Arquivos do Blog

Crítica: Planeta dos Macacos: A Origem

“Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais (…) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.”, já dizia Charles Darwin, autor de A Origem das Espécies publicado em 1859. Com seus estudos aprofundados Darwin derrubou por terra teorias como a de Lamarck que afirmava que a evolução das espécies se dava por necessidade ao meio em que viviam enquanto Darwin provou que a evolução das espécies se deu pela seleção natural onde os menos aptos não sobreviviam ao seu habitat e suas condições, vindo assim a desaparecer.

As palavras de Darwin acima transcritas que tomei a liberdade de pegar emprestadas encaixam-se perfeitamente no novo Planeta dos Macacos: A Origem, filme que serve de prelúdio para a saga iniciada em 1968 com o clássico de ficção cientíca O Planeta dos Macacos protagonizado por Charlton Heston.

No novo capítulo da franquia adormecida desde 2001 com o remake de Tim Burton da película original, temos como foco da história não um humano mas sim um chimpanzé chamado César, filho de uma macaca que servia de cobaia de laboratório onde lhe era testada uma droga capaz de aumentar as capacidades mentais e reconstruir células cerebrais, em outras palavras, as mesmas de James Franco no filme, a cura para Alzheimer. Quando a substância estava pronta para ser testada em humanos um incidente que resulta na morte da mãe de César inviabiliza todo o projeto.

Após levar o símeo recém-nascido para casa, Will, personagem de James Franco e responsável pelo experimento descobre que a droga foi passada de mãe para filho e que o pequeno apresenta as mesmas características de sua progenitora. Com o passar dos anos Will surpreende-se cada vez mais com o raciocínio quase humano de César e passa a usar a substância em seu próprio pai que sofre de Alzheimer. Além de obter a cura a droga também desenvolve as capacidades cerebrias do pai de Will mas depois de alguns anos o medicamento deixa de apresentar resultados positivos e a doença volta a surgir.

Após uma desventura com um vizinho ao qual César responde violentamente o macaco tem seu enjaulamento decretado pela justiça.

Em seu novo “lar” o símeo é apresentado a outros macacos. O abrigo é comandado pelo personagem de Brian Cox e por seu filho asquerosamente perverso vivido por Tom Felton que aqui mostra que não ficou marcado pela figura de Draco Malfoy da série Harry Potter. César e os outros primatas são maltratados, vivendo em jaulas e tomando choques elétricos. Revoltado com o comportamento humano César consegue escapar e invade a casa de Will de onde rouba frascos da nova versão do experimento que o transformou no ser tão incrivelmente inteligente que é a espalhando entre seus companheiros, e aí, depois de uma hora e meia de diálogos brilhantes e cenas tocantes que mantém harmoniosamente o equilíbrio entre o drama da vida animal e a decepção perante a podridão do espiríto humano que resulta na perda da esperança de César que a ação toma conta da tela com a revolta dos primatas.

Planeta dos Macacos: A Origem tem  direção e roteirização incríveis, respectivamente de Rupert Wyatt e a dupla Rick Jaffa e Amanda Silver. Drama e ficção se mesclam na tela com imensa naturalidade de modo que ver a macacada desvairada causando o caos em São Francisco não parece algo a temer mas sim algo a se aceitar como se fosse esperado, tamanho o brilhantismo com qual as cenas foram concebidas, isso talvez porque vemos o mundo através dos olhos de César o que nos faz entender sua profunda angústia em relação aos homens.

No elenco James Franco e Freida Pinto fazem um casal, mas os dois servem somente de coadjuvantes. O verdadeiro protagonista é César, interpretado por Andy Serkins através de captura de movimentos. O ator já havia desempenhado o papel de Gollum da saga O Senhor dos Anéis e King Kong no remake de Peter Jackson através da mesma técnica. A desenvoltura do ator britânico mais uma vez surpreende, mover-se e criar os trejeitos de uma criatura  fantasiosa é uma coisa mas fundir características de primata com homem é algo fabuloso, Serkins tem aqui sua melhor atuação em não interpretar um ser humano.

