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O Homem de Aço

Mesmo voando alto e com quase US$700 milhões de bilheteria nas costas o Homem de Aço chegou com um mês de atraso na nossa terrinha verde e amarela. Mas esses 30 dias extras só fizeram aumentar a vontade em ver o reboot cinematográfico do último filho de Krypton.

Com uma trama linear, “O Homem de Aço” começa com a já conhecida destruição do planeta Krypton. Dessa vez a causa do fim do planeta não é impacto iminente contra o sol vermelho que se dirige em direção ao planeta, mas sim a escassez de recursos naturais de Krypton por seus habitantes. Sendo assim, Krypton se tornou instável o bastante a ponto de implodir. Na esperança de evitar a total extinção de sua raça, Jor-El planeja mandar seu único filho, Kal-El, para um planeta com o ecossistema mais parecido com o do seu; no caso, a Terra. Nesse meio tempo o general Zod tenta um golpe de estado mas após se digladiar com Jor-El é preso e aprisionado na já conhecida Zona Fantasma. Vingativo, Zod jura destruir o filho de Jor-El. A partir daí o filme só caminha em linha reta, mostrando o jovem Kal-El já na Terra, sob o nome adotivo de Clark Kent e fazendo de tudo para esconder suas habilidades especias de nós terráqueos e em constante busca do seu verdadeiro destino e de sua origem.

“Moço, deixa eu entrar! Esqueci minha licença para voar na outra roupa.”

Sob a batuta única de Zack Snyder, produção dedicada de Christopher Nolan e escrita detalhista de David Goyer, “O Homem de Aço” dá uma boa repaginada no personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster 75 anos atrás. Agora completamente contemporâneo, o novo Superman tenta ser tão pé no chão quanto foi a trilogia do Cavaleiro das Trevas dirigida por Nolan. Kal-El não é tratado como um super-herói ou um ser divino. O último filho de Krypton é visto como um alienígena que serve como resposta para a questão se estamos ou não sozinhos no universo. Apesar de uma boa ficção, a produção consegue se estabelecer com uma certa verossimilhança em sua trama, o que mostra o seu diferencial.

Sexta grande produção realizada em live action sobre herói com o selo da Warner Bros., “O Homem de Aço” se mostra equivalente ao que foi “Batman Begins” oito anos atrás, da trilogia citada acima. Uma história de origem que sem pressa evita tropeços antes de mostrar o seu protagonista adequadamente trajado com seu uniforme clássico. Porém, ao contrário do primeiro filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas, em que os dois primeiros atos trazem a grande sacada de mostrar como Bruce Wayne se transforma em Batman e o começo de sua atuação em Gotham, para terminar com um último ato com o básico embate de mocinho contra bandido, em “O Homem de Aço” acontece o oposto. Atravessamos o começo e o meio do filme extremamente ansiosos, mas não apenas pelo que nos é mostrado de imediato, mas sim porque tudo o que aparece na tela fomenta a curiosidade pela primeira aparição de Clark Kent vestido como Superman e pelo clímax do filme e o inevitável embate entre o homem de aço e Zod.

Apesar de famoso em todos os cantos do mundo e ser o precursor de todos os super-heróis modernos, sendo o primeiro da chamada Era de Ouro das histórias em quadrinhos, Superman sempre foi um personagem que dividiu opiniões. Por ser praticamente indestrutível e ser um verdadeiro escoteiro ao representar os ideais do que é correto acima de tudo, sempre acabou sendo superior a qualquer outro super-herói, e é isso o que acaba por criar uma falta de simpatia de muita gente por ele. Afinal, ninguém gosta de alguém muito certinho. Acontece que no novo filme uma boa parte dessas características é moldada não de modo a favorecer o personagem, mas justamente o oposto. No filme de Zack Snyder é abordado o sacrifício do herói em fazer suas escolhas em nome do que é certo. Isso dá um senso de dramaticidade ao personagem que evidentemente sofre com muitas das escolhas que faz. É o preço que se paga por ser um caxias.

“It’s not an ass.” Não, péra!!!

Aproveitando o fato de ser um dos mais poderosos super-heróis de todos os tempos e também o mais popular deles, a tríade Snyder/Nolan/ Goyer resolveu não ficar jogando na cara do espectador cada habilidade do Superman e outros fatos já conhecidos de seu cânone. Economizando copiões resolveram mostrar enfim o que os bíceps de Kal-El podem fazer. Em uma mescla de “Transformers” com “Dragon Ball Z” e uma edição mais corrida do que o necessário, os cineastas entregaram cenas de lutas longas e intermináveis que acarretam na destruição de boa parte de Smallville e Metrópolis. A porradaria entre os kryptonianos atinge proporções catastróficas para nós, pobres humanos. Mas quem liga?! O que importa é que enfim o Superman virou homem (agora ele usa a cueca para dentro da calça)!

Falando em homem, dessa vez quem veste a capa vermelha do herói é o britânico Henry Cavill. A interpretação do ator é profunda e eficiente em transmitir o sentimento de solitude vivida pelo personagem e também a sua ira e dor ao emitir gritos que fazem dilatar todas as veias do pescoço. Se dá vontade de sair correndo de medo com os gritos de Hugh Jackman na pele de Wolverine e David Hayter na de Solid Snake, com os de Cavill é melhor sair voando, porque o rapaz se empolga mesmo! Dessa vez as fraquezas que fazem de Kel-El um humano são exploradas de modo significativo que resultam em ações explosivas do herói, e não nas lamentações entediantes de outras produções, tanto filmes como muitas de suas aventuras nas histórias em quadrinhos. Nas palavras do próprio Zack Snyder, “A inocência morreu.”

Batendo de frente com o herói está o clássico vilão General Zod, interpretado por Michael Shannon, extremamente brutal e impiedoso. Desta vez o personagem está menos diplomático e caricato, sem um figurino à la Seco & Molhados como o utilizado por Terence Stamp em “Superman II”. Ao lado de Zod está a bela atriz alemã Antje Traue como sua segunda em comando, Faora. As feições da atriz parecem saídas do traço da desenhista brasileira Adriana Melo, com linhas firmes de uma beleza clássica que se encaixaria muito bem em uma graphic novel. Ainda no time feminino está Amy Adams no papel da intrépida jornalista Lois Lane do Planeta Diário. Se Antje Traue tem os traços de um desenho de Adriana Melo, então Amy Adams tem os de uma das garotas de J. Scott Campbell, mas muito mais sutis e linda o bastante para fazer o sujeito na fileira atrás da minha durante a sessão soltar: “Meu Deus, que mulher!”, durante a primeira aparição da personagem no filme. A participação da repórter se mostra realmente relevante para o desenvolvimento da trama, deixando de ser uma personagem plana com a cabeça voltada apenas para seus furos de reportagem e se tornando uma personagem redonda (não, ela não ganhou peso para o papel). Agora Lois traz emoções e pensamentos menos gananciosos, pensando de modo geral nas situações pelas quais passa e nas consequências que suas ações podem trazer. Afinal ela já tem um Pulitzer, o que mais ela pode querer?

