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O Homem de Aço

Mesmo voando alto e com quase US$700 milhões de bilheteria nas costas o Homem de Aço chegou com um mês de atraso na nossa terrinha verde e amarela. Mas esses 30 dias extras só fizeram aumentar a vontade em ver o reboot cinematográfico do último filho de Krypton.

Com uma trama linear, “O Homem de Aço” começa com a já conhecida destruição do planeta Krypton. Dessa vez a causa do fim do planeta não é impacto iminente contra o sol vermelho que se dirige em direção ao planeta, mas sim a escassez de recursos naturais de Krypton por seus habitantes. Sendo assim, Krypton se tornou instável o bastante a ponto de implodir. Na esperança de evitar a total extinção de sua raça, Jor-El planeja mandar seu único filho, Kal-El, para um planeta com o ecossistema mais parecido com o do seu; no caso, a Terra. Nesse meio tempo o general Zod tenta um golpe de estado mas após se digladiar com Jor-El é preso e aprisionado na já conhecida Zona Fantasma. Vingativo, Zod jura destruir o filho de Jor-El. A partir daí o filme só caminha em linha reta, mostrando o jovem Kal-El já na Terra, sob o nome adotivo de Clark Kent e fazendo de tudo para esconder suas habilidades especias de nós terráqueos e em constante busca do seu verdadeiro destino e de sua origem.

“Moço, deixa eu entrar! Esqueci minha licença para voar na outra roupa.”

Sob a batuta única de Zack Snyder, produção dedicada de Christopher Nolan e escrita detalhista de David Goyer, “O Homem de Aço” dá uma boa repaginada no personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster 75 anos atrás. Agora completamente contemporâneo, o novo Superman tenta ser tão pé no chão quanto foi a trilogia do Cavaleiro das Trevas dirigida por Nolan. Kal-El não é tratado como um super-herói ou um ser divino. O último filho de Krypton é visto como um alienígena que serve como resposta para a questão se estamos ou não sozinhos no universo. Apesar de uma boa ficção, a produção consegue se estabelecer com uma certa verossimilhança em sua trama, o que mostra o seu diferencial.

Sexta grande produção realizada em live action sobre herói com o selo da Warner Bros., “O Homem de Aço” se mostra equivalente ao que foi “Batman Begins” oito anos atrás, da trilogia citada acima. Uma história de origem que sem pressa evita tropeços antes de mostrar o seu protagonista adequadamente trajado com seu uniforme clássico. Porém, ao contrário do primeiro filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas, em que os dois primeiros atos trazem a grande sacada de mostrar como Bruce Wayne se transforma em Batman e o começo de sua atuação em Gotham, para terminar com um último ato com o básico embate de mocinho contra bandido, em “O Homem de Aço” acontece o oposto. Atravessamos o começo e o meio do filme extremamente ansiosos, mas não apenas pelo que nos é mostrado de imediato, mas sim porque tudo o que aparece na tela fomenta a curiosidade pela primeira aparição de Clark Kent vestido como Superman e pelo clímax do filme e o inevitável embate entre o homem de aço e Zod.

Apesar de famoso em todos os cantos do mundo e ser o precursor de todos os super-heróis modernos, sendo o primeiro da chamada Era de Ouro das histórias em quadrinhos, Superman sempre foi um personagem que dividiu opiniões. Por ser praticamente indestrutível e ser um verdadeiro escoteiro ao representar os ideais do que é correto acima de tudo, sempre acabou sendo superior a qualquer outro super-herói, e é isso o que acaba por criar uma falta de simpatia de muita gente por ele. Afinal, ninguém gosta de alguém muito certinho. Acontece que no novo filme uma boa parte dessas características é moldada não de modo a favorecer o personagem, mas justamente o oposto. No filme de Zack Snyder é abordado o sacrifício do herói em fazer suas escolhas em nome do que é certo. Isso dá um senso de dramaticidade ao personagem que evidentemente sofre com muitas das escolhas que faz. É o preço que se paga por ser um caxias.

“It’s not an ass.” Não, péra!!!