A mensagem do filme é clara: “A evolução se torna revolução”. Mexer com a natureza sempre foi o maior passatempo do homem, passatempo esse que hoje apesar de ter facilitado muito a sua vida também é o grande responsável pelos maiores males que atualmente consomem o planeta.

Se comparado ao primeiro filme da série lá nos anos 60 temos uma inversão de papéis. Na época de Charlton Heston vemos os humanos aprisionados e maltrados pelos símios falantes e tiranos, enquanto no novo filme vemos esses animais sendo usados e descartados pelo homem, a diferença é que ao ver na tela os macacos serem açoitados, eletrocutados e torturados onde mais dói, no âmago, a compaixão e revolta que sentimos é quase incalculável enquanto ao ver as cenas onde os subjugados são os homens sentimos, mas sem a coragem de dizer, bem feito, vocês merecem, nós merecemos isso.

Mesmo com uma racionalidade humana César não se julga no direito de esmagar aqueles que a gerações vem orpimindo sua espécie, ele e sua trupe de primatas só querem ser livres para ir para casa. No final as palavras de Darwin se mostram mais uma vez sábias. “(…) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.” Esses não são sentimentos esclusivos dos homens, do homem a única exclusividade é poder ser mau e o mau causar.

Trailer: Planeta dos Macacos: A Origem

Anúncios

Disputa à francesa

De um lado Eva Green e no outro Marion Cotillard. As duas atrizes francesas tiveram recentemente seus nomes envolvidos com a produção The Dark Knight Rises próximo filme da franquia Batman e a última parte da trilogia idealizada por Christopher Nolan.

Apesar de nada sobre a trama ter sido revelado acreditasse que uma das personagens do novo filme será Talia al Ghul, filha do vilão derrotado pelo Cavaleiro das Trevas em Batman Begins de 2005. Várias atrizes concorriam ao papel e desde que Anne Hathaway foi anunciada como a nova Mulher-Gato e o nome de Eva Green circulava entre os boatos da produção acabou por se criar quase que inconscientemente uma expectativa entre os fãs do herói que esperavam ver duas das mais talentosas e belas atrizes da geração atual juntas e encarnando personagens clássicas dos quadrinhos. Era quase certa a participação da atriz de Cassino Royale, mas como tudo que parece ser bom demais para ser verdade nunca é foi divulgado que Eva Green fora contratada para o elenco de Dark Shadows, novo filme de Tim Burton o que praticamente a elimina do páreo.

Eva Green


Foi então que o nome Marion Cotillard surgiu. Como é costume de Nolan reprisar a parceiria com atores que já trabalhou em produções anteriores é quase certo que o papel tenha sido dado a Marion. A confirmação de quem realmente ficará com o papel sairá em breve.

Marion Cotillard


Apesar de Marion Cottilard ser uma atriz excepcional e ter trabalhado em filmes marcantes e possuir uma beleza cativante é muito difícil para a maioria das atrizes ser aceita, pelo menos no imaginário dos fãs de cinema em um papel que outrora esteve envolvido com o nome de Eva Green. Será difícil até o lançamento do filme não pensar em Marion sem pensar em Eva e acabar por sentir um pouco de pena da atriz de A Origem, que apesar de ter aparentemente conquistado o papel não deixará de ser ofuscada pela imagem de sua compatriota francesa. Isso, claro, na produção do novo Batman, já que Marion Cottillard também tem seu brilho próprio e é muito provável que tal opinião, tal pesar na verdade, se transforme quando a performance da atriz puder ser vista nas telonas.

O vôo do morcego

 

Foi em 1939 que a criação de Bob Kane e Bill Finger surgiu na revista de histórias em quadrinhos Detective Comics. Batman, o homem-morcego apareceu para bater de frente com outro super-héroi de uma publicação concorrente, o Superman da Action Comics, tanto que muitas semelhanças entre os dois vigilantes podem ser notadas até os dias de hoje como no figurino bicolor onde ambos tem seus símbolos costurados sobre o peito, vestem uma cueca da cor da capa sobre a calça, cinto amarelo e botas de cano alto além do fato de ambos terem sua própria cidade ficcional.