Kal-El indeciso entre Amy Adams e AntjeTraue

Completando o elenco temos Russel Crowe como Jor-El, dando seu show habitual de puro talento na pele do kryptoniano e pai biológico do Superman. Kevin Costner e Diane Lane fazem os pais adotivos do herói, Jonathan e Martha Kent. Ayelet Zurer faz a mãe biológica do home de aço, Lara Lor-Van; Laurence Fishburn interpreta o editor do Planeta Diarío, Perry White, e Christopher Meloni o coronel Nathan Hardy do exército americano.

Em termos estéticos “O Homem de Aço” se desvencilha totalmente dos filmes clássicos estrelados por Christopher Reeve e embalados pelo clássico tema composto por John Williams. A sociedade estatal de Krypton criada para este novo filme é bem desenvolvida nas telas, que também destaca a fauna e flora do planeta, nada mais de cristais brancos para lá e para cá. É uma roupagem totalmente nova, mas sem deixar de lado elementos básicos da mitologia do personagem e do universo DC Comics, como a inteligência artificial Kelex e referências a passagens e diálogos de quadrinhos cultuados do Superman, além de alguns easter eggs bem interessantes. Mas o conceito mais importante de “O Homem de Aço” é o significado do “S” que Superman ostenta em seu peito. Na verdade a letra é um símbolo que significa esperança. Cada família de Krypton tem seu próprio brasão e significado. Pode ser piração da minha cabeça, mas o brasão da família do general Zod é muito parecido com a foice da bandeira da antiga União Soviética. Só ficou faltando o martelo.

Um dos fatores que tornaram os filmes antigos do Superman inesquecíveis foi o tema principal escrito por John Williams. Dessa vez o cargo de escrever a nova trilha sonora ficou com Hans Zimmer, compositor da trilogia do Cavaleiro das Trevas, “A Origem” e a dobradinha de filmes de Sherlock Holmes estrelados por Robert Downey Jr. nos últimos anos. É triste dizer, mas a nova trilha não se compara nem com os trabalhos passado de Zimmer. Com quase duas horas de duração todas as composições são similares entre si, distantes e com cara de que vieram de outro planeta. Infelizmente nada digno de nota. Basta ouvir apenas o tema principal para se captar o sentimento de esperança que permeia o filme, mas esta tem que ser ouvida separadamente, porque durante o filme mal a percebemos.

Em suma “O Homem de Aço” é um verdadeiro filme de super-herói e claramente a melhor produção que já conseguiu adaptar o Superman para todos os públicos. Apesar das mudanças sofridas, não há com o que se preocupar, o último filho de Krypton ainda é o mesmo de quando surgiu nos anos 30. Agora só nos basta aguardar pela sequência e também pelo filme da Liga da Justiça. Zack Snyder já confirmou que voltará para a sequencia de “O Homem de Aço” que será novamente escrita por David Goyer, que também assinou para escrever o filme da Liga. Bom, por hoje chega de escrever!

Trailer

Trilha sonora

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“Os Miseráveis” – A maior obra-prima da história dos musicais

Hoje escreverei minha primeira crítica sobre cinema para o Chico Louco, tarefa essa sempre designada ao ilustríssimo senhor João Figueiredo. A pergunta é: “Por que resolvi escrever essa crítica?”. A resposta é simples. Nenhum filme, de todos que já assisti, me causou tanta empolgação como o que vi a pouco nas telonas.

Minha paixão por essa história surgiu ainda na adolescência, após achar perdido em casa uma adaptação da história original de Victor Hugo traduzida e compactada por Walcyr Carrasco. Foi amor à primeira lida. Envolvi-me demais com o drama dos personagens e das histórias que mesclam amor, carinho, opressão e luta. Procurei pela história na íntegra, mas nunca consegui encontrar os 5 volumes originais.

Em meio ao cenário da Revolução Francesa, o destaque da história está sempre focado em nosso herói, Jean Valjean (Hugh Jackman), com toda uma vida oprimida pela justiça insaciável do Inspetor Javert (Russel Crowe), após roubar um pão para saciar a fome de sua família, quando ainda muito jovem. 19 anos preso, tem sua condicional, mas decide se entregar às mãos de Deus e começar uma vida nova, com outro nome e outro destino selado. Após muitas reviravoltas, Valjean se torna o prefeito e industrial Madeleine, que cruza seu destino com Fantine (Anne Hathaway). Puts, acho que vou desistir de resumir essa história, é muito longa!

Vamos ao que interessa, o filme em si! Les Miserablés é a adaptação do musical da Broadway de mesmo nome, que por sua vez é uma adaptação do romance de Victor Hugo. O musical feito para as telonas, além de fantástico, com imagens alucinantes, efeitos de câmera maravilhosos e atuações impecáveis, contou com a emoção em sua plenitude, presente em cada cena cantada (que ocupa 90% do tempo do filme). É impossível não sentir a angústia e a melancolia presente em Fantine durante sua interpretação de “I Dreamed a Dream” – esqueça Susan Boyle, Hathaway na cabeça -, assim como também é impossível não se emocionar com a atuação musical de Éponine (Samantha Barks), cantando seu amor não correspondido em meio um cenário shakespeariano de Paris. Também não há quem não tenha se arrepiado com o canto de revolta e justiça pronunciado em coro pelos revolucionários que lutavam por uma França livre. Veja a canção abaixo.

Emoção e atuação foram os pontos fortes da trama. Cossete (Amanda Seyfried) surpreendeu a todos com sua voz lírica singela e confortante. O revolucionário apaixonado por Cossete, Marius (Eddie Redmayne), tem aquela voz forte daqueles cantores da Broadway, que saem dos palcos do teatro para abrilhantarem as telas de cinema. Monsieur Thenardier (Sacha Baron Cohen) foi o destaque cômico do musical, que manteve sua linha de atuação despojada e bem humorada, sempre com sua maestria Borática. Russel Crowe surpreendeu-me com sua voz forte e com uma releitura diferente do personagem Javert, menos carregado na seriedade e na frieza do personagem do livro. Hugh Jackman mostrou uma potência vocal semelhante à de Serj Tankian, inclusive com timbre bem parecido. Ta aí, mostrando suas garras… (sem alusão a outro personagem dele, ok?)

