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Nascida Ontem

Pela primeira vez o Chico Louco abriga a crítica de um filme que não está mais em cartaz, neste caso de um filme que já não está em cartaz há quase 62 anos. A produção em questão é o clássico Nascida Ontem estrelada por Judy Holliday que ganhou o Oscar de melhor atriz na premiação de 1951 por sua interpretação caricata de uma loira burra.

Na película em preto e branco de George Cukor acompanhamos Harry Brock (Broderick Crawford), rico empresário do ramo de ferro velhos e suas falcatruas para continuar a enriquecer. Nesse caso ele vem até Washington para se aliar a um deputado com a finalidade de ampliar a vastidão de seus negócios para a capital americana.

Querendo fazer bonito na frente do político e de sua esposa, Brock contrata o jornalista Paul Verrall (William Holden) para educar, ou como ele mesmo diz, “desemburrecer” sua namorada, Billie Dawn, personagem de Judy Holliday.

Direta e franca, logo Billie se diz apaixonada por Varrell, que luta contra si mesmo para não corresponder à garota. Devido a esse sentimento e a convivência de ambos e ao desemburrecimento de Billie, esta passa a entender as falcatruas de Brock e junto de Varrell intentam desmascarar o empresário.

Nascida Ontem é uma comédia leve e divertidíssima onde parar de rir não é uma opção. A inocência e sinceridade somada a falta de conhecimento e cultura da personagem de Judy Holliday são interpretados tão genuinamente que sentimos um misto de pena e afeição pela pequena. É algo encantador. A voz arranhada da atriz que no começo parece irritante se torna parte do charme da personagem.

Já Broderick Crawford rouba a cena nos primeiros 15 minutos de filme onde não consegue fechar a boca nem para se barbear. Uma matraca ambulante, o personagem, apesar de cruel, é tão cativante quando a figura de Billie Dawn. Já o galã Holden não se destaca no filme, seu personagem estilão Clark Kent sendo convencional demais para a dupla Crawford e Holliday.

Este clássico dos anos 50 não pode passar desapercebido a ninguém que goste de dar boas risadas e se sentir leve, e quem é que não gosta disso? Destaque para a cena totalmente expressiva de Brock e Billie em partida silenciosa de Gin Rummy em contraponto ao falatório desenfreado da dupla no resto do filme.

Trailer

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Sub-20 é Sub-Penta!

Brasil é penta-campeão do Mundial Sub-20!

No último sábado, a seleção brasileira sub-20 se consagrou campeã mundial pela quinta vez na história da competição!
O jogo foi contra a perigosa seleção portuguesa, que apesar de só ter feito 5 gols antes do confronto conosco, não tinha levado nenhum.
O jogo todos devem ter visto ou ouvido falar, Oscar brilhou e com os 3 gols canarinhos, trouxe o troféu para casa.

Oscar foi o homem da final


Não vou comentar da partida em si, vamos discutir a atual situação do futebol nacional.
A seleção de Ney Franco mostrou uma maturidade impressionante durante todo o campeonato, com jogadores de qualidade que mostraram potencial para a seleção principal. Vou destacar os principais e falar um pouco da atuação de cada um no mundial:

Gabriel – O goleiro do cruzeiro fez um campeonato quase impecável, com defesas fundamentais e comando dentro de campo. Apesar de ter frangado em um dos gols de Portugal na final, se redimiu em pelo menos outras duas grandes defesas. Tem tudo para virar ídolo cruzeirense e integrar a seleção principal.

Fernando – Foi um monstro! Esse jogador me impressionou desde o ínicio do torneio, mostrando uma qualidade incrível na marcação, precisão no passe e fôlego suficiente para correr o campo inteiro. Em minha modesta opinião, merece ser testado na seleção de Mano, não temos um jogador nessa posição de tamanha qualidade.

Casemiro – Esse garoto do São Paulo tem um grande futuro. Volante, zagueiro, líbero, lateral, no que precisar ele joga. E o que é melhor, joga BEM! Precisa amadurecer um pouquinho pois ainda comete falhas infantis nas saídas de bola, mas é só questão de tempo para nos trazer alegrias na seleção principal.

