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Confira os vencedores do Oscar 2012

Ontem, domingo, 26 de fevereiro de 2012 aconteceu em Los Angeles no costumeiro espaço do Kodak Theatre a 84ª edição do Oscar, a festa mais badalada e disputada do cinema. Atores, atrizes, diretores e roteiristas entre tantos outros marcaram presença na premiação que elegeu os melhores do ano em uma noite carregada de glamour, sofisticação e que contou até com uma incrível apresentação de tirar o fôlego realizada por acrobatas do Cirque du Soleil.

As produções de maior destaque eram o filme francês O Artista e os americanos A Invenção de Hugo Cabret e Os Descendentes. Os dois primeiros filmes concorreram respectivamente em dez e 11 categorias, cada um levando para casa  cinco estatuetas. A maioria dos prêmios mais cobiçados da noite como melhor ator, melhor diretor e melhor filme foram Jean Durjardin e Michel Hazanivicous de O Artista que também abocanhou como melhor filme. Hugo Cabret de Martin Scorcese faturou em categorias como melhores efeitos visuais e melhor fotografia. A talentosíssima e sempre impecável Meryl Streep ganhou como melhor atriz por seu trabalho em A Dama de Ferro onde viveu a ex primeira-ministra britância Margareth Thatcher.

Montagem com cena de O Artista

O pequeno Asa Butterfield, protagonista de A Invenção de Hugo Cabret

Claro que também houve falhas sacras nesta edição do Oscar. As Aventuras de Tintim: O Secredo do Licorne ficou de fora da categoria melhor animação e o recente J. Edgard de Clint Eastwood que conta a vida do controvérso diretor do FBI, John Edgar Hoover, não teve nenhuma indicação. Falando em não ser indicado, o brasileiro Tropa de Elite 2 que estava entre os 63 filmes estrangeiros para serem escolhidos para participar da categoria de melhor filme estrangeiro ficou de fora da listagem final. O porque não se sabe, talvez puro despeito norte-americano com o nosso rico talento tupiniquim.

Outra bola fora foi a escolha de última hora de Billy Crystal para anfitrião do evento. Essa foi a sétima vez que o ator apresentou o Academy Awards com pouco simpatia apesar do esforço em entreter a platéia e o público. Na premiação do ano passado tivemos o carisma do talentoso James Franco e o brilho e beleza clássica da etérea Anne Hathaway. Em 2010 rimos com as piadas prontas de Steve Martin e Alec Baldwin e em 2009 nos surpreendemos com um irreverente e teatral Hugh Jackman que além de galã dançou muito bem no palco. Na premiação deste ano Billy Crystal serviu de tapa-buraco depois que Eddie Murphy foi dispensado pela produção do evento após Brett Ratner ter falado mais que a boca dizendo asneiras sobre ter tido relações sexuais nos bastidores de uma produção com a musa do mundo nerd Olivia Munn. Ratner fazia parte da produção do Oscar e indicara o amigo Murphy como apresentador do evento mas foi posto de fora depois da polêmica de seus comentários, consequentemente Murphy também foi. No quesito marketing e divulgação a premiação mereceu um Framboesa de Ouro em comparação a edição passada onde diversos vídeos e fotos com os apresentadores do noite foram divulgados. O público quer ver gente de quem gostem e se identifiquem, então é preferível que a Academia aposte em atores mais em voga para anfitriões dos seus próximos eventos.

James Franco e Anne Hathaway em um dos seus oito vestidos no Oscar 2011

O dançante Hugh Jackman na premiação de 2009

O Oscar foi exibido em canais televisivos de inúmeros países incluindo o Brasil onde foi menosprezado em tevê aberta em prol da exibição de um reality show e em canal fechado onde teve uma cobertura mais digna.

Abaixo você confere os indicados e os vencedores do Oscar. Os vencedores estão em negrito.

