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Max Payne 3

Depois de um hiato de 8 longos anos, Max Payne está de volta para mostrar para muitos shooters por aí o que um game de temática densa e visceral é de verdade, sem censura, sem poupar balas e dando hora extra para muito coveiro de Nova Jersey à São Paulo.

Sem rumo certo a não ser se acabar no fundo de uma garrafa, o ex-detetive mais barra pesada de Mahnattan se vê chafurdado de álcool e analgésicos até as orelhas, penando de bar em bar em Nova Jersey, onde foi morar depois das tragédias que marcaram sua vida nos dois games anteriores da série criada pelo escritor finlandês Sam Lake.

É nesse ínterim desgovernado que o traumatizado anti-herói cruza seu caminho com o de Raul Passos, segurança particular da família do rico empresário imobiliário brasileiro, Rodrigo Branco. Sem luz no fim do tunel, ou melhor, da fossa que virou sua vida, Max aceita o convite do latino e os dois se tornam parceiros à serviço da família Branco, viajando com os ricaços ao redor do mundo, só na mamata. Porém, por mais que tente, Max não consegue afogar seus demônios nas garrafas de uísque que vorazmente ingere.

A trama do game tem início de verdade quando Fabiana, mulher de Rodrigo, é sequestrada em plena rave pelos integrantes da facção criminosa chamada Comando Sombra. Depois de muita tensão em uma tentativa mal sucedida de pagar o resgate pela garota aos miliante torcedores do Galatians Futebol Clube, em um tiroteio épico em pleno estádio, a verdadeira tensão do game começa.

Max curtindo a balada

Seguindo o mais clássico de tramas de filmes policiais dos anos 80 mais a narrativa de Dan Houser, escritor do supra-sumo dos games, Red Dead Redemption, também da Rockstar, mais os elementos enraizados na franquia de Sam Lake, o game consiste na linearidade total da história de um herói decadente sem nada mais a oferecer e inútil até na hora de proteger a própria cabeça de um péssimo corte de cabelo.

Para manter o jogador totalmente dentro da trama, a Rockstar não deixou espaço para reflexão a não ser nos monólogos deprimentes e inspiradores de Max, afinal, as maiores obras de arte nascem das maiores tragédias. Quase como se o viciado policial estivesse falando diretamente para nosso cérebro, ainda temos o fato de que o estúdio anulou completamente as telas de loading, para que nem por um segundo o gamer posso tirar os olhos da tela. A impressão que dá é como se fôssemos cavalos com aquelas viseiras laterias para não nos desviarmos do caminho que seguimos, isso dá um estupor psiquico que torna jogar o game algo massante, mas no lado bom da coisa, é como se estivéssemos passando psicologicamente e em tempo real pelo que o protagonista está vivenciando ali em nossa frente, mas há um porém, já que o loading ocorre durante as cutscenes, elas são impossíveis de serem cortadas, o que desanima na hora de jogar o game pela segunda vez quando estamos mais interessados na ação e menos na história.

Tratando-se de jogabilidade todos os velhos movimentos de Max estão de volta, principalmente suas marcas registradas, o Bullet Time e o Shootdodge, o primeiro que consiste em deixar tudo em câmera lenta para um melhor desempenho do próximo ato a ser desempenhado pelo jogador e o segundo, também em câmera lenta para poder se esquivar e ainda acertar com mais precisão seus inimigos. A beleza do Bullet Time em Max Payne é a imersão de realidade ao poder ver cada projétil cruzando o cenário, estilhaçando vidraças, se enterrando em paredes e atravessando o corpo de Max em takes um mais cinematográfico que o outro. Apesar da jogabilidade simples e eficaz que neste novo capítulo da saga do persoangem também integra o atual Take Cover de muitos games, mas esse sistema de cobertura as vezes não ajuda ao querer passar de uma parede para outra por exemplo, já que não é possível fazer isso pelo simples toque de um botão ou contorná-las, aí é balaço na certa, isso, somado a câmera que em determinados momentos é menos livre do que deveria ser acaba decepcionando um pouco.

Max realizando um Shootdodge

O game também não traz um mano a mano eficiente para não estragar o estilo consagrado de tiroteio e cabeças explodindo e balas voando, aliás, saindo no braço seus oponentes sempre terminam com os miolos espalhados pelo cenário, de um jeito ou de outro. Nós jogadores queremos cada vez mais realidade mas também facilidade nos games, isso é fato.

Graficamente, Max Payne 3 dá um baile, com texturas e efeitos de luz incríveis, as cenas da favela em São Paulo são as melhores, com um cuidado gráfico sem par, é também uma obra de arquitetura, tamanha a pesquisa que a Rockstar desempenhou na ambientação da comunidade. A pesquisa foi feita também a respeito da mais alta classe paulistana, nada de artista de televisão, mas os ricos empresários que vivem como nababos nas coberturas de bairros como o Morumbi e o Panambi.