A primeira vez que Batman, alter-ego do bilionário Bruce Wayne(na época em que surgiu era milionário) apareceu foi na cidade de Nova York lutando contra o crime com assas de pano no lugar da capa e orelhas curvas e não retas como se tornariam mais tarde. Depois o herói iria combater nazistas na Segunda Guerra Mundial. Quando pequeno o jovem Bruce perdeu os pais durante um assalto nos becos da violenta cidade de Gothan após os três saírem de um espetáculo teatral. Atormentado e podendo contar somente com o apoio de seu mordomo Alfred Pennyworth o rapaz cresceu determinado a enfrentar os demônio de seu passado e se rebelar contra a tirania da cidade gótica.

Os mais marcantes artistas que já tiveram o privilégio de desenhar o herói além de Bob Kane que não tinha um traço tão bom assim foram Frank Miller e Jim Lee. Foi o carrancudo Miller quem trouxe os quadrinhos de Batman de volta à vida nos anos 80 com a sua obra intitulada simplesmente O Retorno do Cavaleiro das Trevas que mostrava um Batman de meia idade mais sombrio e brutal do que nunca, mas não se enganem, apesar da história de Miller ser insuperável seu traço do herói é deplorável. Foi com Jim Lee que Batman ganhou o século XXI nas revistas em quadrinhos. Os desenhos cheios de detalhes e impecáveis de Lee alavancaram o herói como só havia acontecido antes com Miller.


Batman de Jim Lee


Batman tem uma vasta coleção de inimigos, entre eles o sádico Coringa, também conhecido no submundo como o Palhaço do Crime cuja verdadeira identidade continua sendo um dos maiores mistérios de toda a mitologia do super-herói até hoje. Entre os mais conhecidos vilões do Cavaleiro das Trevas estão o sagaz Charada, o disforme Duas-Caras, a excêntrica Arlequina, namorada do Coringa, a mortífera Hera Venenosa, o “esquentadinho” sr. Gelo e o falante e aristocrático Pinguim além da bela e escorregadia Mulher-Gato com quem o heroí mantém um eterno caso de amor e ódio.

Entre seus principais aliados Batman conta com o mordomo Alfred, o menino prodígio Robin, identidade secreta de Dick Greyson, o comissário de polícia James Gordon e sua filha Barbara, vulgo Batgirl, nas horas vagas.

O universo de Batman já sofreu tantas, mas tantas mudanças desde que surgiu nos anos 30 que se é quase impossível estabelecer uma linha cronológica exata que não seja tão exagerada quanto um desfile de escola de samba. Então a única parte conhecida universalmente e que é imutável é a origem e as motivações do herói.

Com o passar dos anos Batman já teve bonecos, kits vendidos com máscaras e batarangs, inúmeros desenhos animados, integrou a Liga das justiça, teve um bem sucedido seriado nos anos 60, filmes derivados do tal seriado que rendeu até um filme solo da Mulher-Gato e muitas outras imersões em mídias diversas.

Um dos aspectos mais perturbadores sobre Batman são as piadinhas feitas sobre sua sexualidade. Como o herói não possui um par romântico definido em suas histórias como acontece com Superman e Lois Lane e ainda por cima o bilionário Bruce Wayne mora com um menino orfão, o Robin, Batman é chamado até hoje de pedófilo e homossexual pelos que se acham mais engraçadinhos. Porém há um lado positivo. Enquanto Superman/Clark Kent batalha para conseguir manter um relacionamento sério  e pacífico com Lois, o homem-morcego já conquistou inúmeras beldades.