Enfim, em um contexto geral, esse musical prendeu minha atenção, me fez segurar lágrimas, me arrepiou e me deixou orgulhoso de poder ver como uma boa história jamais morre. Enquanto assistia, comecei a comparar cada personagem com suas respectivas interpretações, tanto no filme de 1999 estrelado por Liam Neeson, quanto naquela magnífica série estrelada por Gerard Depardieu, de 2000. Não consigo dizer qual é a melhor adaptação do livro de Victor Hugo, pois cada um tem uma proposta diferente. Minha única conclusão é que pretendo ver esse filme ainda muitas vezes, comprar o DVD, comprar a trilha-sonora e admirá-lo para sempre.

Entrou para a minha lista dos melhores filmes de minha vida. Sou suspeito para falar de uma história pela qual sou apaixonado desde meus 13 anos, mas hoje, com quase 21, também tenho o direito de expor minha opinião. Hoje, realizei o sonho de ver uma adaptação digna de aplausos. Hoje, “I dreamed a dream”!

Confira os vencedores do Oscar 2012

Ontem, domingo, 26 de fevereiro de 2012 aconteceu em Los Angeles no costumeiro espaço do Kodak Theatre a 84ª edição do Oscar, a festa mais badalada e disputada do cinema. Atores, atrizes, diretores e roteiristas entre tantos outros marcaram presença na premiação que elegeu os melhores do ano em uma noite carregada de glamour, sofisticação e que contou até com uma incrível apresentação de tirar o fôlego realizada por acrobatas do Cirque du Soleil.

As produções de maior destaque eram o filme francês O Artista e os americanos A Invenção de Hugo Cabret e Os Descendentes. Os dois primeiros filmes concorreram respectivamente em dez e 11 categorias, cada um levando para casa  cinco estatuetas. A maioria dos prêmios mais cobiçados da noite como melhor ator, melhor diretor e melhor filme foram Jean Durjardin e Michel Hazanivicous de O Artista que também abocanhou como melhor filme. Hugo Cabret de Martin Scorcese faturou em categorias como melhores efeitos visuais e melhor fotografia. A talentosíssima e sempre impecável Meryl Streep ganhou como melhor atriz por seu trabalho em A Dama de Ferro onde viveu a ex primeira-ministra britância Margareth Thatcher.

Montagem com cena de O Artista

O pequeno Asa Butterfield, protagonista de A Invenção de Hugo Cabret

Claro que também houve falhas sacras nesta edição do Oscar. As Aventuras de Tintim: O Secredo do Licorne ficou de fora da categoria melhor animação e o recente J. Edgard de Clint Eastwood que conta a vida do controvérso diretor do FBI, John Edgar Hoover, não teve nenhuma indicação. Falando em não ser indicado, o brasileiro Tropa de Elite 2 que estava entre os 63 filmes estrangeiros para serem escolhidos para participar da categoria de melhor filme estrangeiro ficou de fora da listagem final. O porque não se sabe, talvez puro despeito norte-americano com o nosso rico talento tupiniquim.

Outra bola fora foi a escolha de última hora de Billy Crystal para anfitrião do evento. Essa foi a sétima vez que o ator apresentou o Academy Awards com pouco simpatia apesar do esforço em entreter a platéia e o público. Na premiação do ano passado tivemos o carisma do talentoso James Franco e o brilho e beleza clássica da etérea Anne Hathaway. Em 2010 rimos com as piadas prontas de Steve Martin e Alec Baldwin e em 2009 nos surpreendemos com um irreverente e teatral Hugh Jackman que além de galã dançou muito bem no palco. Na premiação deste ano Billy Crystal serviu de tapa-buraco depois que Eddie Murphy foi dispensado pela produção do evento após Brett Ratner ter falado mais que a boca dizendo asneiras sobre ter tido relações sexuais nos bastidores de uma produção com a musa do mundo nerd Olivia Munn. Ratner fazia parte da produção do Oscar e indicara o amigo Murphy como apresentador do evento mas foi posto de fora depois da polêmica de seus comentários, consequentemente Murphy também foi. No quesito marketing e divulgação a premiação mereceu um Framboesa de Ouro em comparação a edição passada onde diversos vídeos e fotos com os apresentadores do noite foram divulgados. O público quer ver gente de quem gostem e se identifiquem, então é preferível que a Academia aposte em atores mais em voga para anfitriões dos seus próximos eventos.

James Franco e Anne Hathaway em um dos seus oito vestidos no Oscar 2011

O dançante Hugh Jackman na premiação de 2009

O Oscar foi exibido em canais televisivos de inúmeros países incluindo o Brasil onde foi menosprezado em tevê aberta em prol da exibição de um reality show e em canal fechado onde teve uma cobertura mais digna.

Abaixo você confere os indicados e os vencedores do Oscar. Os vencedores estão em negrito.

Diretor

Michel Hazanavicius – “O artista”
Alexander Payne – “Os descendentes”
Martin Scorsese – “A invenção de Hugo Cabret”
Woody Allen – “Meia-noite em Paris”
Terrence Malick – “A árvore da vida”

Melhor filme
“Cavalo de guerra”
“O artista”
“O homem que mudou o jogo”
“Os descendentes”
“A árvore da vida”
“Meia-noite em Paris”
“História cruzadas”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Tão forte e tão perto”

Melhor atriz

Glenn Close – “Albert Nobbs”

Viola Davis – “Histórias cruzadas”

Rooney Mara – “Os homens que não amavam as mulheres”
Meryl Streep – “A dama de ferro”
Michelle Williams -”Sete dias com Marilyn

Melhor ator
Demián Bichir – “A better life”
George Clooney – “Os descendentes”
Jean Dujardin – “O artista”
Gary Oldman – “O espião que sabia demais”
Brad Pitt – “O homem que mudou o jogo”

Fotografia
“O artista”
“Os homens que não amavam as mulheres”

“A invenção de Hugo Cabret”

“A árvore da vida”
“Cavalo de guerra”

Direção de arte
“O artista”
“Harry Potter”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Meia-noite em Paris
“Cavalo de guerra”

Figurino

“Anonymous”
“O artista”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Jane Eyre”
“W.E.”