Favela Nova Esperança

As feições de Max são as mais caprichadas, usando a aparência do ator James McCaffrey que pela terceira vez também empresta sua voz gutural e melancólica ao personagem. Ainda falando na dublagem, o capricho dado as falas dos personagens paulistanos merece respeito. Sotaques dos mais diversos, gírias e muito mais, mostrando a mescla que inunda a cidade. Sempre que você ouvir um personagem que fala português arriscar o inglês, vai ouvir aquele inglês meio de soquinho e sem sotaque, bem natural para quem não é dos States. Isso gera um desconforto no início, porque estamos tão acostumados com games e filmes em inglês que quando ouvimos a língua falada por um não nativo achamos que a dublagem do game é ruim, mas muito pelo contrário, essa sensação é só mais uma prova do esmero com que foi feito Max Payne 3 que teve um atraso de três anos antes de chegar às lojas. Destaque para a voz de Bira Castro, locutor do canal pago TNT, aqui como o comandante Becker do batalhão de forças especiais da polícia de São Paulo.

O realismo alcançado pelo game é um de seus elementos principais que vinha fazendo falta nos videogames desde Max Payne 2 em 2003. Ao contrário de games como Uncharted onde o oponente alvejado pelos disparos apresenta movimentos lentos que não correspondem aos tiros desvairados da AK de Nathan Drake, com Max a história é outra e cada disparo pode ser visto em pleno ar devido ao Bullet Time e o inimigo atingido responde perfeitamente ao impacto de cada bala, fazendo parecer que está sendo exorcizado até bater no chão.

Pondo a bala na agulha de uma vez e a pena no papel com lamentos um mais poético que o outro, Max Payne 3 traz o melhor da violência e realismo para saciar a ânsia de anos e anos por um shooter de verdade sabe-se lá desde quando, talvez desde Max Payne 2 ou dos X1 de Counter Strike nas Lan Houses do bairro.

 Trailer

História: 8,5

Gráficos: 9,5

Jogabilidade: 8,0

Som: 7,8

Replay: 9,0

Nota Final: 8,6

O melhor: O retorno de um grande personagem e todo seu realismo

O pior: Cutscenes que não podem ser cortadas

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Crítica: L.A. Noire

Já tem algum tempo que venho jogando L.A. Noire, o game mais recente da Rockstar Games feito em parceria com a Team Bondi de Atlanta. Confesso que demorei para formar uma opinião a respeito do game ambientado na Los Angeles pós Segunda Guerra Mundial onde o jogador assume o papel do herói de guerra que depois de terminado o conflito passa incorporar a força policial da cidade dos anjos. Cole Phelps, o protagonista, tem de fazer um nome por si só provando ser um excelente agente da lei e da ordem e apagar as manchas de podridão policial e corrupção que sujam o nome e a honra do departamento de polícia.

O game não tem uma trama principal definida, mas baseia-se em casos diversos que levam o jogador através de um simples guarda de patrulha para a divisão de homicídios ou o departamento anti-drogas. É através dos mais variados casos que surgem no caminho de Phelps que a história do protagonista e daqueles que o cercam vai tomando rumo, além de ser apresentado em flashbacks passagens de seu passado durante a guerra que conforme o transcorrer do jogo se mostram fundamentais para a história do jogo. História esta carregada de momentos de tensão e drama como é o caso de Red Dead Redemption também da Rockstar, aliás, quem conhece a história de John Marston vai achar uma semelhança entre ele e Cole Phelps. Lembrem-se de que não dou spoilers…

O game passou por um processo de desenvolvimento que durou 5 anos, pois nele o jogador percorre em seus ternos bem cortados e carros de época por uma Los Angeles recriada fidedignamente que sem dúvidas deu muito trabalho aos programadores. Além disso uma nova tecnologia para a captura de movimentos foi desenvolvida especialmente para o game. Chamada MotionScan, essa nova tecnologia faz uso de 32 câmeras que captam todas as expressões faciais dos atores do game. Essa nova técnica é fundamental, pois durante os casos a serem solucionados por Phelps o detetive tem de avaliar se um suspeito está dizendo a verdade ou mentindo através de suas expressões. Um palpite errado e um psicopata ou incendiário pode escapar por entre os dedos dos jogadores o que, acredite, causa uma grande decepção.

Em termos de jogabilidade, principalmente quando se está atrás do volante ocorrem muitas falhas. Frear é praticamente impossível e virar para a direita ou esquerda não é fácil, e se você pensar em usar o freio de mão para fazer as curvas, cuidado! Pois o freio de mão é o R1 enquanto que o acelerador é o R2 no caso do PlayStation 3, então é muito provável que o carro vá em direção a um banco de praça ou uma árvore no processo de troca de dedos para acelerar e frear. Porém essa é uma falha que é compensada pelo acelerador bem programado que com pouca pressão do indicador vai mais devagar e com mais pressão vai mais rápido. Contemplar o nível de detalhes e profundidade dado a recriação da cidade fazem o jogador querer dirigir por horas a fio simplesmente pelo prazer de dirigir.