Diretor

Michel Hazanavicius – “O artista”
Alexander Payne – “Os descendentes”
Martin Scorsese – “A invenção de Hugo Cabret”
Woody Allen – “Meia-noite em Paris”
Terrence Malick – “A árvore da vida”

Melhor filme
“Cavalo de guerra”
“O artista”
“O homem que mudou o jogo”
“Os descendentes”
“A árvore da vida”
“Meia-noite em Paris”
“História cruzadas”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Tão forte e tão perto”

Melhor atriz

Glenn Close – “Albert Nobbs”

Viola Davis – “Histórias cruzadas”

Rooney Mara – “Os homens que não amavam as mulheres”
Meryl Streep – “A dama de ferro”
Michelle Williams -”Sete dias com Marilyn

Melhor ator
Demián Bichir – “A better life”
George Clooney – “Os descendentes”
Jean Dujardin – “O artista”
Gary Oldman – “O espião que sabia demais”
Brad Pitt – “O homem que mudou o jogo”

Fotografia
“O artista”
“Os homens que não amavam as mulheres”

“A invenção de Hugo Cabret”

“A árvore da vida”
“Cavalo de guerra”

Direção de arte
“O artista”
“Harry Potter”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Meia-noite em Paris
“Cavalo de guerra”

Figurino

“Anonymous”
“O artista”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Jane Eyre”
“W.E.”

Maquiagem
“Albert Nobbs”
“Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2″
“A dama de ferro”

Melhor filme em língua estrangeira
“Bullhead” – Bélgica
“Footnote” – Israel
“In Darkness” – Polônia
“Monsieur Lazhar” – Canadá
“Separação” – Irã

Melhor atriz coadjuvante
Octavia Spencer – “Histórias cruzadas”
Bérénice Bejo – “O artista”
Jessica Chastain – “Histórias cruzadas”
Janet McTeer – “Albert Nobbs”
Melissa McCarthy – “Missão madrinha de casamento”

Edição
“O artista”
“Os descendentes”
“Os homens que não amavam as mulheres”
“A invenção de Hugo Cabret”
“O homem que mudou o jogo”

Edição de som
“Drive”
“Os homens que não amavam as mulheres”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Transformers: o lado oculto da lua”
“Cavalo de guerra”

Mixagem de som
“Os homens que não amavam as mulheres”
“A invenção de Hugo Cabret”
“O homem que mudou o jogo”
“Transformers: o lado oculto da lua”
“Cavalo de guerra”

Documentário (longa-metragem)
“Hell and Back Again”
“If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front”
“Paradise Lost 3: Purgatory”
“Pina”
“Undefeated”

Melhor animação
“A Cat in Paris”
“Chico & Rita”
“Kung Fu Panda 2″
“Gato de Botas”
“Rango”

Efeitos visuais

“Harry Potter”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Gigantes de aço”
“Planeta do macacos”
“Transformers: o lado oculto da lua”

Ator coadjuvante
Kenneth Branagh – “Sete dias com Marilyn”
Jonah Hill – “O homem que mudou o jogo”
Nick Nolte – “Warrior”
Max Von Sydow – “Tão forte e tão perto”
Christopher Plummer – “Beginners”

Trilha sonora original
“As aventura de Tintim” – John Williams
“O Artista” – Ludovic Bource
“A invenção de Hugo Cabret” – Howard Shore
“O espião que sabia demais” – Alberto Iglesias
“Cavalo de guerra” – John Williams

Canção original
“Man or Muppet”, de “Os Muppets”, música e letra de Bret McKenzie
“Real in Rio”, de “Rio”, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett

Roteiro adaptado
“Os descendentes”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Tudo pelo poder”
“O homem que mudou o jogo”
“O espião que sabia demais”

Melhor roteiro original

“O artista”
“Missão madrinha de casamento”
“Margin Call”
“Meia-noite em Paris”
“A separação”

Curta-metragem
“Pentecost”
“Raju”
“The Shore”
“Time Freak”
“Tuba Atlantic”

Documentário (curta-metragem)

“The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement”
“God Is the Bigger Elvis”
“Incident in New Baghdad”
“Saving Face”
“The Tsunami and the Cherry Blossom”

Curta-metragem de animação

“Dimanche”
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”
“La Luna”
“A Morning Stroll”
“Wild Life”

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Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres

É com um orgasmo. não, Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres não começa com uma cena de sexo. Na verdade a cena inicial com pouco mais de duas linhas de diálogo começa muito semelhante ao romance de Stieg Larsson. O orgasmo, mental, que isso fique bem claro, começa quase imperceptível logo de cara nos logotipos da Columbia e da MGM e assim que a tela escurece já é possível senti-lo vindo lá do fundo da mente… eis que uma introdução no melhor estilo James Bond que deixaria o célebre Maurice Binder boquiaberto toma a tela, aí não para mais, tudo embalado pela roupagem aguda e célere dada por Trent Reznor e Atticus Ross a canção Immigrant Song do Led Zeppelin aqui na voz arranhada de Karen O. Em menos de cinco minutos de filme já estava satisfeito e de cérebro encharcado.