Aproveitando o fato de ser um dos mais poderosos super-heróis de todos os tempos e também o mais popular deles, a tríade Snyder/Nolan/ Goyer resolveu não ficar jogando na cara do espectador cada habilidade do Superman e outros fatos já conhecidos de seu cânone. Economizando copiões resolveram mostrar enfim o que os bíceps de Kal-El podem fazer. Em uma mescla de “Transformers” com “Dragon Ball Z” e uma edição mais corrida do que o necessário, os cineastas entregaram cenas de lutas longas e intermináveis que acarretam na destruição de boa parte de Smallville e Metrópolis. A porradaria entre os kryptonianos atinge proporções catastróficas para nós, pobres humanos. Mas quem liga?! O que importa é que enfim o Superman virou homem (agora ele usa a cueca para dentro da calça)!

Falando em homem, dessa vez quem veste a capa vermelha do herói é o britânico Henry Cavill. A interpretação do ator é profunda e eficiente em transmitir o sentimento de solitude vivida pelo personagem e também a sua ira e dor ao emitir gritos que fazem dilatar todas as veias do pescoço. Se dá vontade de sair correndo de medo com os gritos de Hugh Jackman na pele de Wolverine e David Hayter na de Solid Snake, com os de Cavill é melhor sair voando, porque o rapaz se empolga mesmo! Dessa vez as fraquezas que fazem de Kel-El um humano são exploradas de modo significativo que resultam em ações explosivas do herói, e não nas lamentações entediantes de outras produções, tanto filmes como muitas de suas aventuras nas histórias em quadrinhos. Nas palavras do próprio Zack Snyder, “A inocência morreu.”

Batendo de frente com o herói está o clássico vilão General Zod, interpretado por Michael Shannon, extremamente brutal e impiedoso. Desta vez o personagem está menos diplomático e caricato, sem um figurino à la Seco & Molhados como o utilizado por Terence Stamp em “Superman II”. Ao lado de Zod está a bela atriz alemã Antje Traue como sua segunda em comando, Faora. As feições da atriz parecem saídas do traço da desenhista brasileira Adriana Melo, com linhas firmes de uma beleza clássica que se encaixaria muito bem em uma graphic novel. Ainda no time feminino está Amy Adams no papel da intrépida jornalista Lois Lane do Planeta Diário. Se Antje Traue tem os traços de um desenho de Adriana Melo, então Amy Adams tem os de uma das garotas de J. Scott Campbell, mas muito mais sutis e linda o bastante para fazer o sujeito na fileira atrás da minha durante a sessão soltar: “Meu Deus, que mulher!”, durante a primeira aparição da personagem no filme. A participação da repórter se mostra realmente relevante para o desenvolvimento da trama, deixando de ser uma personagem plana com a cabeça voltada apenas para seus furos de reportagem e se tornando uma personagem redonda (não, ela não ganhou peso para o papel). Agora Lois traz emoções e pensamentos menos gananciosos, pensando de modo geral nas situações pelas quais passa e nas consequências que suas ações podem trazer. Afinal ela já tem um Pulitzer, o que mais ela pode querer?

Kal-El indeciso entre Amy Adams e AntjeTraue

Completando o elenco temos Russel Crowe como Jor-El, dando seu show habitual de puro talento na pele do kryptoniano e pai biológico do Superman. Kevin Costner e Diane Lane fazem os pais adotivos do herói, Jonathan e Martha Kent. Ayelet Zurer faz a mãe biológica do home de aço, Lara Lor-Van; Laurence Fishburn interpreta o editor do Planeta Diarío, Perry White, e Christopher Meloni o coronel Nathan Hardy do exército americano.

Em termos estéticos “O Homem de Aço” se desvencilha totalmente dos filmes clássicos estrelados por Christopher Reeve e embalados pelo clássico tema composto por John Williams. A sociedade estatal de Krypton criada para este novo filme é bem desenvolvida nas telas, que também destaca a fauna e flora do planeta, nada mais de cristais brancos para lá e para cá. É uma roupagem totalmente nova, mas sem deixar de lado elementos básicos da mitologia do personagem e do universo DC Comics, como a inteligência artificial Kelex e referências a passagens e diálogos de quadrinhos cultuados do Superman, além de alguns easter eggs bem interessantes. Mas o conceito mais importante de “O Homem de Aço” é o significado do “S” que Superman ostenta em seu peito. Na verdade a letra é um símbolo que significa esperança. Cada família de Krypton tem seu próprio brasão e significado. Pode ser piração da minha cabeça, mas o brasão da família do general Zod é muito parecido com a foice da bandeira da antiga União Soviética. Só ficou faltando o martelo.