Fora dos carros o sistema de jogabilidade é bem fluido exigindo muito pouco do jogador. Para correr basta segurar R2 sem ter que manter o analógico para frente. Se quiser abrir uma porta é só continuar com o analógico mantido na direção da porta que Phelps a abrirá sem ter que se apertar um outro botão. Os tiroteios caem na mesmice bem elaborada dos games atuais de a câmera se posicionar sobre o ombro do personagem. Para se analisar as diversas provas que existem nas cenas dos crimes o jogador deve ser perspicaz e analisar os mínimos detalhes enquanto inspeciona as provas, girando-as com os dedos a procura de novas pistas e indícios e anotando tudo em seu caderninho. Durante os combates mano a mano a qualidade cai muito com comandos limitados além de que em L.A. Noire todos são excelentes pugilistas! Portanto cuidado…

Graficamente o jogo surpreende muito. Detalhes como a meia poder ser vista quando se está correndo atrás de algum infame qualquer são impressionantes de se ver. Chapéus que caem ao se levar o primeiro soco, penteados que se desmancham ao entrar em contato com a água, roupas que sujam e se rasgam em brigas e tiroteios. Outro detalhe que ajuda a manter o realismo da coisa são o uso de marcar que realmente existem como Ford, Chevrolet, GMC, Tiffany & Co e até Corn Flakes.

L.A. Noire tem referências pesadas a um dos períodos mais icônicos do cinema, o período negro, o chamado cinema noir. É possível até se jogar o game em preto e branco, que somado a mudança de ângulos de câmera se faz pensar estar dentro de um filme do período. As músicas e sons também são típicos dessa época como sucessos de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, além de casos famosos como o da Dália Negra, assassinato brutal da jovem Elizabeth Short que teve seu corpo cortado ao meio e um sorriso aberto com faca de orelha a orelha.

Quando se chega ao final do jogo ainda há muito o que fazer como procurar locais históricos da cidade de Los Angeles e partir em busca de rolos de filmes clássicos do período noir como A Sombra de uma Dúvida de Alfred Hitchcock e o inesquecível Gilda protagonizado pela bela Rita Hayworth.

L.A. Noire é uma obra de arte que estabelece um novo gênero de games, um gênero novo e muito mais investigativo do que voltado para a ação e que depende totalmente do jogador. O game foi lançado em 17 de maio.

John Noble dando vida ao ganancioso Leland Monroe através de MotionScan

 

Trailer de lançamento de L.A. Noire

20 de maio de “1947”

LA Noire tem um novo trailer dejogabilidade e data de lançamento. O game que ficou em desenvolvimento por tantos anos já passou por várias especulações e adiamentos, e o lado bom de tudo isso são as melhorias tecnológicas que foram empregadas na produção durante o longo período de desenvolvimento.

O jogador assume o papel do veterano de guerra mas inesperiente policial Cole Phelps na Cidade dos Anjos no ano de 1947. Uma trama central ainda não foi revelada mas no game o jogador deve desvendar crimes diversos e inspirados em ocorrências reais da época usando de um modo inovador técnicas de investigação e elevar o status do personagem protagonista dentro da corporação. O crime mais conhecido daquela época atualmente foi o da Dália Negra que teve um filme homônimo em 2007 dirigido por Brian de Palma e inspirado no românce de estreia do escritor James Ellroy.

O que realmente chama atenção no game é o nivel de detalhismo que foi empregado. A reprodução da cidade de Los Angeles é fiel à da época! Somente por esse quesito já vale desembolsar umas moedas e adquirir o game para fazer um tour pela cidade. Outro jogo que recriou com precisão uma cidade de verdade foi o game The Getaway que se passava em Londres. Outro aspecto é como foi feita a capitura de movimento dos atores usando além do recurso habitual a utilização de nada mais do que 32 câmeras para realmente capituras e registrar cada expressão facial. É incrivel ver as reações e contrações dos músculos dentro do game. Além dos atores emprestarem seus rostos eles também dublam os seus próprios personagens o que faz o game ter realmente um elenco de cinema. O personagem de Cole Phelps tem a aparência e a voz do ator Aaron Stanton de Mad Men.

Agora vem o fato que com certeza vai agradar aos fãs de cinema principalmente do gênero noir. Toda a atmosfera do game é carregada por esse gênero, daí seu título. Mistério, intriga, uma sensualidade não explícita e jazz!! Fora as drogas e o álcool que são ingredientes costumeiros.

LA Noire é desenvolvido pela Team Bondi e será lançado pela Rockstar. O game apresenta uma jogabilidade parecida com a de Red Dead Redemption lançado no ano passado pela Rockstar San Diego. Reparem durante o vídeo a seguir no pequeno mapa no canto esquerdo da tela. Os pontinhos azuis para aliados e os vermelhos para inimgos são idênticos aos de RDR. LA Noire tem data de lançamento prevista para 20 de maio deste ano e está disponível para PS3 e Xbox 360.