Batman e Robin em paródia “animada” gay


Mas foi somente em 1989 que um filme verdadeiramente hollywoodiano e fiel ao universo sombrio e melancólico do personagem apareceu moldado pelas mãos e a mente excêntrica de Tim Burton. Michael Keaton desempenhou o papel do Cavaleiro das Trevas e ninguém mais do que Jack Nicholson interpretou o arquinimigo do morcegão, o Coringa. Como interesse romântico do herói um personagem que não saiu dos quadrinhos foi posto no filme, o de uma jornalista que corria atrás de notícias sobre o Batman e de seu alter ego Bruce Wayne e foi encarnada por Kim Bassinger.

O filme fez um sucesso estrondoso e gerou uma continuação ainda melhor três anos depois, Batman – O Retorno, dessa vez tendo como vilões a Mulher-Gato inpecavelmente interpretada por Michelle Pfeiffer e o Pinguim na pele do impagável Danny De Vito. Papel esse que caiu como uma luva para o ator.

De Vito como Pinguim


Os dois filmes vinham para se juntar aos dois primeiros filmes de Superman das décadas de 70 e 80 que já haviam mostrado que filmes de super-hérois era algo possível e incrivelmente rentável. Batman estava em alta como jamais estivera antes e mais um filme foi feito em 1995, mas não era difícil perceber que havia algo um tanto diferente.

No filme Batman Eternamente a cadeira do diretor deixou de ser de Burton que serviu ao projeto somente como produtor e passou para Joel Schumacher e Micahel Keaton foi substituído pelo insípido Val Kilmer. Com o sucesso das películas anteriores uma gama de artistas de peso foi trazido para o novo filme. A beleza hipnotizante de Nicole Kidman deixou o herói babando pela psiquiatra Chase Meridian, personagem da atriz e par romântico de Batman que tentava analisar o seu interior perturbado. Jim Carrey e Tommy Lee Jones incorporaram respectivamente os vilões Charada e Duas-Caras dando continuidade à linha que se estabelecera no filme anterior de apresentar dois algozes para o Cavaleiro das Trevas. Uma recém reestabelecida Drew Berrymore servia de uma das namoradinhas do ex-promotor pirado Harvey Dent(Duas-Caras) e pela primeira vez o menino prodígio deu as caras na pele de Chris Odonnell.

O que havia de incomum no filme era o tom que ele estabelecia. Enquanto nos filmes passados a atmosfera gótica e depressiva que misturava armonicamente cenários contemporâneos com cenários dos anos 30 parecendo ser um filme que se passava realmente na época em que surgiu o personagem foi abandonada e toda modernizada e o uso de cores extravagantes deixou o filme com uma cara pesada e enjoativa, lembrando um pouco o seriado dos anos 60 de um jeito ruim.

Mais um filme foi lançado em 1997 desta vez com George Clooney, recém saído da série ER e Chris Odonnell nos papéisl título de Batman & Robin. Schumacher mais uma vez foi o diretor, novamente houve dois vilões, Sr. Gelo e Hera Venenosa e Schumacher repetiu o mesmo erro.

Apesar do colorido exagerado do filme de 1995 ter sido bem sucedido nas bilheterias, Batman & Robin teve um roteiro tão ruim que a maior expectativa de quem assistiu o filme nos cinemas era a hora em que as luzes se acenderiam para que eles pudessem enxergar o caminho de volta. A interpretação de Clooney conseguiu ser pior que a de Kilmer e a incersão de Batgirl interpretada por Alicia Silverstone que despontara dois anos antes em As Patricinhas de Beverly Hills e a do vilão Bane, coadjuvante e estranhamente esverdeado e burro como uma porta, nada fiel à figura dos quadrinhos foi decepcionante. Talvez se no lugar de Silverstone sua companheira em As Patricinhas de Beverly Hills, a atriz Stacey Dash tivesse interpretado o papel da heroína mascarada o desempenho poderia ter sido bem melhor.

o trio “escadinha” de Batman & Robin


a deslumbrante Stacey Dash


Ao todo o filme era maçante e apresentava um festival de cores ainda maior que o anterior, Batman ganhou mamilos, os veículos e as gadgets mais se pareciam com brinquedos de criança que gostam de ver luzes que piscam. Nem mesmo a boa interpretação de Arnold Schwarzenegger e Uma Thurman como os vilões salvou o filme, a roupa de super-vilão do sr. Gelo causava mais risadas de pena do que pavor. Em resumo, o personagem que se saiu melhor em todos os aspectos foi a de Hera Venenosa, incrivelmente sexy na pele de Uma Thurman.