Um dos fatores que tornaram os filmes antigos do Superman inesquecíveis foi o tema principal escrito por John Williams. Dessa vez o cargo de escrever a nova trilha sonora ficou com Hans Zimmer, compositor da trilogia do Cavaleiro das Trevas, “A Origem” e a dobradinha de filmes de Sherlock Holmes estrelados por Robert Downey Jr. nos últimos anos. É triste dizer, mas a nova trilha não se compara nem com os trabalhos passado de Zimmer. Com quase duas horas de duração todas as composições são similares entre si, distantes e com cara de que vieram de outro planeta. Infelizmente nada digno de nota. Basta ouvir apenas o tema principal para se captar o sentimento de esperança que permeia o filme, mas esta tem que ser ouvida separadamente, porque durante o filme mal a percebemos.

Em suma “O Homem de Aço” é um verdadeiro filme de super-herói e claramente a melhor produção que já conseguiu adaptar o Superman para todos os públicos. Apesar das mudanças sofridas, não há com o que se preocupar, o último filho de Krypton ainda é o mesmo de quando surgiu nos anos 30. Agora só nos basta aguardar pela sequência e também pelo filme da Liga da Justiça. Zack Snyder já confirmou que voltará para a sequencia de “O Homem de Aço” que será novamente escrita por David Goyer, que também assinou para escrever o filme da Liga. Bom, por hoje chega de escrever!

Trailer

Trilha sonora

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RETROSPECTICVA: Saga Metal Gear

 

O CRIADOR

Com seus olhinhos puxados, cabelos escorridos e rosto achatado e de coloração amarelada, o jovem Hideo Kojima poderia ser apenas mais um dentre centenas de milhares de japoneses que iam ao trabalho pela manhã e regressavam ao anoitecer para saborear um jantar fumegante feito pela esposa. Mas Kojima não era assim. Ele não era comum e começou a mostrar a que veio em meados dos anos 1980.

O garotinho nascido em Setagaya, Tóquio, filho de um membro da Yakuza, a máfia japonesa, flagrava-se assistindo televisão para passar o tempo depois da escola enquanto seus pais trabalhavam fora. Kojima queria ser artista ou então ilustrador, mas foi desencorajado pela família, já que um de seus tios, apesar de ser artista, sofria de problemas financeiros. Kojima acabou então por escrever histórias que seriam publicadas em formato de folhetim em revistas, mas nunca nenhuma de suas histórias chegaram a ser publicadas por serem muito extensas, chegando a ter em média 400 páginas no lugar das 100 páginas pedidas pelas revistas. Depois disso Kojima passou a focar-se em fazer filmes com um amigo utilizando uma câmera de 8mm, o que fortaleceu o seu sonho de ser diretor de cinema que se iniciara anos  antes com os filmes que ele assistia em companhia dos pais em sua infância.

Kojima, em seu quarto ano na faculdade de economia, decidiu-se. Comunicou aos colegas que iria mergulhar de cabeça no mundo dos jogos eletrônicos e que deixaria de lado o seu sonho de ser diretor cinematográfico, justificando que trabalhar nesse meio seria mais satisfatório e citou Super Mario Bros(que completou 29 anos de existência em 2010)de Shigero Miyamoto como um dos games que o influenciaram sua decisão. Com 23 anos ele uniu-se à Konami como designer de games para o MSX da Microsoft, mas estava infeliz com sua função, desejando juntar-se à Nintendo para desenvolver games para o NES (Nintedo Entertainment System) e arcades, isso porque o potencial gráfico do MSX era limitado se comparado ao concorrente e as ideias de Kojima eram sempre postas em cheque por serem “evoluídas” demais para os recursos da época. Em seus primeiros anos na Konami, os erros e fracassos de Kojima devido a sua falta de prática naquela área não o desestimularam e ele desenvolveu um game em 1986 chamado Penguin Adventure como diretor assistente e em 1987 desenvolveu o seu próprio game chamado de Lost World, no qual o jogador tomava o controle de uma lutadora mascarada. O projeto, porém, foi vetado pela Konami.