Baseado na primeira parte da bem sucedida trilogia de livros suecos, Os Homens que não Amavam as Mulheres conta a história do jornalista Mikael Blomkvist da revista Millennium que vive caçando empresários corruptos direitistas, que após ser condenado por calúnia e difamação contra o poderoso empresário Hans-Erik Wennerström resolve se refugiar de tudo e de todos, eis que recebe uma proposta bastante incomum de Henrik Vanger, rico homem de negócios que mora na ilha de Hedeby.

Henrik pede a Mikael que passe a morar na ilha e durante o período de um ano investigue o desaparecimento de sua sobrinha-neta que sumiu no ar quarenta anos atrás. Em troca Henrik promete entregar a Mikael informações valiosas sobre Wennerström.

Mikael passa a receber auxílio da figura mais inusitada possível: uma hacker muito punk chamada Lisbeth Salander, figura cheia de piercings e tatuagens sendo ao que tudo indica mentalmente perturbada e com tendências homicidas e que vive sob a guarda do Estado. A Dupla tem então de desvendar um mistério que perdura há mais de quatro décadas.

Simpatizante com a esquerda, Stieg Larsson era jornalista de uma revista nos mesmos moldes da Millennium

Escritos entre 2003 e 2004 e sendo publicados postumamente, os livros que compõe a chamada Trilogia Millennium não param de vender e conquistar milhares de fãs mundo afora. Com 50 milhões de exemplares vendidos era de se esperar que logo os livros de Larsson fossem adaptados para o cinema, e foi o que aconteceu em 2009 quando os três livros se tornaram películas em co-produções sueco dinamarquesas com Michael Nyqvist e Noomi Rapace nos papéis de Blomkvist e Salander. Os três filmes, Os Homens que não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar se tornaram rapidamente um enorme sucesso na Europa e atraíram o olhar do gigantesco maquinário de Hollywood e a pré-produção da nova versão da primeira parte da odisséia de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander teve início.

Antes mesmo de Hollywood querer fazer sua própria versão das obras de Stieg Larrson, o diretor David Fincher já estava de olho nos mesmos livros, mas para ele Hollywood nunca iria fazer uma franquia para adultos recheada de violência, sexo e anti-semitas extremos como as obras de Larsson, ainda mais com franquias adolescentes como Harry Potter e a Saga Crepúsculo arrecadando milhões aos montes. Eis que, assim que Hollywood se decidiu em fazer adaptações de Millennium, David Fincher foi o escolhido para reger a batuta da nova adaptação.

Fincher é conhecido por ousar, muitos de seus filmes se tornaram ícones do cinemão americano mas sempre com aquela cara de produção independete carregada de sombras e mistério. Alguns exemplos de seus filmes são: Seven – Os sete Crimes Capitais, Alien 3, Clube da Luta, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social. Fincher ainda detém a fama de rodar cada tomada nada mais nada menos do que cem vezes! No final não há mais desculpa de ter esquecido as falas.

Com roteiro de Steve Zaillian e comando de Fincher, Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres é uma produção lúgrube mas classuda, carregada de sombras e muitos personagens originais como prato principal que se movem como peças orgânicas e metódicas de uma partida de xadrez, mas o inesperado sempre está à espreita. A obra de Stieg Larsson feita por Fincher se difere completamente da sua versão sueca, aqui tento quase três horas de duração. Detalhes que ficaram de fora do filme sueco aqui aparecem idênticos, ou quase, ao romance de Larsson. O espectador que já leu os livros vai ver como um sanduíche, um maço de Marlboro vermelho e uma varanda fazem toda a diferença.