Oscar – O melhor jogador da competição na minha opinião. Carregou a criação do time nas costas, pois seu badalado companheiro, Philipe Coutinho foi uma lástima! Oscar lutou, armou, correu, fez um hat-trick na final e chamou a responsabilidade. Bate faltas perigosas, dá passes objetivos, dribla bem e tem personalidade. Esse sim está mais do que pronto para a seleção de Mano!

Dudu – O homem do segundo tempo! Toda vez que entrava no lugar de Coutinho, provava seu valor. Veloz e habilidoso, o meia ia pra cima da marcação levando perigo à meta adversária. Foi o reserva destaque!

Negueba – Assim como Dudu, estrava no segundo tempo e mudava o rumo da partida. Um antigo ponta de lança, rápido, habilidoso, ousado e versátil, dava outro ritmo à partida incediando o jogo. Foi importantíssimo contra o México nas semifinais.

Henrique – A grande surpresa brasileira. O verdadeiro matador brasileiro, jogou um futebol simples, jogando de frente pra meta adversária, brigando entre os zagueiros, vindo de trás quando preciso e sempre aparecendo à frente para balançar as redes. Não a toa, foi eleito o melhor jogador e o artilheiro da Copa.

Henrique - melhor jogador e artilheiro do Mundial

A questão principal é que o país deve ter muito orgulho e valorizar esse título tão importante para nós, que passamos por um momento complicado no futebol. Mano quer tanto fazer uma renovação, então olhe para esses garotos, olhe para esse time de Ney Franco que fez um trabalho impecável, montou um time de identidade, organização tática definida, e o mais importante, montou uma família!
O futuro de nosso futebol está aí, só falta o Mano Menezes tirar as rodinhas da bicicleta e dar o empurrão para uma pedalada gloriosa.
Parabéns Ney Franco, parabéns seleção brasileira Sub-20!

Morre o ator Peter Falk

Nesta última quinta-feira, 23, faleceu o ator Peter Falk aos 83 anos. Sempre lembrado por seu papel do detetive Columbo na série de TV homônima o ator sofria há vários anos com a doença de Alzheimer e morreu em Los Angeles, Califórnia, onde morava. A causa da morte do ator nova iorquino não foi revelada. O ator deixou sua segunda esposa, Shera Danese, e duas filhas adotivas de seu primeiro casamento, Catherine e Jackie Falke.

Peter Falk fora indicado a dois prêmios Oscar ao longo de sua carreira, por ator coadjuvante em Dama por um dia (1961) e por melhor ator em Murder, inc (1960). Falk também recebeu dez indicações ao Emmy por Columbo das quais venceu cinco, foi indicado também nove vez ao Globo de Ouro mas levou o prêmio somente uma vez.

Columbo, seu trabalho mais notável esteve no ar de 1971 à 1978, mas episódios esporádicos foram feitos ao decorrer dos anos, tendo sido o último deles exibido em 2003.

Peter Falk como Columbo

Deus salve a rainha

 

Muitos conhecem a história de Cleópatra, a rainha do Egito que reinou e morreu há milênios atrás antes mesmo do nascimento de Jesus Cristo. Histórias sobre ela transcorreram através do tempo e se enraizaram na cultura popular. Mesmo sem saber quem é a maioria pelo menos já ouviu o seu nome, mas será possível uma pessoa morrer duas vezes? O dia de hoje foi marcado pela morte de uma rainha. Não necessariamente do Egito mas do cinema, uma rainha que ficou marcada por interpretar uma outra, Cleópatra, esta foi Elizabeth Taylor que brilhou, encantou e imperou soberana e conquistou uma vasta legião de súditos ao longo de seu reinado.