Uma Thurman e Arnold Schwarzenegger


Conclusão: Schumacher conseguiu de vez tirar toda a essência do herói junto com o respeito que ele havia conseguido em décadas, sem falar em sua sagacidade e virilidade que também foram exterminadas. Batman estava de vez no limbo, enterrado para sempre no cemitério dos mais desastrosos do cinema.

Os filmes de super-heróis ficaram esquecidos e a vida continuou, para Batman nos quadrinhos e desenhos animadas e a única voz que se ouvia do homem-marcego não era a de nenhum astro famoso do cinema mas sim do ator pouco conhecido e dublador Kevin Conroy que emprestava sua voz guturral e trovejante para o cavaleiro das trevas em suas aventuras animadas para a televisão.

Foi nos anos 2000 que os quadrinhos invadiram de vez as telonas. Primeiro com X-Men que abriu as portas para que seus companheiros super poderosos mostrassem do que eram capazes. Em seguida veio o primeiro Homem-Aranha, uma continuação para os X-Men e uma segunda aventura do teioso. Com o gênero consolidado pelas duas maiores franquias da editora Marvel e um Quarteto Fantástico a caminho era hora de Batman ressurgir das trevas na qual estava esquecido, como na clássica história de Frank Miller.

Em meados de 2005 Batman Begins foi lançado. Tinha direção de Christopher Nolan que também assinou o roteiro ao lado de David Goyer. O sucesso da produção foi descomunal. Estava tudo lá, em um filme de quase três horas com um visual impecável e uma história tão densa que poderia ser verdade, tudo muito bem acompanhado por uma magnífica trilha de Hans Zimmer.

O galês Christian Bale assumiu o papel de Batman e deu um show de talento com sua interpretação intensa do personagem. À primeira vista Bale seria como Keaton, Kilmer e Clooney, ofuscado pelo próprio personagem, mas não foi o que aconteceu. Nas primeiras horas de filme nos concentramos somente em Bale e em como um quase inconsequente jovem Bruce Wayne luta contra si mesmo e se torna o mais temido dos vigilante, escorregadio como uma sombra e ao mesmo tempo invisível e presencial como o vento.

Contracenando com Bale estavam os veteranos Michael Caine e Morgan Freeman como Alfred e Lucius Fox, este último fazendo sua primeira aparição em um filme de Batman. Liam Neeson ficou com o papel de Ras’ al Gul e Cillian Murphy como o dr. Jonathan Crane, o Espantalho e a bonitinha Katie Holmes, mas nada mais do que isso fazia a advogada de promotoria Rachel Dawes e principal interesse romântico do herói.

Com o sucesso do filme uma continuação foi preparada e lançada em 2008. O tempo de duração era maior, a trama melhor e o retorno foi um dos maiores da história do cinema. O filme custou US$158 milhões e teve um lucro de mais de 1 bilhão de dólares! Nada comparado aos filmes de Schumacher dez anos antes.

Batman – O Cavaleiro das Trevas apresentava como vilão o Coringa, desta vez interpretado pelo já falecido Heath Ledger que transpirou talento na pele do maníaco, roubando a cena do herói como havia acontecido quase vinte anos antes quando o papel tinha sido encarnado por Jack Nicholson. O desempenho do ator foi tão impressionante que nem foi notado a falta do alívio cômico de sua companheira Arlequina. Ledger ganhou um Oscar póstumo por seu trabalho em O Cavaleiro das Trevas. Mas o Coringa não foi a única pedra na bota de Batman que ainda teve de lidar com a escorregadia máfia italiana liderada pelo personagem clássico de Salvatore Marone na pele de Erik Roberts e também com Duas-Caras. O interessante do última personagem mencionado é ver sua transformação de promotor idealista para homem com sede de vingança e finalmente para o imprevisível bipolar. Vendo o Duas-Caras de Aaron Eckhart um sentimento de vergonha alheia pela versão do personagem de Tommy Lee Jones em 1995 é inevitável.