Maquiagem
“Albert Nobbs”
“Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2″
“A dama de ferro”

Melhor filme em língua estrangeira
“Bullhead” – Bélgica
“Footnote” – Israel
“In Darkness” – Polônia
“Monsieur Lazhar” – Canadá
“Separação” – Irã

Melhor atriz coadjuvante
Octavia Spencer – “Histórias cruzadas”
Bérénice Bejo – “O artista”
Jessica Chastain – “Histórias cruzadas”
Janet McTeer – “Albert Nobbs”
Melissa McCarthy – “Missão madrinha de casamento”

Edição
“O artista”
“Os descendentes”
“Os homens que não amavam as mulheres”
“A invenção de Hugo Cabret”
“O homem que mudou o jogo”

Edição de som
“Drive”
“Os homens que não amavam as mulheres”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Transformers: o lado oculto da lua”
“Cavalo de guerra”

Mixagem de som
“Os homens que não amavam as mulheres”
“A invenção de Hugo Cabret”
“O homem que mudou o jogo”
“Transformers: o lado oculto da lua”
“Cavalo de guerra”

Documentário (longa-metragem)
“Hell and Back Again”
“If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front”
“Paradise Lost 3: Purgatory”
“Pina”
“Undefeated”

Melhor animação
“A Cat in Paris”
“Chico & Rita”
“Kung Fu Panda 2″
“Gato de Botas”
“Rango”

Efeitos visuais

“Harry Potter”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Gigantes de aço”
“Planeta do macacos”
“Transformers: o lado oculto da lua”

Ator coadjuvante
Kenneth Branagh – “Sete dias com Marilyn”
Jonah Hill – “O homem que mudou o jogo”
Nick Nolte – “Warrior”
Max Von Sydow – “Tão forte e tão perto”
Christopher Plummer – “Beginners”

Trilha sonora original
“As aventura de Tintim” – John Williams
“O Artista” – Ludovic Bource
“A invenção de Hugo Cabret” – Howard Shore
“O espião que sabia demais” – Alberto Iglesias
“Cavalo de guerra” – John Williams

Canção original
“Man or Muppet”, de “Os Muppets”, música e letra de Bret McKenzie
“Real in Rio”, de “Rio”, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett

Roteiro adaptado
“Os descendentes”
“A invenção de Hugo Cabret”
“Tudo pelo poder”
“O homem que mudou o jogo”
“O espião que sabia demais”

Melhor roteiro original

“O artista”
“Missão madrinha de casamento”
“Margin Call”
“Meia-noite em Paris”
“A separação”

Curta-metragem
“Pentecost”
“Raju”
“The Shore”
“Time Freak”
“Tuba Atlantic”

Documentário (curta-metragem)

“The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement”
“God Is the Bigger Elvis”
“Incident in New Baghdad”
“Saving Face”
“The Tsunami and the Cherry Blossom”

Curta-metragem de animação

“Dimanche”
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”
“La Luna”
“A Morning Stroll”
“Wild Life”

X-Men Origens: Wolverine

Lá estava eu olhando meio desinteressado a força com que a chuva batia contra o vidro das janelas. Por mim eu teria ido embora debaixo do temporal mesmo, nunca me importei de tomar chuva. Ao invés disso me recostei no sofá de couro escuro do saguão do edifício e abri minha mochila. Apanhei a caixa parda de papelão e a abri. Depois de conseguir emergir do mar de confete que transbordou para todo lado eu apanhei o meu presente de aniversário dado por meus dois irmãos e minhas cunhadas. Estava olhando, ainda incrédulo e cheio de uma felicidade infantil para nada mais nada menos que X-Men Origens: Wolverine para o PS3. Feliz não apenas pelo jogo mas por ter sido lembrado por meus amigos/familiares.

Bom, antes que isso vire um “Querido diário” vamos direto ao ponto. Antes eu vou dar o grande desfecho desse dia. Na volta para casa eu ainda tomei a maior chuva, até aí estava tudo bem. Passei no supermercado (até super-heróis precisam comer) e caí no meio da calçada com aquelas caixas de papelão porque usar saquinho vai destruir o planeta. Mas se você pagar por eles nada acontece. Depois da vergonha e de fazer aquela cara de “nossa, o que aconteceu?” cheguei em casa e corri para estrear meu presente de aniversário.

Na história vemos como James Howlett ou Logan, como preferir, ganhou seu esqueleto e garras de adamantium, se tornou a tão misteriosa Arma X, seu romance com a Raposa Prateada e sua eterna rixa com o Dentes de Sabre. O game é baseado na produção homônima para o cinema de 2009 que assim como está implícito no título conta as origens de um dos personagens mais queridos dos quadrinhos, porém os desenvolvedores da Raven Software tomaram a liberdade de introduzir muito mais coisas na aventura do irado carcaju que o game em certos momentos parecerá ser uma história completamente inédita que se completa com os eventos reproduzidos do filme que intercalam presente e passado através de flashbacks.

X-Men Origens: Wolverine não é tipo de game psicológico cheio de quebra-cabeças a serem resolvidos. O game é pancadaria generalizada do começo ao fim em cenários tão longos e vastos mas que acabam sendo repetitivos que deixam aquela sensação de dejá vù constante porém não ao ponto de enjoar. Cortar, fatiar, estripar, esmurrar e chutar nunca foi tão divertido e prazeroso. A jogabilidade é quase totalmente pegada emprestada de God of War, o que se encaixa perfeitamente no game de um cara como Wolverine que assim como Kratos faz o tipo bater antes, bater mais um pouco e se sobrar alguma de algum coitado aí sim pensar perguntar alguma coisa.

Além da violência que recheia a aventura ela também vem regada a muito, mas muito sangue mesmo, o que torna a aventura para adultos. O processo de regeneração de Logan é visível e se dá em tempo real. Apanhe muito e você será um esqueleto de metal todo destripado com um enorme topete andando por aí até voltar a ter a cara de Hugh Jackman. O jogo também traz algumas coisas interessantes como a utilização do olfato animal de Wolverine para se localizar no cenário que indica rapidamente a direção que o jogador deve seguir ou para saber que caminho determinado personagem tomou para escapar. Isso serve como o detective mode que apareceria em Batman: Arkham Asylum meses depois no mesmo ano. Além disso é possível melhorar habilidades e aprender novas maneiras de literalmente destruir seus inimigos. Atacar seus oponentes com os chamados lunges que consiste em dar pulos enormes para perfurá-los com suas seis garras mortais enquanto ouve Hugh Jackman berrar enfurecidamente é de longe o melhor modo de satisfazer o desejo assassino que existe em todo gamer.

Wolverine executando lunge.

Como ponto alto do jogo estão as batalhas contras os chefes de cada estágio: a sequência aérea contra o Sentinela, a “tourada” com Blob no supermercado (nessa época ainda podia usar as sacolinhas), a demolição com Gambit no cassino e o embate final contra Deadpool. Além disso há os destravamento de trajes clássicos do herói que são liberados após se completar desafios de muita pancadaria contra si mesmo nessas versões após coletar os itens escondidos in game.

X-Men Origens: Wolverine é a prova de que com mais capricho e tempo de trablho um game à altura do personagem pode ser feito. Quem sabe um excelente game de Wolverine inspirado nos próprios quadrinhos ainda não pinte por aí seguindo na cola do sucesso dos dois últimos jogos originais de Batman.

