Mas foi somente em 1989 que um filme verdadeiramente hollywoodiano e fiel ao universo sombrio e melancólico do personagem apareceu moldado pelas mãos e a mente excêntrica de Tim Burton. Michael Keaton desempenhou o papel do Cavaleiro das Trevas e ninguém mais do que Jack Nicholson interpretou o arquinimigo do morcegão, o Coringa. Como interesse romântico do herói um personagem que não saiu dos quadrinhos foi posto no filme, o de uma jornalista que corria atrás de notícias sobre o Batman e de seu alter ego Bruce Wayne e foi encarnada por Kim Bassinger.

O filme fez um sucesso estrondoso e gerou uma continuação ainda melhor três anos depois, Batman – O Retorno, dessa vez tendo como vilões a Mulher-Gato inpecavelmente interpretada por Michelle Pfeiffer e o Pinguim na pele do impagável Danny De Vito. Papel esse que caiu como uma luva para o ator.

De Vito como Pinguim


Os dois filmes vinham para se juntar aos dois primeiros filmes de Superman das décadas de 70 e 80 que já haviam mostrado que filmes de super-hérois era algo possível e incrivelmente rentável. Batman estava em alta como jamais estivera antes e mais um filme foi feito em 1995, mas não era difícil perceber que havia algo um tanto diferente.

No filme Batman Eternamente a cadeira do diretor deixou de ser de Burton que serviu ao projeto somente como produtor e passou para Joel Schumacher e Micahel Keaton foi substituído pelo insípido Val Kilmer. Com o sucesso das películas anteriores uma gama de artistas de peso foi trazido para o novo filme. A beleza hipnotizante de Nicole Kidman deixou o herói babando pela psiquiatra Chase Meridian, personagem da atriz e par romântico de Batman que tentava analisar o seu interior perturbado. Jim Carrey e Tommy Lee Jones incorporaram respectivamente os vilões Charada e Duas-Caras dando continuidade à linha que se estabelecera no filme anterior de apresentar dois algozes para o Cavaleiro das Trevas. Uma recém reestabelecida Drew Berrymore servia de uma das namoradinhas do ex-promotor pirado Harvey Dent(Duas-Caras) e pela primeira vez o menino prodígio deu as caras na pele de Chris Odonnell.

O que havia de incomum no filme era o tom que ele estabelecia. Enquanto nos filmes passados a atmosfera gótica e depressiva que misturava armonicamente cenários contemporâneos com cenários dos anos 30 parecendo ser um filme que se passava realmente na época em que surgiu o personagem foi abandonada e toda modernizada e o uso de cores extravagantes deixou o filme com uma cara pesada e enjoativa, lembrando um pouco o seriado dos anos 60 de um jeito ruim.

Mais um filme foi lançado em 1997 desta vez com George Clooney, recém saído da série ER e Chris Odonnell nos papéisl título de Batman & Robin. Schumacher mais uma vez foi o diretor, novamente houve dois vilões, Sr. Gelo e Hera Venenosa e Schumacher repetiu o mesmo erro.

Apesar do colorido exagerado do filme de 1995 ter sido bem sucedido nas bilheterias, Batman & Robin teve um roteiro tão ruim que a maior expectativa de quem assistiu o filme nos cinemas era a hora em que as luzes se acenderiam para que eles pudessem enxergar o caminho de volta. A interpretação de Clooney conseguiu ser pior que a de Kilmer e a incersão de Batgirl interpretada por Alicia Silverstone que despontara dois anos antes em As Patricinhas de Beverly Hills e a do vilão Bane, coadjuvante e estranhamente esverdeado e burro como uma porta, nada fiel à figura dos quadrinhos foi decepcionante. Talvez se no lugar de Silverstone sua companheira em As Patricinhas de Beverly Hills, a atriz Stacey Dash tivesse interpretado o papel da heroína mascarada o desempenho poderia ter sido bem melhor.

o trio “escadinha” de Batman & Robin


a deslumbrante Stacey Dash


Ao todo o filme era maçante e apresentava um festival de cores ainda maior que o anterior, Batman ganhou mamilos, os veículos e as gadgets mais se pareciam com brinquedos de criança que gostam de ver luzes que piscam. Nem mesmo a boa interpretação de Arnold Schwarzenegger e Uma Thurman como os vilões salvou o filme, a roupa de super-vilão do sr. Gelo causava mais risadas de pena do que pavor. Em resumo, o personagem que se saiu melhor em todos os aspectos foi a de Hera Venenosa, incrivelmente sexy na pele de Uma Thurman.