Heath Ledger e Jack Nicholson como Coringa


File:Two-faceEckhart.jpg

Aaron Eckhart como Duas-Caras


Rachel Dawes voltou a aparecer desta vez com uma participação maior e mais significativa, a mudança foi a troca de atrizes, já que Maggie Gyllenhaal substituiu Katie Holmes. Depois do lançamento de Batman Begins o diretor Christopher Nolan disse que o casamento de Katie com Tom Cruise na época estava ofuscando a presença de seu filme e que ele não sabia se ela estaria no próximo filme. A troca não podia ser melhor. Apesar de uma atriz de certo modo lembrar a outra Maggie mostrou um jeito muito mais profundo e verdadeiramente comprometedor para com a interpretação da personagem, não lembrando em nada a performanse desinteressada da sra. Cruise. Outro fator que chamou atenção para a nova atriz foram suas feições, bonitas, mas de um modo pouco convencional, aniquilando totalmente a lembrança de que um dia o papel havia sido da insossa Katie Holmes.

The Dark Night Rises, terceira parte da trilogia idealizada por Nolan está em fase de pré-produção com as filmagens já agendadas para terem início em maio. A trama é mantida em segredo mas alguns dos personagens e atores que marcarão presença no filme já foram revelados. Além do grupo de personagens fixos de Bruce Wayne, Alfred e Lucius Fox as novas figurinhas a aparecer serão a Mulher-Gato, o vilão Bane e talvez Talia al Gul, filha do vilão do primeiro filme. Existiam rumores de que o papel de Talia ficasse com Eva Green que estava fazendo testes para o filme, mas recentemente foi anunciado que ela participará como protagonista na nova produção de Tim Burton chamada Dark Shadows, um remake de uma antiga série sobrenatural dos anos 60. A dúvida que fica é se com a agenda cheia para as filmagens com Burton a atriz teria tempo para se dedicar ao novo Batman, isso já descarta quase que completamente a atriz do projeto.

Outro astro já confirmado é o ator Tom Hardy que trabalhou com Nolan em A Origem no ano passado. Muito se especulou que o papel que Hardy interpretaria seria o vilão dr. Hugo Strange(adoro esse nome), isso porque o novo game do Batman que sai em novembro deste ano tem o personagem como antagonista principal. Comparações entre Hardy e Strange foram feitas principalmente por fotos do filme Bronson onde o ator apesar de interpretar a famoso prisioneiro Charles Bronson se parece muito com o vilão diretor do Asilo Arkhan, careca com um espesso bigode e fisicamente grande. Mas o papel do ator será o de Bane que não é um dos mais preferidos dos fãs de Batman. Resta saber como será a abordagem que Nolan dará ao personagem, se será mais fiel e inteligente como nos quadrinhos(lembre da versão de Schumacher) e como será seu visual, se seus músculos exageradamente desenvolvidos serão feitos com próteses, em CGI ou se Hardy terá de suar a camisa malhando como um louco para se tornar monstruosamente gigante até maio.

Tom Hardy à esquerda e Bane à direita

 

Mas ainda resta um outro personagem para se falar a respeito. A Mulher-Gato. Dessa vez a gatuna será vivida pela meiga de aparência etéria Anne Hathaway. Muitos aprovaram a escolha da atriz de imediato, enquanto outros nem tanto assim. Apesar de nada mais ter sido revelado o papel da personagem parece combinar de um modo bastante natural com a atriz.

montagem de Anne Hathaway como Mulher-Gato


Há poucos dias foi anunciado que o ator Joseph Gordon-Levitt também participará do filme, alguns apostam que seja como o charada, como haviam feito no filme anterior.