Foi em 27 de fevereiro de 1932 que Liz Taylor nasceu em Londres filha de um casal americano. Com dez anos conseguiu seu primeiro papel e ainda por cima era o de protagonista em um filme para a Paramount. Com o passar do tempo Liz evoluiu como atriz e se tornou mulher hipnotizando milhões com sua beleza clássica de pele leitosa, cabelos nigérrimos, boca bem desenhada, sobrancelhas acentuadas e olhos cor de violeta. Liz interpretou papéis clássicos em filmes também clássicos dignos de uma estrela de seu porte. Seu papel mais marcante até os dias de hoje é na super produção Cleópatra de 1963 que apesar do custo exacerbado para a época de US$44 milhões não foi capaz de tirar a 20th Centurt Fox do vermelho arrecadando mundialmente apenas a quantia de US$57 milhões. Liz também estrelou filmes como Quem Tem Medo de Viginia Woolf? ao lado de um daqueles que integraram a sua vasta lista de conjuges, Richard Burton com quem contracenou também em Cleópatra. Em 1944 Liz integrou o elenco de Jane Eyre de Orson Wells, fato conhecido por poucos.

Elizabeth Taylor como Cleópatra


Mas Elizabeth Taylor não brilhou somente dentro das telas como também fora delas ao defender e se engajar em serviços humanitários e desempenhar um forte papel em causas filantrópicas. Liz foi agraciada pela rainha da Inglaterra, sua compatriota e xará com a Ordem do Império Britânico e recebeu o título de Dame além de também ter recebido do ex-presidente americano Bill Clinton a segunda mais importante medalha que um civil norte americano pode receber, a Presidential Citizens Medal oferecida a ela pela realização de seus diversos serviços filantrópicos.

A Cleópatra do cinema que recusou um Oscar honorário na 75ª premiação da academia também ficou conhecida por ter se casado oito vezes, duas delas com o ator Richard Burton e por ter problemas com o álcool.

Com o passar dos anos a atriz que foi a primeira mulher a superar um salário de um milhão de dólares por um filme  foi envelhecendo e deixando o cinema de lado para se dedicar às sua causas altruístas já mencionadas. Adoeceu e durante anos sofreu de insuficiência cardíaca crônica além de em 1997 ter tido de passar por uma operação para a retirada de um tumor no cérebro e por mais de cinco anos até sua morte fez uso de uma cadeira de rodas para poder lidar com sua dor crônica.  Em fevereiro Liz foi internada apresentando novos sintomas a sua insuficiência cardíaca no Centro Médico Cedars-Sinai em Los Angeles onde morava e após uma cirurgia faleceu aos 79 anos de idade.

Elizabeth Taylor assim como outros se foi. Deixou de ser um dos maiores ícones vivos e foi de encontro a tantos outros com quem continuamos a nos emocionar sempre que nossos olhos os vêem. Ao mais discreto som percebido por nossos tímpanos de uma trilha clássica de algum filme grandioso nossas emoções explodem dentro de nós e nos vemos sentados para mais uma sessão em companhia de algum grande astro. Elizabeth, a rainha, do cinema, não a da Inglaterra, a partir de hoje vai deixar saudades e assim como Cleópatra será sempre lembrada por suas histórias fantásticas. Como um de seus muitos súditos me coloco de joelhos e a saúdo mais uma vez.

Um estudo sobre Bravura Indômita

A imensa tela à minha frente estava escura, ladeada por paredes bordô com fraca iluminação e a melodia de um agradável hino de igreja enchia a sala do cinema. A impressão que tive foi a de estar em uma ópera, mas não haviam atores, somente várias fileiras de assentos vazios. Gradualmente  um sentimento foi crescendo em meu âmago e eu pude perceber que era a ansiedade que começava a aumentar. Tive então a certeza de que estava prestes a ver um verdadeiro espetáculo.

Depois do logo da Paramount e da Skydance Productions e da apresentação do provérbio 28:1 que diz: “Os ímpios fogem sem que haja ninguém a persegui-los; mas os justos são ousados como um leão” a primeira imagem surgiu, o hino ainda tocava ao fundo e a narração pela voz de uma mulher se iniciou. A imagem de um homem caído diante do alpendre iluminado de uma varanda com a neve que flutuava no ar demorando a cair, rodeada pela escuridão me inseriu ainda mais profundamente no universo que começava a se desdobrar diante de mim. Então um cavalo montado passou ferozmente pela tela causando alarido. Não havia mais volta. As luzes só se acenderiam ao final do espetáculo.

Bravura Indômita é baseado em um antigo romance do escritor Charles Portis originalmente publicado em folhetins no ano de 1968 no Saturday Evening Post. A obra literária é descrita como sendo excêntrica e sobretudo cômica. O livro de Portis foi tão bem recebido que uma adaptação para o cinema foi lançada no ano seguinte a sua publicação e trazia como protagonista John Wayne. Houveram sequencias malsucedidas e adaptaçãoes para a televisão até que mais de quarenta anos depois a obra de Portis ganhou vida novamente pelas mãos dos irmãos Coen.

O espetáculo ao qual fui assistir seria grande e eu sabia disso, mas ao final ele foi muito maior, foi algo monumental. O novo Bravura Indômita é definitivamente um dos filmes mais bem feitos em todos os seus aspectos até os dias de hoje. Simplesmente não há falhas e o texto que se segue, originalmente pensado como uma crítica se tornou um estudo aprofundado sobre o filme, algo na verdade como um tributo eu ousaria dizer. Cada palavra carrega um pequeno grão de admiração pelo feito cinematográfico que realmente faz do cinema a arte que é.

A trama apresentada em primeira pessoa pela personagem Mattie Ross, mulher por volta da meia-idade relata suas desventuras pelo velho oeste americano quando com 14 anos saiu em busca do assassino do pai. Mattie é uma jovem de criação cristã e dotada de uma sagacidade e capacidade de raciocínio impressionante. Um dia ela vê seu pai deixar a fazenda onde moram no estado de Arkansas para ir efetuar a compra de alguns cavalos em Fort Smith. Consigo o pai de Mattie, Frank Ross, levou um homem decadente que contratara como ajudante nos afazeres da fazenda somente por pena. Este homem atendia pelo nome de Tom Chaney. O pai de Mattie trazia uma soma de US$250 mais duas peças de ouro que carregava religiosamente para onde quer que fosse. Ross acaba despendendo apenas US$100 na compra dos cavalos e durante a noite ele presencia a discussão de Chaney em estado de embriaguez com um outro homem e intervém. Chaney mata seu empregador, rouba-lhe o restante do dinheiro, o par de peças e ouro e seu cavalo e parte rumo território indígena acreditando jamais ser punido pelo crime que cometera.

Ao chegar em Fort Smith para cuidar dos conformes do funeral do pai Mattie já vem convencida de uma ideia e nada a dissuadiria de ir até o fim para realizá-la. Traria o assassino do pai para Fort Smith para que este recebesse a pena que lhe cabia, a forca. Mattie fica sabendo que Chaney após fugir juntou-se ao bando de pistoleiros de “Sortudo” Ned Pepper. Ela então saí a procura de um caçador de recompensas que possa apanhar Chaney. De todos os que ouve falar Mattie se convence de que será o agente federal (U. S. Marshall) veterano da guerra civil e caolho Reuben J. “Rooster” Cogburn quem será capaz de capturar o carrasco de seu pai. Mattie acredita que Cogburn seja um homem de verdadeira bravura (true grit).

Com relutância mas precisando de dinheiro Cogburn aceita a proposta feita por Mattie e ainda concorda em levá-lo consigo na cruzada contra  Chaney que ela descreve ser algo parecido com uma caçada a guaxinins, igual à que fizera com o pai no verão passado. Durante a noite deste mesmo dia surge no caminho de Mattie um Texas Rangers chamado LaBoeuf (pronuncia-se LaBeef). Ele já vinha perseguindo Chaney há meses pelo homicídio de um senador no estado do Texas. Ele insiste em capturar o criminoso e levá-lo para seu estado para ser executado pelo crime do senador enquanto Mattie persiste que o homem deve ser enforcado em Fort Smith pela morte de seu pai.