Trailer

Conheça os indicados ao Oscar 2011

A maior festa do cinema acontece neste domingo e você fica sabendo aqui os indicados que concorrem à tão desejada estatueta do Oscar! Veja também a programação da noite e os comerciais da festa que chegam a custar US$220 mil dólares.

 

OS INDICADOS

Melhor filme

 

Melhor diretor

 

Melhor ator

 

Melhor atriz

 

Melhor ator coadjuvante

 

Melhor atriz coadjuvante

 

Melhor roteiro original

 

Melhor roteiro adaptado

 

Melhor longa animado

 

Melhor filme em lingua estrangeira

 

Melhor direção de arte

 

Melhor fotografia

 

Melhores efeitos visuais

 

Melhor figurino

 

Melhor montagem

 

Melhor maquiagem

 

Melhor documentário

 

Melhor documentário em curta-metragem

  • Killing in the Name
  • Poster Girl
  • Strangers no More
  • Sun Come Up
  • The Warriors of Qiugang

 

Melhor curta-metragem

  • The Confession
  • The Crush
  • God of Love
  • Na Wewe
  • Wish 143

 

Melhor animação em curta-metragem

  • Day & Night
  • The Gruffalo
  • Let’s Pollute
  • The Lost Thing
  • Madagascar, Carnet de Voyage

 

Melhor trilha sonora

 

Melhor canção original

 

Melhor edição de som

 

Melhor mixagem de som

 

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO
Os apresentadores James Franco, que está indicado a melhor ator por sua atuação em 127 Horas, e Anne Hathaway vão abrir o evento com uma apresentação pré-gravada em que aparecem em cenas dos dez indicados ao prêmio de melhor filme. Depois, eles fazem a primeira “transição cênica”, inspirada em …E o Vento Levou.

Tom Hanks entrega os prêmios de melhor direção de arte e melhor fotografia.

Em seguida, vem melhor atriz coadjuvante, mas a lista não continha o nome do ator que vai entregar a estatueta.

Justin Timberlake (A Rede Social) e Mila Kunis (Cisne Negro) apresentarão melhor longa animado e melhor animação em curta-metragem.

A próxima transição cênica vai relembrar a primeira cerimônia do Academy Awards, que aconteceu em 16 de maio de 1929, no Hotel Roosevelt.

Javier Bardem (Biutiful) e Josh Brolin (Bravura Indômita) entregam os Oscars de melhor roteiro original e melhor roteiro adaptado.

Franco e Hathaway voltam e encenam uma performance cômica com uma troca de figurino.

Russell BrandHelen Mirren apresentam melhor filme em língua estrangeira.

Entra Reese Witherspoon para entregar o prêmio para o melhor ator coadjuvante.

O presidente da Academia, Tony Sherak, sobe ao palco para um discurso.

Nicole Kidman (Reecontrando a Felicidade) e Hugh Jackman (apresentador do Oscar de 2009) participam da transição cênica voltada para a evolução do som, da era do cinema mudo até a tecnologia THX de hoje, com um medley de trilhas sonoras do passado, com a orquestra. Ambos apresentam, depois, melhor trilha sonora.

Marisa Tomei sobe ao palco para contar como foi a entrega dos prêmios técnicos e científicos.

Hathaway aparece de smoking, o que leva à próxima transição cênica, desta vez tendo O Senhor dos Anéis como tema e a participação de Cate Blanchett, que apresenta melhor maquiagem e melhor figurino.

Em seguida, um interlúdio que está sendo chamado “músicas de filmes de que eu me lembro”, introduzido por Kevin Spacey (Casino Jack).

Começam as performances das músicas indicadas ao prêmio de melhor canção original. Primeiro será Randy Newman com “We Belong Together”, de Toy Story 3. Na sequência, entram Mandy MooreZachary LeviAlan Menken com “I See the Light”, de Enrolados.

Jake GyllenhaalAmy Adams (O Vencedor) apresentarão melhor documentário em curta-metragem e melhor curta-metragem.

Hathaway e Franco voltam para mais um esquete cômico, já na terceira mudança de figurino.

Oprah Winfrey entrega o prêmio para o melhor documentário.

Hathaway introduz um apresentador ainda não identificado e começa mais uma transição cênica – sobre o primeiro Oscar televisionado em preto e branco. O apresentador fará um monólogo.

Robert Downey Jr.Jude Law apresentam melhores efeitos visuais.

Hathaway volta em seu quarto figurino.

Jennifer Hudson introduz a terceira performance de melhor canção original, “If I Rise”, de127 Horas, que será cantada por Florence Welch (da banda Florence and the Machine) e A.R. Rahman, compositor da trilha do filme. Na sequência, entra a quarta música indicada, “Coming Home”, de Country Strong, cantada por Gwyneth Paltrow. Aí o prêmio de melhor canção original é entregue ao vencedor por Hudson.

Celine Dion e a orquestra conduzida por William Ross fazem uma performance de “Smile” durante a exibição do segmento In Memoriam. Segue um tributo a Lena Horne introduzido porHalle Barry. Falecida em maio de 2010, Horne teve sua carreira em Hollywood sabotada nos anos 40 e 50, em pleno macarthismo, por ser negra e ter “tendências de esquerda”.

O prêmio para melhor diretor será apresentado por Hilary SwankKathryn Bigelow, vencedora em 2010 por Guerra ao Terror.

Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai) sobe ao palco para contar como foi o Governors Award, entregue em 14 de novembro, e os contemplados com o Oscar honorário são apresentados no palco: Eli WallachKevin BrownlowFrancis Ford Coppola. O quarto homenageado, Jean-Luc Godard, não foi ao Governors Award e não irá ao Oscar.

A última transição cênica mostra o Grauman’s Chinese Theater, palco de diversas premiéres e onde os pés, as mãos e as assinaturas de diversas celebridades estão imortalizados em cimento, na Calçada da Fama.

Jeff Briges (Bravura Indômita), ganhador do Oscar de melhor ator no ano passado, apresenta o prêmio de melhor atriz.

Hathaway troca de figurino pela quinta vez.

Sandra Bullock, ganhadora do Oscar de melhor atriz no ano passado, apresenta o prêmio de melhor ator.

Steven Spielberg anuncia e entrega a estatueta para o melhor filme.

Entram Franco e Hathaway para as despedidas. O coral da New York School fecha o espetáculo com uma apresentação de “Over the Rainbow”, de O Mágico de Oz.

 

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Este texto foi retirado de: http://www.omelete.com.br/

RETROSPECTICVA: Saga Metal Gear

 

O CRIADOR

Com seus olhinhos puxados, cabelos escorridos e rosto achatado e de coloração amarelada, o jovem Hideo Kojima poderia ser apenas mais um dentre centenas de milhares de japoneses que iam ao trabalho pela manhã e regressavam ao anoitecer para saborear um jantar fumegante feito pela esposa. Mas Kojima não era assim. Ele não era comum e começou a mostrar a que veio em meados dos anos 1980.

O garotinho nascido em Setagaya, Tóquio, filho de um membro da Yakuza, a máfia japonesa, flagrava-se assistindo televisão para passar o tempo depois da escola enquanto seus pais trabalhavam fora. Kojima queria ser artista ou então ilustrador, mas foi desencorajado pela família, já que um de seus tios, apesar de ser artista, sofria de problemas financeiros. Kojima acabou então por escrever histórias que seriam publicadas em formato de folhetim em revistas, mas nunca nenhuma de suas histórias chegaram a ser publicadas por serem muito extensas, chegando a ter em média 400 páginas no lugar das 100 páginas pedidas pelas revistas. Depois disso Kojima passou a focar-se em fazer filmes com um amigo utilizando uma câmera de 8mm, o que fortaleceu o seu sonho de ser diretor de cinema que se iniciara anos  antes com os filmes que ele assistia em companhia dos pais em sua infância.

Kojima, em seu quarto ano na faculdade de economia, decidiu-se. Comunicou aos colegas que iria mergulhar de cabeça no mundo dos jogos eletrônicos e que deixaria de lado o seu sonho de ser diretor cinematográfico, justificando que trabalhar nesse meio seria mais satisfatório e citou Super Mario Bros(que completou 29 anos de existência em 2010)de Shigero Miyamoto como um dos games que o influenciaram sua decisão. Com 23 anos ele uniu-se à Konami como designer de games para o MSX da Microsoft, mas estava infeliz com sua função, desejando juntar-se à Nintendo para desenvolver games para o NES (Nintedo Entertainment System) e arcades, isso porque o potencial gráfico do MSX era limitado se comparado ao concorrente e as ideias de Kojima eram sempre postas em cheque por serem “evoluídas” demais para os recursos da época. Em seus primeiros anos na Konami, os erros e fracassos de Kojima devido a sua falta de prática naquela área não o desestimularam e ele desenvolveu um game em 1986 chamado Penguin Adventure como diretor assistente e em 1987 desenvolveu o seu próprio game chamado de Lost World, no qual o jogador tomava o controle de uma lutadora mascarada. O projeto, porém, foi vetado pela Konami.

Hideo Kojima


A CRIAÇÃO

Em 1987 Hideo Kojima aceitou a tarefa de desenvolver um game chamado Metal Gear de um de seus superiores da Konami, mas devido ao sistema precário do MSX2 que não era satisfatoriamente eficiente no rolamento das telas e em mostrar toda a ação que o  game deveria ter, Kojima remodelou tudo desde o princípio a seu modo, inspirando-se no filme Fugindo do Inferno(The Great Escape), transformando Metal Gear em um game de ação furtiva e um dos precursores, senão o primeiro, do gênero stealth.

Lançado somente no Japão e em algumas partes da Europa, Metal Gear acompanha o novato das Forças Especiais Solid Snake em sua tentativa de invadir a fortaleza conhecida como Outer Haven e destruir o tanque equipado com armamento nuclear chamado de Metal Gear. Posteriormente Metal Gear foi lançado para NES, mas sem a supervisão de Kojima, que criticou as diversas mudanças que o jogo sofreu em sua nova versão.

No ano seguinte Kojima criou o game Snatcher inspirado abertamente no filme Blade Runner estrelado por Harrison Ford e Sean Young, mas Kojima e sua equipe tiveram de deixar o game em seu estágio final devido a atrasos no cronograma.

Em 1990 Kojima desenvolveu uma nova versão de seu Snatcher e a sequência de Metal Gear intitulada Metal Gear 2: Solid Snake seguindo o mesmo estilo do game original onde o jogador tinha de se esgueirar pelas sombras a fim de alcançar seus objetivos e evitar o confronto direto com os inimigos. Dessa vez Solid Snake havia adquirido novas habilidades tais como se agachar, se pendurar em beiradas, rastejar por dutos de ventilação e esconder-se em locais escuros fora de vista. Visualmente o game também evoluiu, com melhores gráficos e um melhor desempenho ao trocar das telas de um cenário para o outro. Foi em Metal Gear 2: Solid Snake que surgiu o até hoje utilizado sistema de alarme trifásico e o radar que permitia Snake ver a localização exata de seus oponentes. O game ainda apresentava um enredo muito mais complexo que o anterior, abordando temas como a natureza da guerra e o desarmamento nuclear. Mas o game só veio a ser produzido depois que a Konami decidiu fazer a sua própria sequência do Metal Gear original de 1987 sem o consentimento de Kojima. O game da Konami levava o nome de Metal Gear 2: Snake Revenge e em nada se assimilava à versão posteriormente feita por Kojima. A versão de kojima só apareceria no ocidente após ser inclusa no game de 2006 Metal Gear Solid 3: Subsistence.

Durante os anos noventa Kojima passou a trabalhar em games que posteriormente seriam lançados em CD e não mais em cartuchos, o que possibilitaria a inclusão de vozes para os diálogos. Ele lançou novas versões de Snatcher e o game em estilo noir Policenauts.

ilustração de Solid Snake por Yoji Shinkawa


SURGE O MITO

Hideo Kojima lançou em 1998 sua obra-prima, um dos maiores games da história, que hipnotizou uma geração inteira de jogadores e influenciou outros tantos títulos da indústria que seria impossível calcular quantos foram os que tentaram copiar o mais aclamado dos jogos de vídeo-game, Metal Gear Solid.

O novo Metal Gear foi o primeiro da série a apresentar gráficos em três dimensões e foi lançado para PlayStation e Sega Saturn, os dois únicos consoles a utilizar CDs na época. A furtividade era extrema e as sequências apresentadas e as falas eram dignas de uma produção cinematográfica. Diálogos e cutscenes extensas mostravam algo mais, algo que somente Hideo Kojima poderia criar. A atmosfera dramática típica da cultura de massas japonesa prendia a quem jogava o game com uma força sobrenatural, mais precisamente despertava naquele que jogava um sentimento mais profundo de humanidade e de compreensão do homem que seria levado para a vida toda. Era algo mágico e de uma certa forma entristecedor após chegada a conclusão que alguns de nós realmente não tem o mínimo respeito pelos seus semelhantes. Foi com esse forte sentimento de reflexão quase filosófica que Hideo Kojima transformou a mente de incontáveis jovens que até então jogavam video-game pura e simplesmente para divertir-se.

