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Crítica: Planeta dos Macacos: A Origem

“Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais (…) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.”, já dizia Charles Darwin, autor de A Origem das Espécies publicado em 1859. Com seus estudos aprofundados Darwin derrubou por terra teorias como a de Lamarck que afirmava que a evolução das espécies se dava por necessidade ao meio em que viviam enquanto Darwin provou que a evolução das espécies se deu pela seleção natural onde os menos aptos não sobreviviam ao seu habitat e suas condições, vindo assim a desaparecer.

As palavras de Darwin acima transcritas que tomei a liberdade de pegar emprestadas encaixam-se perfeitamente no novo Planeta dos Macacos: A Origem, filme que serve de prelúdio para a saga iniciada em 1968 com o clássico de ficção cientíca O Planeta dos Macacos protagonizado por Charlton Heston.

No novo capítulo da franquia adormecida desde 2001 com o remake de Tim Burton da película original, temos como foco da história não um humano mas sim um chimpanzé chamado César, filho de uma macaca que servia de cobaia de laboratório onde lhe era testada uma droga capaz de aumentar as capacidades mentais e reconstruir células cerebrais, em outras palavras, as mesmas de James Franco no filme, a cura para Alzheimer. Quando a substância estava pronta para ser testada em humanos um incidente que resulta na morte da mãe de César inviabiliza todo o projeto.

Após levar o símeo recém-nascido para casa, Will, personagem de James Franco e responsável pelo experimento descobre que a droga foi passada de mãe para filho e que o pequeno apresenta as mesmas características de sua progenitora. Com o passar dos anos Will surpreende-se cada vez mais com o raciocínio quase humano de César e passa a usar a substância em seu próprio pai que sofre de Alzheimer. Além de obter a cura a droga também desenvolve as capacidades cerebrias do pai de Will mas depois de alguns anos o medicamento deixa de apresentar resultados positivos e a doença volta a surgir.

Após uma desventura com um vizinho ao qual César responde violentamente o macaco tem seu enjaulamento decretado pela justiça.

Em seu novo “lar” o símeo é apresentado a outros macacos. O abrigo é comandado pelo personagem de Brian Cox e por seu filho asquerosamente perverso vivido por Tom Felton que aqui mostra que não ficou marcado pela figura de Draco Malfoy da série Harry Potter. César e os outros primatas são maltratados, vivendo em jaulas e tomando choques elétricos. Revoltado com o comportamento humano César consegue escapar e invade a casa de Will de onde rouba frascos da nova versão do experimento que o transformou no ser tão incrivelmente inteligente que é a espalhando entre seus companheiros, e aí, depois de uma hora e meia de diálogos brilhantes e cenas tocantes que mantém harmoniosamente o equilíbrio entre o drama da vida animal e a decepção perante a podridão do espiríto humano que resulta na perda da esperança de César que a ação toma conta da tela com a revolta dos primatas.

Planeta dos Macacos: A Origem tem  direção e roteirização incríveis, respectivamente de Rupert Wyatt e a dupla Rick Jaffa e Amanda Silver. Drama e ficção se mesclam na tela com imensa naturalidade de modo que ver a macacada desvairada causando o caos em São Francisco não parece algo a temer mas sim algo a se aceitar como se fosse esperado, tamanho o brilhantismo com qual as cenas foram concebidas, isso talvez porque vemos o mundo através dos olhos de César o que nos faz entender sua profunda angústia em relação aos homens.

No elenco James Franco e Freida Pinto fazem um casal, mas os dois servem somente de coadjuvantes. O verdadeiro protagonista é César, interpretado por Andy Serkins através de captura de movimentos. O ator já havia desempenhado o papel de Gollum da saga O Senhor dos Anéis e King Kong no remake de Peter Jackson através da mesma técnica. A desenvoltura do ator britânico mais uma vez surpreende, mover-se e criar os trejeitos de uma criatura  fantasiosa é uma coisa mas fundir características de primata com homem é algo fabuloso, Serkins tem aqui sua melhor atuação em não interpretar um ser humano.