Na manhã seguinte Cogburn parte sem Mattie acreditando que com isso ela desistiria de acompanhá-lo, porém a garota sai em busca de seu paradeiro e o encontra do outro lado do rio que divide o território indígena acompanhado de LaBoeuf. Destemida Mattie atravessa o violento rio montada em Pretinho, seu pônei que adquirira no dia anterior do mesmo homem que vendera os cavalos a seu pai. Questionado pela menina Cogburn diz ter feito um acordo com LaBoeuf e que juntos os dois homens iriam em busca de Chaney e o levariam para o Texas e dividiriam a recompensa por sua captura. Cogburn promete devolver parte do dinheiro que recebera de Mattie. Quando a jovem protesta LaBoeuf a açoita com uma vara. Tal ato desencadeia a atmosfera hostil que se manterá, apesar de gradualmente ir abrandando-se entre o Texas Ranger e o U. S. Marshall. Cogburn ordena que o patrulheiro pare de judiar da menina e o coloca sob a mira de seu revólver.

Os três partem através do aziago território indígena em busca do bando de Ned Pepper e seu novo agregado Tom Chaney.

Bravura Indômita teve sua pré-produção iniciada à partir de março de 2009 quando o projeto foi confirmado após boatos terem surgido cerca de um ano antes. Os irmãos Cohen que além de dirigirem a nova versão do romance de Charles portis escreveram o roteiro e comprometeram-se em fazer cada passagem de seu filme ser o mais fiel possível à cada parágrafo do livro original. Joel e Ethan Coen afirmaram nunca ter assistido ao filme de 1969.

Ethan disse que o que os atraiu ao projeto foi que havia algo simplesmente admiravel com o personagem de Mattie Ross e que o que eles pretendiam fazer era apenas passar o que se lia nas folhas do livro para que também pudesse ser visto e todo o sentimento que impregnado entre as capas foi um desafio à parte para ser transposto para as telas. Foi então que mais uma vez os irmãos Coen recorreram ao compositor Carter Burwell que orquestrou pela décima quinta vez uma produção de Joel e Ethan. Juntos os três tiveram a ideia de usar músicas de igreja do século XIX, algo que fosse severo mas sem ser deprimente. Burwell disse ter passado o verão somente na companhia de hinários.

Apesar da canção “God’s Gonna Cut you Down” na voz de Johnny Cass ter sido usada no primeiro trailer de Bravura Indômita somente hinos religiosos fazem parte da trilha sonora do filme. “Leaning on the Everlasting Arms” foi usado como tema para Mattie Ross e cerca de um quarto de toda a trilha é baseado nele. O hino foi escrito em 1888 pelo reverendo Anthony Johnston Showalter após este ter recebido de dois de seus pupilos cartas onde ambos informavam o reverendo sobre a morte de suas esposas. Enquanto escrevia em resposta o reverendo inspirou-se na seguinte frase retirada do Livro de Deutoronômio ou Devarim, nome dado à quinta parte da Torá dos hebreus. “O Deus eterno é o seu refúgio, e sob ele estão os exércitos perpétuos .” No resto da passagem pode ser lido: “Ele vai guiar seus inimigos para diante de ti, dizendo, ‘Destrua-os!’” Uma versão na voz de Iris DeMent de “Leading on the Everlasting Arms” tirado do album de 2004 Lifeline foi usada durante os créditos finais. Outros hinos também fazem parte da trilha sonora da película como “The Glory-Land Way” e “What a Friend We Have in Jesus”, este último escrito originalmente como um conto por Joseph M. Scriven para confortar sua mãe que vivia solitária na Irlanda enquanto ele estava na Canadá. O poema foi publicado anonimamente e somente em 1880 Scriven recebeu os créditos por ele. Anos antes em 1868 um acompanhamento musical já havia sido feito e o texto passara a ser oficialmente um hino que até hoje gera controvérsias por muitos o acharem sentimental demais, mas sua força popular é tão forte que ele ainda se mantém nos hinários modernos. Existem porém diversos arranjos que acompanham o hino que também possui títulos variados dependendo da linguagem em que foi publicado, como na Ásia onde ele é costumeiramente tocado em cerimônias de casamento sob a tradução de “Tsumi Toga o ni No”. Infelizmente o filme não pode concorrer ao prêmio da academia na categoria de melhor trilha sonora devido ao fato de os hinos serem considerados músicas já prontas e não originais.

