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Captain America: Super Soldier

Aproveitando que o filme de Os Vingadores está bombando mundo afora (eu já vi três vezes), o Chico Louco vos traz a crítica, um tanto atrasada na verdade, do game do Sentinela da Liberdade que foi lançado ano passado junto com o filme Capitão América: O Primeiro Vingador.

Na história do game, Captain America: Super Soldier, acompanhamos o Bandeiroso Steve Rogers em eventos que se passam durante a história do filme do ano passado. Na trama o Capitão América tem de invadir o castelo centenário da família do Barão Zemo na Bavária que serve de base nazista para pesquisas onde o Dr. Zola a mando do Caveira Vermelha tenta recriar o Soro do Super Soldado que tranformou o nosso corajoso Capitão no vingador que é até hoje.

Passando por inimigos clássico do cânone do personagem como Madame Hydra (Víbora), Barão von Strucker e Iron Cross, os eventos totalmente originais mas ao mesmo tempo fiéis às HQs também tem a presença dos Invaders. A reunião de personagens clássicos do herói somados a linha narrativa simples dá aquela nostagia agradável de quando líamos as histórias originais do Capitão ainda pela pena de Joe Simon e pelo traço de Jack Kirby, mas com um diferencial: aqui nós somos o Capitão América.

Chris Evans, Hayley Atwell entre outos reprisam seus papeis dos cinemas no game. Curiosamente, na época de lançamente do jogo acreditava-se que a atriz Natalie Dormer de The Tudors dublaria Madame Hydra, o que não ocorreu de fato. Porém a informação deu margem para o rumor de que a personagem estaria no filme, já que Natalie também está, mas não foi o caso.

Natalie Dormer

Natalie Dormer

Lançado há quase um ano, o jogo feito pela empresa independete Next Level Games e distribuido pela japonesa Sega é livremente baseado no super-sucesso Batman Arkham Asylum desde a engine de combate até o mundo aberto em ambientes labirínticos e segredos escondidos. Porém o estilo se encaixou tão bem para o Capitão quanto para o Cavaleiro das Trevas e não pode ser considerado como uma cópia embalada na produção da Rocksteady.

Visualmente o game surpreende, carregado de brilho e detalhes tanto nos três uniformes do Capitão quanto nos de seus inimigos que são minuciosamente trabalhados, porém quando se trata de sombras e texturas de paredes por exemplo, olhando atentamente a qualidade tende a cair ao ponto de se tornarem nódoas embaçadas.

O game não chega a ser repetitivo, porém os combates contra ordas de soldados da Hydra são intermináveis, o que é bastante envolvente para ver os movimentos fluidos do Capitão e as infinitas façanhas de seu escudo, mas fora isso não há nada de novo.

Capitão América fazendo mingau de seus inimigos

Mais dois elementos vindos direto de Arkham Asylum são as fitas de gravações das sessões psiquiátricas com os internos que em Super Soldier foram substituídas pelo diário do Barão Zemo que é coletado página por página ao decorrer do jogo e ajudam no desenvolver da trama. O outro ponto semelhante são os desafios oferecidos fora da narrativa principal que são bastante fáceis de conquistar a pontuação máxima. Em suma não é nada difícil alcançar os 100% de troféus ou achievements oferecidos pelo jogo.

Barão Zemo por Steve Epting

Quando os estúdios Marvel lançaram Homem de Ferro, seu primeiro filme, em 2008, um game veio acompanhando a estreia do Vingador Dourado no cinema. O título para consoles desenvolvido sob a marca da Sega era mais uma adaptação mal acabada que pegava carona em um blockbuster. Com os filmes seguintes dos heróis da Marvel chegando as telonas nos anos posteriores, mais adaptações furrecas também surgiram, mas esse não é o caso de Captain America: Super Soldier.

O game merece fácil uma continuação, mas fica a dúvida: aparentemente a Sega não possui mais os direitos para produzir games com os personagens Marvel já que o game dos Vingadores foi cancelado em um ano e um novo título será lançado ano que vem pelas mãos da Ubisoft. Quem sabe a francesa não faz novamente uso da Next Level Games para a continuação do Bandeiroso.

História: 7,5

Gráficos: 8,0

Jogabilidade: 8,0

Som: 6,0

Replay: 8,0

Nota Final: 7,5

O melhor: Vestir o uniforme clássico desenhado por Jack Kirby

O pior: Não poder usar o uniforme clássico desde o New Game

Trailer

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Bizarre Creations 1994 – 2011

Não há mais luz. As mesas se encontram vaziam, as janelas fechadas com as cortinas cerradas, os interruptores voltados para baixo e as portas trancadas. Não há um som sequer. É uma imagem congelada do tempo. De um tempo que passou e que enquanto durou foi maravilhoso. Mas agora o que resta apenas é o silêncio. Os móveis guardarão as lembranças felizes de outrora, mas o farão somente para si. Não há mais luz.

Nesta última sexta-feira a Bizarre Creations fechou suas portas pela última vez e é com um forte sentimento de saudosismo que redijo o texto a seguir.

Bizarre Creations foi a evolução da antiga desenvolvedora de games Raising Hell Software fundada em 1988 por Martyn Chudley que mas após sofrer pressão da Sega teve de largar mão do nome Hell e ficou sem um nome até ser adquirida pela Psygnosis que fazia parte da Sony. Os novos donos aceleraram o processo para se achar um novo nome e foi então que o fundador da companhia redigiu no documento de compra entre as duas empresas o nome Weird Concepts. Posteriormente o documento foi passado pela enciclopédia do Microsoft Word e Weird Concepts tornou-se Bizarre Creations. Era a mão do destino.