Hideo Kojima


A CRIAÇÃO

Em 1987 Hideo Kojima aceitou a tarefa de desenvolver um game chamado Metal Gear de um de seus superiores da Konami, mas devido ao sistema precário do MSX2 que não era satisfatoriamente eficiente no rolamento das telas e em mostrar toda a ação que o  game deveria ter, Kojima remodelou tudo desde o princípio a seu modo, inspirando-se no filme Fugindo do Inferno(The Great Escape), transformando Metal Gear em um game de ação furtiva e um dos precursores, senão o primeiro, do gênero stealth.

Lançado somente no Japão e em algumas partes da Europa, Metal Gear acompanha o novato das Forças Especiais Solid Snake em sua tentativa de invadir a fortaleza conhecida como Outer Haven e destruir o tanque equipado com armamento nuclear chamado de Metal Gear. Posteriormente Metal Gear foi lançado para NES, mas sem a supervisão de Kojima, que criticou as diversas mudanças que o jogo sofreu em sua nova versão.

No ano seguinte Kojima criou o game Snatcher inspirado abertamente no filme Blade Runner estrelado por Harrison Ford e Sean Young, mas Kojima e sua equipe tiveram de deixar o game em seu estágio final devido a atrasos no cronograma.

Em 1990 Kojima desenvolveu uma nova versão de seu Snatcher e a sequência de Metal Gear intitulada Metal Gear 2: Solid Snake seguindo o mesmo estilo do game original onde o jogador tinha de se esgueirar pelas sombras a fim de alcançar seus objetivos e evitar o confronto direto com os inimigos. Dessa vez Solid Snake havia adquirido novas habilidades tais como se agachar, se pendurar em beiradas, rastejar por dutos de ventilação e esconder-se em locais escuros fora de vista. Visualmente o game também evoluiu, com melhores gráficos e um melhor desempenho ao trocar das telas de um cenário para o outro. Foi em Metal Gear 2: Solid Snake que surgiu o até hoje utilizado sistema de alarme trifásico e o radar que permitia Snake ver a localização exata de seus oponentes. O game ainda apresentava um enredo muito mais complexo que o anterior, abordando temas como a natureza da guerra e o desarmamento nuclear. Mas o game só veio a ser produzido depois que a Konami decidiu fazer a sua própria sequência do Metal Gear original de 1987 sem o consentimento de Kojima. O game da Konami levava o nome de Metal Gear 2: Snake Revenge e em nada se assimilava à versão posteriormente feita por Kojima. A versão de kojima só apareceria no ocidente após ser inclusa no game de 2006 Metal Gear Solid 3: Subsistence.

Durante os anos noventa Kojima passou a trabalhar em games que posteriormente seriam lançados em CD e não mais em cartuchos, o que possibilitaria a inclusão de vozes para os diálogos. Ele lançou novas versões de Snatcher e o game em estilo noir Policenauts.

ilustração de Solid Snake por Yoji Shinkawa


SURGE O MITO

Hideo Kojima lançou em 1998 sua obra-prima, um dos maiores games da história, que hipnotizou uma geração inteira de jogadores e influenciou outros tantos títulos da indústria que seria impossível calcular quantos foram os que tentaram copiar o mais aclamado dos jogos de vídeo-game, Metal Gear Solid.

O novo Metal Gear foi o primeiro da série a apresentar gráficos em três dimensões e foi lançado para PlayStation e Sega Saturn, os dois únicos consoles a utilizar CDs na época. A furtividade era extrema e as sequências apresentadas e as falas eram dignas de uma produção cinematográfica. Diálogos e cutscenes extensas mostravam algo mais, algo que somente Hideo Kojima poderia criar. A atmosfera dramática típica da cultura de massas japonesa prendia a quem jogava o game com uma força sobrenatural, mais precisamente despertava naquele que jogava um sentimento mais profundo de humanidade e de compreensão do homem que seria levado para a vida toda. Era algo mágico e de uma certa forma entristecedor após chegada a conclusão que alguns de nós realmente não tem o mínimo respeito pelos seus semelhantes. Foi com esse forte sentimento de reflexão quase filosófica que Hideo Kojima transformou a mente de incontáveis jovens que até então jogavam video-game pura e simplesmente para divertir-se.

Outro fator fundamental que se iniciou em Metal Gear Solid foram as trilhas sonoras criadas exclusivamente para os games da série pelos compositores Norihiko Hibino, Harry Gregson-Williams e Nobuko Toda. Músicas tema, em sua maioria compostas pela artista Rika Muranaka,  fazem parte da mitologia de Metal Gear. Em 1998 Rika escreveu a canção “The Best Is Yet To Come” para Metal Gear Solid, “Can’t Say Goodbye” para Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty em 2001 e “Don’t Be Afraid” para em Metal Gear Solid 3: Snake Eater que foi cantada por Elisa Fiorillo, apesar de esta não ser a principal composição do game e sim a canção homônima “Snake Eater” pela voz de Cynthia Harrell. Metal Gear Solid 3 contou também em seus créditos finais com “Way To Fall” da banda britânica Starsailor e composições de David Bowe.

Na história de Metal Gear Solid mais uma vez o jogador tomava o controle de Solid Snake, desta vez um soldado mais maduro e ex-membro da organização secreta FOXHOUND. Ele tem a missão de se infiltrar em sua antiga base em Shadow Moses Island no Arquipélogo da Raposa no Alasca para impedir que um ataque nuclear seja lançado sobre o mundo. Os terroristas estão sob o comando de Liquid Snake e exigem o pagamento de um bilhão de dólares mais os restos mortais de lendário soldado Big Boss, mentor de Solid Snake e criador do Fox Hound. Com a carcaça do antigo soldado Liquid pretende aperfeiçoar a terapia genética para fortalecer seus soldados. Ele chama sua nova fortaleza no Alasca de Outer Haven… um paraiso para soldados mercenários.

Três anos depois, em 2001, quando Hideo Kojima já havia tornado-se uma celebridade respeitada no mundo dos games, foi lançado Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty para PlayStation 2. O novo game apresentava qualidade gráfica superior e melhorias nos comandos do personagem. Porém este fora o único ponto para o qual os fãs torceram o nariz. Ao invés de se jogar com Solid Snake como nos games anteriores da série desta vez o jogadores depararam-se com Raiden, personagam de aparência andrógena que tomara o lugar de Snake, este sendo simplesmente um coadjuvante na trama do game que centrava-se, à primeira vista, no resgate do presidente dos Estados Unidos de uma plataforma marítima onde era mantido refém pelo grupo terrorista Sons of Liberty.

Passados mais três anos foi a vez do maior de todos os títulos da saga aparecer: Metal Gear Solid 3: Snake Eater. Dessa vez o pano de fundo para a trama era a Guerra Fria, sendo o cenário uma floresta russa em 1964. Pela primeira vez ambientado no passado, dessa vez o personagem protagonista era Naked Snake, que mais tarde viria a se tornar o lendário Big Boss. A missão era resgatar um cientista russo que desejava há anos desertar para os Estados Unidos, mas obviamente nada saiu de acordo como o planejado e Snake se vê em uma rede de intrigas e mentiras onde ninguém é quem diz ser.

Uma novidade que realmente agradou aos fãs nesse capítulo da saga Metal Gear foi a mudança dos cenário fechados em bases militares para o ambiente natural de uma floresta, de cavernas e montanhas. Outro fator foi o de sobrevivência. O jogador deveria buscar alimentos para recuperar as forças de Snake além de saber qual o procedimento médico adequado para tratar os ferimentos do espião que iam desde a ossos fraturados, ferimentos à bala e queimaduras.