A mensagem do filme é clara: “A evolução se torna revolução”. Mexer com a natureza sempre foi o maior passatempo do homem, passatempo esse que hoje apesar de ter facilitado muito a sua vida também é o grande responsável pelos maiores males que atualmente consomem o planeta.

Se comparado ao primeiro filme da série lá nos anos 60 temos uma inversão de papéis. Na época de Charlton Heston vemos os humanos aprisionados e maltrados pelos símios falantes e tiranos, enquanto no novo filme vemos esses animais sendo usados e descartados pelo homem, a diferença é que ao ver na tela os macacos serem açoitados, eletrocutados e torturados onde mais dói, no âmago, a compaixão e revolta que sentimos é quase incalculável enquanto ao ver as cenas onde os subjugados são os homens sentimos, mas sem a coragem de dizer, bem feito, vocês merecem, nós merecemos isso.

Mesmo com uma racionalidade humana César não se julga no direito de esmagar aqueles que a gerações vem orpimindo sua espécie, ele e sua trupe de primatas só querem ser livres para ir para casa. No final as palavras de Darwin se mostram mais uma vez sábias. “(…) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento.” Esses não são sentimentos esclusivos dos homens, do homem a única exclusividade é poder ser mau e o mau causar.

Trailer: Planeta dos Macacos: A Origem

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O decadente abuso da fé

Pois é caros leitores, falar de religião é muito delicado, algumas pessoas podem se ofender, mas é impossível deixar passar em branco o que vem acontecendo no mundo (e não é de hoje).
Não pretendo questionar a fé ou a crença de ninguém, as idéias apresentadas aqui são apenas devaneios pessoais do autor.

Quem não acompanhou nos últimos dias a previsão do fim dos tempos segundo Harold Camping?
O pastor norte-americano pertencente a uma seita denominada Family Radio, que se popularizou mundialmente por interpretar a bílbia de uma forma, vamos dizer, muito pessoal, lançou para a população que o mundo iria se acabar no dia 21 de maio de 2011.
Como vocês devem ter percebido, não acabou.
Nem no último dia 21, nem nas outras 4 vezes na qual o querido Harold errou. Ele se baseou em contas desde a antigo testamento do livro sagrado, mas parece que não funcionou muito bem. E qual foi a resposta dele? Ah, ele deu uma nova previsão para outubro desse mesmo ano. Acreditem se quiser…

Vamos ser claros e objetivos, isso é abusar da fé!
Não importa a religião, a crença, a doutrina, a cultura, tudo deve ser respeitado. Harold Camping está tirando um grande sarro da cara de seus seguidores, que também não devem bater muito bem da cabeça, e usando de seu poder persuasivo para além de chamar a atenção, induzir fiéis para compartilhar de suas idéias tolas e sem fundamento.
Toda religião cristã se baseia pela Bílbia, porém cada uma tem uma interpretação diferente. Agora vamos analisar esse fato, deixando de lado por um momento o seu pensamento como fiel. Por mais que a Bíblia seja verdadeira (e não a desmentindo), o homem não é perfeito. Quem interpretou a Bílbia e fez sua doutrina foi o homem. O Homem não é perfeito. Logo, nenhuma religião é perfeita, elas apresentam suas falhas. Mas mesmo assim, um homem sem fé é um homem perdido. As vezes é muito importante a pessoa ter um ponto de apoio, sendo ele correto ou não. O importante é fazer bem àquele que frequenta o âmbito religioso escolhido por sua vontade. Mas brincar de adivinhações e profecias não é legal. É uma tremenda piada com todo mundo, independente do que cada um segue.
Chega de abusar da fé e da boa vontade das pessoas!
Povo, abram os olhos e vejam se é realmente isso que se espera de um homem designado a ensinar doutrinas e intermediar uma suposta palavra divina.
Eu não estaria julgando se ele tivesse acertado (até porque estaria morto) mas como ele errou (nunca soube de nada), e errou 5 vezes, me sinto no direito de dizer que Harold Camping é um tremendo de um louco.

E para ilustrar minha indignação e mostrar como essa história é antiga, ouçam esse clássico na inconfundível voz de Carmem Miranda: