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Saga Molusco: Anoitecer

Em 2008 a Saga Crepúsculo estourou nos cinemas e já rendeu três continuações para o triângulo amoroso de Bella, Edward e Jacob. Com tanto sucesso e 2 bilhões e meio de dólares arrecadados ao redor do mundo era de se esperar que logo uma paródia também chegasse as telas dos cinemas.

Escrito e dirigido pelo anônimo Craig Moss (o nome dele nem consta na Wikipedia) a Saga Molusco: Anoitecer, que em inglês tem o título de Breaking Wing que quer dizer flatulência, aborda principalmente os filmes Eclipse e Amanhecer pt. 1. E não se engane, o filme tem tal título em seu original por um motivo óbvio.

Na trama, Bella tem de fugir do exército de vampiros recém-nascidos que intentam eliminá-la por ela ser a única humana que sabe da existência dos vampiros. Nesse momento crítico vampiros e lobisomens tem de deixar de lado suas desavenças que vem de gerações para proteger a garota. Tanto Edward quanto Jake passam a confiar um no outro visando o bem estar da jovem. O filme também aborda o casamento de Bella e Edward e sua gravidez que futuramente irá matá-la, já que a cria é um meio vampiro.

Nada de descente ou original vai aparecer na tela durante a quase uma hora e meia de duração do desastre que é o filme de Craig Moss. O filme que tem classificação 14 anos deveria ser para maiores de 18 pois é recheado de piadas de sexo e cenas grotescas, apesar de soft core, que deixam o espectador enojado. O filme é quase um pornô ruim e fora isso não sobra nada. A produção é vazia e a única sátira real está nos pôsteres do filme. Um Jacob gordo serve de crítica para o físico definido de Taylor Lautner, uma Bella com perguntas sem sentido satiriza a personagem de Kristen Stewart e um Edward que você esquece depois que o filme termina não serve para nada. Ao final vemos vídeos reais de fãs ensandecidas à espera do trailer de um novo Crepúsculo e não deixam duvidas que seriam capaz até de matar se o trailer atrasasse um minuto que fosse para cair na rede.

É fato que o diretor tentou fazer uma crítica aos filmes baseados nos romances de Stephanie Mayer e de como o sucesso da saga é incompreensível para muitos já que apresenta uma história de romance fraca e pouco desenvolvida. A verdade é que muitos se atém ao insosso primeiro filme lá de 2008. Na tentativa de fazer algo vazio sobre outra coisa dada como vazia, craig Moss deu um tiro no pé.

A Saga Molusco: Anoitecer é um filme depreciativo e sujo que nocula o chove-não-molha não apenas da saga original mas como de outros filmes de paródias ou comédias com conteúdo sexual como Todo Mundo em Pânico e American Pie. Se puder, para o próprio bem de seu cérebro não assista.

Trailer

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Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

É com um orgasmo. não, Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres não começa com uma cena de sexo. Na verdade a cena inicial com pouco mais de duas linhas de diálogo começa muito semelhante ao romance de Stieg Larsson. O orgasmo, mental, que isso fique bem claro, começa quase imperceptível logo de cara nos logotipos da Columbia e da MGM e assim que a tela escurece já é possível senti-lo vindo lá do fundo da mente… eis que uma introdução no melhor estilo James Bond que deixaria o célebre Maurice Binder boquiaberto toma a tela, aí não para mais, tudo embalado pela roupagem aguda e célere dada por Trent Reznor e Atticus Ross a canção Immigrant Song do Led Zeppelin aqui na voz arranhada de Karen O. Em menos de cinco minutos de filme já estava satisfeito e de cérebro encharcado.

Baseado na primeira parte da bem sucedida trilogia de livros suecos, Os Homens que não Amavam as Mulheres conta a história do jornalista Mikael Blomkvist da revista Millennium que vive caçando empresários corruptos direitistas, que após ser condenado por calúnia e difamação contra o poderoso empresário Hans-Erik Wennerström resolve se refugiar de tudo e de todos, eis que recebe uma proposta bastante incomum de Henrik Vanger, rico homem de negócios que mora na ilha de Hedeby.

Henrik pede a Mikael que passe a morar na ilha e durante o período de um ano investigue o desaparecimento de sua sobrinha-neta que sumiu no ar quarenta anos atrás. Em troca Henrik promete entregar a Mikael informações valiosas sobre Wennerström.

Mikael passa a receber auxílio da figura mais inusitada possível: uma hacker muito punk chamada Lisbeth Salander, figura cheia de piercings e tatuagens sendo ao que tudo indica mentalmente perturbada e com tendências homicidas e que vive sob a guarda do Estado. A Dupla tem então de desvendar um mistério que perdura há mais de quatro décadas.

Simpatizante com a esquerda, Stieg Larsson era jornalista de uma revista nos mesmos moldes da Millennium

Escritos entre 2003 e 2004 e sendo publicados postumamente, os livros que compõe a chamada Trilogia Millennium não param de vender e conquistar milhares de fãs mundo afora. Com 50 milhões de exemplares vendidos era de se esperar que logo os livros de Larsson fossem adaptados para o cinema, e foi o que aconteceu em 2009 quando os três livros se tornaram películas em co-produções sueco dinamarquesas com Michael Nyqvist e Noomi Rapace nos papéis de Blomkvist e Salander. Os três filmes, Os Homens que não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar se tornaram rapidamente um enorme sucesso na Europa e atraíram o olhar do gigantesco maquinário de Hollywood e a pré-produção da nova versão da primeira parte da odisséia de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander teve início.

Antes mesmo de Hollywood querer fazer sua própria versão das obras de Stieg Larrson, o diretor David Fincher já estava de olho nos mesmos livros, mas para ele Hollywood nunca iria fazer uma franquia para adultos recheada de violência, sexo e anti-semitas extremos como as obras de Larsson, ainda mais com franquias adolescentes como Harry Potter e a Saga Crepúsculo arrecadando milhões aos montes. Eis que, assim que Hollywood se decidiu em fazer adaptações de Millennium, David Fincher foi o escolhido para reger a batuta da nova adaptação.

Fincher é conhecido por ousar, muitos de seus filmes se tornaram ícones do cinemão americano mas sempre com aquela cara de produção independete carregada de sombras e mistério. Alguns exemplos de seus filmes são: Seven – Os sete Crimes Capitais, Alien 3, Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social. Fincher ainda detém a fama de rodar cada tomada nada mais nada menos do que cem vezes! No final não há mais desculpa de ter esquecido as falas.

Com roteiro de Steve Zaillian e comando de Fincher, Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres é uma produção lúgrube mas classuda, carregada de sombras e muitos personagens originais como prato principal que se movem como peças orgânicas e metódicas de uma partida de xadrez, mas o inesperado sempre está à espreita. A obra de Stieg Larsson feita por Fincher se difere completamente da sua versão sueca, aqui tento quase três horas de duração. Detalhes que ficaram de fora do filme sueco aqui aparecem idênticos, ou quase, ao romance de Larsson. O espectador que já leu os livros vai ver como um sanduíche, um maço de Marlboro vermelho e uma varanda fazem toda a diferença.

Mas o maior trunfo do filme vai para a atriz Rooney Mara que interpreta Lisbeth Salander, uma personagem tão complexa como jamais houve e possivelmente jamais haverá. O processo de escolha para o papel foi exaustivo e corrido, pois o tempo era curto, mas Rooney conseguiu o papel após ser testada fisicamente por Fincher, já que foi preciso cortes de cabelo muito estranhos, piercings reais e outros não, tatuagens, descoloração das sobrancelhas, novo jeito de andar, falar, se portar, ter o jeito de um garoto de 14 anos, enfim, Mara É Lisbeth Salander. A entrega da atriz é surpreendente, cada aspecto e sensação que a personagem traz nas páginas escritas por Larsson estão na tela, é magnífico de se ver. Você vai sentir pena, compaixão, raiva e até uma certa atração pela figura incomum, sabe, aquele interesse pelo desconhecido… Você pode até querer abraçá-la mas levará um belo chute nos bagos se tentar.