Uma Thurman e Arnold Schwarzenegger


Conclusão: Schumacher conseguiu de vez tirar toda a essência do herói junto com o respeito que ele havia conseguido em décadas, sem falar em sua sagacidade e virilidade que também foram exterminadas. Batman estava de vez no limbo, enterrado para sempre no cemitério dos mais desastrosos do cinema.

Os filmes de super-heróis ficaram esquecidos e a vida continuou, para Batman nos quadrinhos e desenhos animadas e a única voz que se ouvia do homem-marcego não era a de nenhum astro famoso do cinema mas sim do ator pouco conhecido e dublador Kevin Conroy que emprestava sua voz guturral e trovejante para o cavaleiro das trevas em suas aventuras animadas para a televisão.

Foi nos anos 2000 que os quadrinhos invadiram de vez as telonas. Primeiro com X-Men que abriu as portas para que seus companheiros super poderosos mostrassem do que eram capazes. Em seguida veio o primeiro Homem-Aranha, uma continuação para os X-Men e uma segunda aventura do teioso. Com o gênero consolidado pelas duas maiores franquias da editora Marvel e um Quarteto Fantástico a caminho era hora de Batman ressurgir das trevas na qual estava esquecido, como na clássica história de Frank Miller.

Em meados de 2005 Batman Begins foi lançado. Tinha direção de Christopher Nolan que também assinou o roteiro ao lado de David Goyer. O sucesso da produção foi descomunal. Estava tudo lá, em um filme de quase três horas com um visual impecável e uma história tão densa que poderia ser verdade, tudo muito bem acompanhado por uma magnífica trilha de Hans Zimmer.

O galês Christian Bale assumiu o papel de Batman e deu um show de talento com sua interpretação intensa do personagem. À primeira vista Bale seria como Keaton, Kilmer e Clooney, ofuscado pelo próprio personagem, mas não foi o que aconteceu. Nas primeiras horas de filme nos concentramos somente em Bale e em como um quase inconsequente jovem Bruce Wayne luta contra si mesmo e se torna o mais temido dos vigilante, escorregadio como uma sombra e ao mesmo tempo invisível e presencial como o vento.

Contracenando com Bale estavam os veteranos Michael Caine e Morgan Freeman como Alfred e Lucius Fox, este último fazendo sua primeira aparição em um filme de Batman. Liam Neeson ficou com o papel de Ras’ al Gul e Cillian Murphy como o dr. Jonathan Crane, o Espantalho e a bonitinha Katie Holmes, mas nada mais do que isso fazia a advogada de promotoria Rachel Dawes e principal interesse romântico do herói.

Com o sucesso do filme uma continuação foi preparada e lançada em 2008. O tempo de duração era maior, a trama melhor e o retorno foi um dos maiores da história do cinema. O filme custou US$158 milhões e teve um lucro de mais de 1 bilhão de dólares! Nada comparado aos filmes de Schumacher dez anos antes.

Batman – O Cavaleiro das Trevas apresentava como vilão o Coringa, desta vez interpretado pelo já falecido Heath Ledger que transpirou talento na pele do maníaco, roubando a cena do herói como havia acontecido quase vinte anos antes quando o papel tinha sido encarnado por Jack Nicholson. O desempenho do ator foi tão impressionante que nem foi notado a falta do alívio cômico de sua companheira Arlequina. Ledger ganhou um Oscar póstumo por seu trabalho em O Cavaleiro das Trevas. Mas o Coringa não foi a única pedra na bota de Batman que ainda teve de lidar com a escorregadia máfia italiana liderada pelo personagem clássico de Salvatore Marone na pele de Erik Roberts e também com Duas-Caras. O interessante do última personagem mencionado é ver sua transformação de promotor idealista para homem com sede de vingança e finalmente para o imprevisível bipolar. Vendo o Duas-Caras de Aaron Eckhart um sentimento de vergonha alheia pela versão do personagem de Tommy Lee Jones em 1995 é inevitável.

Heath Ledger e Jack Nicholson como Coringa


File:Two-faceEckhart.jpg

Aaron Eckhart como Duas-Caras


Rachel Dawes voltou a aparecer desta vez com uma participação maior e mais significativa, a mudança foi a troca de atrizes, já que Maggie Gyllenhaal substituiu Katie Holmes. Depois do lançamento de Batman Begins o diretor Christopher Nolan disse que o casamento de Katie com Tom Cruise na época estava ofuscando a presença de seu filme e que ele não sabia se ela estaria no próximo filme. A troca não podia ser melhor. Apesar de uma atriz de certo modo lembrar a outra Maggie mostrou um jeito muito mais profundo e verdadeiramente comprometedor para com a interpretação da personagem, não lembrando em nada a performanse desinteressada da sra. Cruise. Outro fator que chamou atenção para a nova atriz foram suas feições, bonitas, mas de um modo pouco convencional, aniquilando totalmente a lembrança de que um dia o papel havia sido da insossa Katie Holmes.