Mas com todas essas novidades existe o mesmo perigo dos filmes de décadas passadas. Batman pode acabar sendo ofuscado pelos outros personagens e isso não seria nada bom para os fãs que também nunca deixaram de protestar contra um aspecto dos filmes do homem-morcego. Batman sempre foi chamado de o maior detetive do mundo, mas essa característica nunca foi usada em nenhum dos filmes do herói.

Alguns ainda fazem piadas de mal gosto apostando na volta de Schumacher depois da saída de Nolan da franquia. Se isso acontecer os tais engraçadinhos ainda vão morder a língua até sangrar de arrependimento pela brincadeira infame.

Deixando de lado hollywood entramos no mundo dos games. Apesar de inúmeros títulos lançados para consoles Batman nunca fez grande sucesso. Em 2005 foi lançada uma adaptação fuleira de Batman Begins onde o único fator originale era o medidor que apontava o nível de medo dos inimigos.

Em 2008 foi anunciado um novo título porém este não seria uma adaptação do filme daquele ano. No final do agosto do ano seguinte Batman Arkhan Asylum foi lançado alcançando o título de melhor game do ano e obtendo nada menos do que 96% de aprovação das maiores revistas especialisadas no assunto. A trama girava ao redor de um motim dos prisioneiros do Arkhan liderados pelo Coringa.

A continuação chamada Batman Arkhan City mostra a disputa de poder entre Duas-Caras e Mulher-Gato na hierarquia do crime da cidade-presídio regida pelo dr. Hugo Strange que nos quadrinhos e também no game descobre a verdadeira identidade de Batman. Além desses ainda há a volta do Coringa e de Arlequina.

Sem dúvidas o universo de Batman sofreu inúmeras transformações através dos anos e com certeza continuará passar por muitas outras para que os fãs não se acomodem e claro não parem de comprar os produtos que levam a nome do cavaleiro das trevas. O que se espera no mínimo é que tais mudanças sejam positivas e não contribuam para arrastar o herói para o limbo dos esquecimento.

3 Brancas de Neve e 21 anões

Não, não é delírio de minha parte. Acabou de ser anunciado mais um projeto em live-action baseado no mais famoso conto dos irmãos Grimm, Branca de Neve. Snow White and the Hunstman junta-se a Snow and the Seven e Brothers Grimm: Snow White.

Desta vez a história será centrada na figura do caçador que ensinará a jovem Branca de Neve tecnicas de sobrevivência na floresta. O filme será dirigido por Rupert Sanders e atualmente procura um estúdio que se interesse pelo projeto.

Em junho deste ano, depois do estrondoso sucesso de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton, a produtora Relativity Media adquiriu da roteirista Melissa Wallack uma versão de Branca de Neve descrita como uma “ousada reimaginação em 3D” do conto dos irmãos Grimm. Ryan Kavanaugh, dono da Relativity Media produz o filme ao lado de Brett Ratner, diretor dos três A hora do Rush e de X-Men: Confronto Final.

“Esta não é a Branca de Neve que seus avós conhecem. Melisa voltou ao conto de 500 anos e devolveu elementos que ficaram de fora do filme da Disney. Os anões não são mineiros, mas ladrões. Haverá um dragão, como no original. Walt [Disney] fez um dos maiores filmes de todos os tempos, mas o nosso terá mais humor e ousadia”, disse Ratner.

O último dos três projetos na verdade foi o primeiro a ser apresentado, em 2007, com início das filmagens agendadas para 2008, mas desde então não se teve mais notícias. O filme seria dirigido por Francis Lawrence, diretor de Constantine e Eu sou a Lenda para a Disney.

Na trama uma jovem garota britânica criada na Hong-Kong do século XIX percebe que seu destino é lutar contra uma força malígna. Ela então é treinada por sete mestres Shaolin.

O roteiro foi escrito por John Harmon e por Scott Elder, sendo depois revisado por Scott Moore e Jon Lucas. O título, Snow and the Seven é, ou era provisório. O projeto na verdade é antigo, mas parece que não vingou mesmo.

Yuen Woon-Ping, coreógrafo preferido de artes marciais que trabalhou em Matrix e Kill Bill ficaria a cargo das lutas do filme.