No quesito elenco a produção também acertou em cheio. Jeff Bridges mostrou mais uma vez seu talento para interpretar personages decadentes mas de boa alma. Ele já o tinha feito em Coração Louco quando encarnou o cantor country beberrão Bad Blake que lhe deu o Oscar de melhor ator ano passado e agora mostra ainda mais paixão ao dar vida à Reuben Cogburn. Bridges parece ter mergulhando no mundo dos anti-heróis que primeiro pensam em si mesmos antes de considerar as outras pessoas e provar no final que tais pessoas somente são assim como um modo que encontraram para se proteger do mundo e que podem encontrar a redenção. Bridges circulava mesmo nos intervalos das filmagens com o tapa-olho de seu personagem para que se acostumar a enxergar somente com um dos olhos.

Jeff Bridges entre Ethan e Joel Coen


Outro que surpreendeu foi Matt Damon que encarna LaBoeuf. O ator conseguiu enfim deixar sua interpretação exageradamente mecânica e genérica de lado e viver seu personagem por completo, coisa que só tinha acontecido anos atrás quando Damon fizera O Talentoso Ripley. Assim como Jeff Bridges o ator também fez de tudo para entrar em seu personagem e chegou a usar elásticos que apertavam sua língua para que assim conseguisse falar com o sotque texano que seu personagem exigia.

No elenco também estão Barry Pepper e Josh Brolin. Pepper deu vida ao seu chará Ned Pepper contribuindo com um ar honroso ao pistoleiro horroroso. Barry Pepper usou próteses dentárias para conseguir o visual de podridão do personagem. Josh Brolin que já havia trabalhado com os irmãos Coen em Onde os Fracos não tem Vez e já tinha participado de um western na adaptação dos quadrinhos Jonah Hex ao lado de Megan Fox aqui interpreta Tom Chaney. Sua particpação na tela é curta mas a aura maléfica do personagem se impõe logo na primeira aparição de Brolin.

Por fim e com certeza a mais importante do leque de atores que compõe o filme está Haiee Steinfeld. A jovem atriz de apenas 14 anos foi a escolhida dentre 15 mil garotas que haviam concorrido ao papel-chave de Mattie Ross. De acordo com os irmãos Coen era preciso encontrar uma atriz que realmente soubesse atuar se não todo o filme cairia por terra. Hailee apesar de ter feito poucos filmes mostra em Bravura Indômita que o talento que guarda dentro de si é algo que não pode ser medido. Sua interpretação é profunda e dá uma verdadeira densidade ao personagem mas ainda sendo uma adolescente de 14 anos. O equilíbrio conseguido por ela é de fato tão harmônico que o espectador chega a desenvolver um relacionamento de confidencialidade com a personagem e sem surpresas se flagra em plena sessão conversando em seu íntimo com a personagem de Mattie Ross que em seus discursos em primeira pessoa responde diretamente ao espectador sentado à sua frente.

Hailee Steinfeld como Mattie Ross


Bravura Indômita segue uma linha menos sarcástica que as produções anteriores dos irmãos Coen cujo filme mais rentável em todos os sentidos foi o ganhador do Oscar de melhor filme em 2008 Onde os Fracos não tem Vez que teve um custo de US$25 milhões e arrecadou nas bilheterias uma bagatela de US$171, 627, 166. Já Bravura Indômita que custou US$38 milhões rendeu até agora o valor de US$213, 931, 442. Vale lembrar que o filme ainda se encontra em cartaz em vários países entre eles o Brasil.