A Partir de 2004 Metal Gear também embarcou nos consoles portáteis, mais frequentemente no PSP da Sony com os games Metal Gear Solid: Acid, Metal Gear Solid: Acid 2, Metal Gear Solid: Portable Ops e Metal Gear Solid: Peace Walker, fora alguns spinoffs como um game para Game Boy Color cuja a história não faz parte da saga original e uma nova versão de Metal Gear Solid de 1998 para o Game Cube da Nintendo desenvolvido pela Konami em parceiria com a Silicon Knights, mesma companhia responsável por Eternal Darkness, intitulada Metal Gear Solid: The Twin Snakes. Portable Ops e Peace Walker fazem parte dos games de Metal Gear que contam com grandes músicas temas: “Calling To The Night” interpretada por Natasha Farrow e “Heavens Divide” por Donna Burke. Ambas inesquecíveis!

Apesar de ter sido bem recebido entre os fãs e sendo o primeiro game da série a ser lançado para um console Nintendo depois de catorze anos, Metal Gear Solid: The Twin Snakes foi rejeitado pelo próprio Hideo Kojima que afirmou que os movimentos acrobáticos de Snake no game eram muito exagerados. O game porém serviu para atrair uma nova geração de gamers para a saga, semeando as mesmas ideias e despertando os mesmos sentimentos que sua versão original seis anos antes quando revolucionara a indústria. O game contava com gráficos muitas vezes superior, novos diálogos, cortes de câmera mais cinematográficos, novos movimentos de uma jogabilidade melhorada que fazia uso da engine de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty além de diferentes lugares para se esonder e ocultar cadáveres.

Em 2008 a última parte da saga veio à luz. Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots trazia Solid Snake agora sob um codenome diferente mas bastante apropriado. Old Snake. Isso porque o protagonista da série sofrera com uma espécie de envelhecimento precoce muito similar a Síndrome de Werner. Junto de Otacon e Meryl Silverburgh Snake tinha de enfrentar velhos inimigos além de saldar de uma vez por todas dívidas de seu passado e impedir que o mundo sucumbisse perante a ganância  de Liquid Ocelot.

Este capítulo trazia mudanças mais significaticas. A câmera se tornara livre e o combate muito mais intenso, com uma variedade incrível de armas a serem usadas. O estilo furtivo porém permaneceu. Dependia do jogador como cumpriria suas tarefas, na surdina ou entrando em confronto com os inimigos. Novas movimentos foram atribuidos a Snake como rolar pelo chão, agarrar um oponente e levá-lo para o solo e mantê-lo preso sob o corpo até que perdesse a consciência. A trama correu o mundo dessa vez. Ao contrário dos games anteriores que se passavam somente em um único lugar como o Alasca ou uma floresta russa, Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots começava no Oriente Médio e passava posteriormente para a América do Sul, leste europeu, mais uma vez a ilha de Shadow Moses e por fim na fortaleza náutica de Liquid Ocelot, um imenso navio blindado carregado dos dispositivos de defesa mais modernos.

Muitos do fãs ficaram ressentidos que ao término do jogo onde a questão da morte de Snake não é deixada clara, o herói não se casa com Meryl, deixando a vaga livre para Akiba, um dos coadijuvantes do game.

Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots foi considerado o melhor jogo já lançado para PlayStation 3.

no centro Old Snake e da esquerda para a direita Drebin, coronel Campbell, Meryl Silverburgh, Raiden e Otacon

 

Esse último capítulo da saga como não podia deixar de ser também contoucom uma trilha sonora exclusiva e dessa vez muito mais marcante que seus antecessores. Harry Gregson-Williams remodelou a canção Here’s to You, originalmente composta por Enio Morricone e cantada por Joan Baez para o filme Sacco & Vanzetti da década de 1970 para que tivesse um ritmo mais lento e se tornasse triste, quese depressiva, reforçando a ideia de que depois do créditos finais nunca mais veríamos Snake. Love Theme e Old Snake foram compostas por Gregson-Williams para o game, mas assim como o tema musical principal da série eram totalmente instrumentais, dispensando um vocalista.