Rooney Mara encarna a hacker Lisbeth Salander

Fazendo par com Rooney Mara está Daniel Craig. “Não é bem uma escolha. Daniel é muito masculino, tem essa idade indeterminada, entre 38 e 50 anos, e é um ator incrível.”, palavras do próprio Fincher, o que é verdade. Apesar de a descrição de Blomkvist ser mínima nos romances de Larsson, sabe-se que é um sujeito maduro de meia-idade, forte e de cabelos aloirados. A certeza se torna maior com o desempenho de Craig na telona, só não temos certeza se a parte da idade indeterminada serve como elogio.

No elenco ainda estão o sueco Stellan Skarsgard como Martin Vanger, Christopher Plummer fazendo Henrik Vanger, Robin Right como Erika Berger, co-editora da Millennium, Goran Visnjic é Dragan Armasky, chefe de Lisbeth na Milton Security e Joely Richardson como Anita Vanger, mais uma do interminável clã de calhordas. Bom, a maioria.

Toda essa excitação que dá vida ao thriller vem também da trilha de Trent Reznor e Atticus Ross que também trabalharam com Fincher em A Rede Social. A trilha com canções como Sail Away de Enya (sugestão de Daniel Craig), Is Your Love Strong Enough? e How to Destroy Angels é quase tão longa quanto o próprio filme, tendo cerca de 173 minutos de duração e é um dos elementos dessa fórmula fincheriana que fazem de Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres o tipo de filme do qual não se consegue tirar os olhos, não é possível pensar em qualquer outra coisa além do que está rolando na tela.

Pode ser um clichê dizer que filmes te fazem esquecer da vida e viver a de outras pessoas por duas horas mas é mentira. Em determinado momento você vai se pegar pensando: “O que será que terá para o jantar?”, ou “Nossa, como aquela ruiva da recepção é bonita!” Mas isso não acontece com o novo Os Homens que não Amavam as Mulheres. É estranho, surreal se esquecer de si mesmo não por duas horas mas sim por quase três.

David Fincher ainda não sabe se vai retornar para dirigir a continuação, A Menina que Brincava com Fogo cujo roteiro já está pronto e novamente pelo pincel de Steve Zaillian. Fincher diz que o processo é muito exaustivo de passar um ano inteiro filmando na Suécia, mas caso venha a retornar a primeira franquia adulta de Hollywood poderá filmar o segundo e o terceiro filme ao mesmo tempo para facilitar, não só para ele e para o resto da equipe mas também para Rooney Mara, cuja transformação em Lisbeth Salander é um processo tortuoso e extenuante.

Alguns dizem que mesmo os ingredientes típicos de Fincher estarem presentes na tela o diretor não foi ousado como costuma ser em outras produções. Apesar de o filme ter recebido uma classificação etárea alta, 18 anos, as cenas de violência sexual apesar de chocantes não são explícitas do modo como se acreditava que seriam, isso talvez por causa dos censores pudicos da indústria do cinema americano. Existem cenas mais impactantes em folhetins televisivos e nas chamadas “novelas da vida real” que ultimamente viraram febre nos canais de televisão mundo afora com cenas lastimáveis de tão impróprias que são para seus horários.

Enfim, já era hora de filmes barra pesada para adultos misturados com a fórmula de thrillers cerebrais aparecerem. Deixe as crianças e adolescentes de cabelos esticados e tênis coloridos com “Harry, Rony e Hermione” e Edward e Bella e corra para derreter sua mente com Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres.

Trailer

Immigrant Song – Trent Reznor, Atticus Ross & Karen O

Sail Away – Enya