Um dos aspectos que torna a nova versão cinematográfica do romance de Charles Portis uma das obras mais bem sucedidas do cinema moderno é a fotografia empregada por Roger Deakings que faz cada quadro parecer uma espécie de pintura renascentista contemporânea em representações do séc XIX onde a luz exerce papel-chave na composição de cada cena. O brilho do sol emoldura a tudo com um contorno agradável e torna cálida a atmosfera entre os personagens que em pouquíssimo tempo se tornam íntimos do espectador de um modo quase intoxicante. Durante as quase duas horas de duração do filme os personagens que transitam pela tela se tornam como membros inseparáveis de quem assiste ao filme não só por suas interpretações excepcionais mas pelas “pinceladas” de Deakings onde os dias parecem os mais aconchegantes possíveis e as noites as mais aterrorizantes de todas.

Entre os dois filmes existem muitas semelhanças, passagens reproduzidas fielmente das páginas de Charles Portis. Linhas de diálogos inalteradas como na cena onde Cogburn está testemunhando no tribunal e após descer as escadas se encontra com Mattie e está lhe prepara o cigarro dizendo que a palha estava seca demais para o modo com que ele o tentava enrolar. Outra semelhança se dá em um das cenas finais de ambos os filmes quando Cogburn confronta o bando de Ned Pepper enquanto Mattie e LaBoeuf os observam do cume da montanha. As falas de todos os personagens em tal cena são idênticos, a única diferença se dando pelo fato de que no filme original de 1969 John Wayne carrega um revólver e uma espingarda enquanto que na novo versão dos irmãos Coen o Cogburn de Jeff Bridges porta dois revólveres. Porém o final das duas produções se difere entre si provavelmente devido à época em que foram realizadas fora o fato de o filme de 1969 não ser narrado em primeira pessoa.

John Wayne e Jeff Bridges como Reuben J. “Rooster” Cogburn


Iris DeMent canta “Leaning on the Everlasting Arms”


E o Oscar vai para…

Na noite de ontem realizou-se a mais importante premiação do cinema, o Oscar, onde a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas escolheu os melhores filmes do ano que passou. Apresentada por James Franco e Anne Hathaway a 83ª cerimônia do Oscar mobilizou uma boa parte do mundo e reuniu como de costume no Kodak Theatre em Los Angeles as maiores personalidades do cinema.

No Brasil a cerimônia foi transmitida pelo canal de tevê fechado TNT e em programação aberta pela Rede Globo que detém as direitos de transmissão da cerimônia e como de costume menosprezou seus telespectadores extendendo o tempo de duração do Fantástico (que ultimamente não tem sido tão fantástico assim) e depois apresentou o seu circo habitual do BBB regido por Pedro Bial. Com duas horas de atraso a emissora enfim televisionou a cerimônia que contou com comentários de José Wilker que chegou a aparecer mais que os astros da festa.

Mas voltando ao que realmente interessa a cerimônia prestigiou os mais merecidos. Nas categorias dadas como mais importantes que são a de melhor filme, melhor diretor e melhor ator todos as estatuetas foram para O Discurso do Rei que também ganhou de  melhor roteiro adaptado. Colin Firth se emocionou ao receber o prêmio de melhor ator e o diretor Tom Hooper agradeceu especialmente sua mãe que lhe apresentou à história do rei George VI.

Como já se era esperado a bela e talentosa Natalie Portman ganhou como melhor atriz por sua performance visceral em Cisne Negro. Christian Bale foi para casa com a estatueta de melhor ator coadjuvante por seu papel em O Vencedor onde interpretou o decadente lutador Dick “Dicky” Eklund ao lado de Mark Wahlberg. Melissa Leo também de O Vencedor arrebatou o prêmio de melhor atriz coadjuvante.