Em 2009, um ano depois do lançamento de Guns of the Patriots, foi anunciado na E3 um novo game de Metal Gear chamado Metal Gear Solid: Rising. O protagonista será pela segunda vez Raiden. Em 2010, novamente durante a E3, novas, mas poucas informações sobre o novo game foram divulgadas. A história se passa alguns anos antes dos eventos de Guns of the Patriots. Kojima dessa vez atua somente como produtor-executivo e o slogan dos games anteriores, TACTICAL ESPIONAGE ACTION foi trocado por LIGHTING BOLT ACTION, o que indica que é bem provável que o “velho” Snake não deve aparecer no game.

Mais um aspecto que marcou os jogos foi as vozes dos personagens. A voz de Solid Snake e Revolver Ocelot são as mais conhecidas pelos fãs, caracterizando-se por sua rouquidão e seu tom guturral. David Hayter, ator e roteirista de Hollywood que escreveu filmes como X-Men 2 e Watchmen encarna Snake e o ator Patrick Zimmerman Ocelot. Christopher Randolph, Paul Eiding, Jennifer Hale e Demi Mae West entre outros formam o time de dubladores excepcionais que emprestam suas vozes para os outros personagens da série desde 1998.

Outra personalidade importante que contribuiu com todos os games da série, com exceção dos dois primeiros games para MSX e NES foi o ilustrador Yoji Shinkawa que criou o visual dos personagens. Os longos cabelos brancos de Revolver Ocelot assim palidez da pele e dos cabelos de Sniper Wolf e o seu uniforme decotado e sensual foram criações de Shinkawa. Como ilustrador Yoji possui um estilo próprio com figuras sem contorno que geralmente possuem apenas uma única cor que varia em seus valores tonais indo do extremo do tom mais desbotado ao mais saturado. O degradê de tons e cores de Shinkawa define a atmosfera que deve prevalescer sobre o desenho, e isso do modo mais simples possível. Uma figura que utiliza tonalidades diferentes de azul acaba passando a sensação de frio. Ilustrações com essa cor foram bastante usadas no game de 1998 que se passava no Alasca. Figuras com predomínio de cor verde e laranja foram usadas para Metal Gear Solid 3: Snake Eater que se passava em uma floresta. Em Guns of the Patriots uma tonalidade de ouro envelhecido foi a escolhida por Shinkawa para passar o sentimento de algo antigo, já que o próprio Snake estava velho e o jogo seria o último capítulo da série.

Solid Snake, Big Boss e Liquid Snake por Yoji Shinkawa

 

Além de tudo isso um projeto com o objetivo de levar a série dos video-games para os cinemas surgiu em 2006 onde o próprio Hideo kojima admitiu estar animado e que participaria da concepção do roteiro. O produtor Michael de Luca acabou chamando o diretor Kurt Wimmer para desenvolver o roteiro. Mais tarde Wimmer foi escolhido para dirigir a película, mas depois foi dito que ele cuidaria apenas da adaptação para as telas. Paul Thomas Anderson se mostrou interessado em dirigir o filme e o ator Christian Bale declarou que tinha interesse em interpretar o personagem de Snake. Mas em janeiro de 2010 o projeto foi engavetado à pedido da Konami que temia que se o filme fosse mal desenvolvido isso poderia afetar a franquia nos video-games de uma maneira negativa.

Aproveitando o gancho sobre o filme, aqui vão algumas sugestões pessoais de atores que poderiam desempenhar certos papeis em uma película de Metal Gear. No lugar de Christian Bale e Hugh Jackman que foi apontado por alguns para viver Snake, o ator karl Urban seria uma boa escolha. Urban que já trabalhou na trilogia O Senhor dos Anéis e no recente RED se parece fisicamente com Solid Snake. Ambos tem o mesmo olhar de sobrancelhas franzidas e um rosto sério, quase severo, além partilharem o mesmo formato de maxilar. Reparem no queixo de ambos! E Urban não tiraria a credilbilidade do personagem ao usar uma bandana, coisa que quase certamente aconteceria com Christian Bale e Hugh Jackman. A italiana Monica Bellucci poderia encarnar a dra. Naomi Hunter sem problemas, já que a semelhança entre as duas é fantástica! Para o papel de Big Boss, Revolver Ocelot e Old Snake, o ator Sam Elliott poderia facilemente desempenhar os três papéis, já que os três personagens se parecem muito entre si e também com o próprio Elliott.