File:Bizarre Creations 2000 Logo.png

Antigo logo da empresa usado em 2000 – 2001


O time de criação da Bizarre começou com apenas 5 pessoas e logo lançaram mãos à massa e começaram a desenvolver um projeto chamado Slaughter (matadouro). Após assistir ao demo do projeto a Psygnosis se impressionou e incumbiu a Bizarre do desenvolvimento de Formula 1 para o na época inédito PlayStation. O resultado foi que o game de corrida se tornou o mais vendido na Europa no ano de 1996.

File:Formula 1 Coverart.png

Formula 1 foi o primeiro game da Bizarre Creations


A Bizarre passou então a desenvolver games expecializados em corridas. Depois de Formula 1 para PlayStation e PC foi a vez do Dreamcast receber um título da companhia de Liverpool. Metropolis Speed Racer de 2000 assim como a game anterior foi uma grande vitória da empresa.

Em 2001 a Bizarre Creations criou uma das mais bem sucedidas franquias de games do gênero corrida que se iniciou com Project Gothan Racing para Xbox. Dois anos depois a Bizarre foi adquirida pela Microsoft e passou a desenvolver títulos exclusivos para os consoles da companhia de Bill Gates. Nos anos subsequentes duas continuações de Project Gothan foram lançadas entre outros tantos games de gêneros variados até que em 2007 o contrato de exclusividade com a Microsoft terminou e a Bizarre Creations foi incorporada à Activision mas não antes de a quarta parte de Project Gothan ser lançada para o Xbox 360. Depois da separação entre a gigante de Bll Gates e a Bizarre Creations os direitos do título continuaram em poder da Microsoft. A Bizarre não poderia mais desenvolver games sobre a franquia.

File:Project Gotham Racing Coverart.png

O primeiro Project Gothan Racing para Xbox


À partir de 2007 a Bizarre lançou games multiplataforma, investiu em novos gêneros e criou novas franquias como Boom Boom Rocket e Geometry Wars cujo game original saíra ainda durante a parceiria com a Microsoft. O game The Club era algo inédito na empresa que resolveu investir em um gênero muito lucrativo, violência pesada. Em 2010 um quarto game de Geometryc Wars foi lançado para aplicativo de iPhone e um inédito game de corrida chamado Blur chegou às lojas. Mas foi em novembro que aquele que deveria ser um dos maiores títulos da empresa foi o seu último.

File:Blur (video game).jpg

Em 2010 foi a vez de Blur


Em julho de 2010 fora anunciado que o novo game da empresa seria também a nova aventura do mais famoso espião do mundo. James Bond 007: Blood Stone deveria ser um marco para a empresa e também para os fãs do espião que desde James Bond 007: Everythig or Nothing desenvolvido pela EA Games esperavam por um game descente do personagem.

Era possível ver pelos diários em vídeos lançados pela produção o entusiasmo de todos os envolvidos no projeto por estarem trabalhando em um game de um personagem que também era um conterrâneo. Foi criada muita expectativa. Então o game foi lançado e também nocauteado pelo próprio James Bond. No mesmo dia do lançamento de Blood Stone a nova versão de GoldenEye 007 para Wii feita pela Eurocom também em parceiria com a Activision chegou às mãos dos fãs. Era de se imaginar que uma nova versão de um dos games mais prestigiados da história que deflagrou um gênero e um estilo de jogabilidade que é usado até hoje faria muito mais sucesso que um game que apresentava uma história totalmente inédita. Enquanto o novo GoldenEye vendia milhões Blood Stone ia na contramão. Nem seus gráficos superiores e detalhes dados aos cenários e figurinos foram capazes de superar GoldenEye.

File:Blood Stone cover.jpg

James Bond 007: Blood Stone, último game da Bizarre Creations


Com o fracasso do game a Activision disse estar entre a cruz e a espada com a Bizarre Creations e que a companhia corria o risco de fechar. Um mês se passou e enfim o que se mostrava inevitável aconteceu. Como foi dito anteriormente a Bizarre Creations fechou suas portas pela última vez nesta sexta-feira e deixou desempregados cerca de 200 pessoas que se despediram com um forte aperto no peito mas também com o sentimento de dever cumprido.

A última realização desses 200 ex-funcionários foi a concepção de um vídeo de pouco mais de 2 minutos em tributo a todos aqueles que um dia passaram pela empresa. Uma mensagem dedica o vídeo a todos os homens e mulheres que ajudaram a fazer da Bizarre Creations o que ela foi um dia.

Porém somente as pessoas morrem. Um nome, seja ele qual for sempre permanecerá entranhado nas raízes da história não importando o quão profundo tais raízes estejam enterradas. Bizarre Creations 1994 – 2011. Esses números não representam o fim de um nome, apenas de uma fase. Uma companhia com um nome tão “Bizarro” ainda promete muito e um dia voltará para continuar surpreendendo. Tal fato já ocorreu antes com companhias de outras mídias.

A queda da empresa se deu de dentro para fora, como uma implosão. Se os responsáveis fossem mesmo responsáveis jamais teriam marcado o lançamento dos 2 games de James Bond para o mesmo dia. Se tivessem se preocupado em fazer o próprio trabalho, pesquisas e enquetes para saber o que pensavam os fãs jamais teriam cometido tamanho erro. Mas a ganância os fez pensar que ambos os games venderiam como água potável no deserto, ainda mais em uma data tão perto da natal. Eis o resultado. Um game excelente, como foram todos os lançados pela Bizarre acabou por matar a própria mãe ao nascer.

Assista ao vídeo de despedida dos funcionários