A cerimônia muito bem organizada como sempre também serviu para calar a boca de muitos que diziam que os prêmios dados pela academia eram uma grande palhaçada. Como exemplo para se provar tal afirmação o filme Avatar de James Cameron era sempre mencionado. O fato foi que Avatar revolucinou a indústria cinematográfica em termos de efeitos especiais e tecnologia 3D. No quesito simpatia os apresentadores que apesar de galantes e bem vestidos não foram capazes de tirar o Oscar daquela atmosfera de humor artificial. Anne Hathaway trocou de vestido cinco vezes em tempo record! O mais belo e elegante foi o seu último traje, um vestido fechado até o pescoço e com mangas longas. A noite terminou com um coral de crianças da New York School que cantaram a canção “Over the Rainbow” imortalizada por Judy Garland em O Mágico de Oz.

Veja os grande vencedores da noite na lista abaixo.

 

Melhor filme

 

Melhor diretor

 

Melhor ator

 

Melhor atriz

 

Melhor ator coadjuvante

 

Melhor atriz coadjuvante

 

Melhor roteiro original

 

Melhor roteiro adaptado

 

Melhor longa animado

 

Melhor filme em lingua estrangeira

 

Melhor direção de arte

 

Melhor fotografia

 

Melhores efeitos visuais

 

Melhor figurino

 

Melhor montagem

 

Melhor maquiagem

 

Melhor documentário

 

Melhor documentário em curta-metragem

  • Strangers no More

 

Melhor curta-metragem

  • God of Love

 

Melhor animação em curta-metragem

  • The Lost Thing

 

Melhor trilha sonora

 

Melhor canção original

 

Melhor edição de som

 

Melhor mixagem de som

 

 

Informações retiradas de:  http://www.omelete.com.br/

Mais vidas que se vão

Como fantoches os mais renomados artistas de épocas passadas continuam a cair como se fossem feitos de pano. Desta vez as cordas que sustentavam o compositor aposentado John Barry e as da atriz Maria Schneider partiram-se para sempre e seus corpos, feitos pedaços de pano caíram sem vida, como uma casca oca.

A estrela francesa de 58 faleceu no dia de hoje em Paris em consequência de uma grave doença que não foi revelada.

O papel mais conhecido da atriz pelo qual ela é lembrada até os dias de hoje é o da jovem Jeanne de Último Tango em Paris que protagonizou ao lado do também já falecido Marlon Brando e que foi dirigdo pelo polêmico mas cult Bernardo Bertolucci. Na época Maria tinha apenas 19 anos e chocou o mundo com as cenas de teor altamente sexual que protagonizou com Brando. Até sua morte Maria evitou Brando e o diretor italiano sempre dizendo que ambos haviam se aproveitado dela para fazerem o que bem quisessem com seu corpo no filme e que na época, em 1972 as mulheres não eram tão esclarecidas como são atualmente e não tinham a voz que possuem hoje.

Maria Schneider em Último Tango em Paris


No último dia 30 quem faleceu também foi o compositor britânico de 77 anos John Barry que desde 2006 estava aposentado e que apesar de inúmeros trabalhos de sucesso é sempre reconhecido por ter sido o compositor de 12 filmes do super-espião James Bond nas décadas de 60, 70 3 80. John Barry era Sir, integrou a banda The John Barry Seven quando jovem e até hoje é grande referência para inúmeros compositores. Ao contrário do que muitos imaginam não foi Barry quem compôs o tema de James Bond e sim Monthy Norman. Barry ganhou diversos premiações e festivais entre eles o Oscar, que ganhou 5 vezes! Barry morreu em decorrência de um ataque cardíaco em Nova York.

John Barry

John Barry


Além de Maria Schneider e John Barry outro artista que também vai deixar saudades é o cantor Sidney Sinay, ex-vocalista do grupo Fat Family que faleceu devido complicações de um AVC. O cantor estava internado desde o dia 7 no Hospital Regional de Sorocaba. O cantor havia deixado o Fat Family para se dedicar a carreira solo no universo gospel e adotou o nome Sidney Sinay, deixando para trás o nome de nascensa Sidney Cipriano.

Sidney Sinay


John Barry condus Goldfinger

Sidney Sinay canta ao vivo