Karl Urban


Naomi Hunter e Monica Bellucci

 

Sam Elliott


INSPIRAÇÕES DE KOJIMA

 

Hideo Kojima já disse quais foram suas inspirações para a saga. Para o personagem de Solid Snake existem referências dos filmes Fuga de Nova York, como o codenome do personagem de Kurt Russell ser Snake Plissken. Os dois nomes foram usados pelo espião da FOXHOUND. Em Metal Gear Solid 2 o nome Plisskin é usado por Solid Snake para esconder sua verdadeira identidade de Raiden. O tapa-olho utilizado por Big Boss também foi tirado do personagem do filme. Já a bandana de Snake assim como o seu primeiro nome, David, foram ideias inspiradas respectivamentes de O Franco-Atirador de 1978 estrelado por Robert de Niro e 2001: Uma Odisséia no Espaço, onde o protagonista tinha o mesmo nome.

Hal Emmerich, o melhor amigo de Snake conhecido como Otacon(uma junção de Otaku Convencion) teve seu primeiro nome também tirado de 2001: Uma Odisséia no Espaço. O computador de inteligência artificial super avançada se chamava Hal. A passagem no Metal Gear de 1998 onde Sniper Wolf alveja Meryl como um tiro de seu rifle foi tirada do filme Full Metal Jacket de Stanley Kubrick. Psycho Mantis, o personagem de poderes psíquicos e faces retalhadas surgiu depois de Kojima ter assistido ao filme The Fury do mestre Brian de Palma. Curiosamente em Snake Eater um dos vilões teria o nome de The Fury.

Além disso todo o conceito de furtividade do universo Metal Gear surgiu dos filmes Fugindo do Inferno(The Great escape) e Os Canhões de Navarone(The Guns of Navarone) de 1961. Outra curiosidade acontece em Snake Eater quando o major Zero, superior de Naked Snake escolhe o codinome de Tom para ser chamado entre as conversas de rádio, isso porque ele disse este ter sido o nome do túnel pelo qual os prisioneiros do filme Fugindo do Inferno, que haviam construido três túneis conseguiram escapar do campo nazista de segurança máxima onde estavam presos. Depois que a missão falha omajor informa Snake de que este era o nome de um dos túneis em que nada ajudou os prisioneiros e que o túnel pelo qual eles escaparam foi um dos outros dois. Big X e capitão Virgil do filme se assemelham aos nomes de Big Boss e coronel Volgin, vilão de Snake Eater. De acordo com kojima Metal Gear não existiria se não houvem as histórias de James Bond. Kojima afirma que os conflitos de espião contra espião, ameaças nucleares, personagens peculiares e o desejo de domínio mundial por parte dos vilões não seriam possíveis se não houve o agente 007, criado em 1953 pelo escritor britânico Ian Fleming com o romance Cassino Royale. Atualmente James Bond é interpretado nos cinemas pelo ator inglês Daniel Craig.

 

Metal Gear Solid Theme

 

The Best Is Yet To Come

 

Heavens Divide

 

Calling To The Night

 

Snake Eater

 

Here’s To You

 

Way To Fall

Recordar é viver!

Com o sucesso da retrospectiva Tomb Raider entre os seguidores do Chico mais duas retrospectivas de grandes séries dos videogames serão publicadas. A primeira é sobre a saga Metal Gear desde os seus primórdios e a outra será sobre a série de games de survival horror Resident Evil. A retrospectiva sobre os games de Metal Gear serão divididas em duas partes, pois como sabem os fãs dos games de Solid Snake o universo criado por Hideo Kojima é muito abrangente. Aguardem!

Jogue como Raiden em Assassin’s Creed Brotherhood

Crossovers entre as séries Metal Gear da Konami e Assassin’s Creed da Ubisoft estão se tornando algo bem comum. Em 2008 quando Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots foi lançado um dos bônus que o jogador podia destravar era a roupa de Altair, protagonista do primeiro Assassin’s Creed para Solid Snake. Agora é a vez de Ezio Auditore trocar suas vestes brancas pelo exoesqueleto de Raiden. Confira o vídeo abaixo feito por um jogador.