Mas o maior trunfo do filme vai para a atriz Rooney Mara que interpreta Lisbeth Salander, uma personagem tão complexa como jamais houve e possivelmente jamais haverá. O processo de escolha para o papel foi exaustivo e corrido, pois o tempo era curto, mas Rooney conseguiu o papel após ser testada fisicamente por Fincher, já que foi preciso cortes de cabelo muito estranhos, piercings reais e outros não, tatuagens, descoloração das sobrancelhas, novo jeito de andar, falar, se portar, ter o jeito de um garoto de 14 anos, enfim, Mara É Lisbeth Salander. A entrega da atriz é surpreendente, cada aspecto e sensação que a personagem traz nas páginas escritas por Larsson estão na tela, é magnífico de se ver. Você vai sentir pena, compaixão, raiva e até uma certa atração pela figura incomum, sabe, aquele interesse pelo desconhecido… Você pode até querer abraçá-la mas levará um belo chute nos bagos se tentar.

Rooney Mara encarna a hacker Lisbeth Salander

Fazendo par com Rooney Mara está Daniel Craig. “Não é bem uma escolha. Daniel é muito masculino, tem essa idade indeterminada, entre 38 e 50 anos, e é um ator incrível.”, palavras do próprio Fincher, o que é verdade. Apesar de a descrição de Blomkvist ser mínima nos romances de Larsson, sabe-se que é um sujeito maduro de meia-idade, forte e de cabelos aloirados. A certeza se torna maior com o desempenho de Craig na telona, só não temos certeza se a parte da idade indeterminada serve como elogio.

No elenco ainda estão o sueco Stellan Skarsgard como Martin Vanger, Christopher Plummer fazendo Henrik Vanger, Robin Right como Erika Berger, co-editora da Millennium, Goran Visnjic é Dragan Armasky, chefe de Lisbeth na Milton Security e Joely Richardson como Anita Vanger, mais uma do interminável clã de calhordas. Bom, a maioria.

Toda essa excitação que dá vida ao thriller vem também da trilha de Trent Reznor e Atticus Ross que também trabalharam com Fincher em A Rede Social. A trilha com canções como Sail Away de Enya (sugestão de Daniel Craig), Is Your Love Strong Enough? e How to Destroy Angels é quase tão longa quanto o próprio filme, tendo cerca de 173 minutos de duração e é um dos elementos dessa fórmula fincheriana que fazem de Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres o tipo de filme do qual não se consegue tirar os olhos, não é possível pensar em qualquer outra coisa além do que está rolando na tela.

Pode ser um clichê dizer que filmes te fazem esquecer da vida e viver a de outras pessoas por duas horas mas é mentira. Em determinado momento você vai se pegar pensando: “O que será que terá para o jantar?”, ou “Nossa, como aquela ruiva da recepção é bonita!” Mas isso não acontece com o novo Os Homens que não Amavam as Mulheres. É estranho, surreal se esquecer de si mesmo não por duas horas mas sim por quase três.

David Fincher ainda não sabe se vai retornar para dirigir a continuação, A Menina que Brincava com Fogo cujo roteiro já está pronto e novamente pelo pincel de Steve Zaillian. Fincher diz que o processo é muito exaustivo de passar um ano inteiro filmando na Suécia, mas caso venha a retornar a primeira franquia adulta de Hollywood poderá filmar o segundo e o terceiro filme ao mesmo tempo para facilitar, não só para ele e para o resto da equipe mas também para Rooney Mara, cuja transformação em Lisbeth Salander é um processo tortuoso e extenuante.

Alguns dizem que mesmo os ingredientes típicos de Fincher estarem presentes na tela o diretor não foi ousado como costuma ser em outras produções. Apesar de o filme ter recebido uma classificação etárea alta, 18 anos, as cenas de violência sexual apesar de chocantes não são explícitas do modo como se acreditava que seriam, isso talvez por causa dos censores pudicos da indústria do cinema americano. Existem cenas mais impactantes em folhetins televisivos e nas chamadas “novelas da vida real” que ultimamente viraram febre nos canais de televisão mundo afora com cenas lastimáveis de tão impróprias que são para seus horários.

Enfim, já era hora de filmes barra pesada para adultos misturados com a fórmula de thrillers cerebrais aparecerem. Deixe as crianças e adolescentes de cabelos esticados e tênis coloridos com “Harry, Rony e Hermione” e Edward e Bella e corra para derreter sua mente com Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres.

Trailer

Immigrant Song – Trent Reznor, Atticus Ross & Karen O

Sail Away – Enya