The Dark Night Rises, terceira parte da trilogia idealizada por Nolan está em fase de pré-produção com as filmagens já agendadas para terem início em maio. A trama é mantida em segredo mas alguns dos personagens e atores que marcarão presença no filme já foram revelados. Além do grupo de personagens fixos de Bruce Wayne, Alfred e Lucius Fox as novas figurinhas a aparecer serão a Mulher-Gato, o vilão Bane e talvez Talia al Gul, filha do vilão do primeiro filme. Existiam rumores de que o papel de Talia ficasse com Eva Green que estava fazendo testes para o filme, mas recentemente foi anunciado que ela participará como protagonista na nova produção de Tim Burton chamada Dark Shadows, um remake de uma antiga série sobrenatural dos anos 60. A dúvida que fica é se com a agenda cheia para as filmagens com Burton a atriz teria tempo para se dedicar ao novo Batman, isso já descarta quase que completamente a atriz do projeto.

Outro astro já confirmado é o ator Tom Hardy que trabalhou com Nolan em A Origem no ano passado. Muito se especulou que o papel que Hardy interpretaria seria o vilão dr. Hugo Strange(adoro esse nome), isso porque o novo game do Batman que sai em novembro deste ano tem o personagem como antagonista principal. Comparações entre Hardy e Strange foram feitas principalmente por fotos do filme Bronson onde o ator apesar de interpretar a famoso prisioneiro Charles Bronson se parece muito com o vilão diretor do Asilo Arkhan, careca com um espesso bigode e fisicamente grande. Mas o papel do ator será o de Bane que não é um dos mais preferidos dos fãs de Batman. Resta saber como será a abordagem que Nolan dará ao personagem, se será mais fiel e inteligente como nos quadrinhos(lembre da versão de Schumacher) e como será seu visual, se seus músculos exageradamente desenvolvidos serão feitos com próteses, em CGI ou se Hardy terá de suar a camisa malhando como um louco para se tornar monstruosamente gigante até maio.

Tom Hardy à esquerda e Bane à direita

 

Mas ainda resta um outro personagem para se falar a respeito. A Mulher-Gato. Dessa vez a gatuna será vivida pela meiga de aparência etéria Anne Hathaway. Muitos aprovaram a escolha da atriz de imediato, enquanto outros nem tanto assim. Apesar de nada mais ter sido revelado o papel da personagem parece combinar de um modo bastante natural com a atriz.

montagem de Anne Hathaway como Mulher-Gato


Há poucos dias foi anunciado que o ator Joseph Gordon-Levitt também participará do filme, alguns apostam que seja como o charada, como haviam feito no filme anterior.

Mas com todas essas novidades existe o mesmo perigo dos filmes de décadas passadas. Batman pode acabar sendo ofuscado pelos outros personagens e isso não seria nada bom para os fãs que também nunca deixaram de protestar contra um aspecto dos filmes do homem-morcego. Batman sempre foi chamado de o maior detetive do mundo, mas essa característica nunca foi usada em nenhum dos filmes do herói.

Alguns ainda fazem piadas de mal gosto apostando na volta de Schumacher depois da saída de Nolan da franquia. Se isso acontecer os tais engraçadinhos ainda vão morder a língua até sangrar de arrependimento pela brincadeira infame.

Deixando de lado hollywood entramos no mundo dos games. Apesar de inúmeros títulos lançados para consoles Batman nunca fez grande sucesso. Em 2005 foi lançada uma adaptação fuleira de Batman Begins onde o único fator originale era o medidor que apontava o nível de medo dos inimigos.

Em 2008 foi anunciado um novo título porém este não seria uma adaptação do filme daquele ano. No final do agosto do ano seguinte Batman Arkhan Asylum foi lançado alcançando o título de melhor game do ano e obtendo nada menos do que 96% de aprovação das maiores revistas especialisadas no assunto. A trama girava ao redor de um motim dos prisioneiros do Arkhan liderados pelo Coringa.

A continuação chamada Batman Arkhan City mostra a disputa de poder entre Duas-Caras e Mulher-Gato na hierarquia do crime da cidade-presídio regida pelo dr. Hugo Strange que nos quadrinhos e também no game descobre a verdadeira identidade de Batman. Além desses ainda há a volta do Coringa e de Arlequina.

Sem dúvidas o universo de Batman sofreu inúmeras transformações através dos anos e com certeza continuará passar por muitas outras para que os fãs não se acomodem e claro não parem de comprar os produtos que levam a nome do cavaleiro das trevas. O que se espera no mínimo é que tais mudanças sejam positivas e não contribuam para arrastar o herói para o limbo dos esquecimento.