Outro fator fundamental que se iniciou em Metal Gear Solid foram as trilhas sonoras criadas exclusivamente para os games da série pelos compositores Norihiko Hibino, Harry Gregson-Williams e Nobuko Toda. Músicas tema, em sua maioria compostas pela artista Rika Muranaka,  fazem parte da mitologia de Metal Gear. Em 1998 Rika escreveu a canção “The Best Is Yet To Come” para Metal Gear Solid, “Can’t Say Goodbye” para Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty em 2001 e “Don’t Be Afraid” para em Metal Gear Solid 3: Snake Eater que foi cantada por Elisa Fiorillo, apesar de esta não ser a principal composição do game e sim a canção homônima “Snake Eater” pela voz de Cynthia Harrell. Metal Gear Solid 3 contou também em seus créditos finais com “Way To Fall” da banda britânica Starsailor e composições de David Bowe.

Na história de Metal Gear Solid mais uma vez o jogador tomava o controle de Solid Snake, desta vez um soldado mais maduro e ex-membro da organização secreta FOXHOUND. Ele tem a missão de se infiltrar em sua antiga base em Shadow Moses Island no Arquipélogo da Raposa no Alasca para impedir que um ataque nuclear seja lançado sobre o mundo. Os terroristas estão sob o comando de Liquid Snake e exigem o pagamento de um bilhão de dólares mais os restos mortais de lendário soldado Big Boss, mentor de Solid Snake e criador do Fox Hound. Com a carcaça do antigo soldado Liquid pretende aperfeiçoar a terapia genética para fortalecer seus soldados. Ele chama sua nova fortaleza no Alasca de Outer Haven… um paraiso para soldados mercenários.

Três anos depois, em 2001, quando Hideo Kojima já havia tornado-se uma celebridade respeitada no mundo dos games, foi lançado Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty para PlayStation 2. O novo game apresentava qualidade gráfica superior e melhorias nos comandos do personagem. Porém este fora o único ponto para o qual os fãs torceram o nariz. Ao invés de se jogar com Solid Snake como nos games anteriores da série desta vez o jogadores depararam-se com Raiden, personagam de aparência andrógena que tomara o lugar de Snake, este sendo simplesmente um coadjuvante na trama do game que centrava-se, à primeira vista, no resgate do presidente dos Estados Unidos de uma plataforma marítima onde era mantido refém pelo grupo terrorista Sons of Liberty.

Passados mais três anos foi a vez do maior de todos os títulos da saga aparecer: Metal Gear Solid 3: Snake Eater. Dessa vez o pano de fundo para a trama era a Guerra Fria, sendo o cenário uma floresta russa em 1964. Pela primeira vez ambientado no passado, dessa vez o personagem protagonista era Naked Snake, que mais tarde viria a se tornar o lendário Big Boss. A missão era resgatar um cientista russo que desejava há anos desertar para os Estados Unidos, mas obviamente nada saiu de acordo como o planejado e Snake se vê em uma rede de intrigas e mentiras onde ninguém é quem diz ser.

Uma novidade que realmente agradou aos fãs nesse capítulo da saga Metal Gear foi a mudança dos cenário fechados em bases militares para o ambiente natural de uma floresta, de cavernas e montanhas. Outro fator foi o de sobrevivência. O jogador deveria buscar alimentos para recuperar as forças de Snake além de saber qual o procedimento médico adequado para tratar os ferimentos do espião que iam desde a ossos fraturados, ferimentos à bala e queimaduras.

A Partir de 2004 Metal Gear também embarcou nos consoles portáteis, mais frequentemente no PSP da Sony com os games Metal Gear Solid: Acid, Metal Gear Solid: Acid 2, Metal Gear Solid: Portable Ops e Metal Gear Solid: Peace Walker, fora alguns spinoffs como um game para Game Boy Color cuja a história não faz parte da saga original e uma nova versão de Metal Gear Solid de 1998 para o Game Cube da Nintendo desenvolvido pela Konami em parceiria com a Silicon Knights, mesma companhia responsável por Eternal Darkness, intitulada Metal Gear Solid: The Twin Snakes. Portable Ops e Peace Walker fazem parte dos games de Metal Gear que contam com grandes músicas temas: “Calling To The Night” interpretada por Natasha Farrow e “Heavens Divide” por Donna Burke. Ambas inesquecíveis!

Apesar de ter sido bem recebido entre os fãs e sendo o primeiro game da série a ser lançado para um console Nintendo depois de catorze anos, Metal Gear Solid: The Twin Snakes foi rejeitado pelo próprio Hideo Kojima que afirmou que os movimentos acrobáticos de Snake no game eram muito exagerados. O game porém serviu para atrair uma nova geração de gamers para a saga, semeando as mesmas ideias e despertando os mesmos sentimentos que sua versão original seis anos antes quando revolucionara a indústria. O game contava com gráficos muitas vezes superior, novos diálogos, cortes de câmera mais cinematográficos, novos movimentos de uma jogabilidade melhorada que fazia uso da engine de Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty além de diferentes lugares para se esonder e ocultar cadáveres.

Em 2008 a última parte da saga veio à luz. Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots trazia Solid Snake agora sob um codenome diferente mas bastante apropriado. Old Snake. Isso porque o protagonista da série sofrera com uma espécie de envelhecimento precoce muito similar a Síndrome de Werner. Junto de Otacon e Meryl Silverburgh Snake tinha de enfrentar velhos inimigos além de saldar de uma vez por todas dívidas de seu passado e impedir que o mundo sucumbisse perante a ganância  de Liquid Ocelot.

Este capítulo trazia mudanças mais significaticas. A câmera se tornara livre e o combate muito mais intenso, com uma variedade incrível de armas a serem usadas. O estilo furtivo porém permaneceu. Dependia do jogador como cumpriria suas tarefas, na surdina ou entrando em confronto com os inimigos. Novas movimentos foram atribuidos a Snake como rolar pelo chão, agarrar um oponente e levá-lo para o solo e mantê-lo preso sob o corpo até que perdesse a consciência. A trama correu o mundo dessa vez. Ao contrário dos games anteriores que se passavam somente em um único lugar como o Alasca ou uma floresta russa, Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots começava no Oriente Médio e passava posteriormente para a América do Sul, leste europeu, mais uma vez a ilha de Shadow Moses e por fim na fortaleza náutica de Liquid Ocelot, um imenso navio blindado carregado dos dispositivos de defesa mais modernos.

Muitos do fãs ficaram ressentidos que ao término do jogo onde a questão da morte de Snake não é deixada clara, o herói não se casa com Meryl, deixando a vaga livre para Akiba, um dos coadijuvantes do game.

Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots foi considerado o melhor jogo já lançado para PlayStation 3.

no centro Old Snake e da esquerda para a direita Drebin, coronel Campbell, Meryl Silverburgh, Raiden e Otacon

 

Esse último capítulo da saga como não podia deixar de ser também contoucom uma trilha sonora exclusiva e dessa vez muito mais marcante que seus antecessores. Harry Gregson-Williams remodelou a canção Here’s to You, originalmente composta por Enio Morricone e cantada por Joan Baez para o filme Sacco & Vanzetti da década de 1970 para que tivesse um ritmo mais lento e se tornasse triste, quese depressiva, reforçando a ideia de que depois do créditos finais nunca mais veríamos Snake. Love Theme e Old Snake foram compostas por Gregson-Williams para o game, mas assim como o tema musical principal da série eram totalmente instrumentais, dispensando um vocalista.

Em 2009, um ano depois do lançamento de Guns of the Patriots, foi anunciado na E3 um novo game de Metal Gear chamado Metal Gear Solid: Rising. O protagonista será pela segunda vez Raiden. Em 2010, novamente durante a E3, novas, mas poucas informações sobre o novo game foram divulgadas. A história se passa alguns anos antes dos eventos de Guns of the Patriots. Kojima dessa vez atua somente como produtor-executivo e o slogan dos games anteriores, TACTICAL ESPIONAGE ACTION foi trocado por LIGHTING BOLT ACTION, o que indica que é bem provável que o “velho” Snake não deve aparecer no game.

Mais um aspecto que marcou os jogos foi as vozes dos personagens. A voz de Solid Snake e Revolver Ocelot são as mais conhecidas pelos fãs, caracterizando-se por sua rouquidão e seu tom guturral. David Hayter, ator e roteirista de Hollywood que escreveu filmes como X-Men 2 e Watchmen encarna Snake e o ator Patrick Zimmerman Ocelot. Christopher Randolph, Paul Eiding, Jennifer Hale e Demi Mae West entre outros formam o time de dubladores excepcionais que emprestam suas vozes para os outros personagens da série desde 1998.

Outra personalidade importante que contribuiu com todos os games da série, com exceção dos dois primeiros games para MSX e NES foi o ilustrador Yoji Shinkawa que criou o visual dos personagens. Os longos cabelos brancos de Revolver Ocelot assim palidez da pele e dos cabelos de Sniper Wolf e o seu uniforme decotado e sensual foram criações de Shinkawa. Como ilustrador Yoji possui um estilo próprio com figuras sem contorno que geralmente possuem apenas uma única cor que varia em seus valores tonais indo do extremo do tom mais desbotado ao mais saturado. O degradê de tons e cores de Shinkawa define a atmosfera que deve prevalescer sobre o desenho, e isso do modo mais simples possível. Uma figura que utiliza tonalidades diferentes de azul acaba passando a sensação de frio. Ilustrações com essa cor foram bastante usadas no game de 1998 que se passava no Alasca. Figuras com predomínio de cor verde e laranja foram usadas para Metal Gear Solid 3: Snake Eater que se passava em uma floresta. Em Guns of the Patriots uma tonalidade de ouro envelhecido foi a escolhida por Shinkawa para passar o sentimento de algo antigo, já que o próprio Snake estava velho e o jogo seria o último capítulo da série.

Solid Snake, Big Boss e Liquid Snake por Yoji Shinkawa

 

Além de tudo isso um projeto com o objetivo de levar a série dos video-games para os cinemas surgiu em 2006 onde o próprio Hideo kojima admitiu estar animado e que participaria da concepção do roteiro. O produtor Michael de Luca acabou chamando o diretor Kurt Wimmer para desenvolver o roteiro. Mais tarde Wimmer foi escolhido para dirigir a película, mas depois foi dito que ele cuidaria apenas da adaptação para as telas. Paul Thomas Anderson se mostrou interessado em dirigir o filme e o ator Christian Bale declarou que tinha interesse em interpretar o personagem de Snake. Mas em janeiro de 2010 o projeto foi engavetado à pedido da Konami que temia que se o filme fosse mal desenvolvido isso poderia afetar a franquia nos video-games de uma maneira negativa.

Aproveitando o gancho sobre o filme, aqui vão algumas sugestões pessoais de atores que poderiam desempenhar certos papeis em uma película de Metal Gear. No lugar de Christian Bale e Hugh Jackman que foi apontado por alguns para viver Snake, o ator karl Urban seria uma boa escolha. Urban que já trabalhou na trilogia O Senhor dos Anéis e no recente RED se parece fisicamente com Solid Snake. Ambos tem o mesmo olhar de sobrancelhas franzidas e um rosto sério, quase severo, além partilharem o mesmo formato de maxilar. Reparem no queixo de ambos! E Urban não tiraria a credilbilidade do personagem ao usar uma bandana, coisa que quase certamente aconteceria com Christian Bale e Hugh Jackman. A italiana Monica Bellucci poderia encarnar a dra. Naomi Hunter sem problemas, já que a semelhança entre as duas é fantástica! Para o papel de Big Boss, Revolver Ocelot e Old Snake, o ator Sam Elliott poderia facilemente desempenhar os três papéis, já que os três personagens se parecem muito entre si e também com o próprio Elliott.

Karl Urban


Naomi Hunter e Monica Bellucci

 

Sam Elliott


INSPIRAÇÕES DE KOJIMA

 

Hideo Kojima já disse quais foram suas inspirações para a saga. Para o personagem de Solid Snake existem referências dos filmes Fuga de Nova York, como o codenome do personagem de Kurt Russell ser Snake Plissken. Os dois nomes foram usados pelo espião da FOXHOUND. Em Metal Gear Solid 2 o nome Plisskin é usado por Solid Snake para esconder sua verdadeira identidade de Raiden. O tapa-olho utilizado por Big Boss também foi tirado do personagem do filme. Já a bandana de Snake assim como o seu primeiro nome, David, foram ideias inspiradas respectivamentes de O Franco-Atirador de 1978 estrelado por Robert de Niro e 2001: Uma Odisséia no Espaço, onde o protagonista tinha o mesmo nome.

Hal Emmerich, o melhor amigo de Snake conhecido como Otacon(uma junção de Otaku Convencion) teve seu primeiro nome também tirado de 2001: Uma Odisséia no Espaço. O computador de inteligência artificial super avançada se chamava Hal. A passagem no Metal Gear de 1998 onde Sniper Wolf alveja Meryl como um tiro de seu rifle foi tirada do filme Full Metal Jacket de Stanley Kubrick. Psycho Mantis, o personagem de poderes psíquicos e faces retalhadas surgiu depois de Kojima ter assistido ao filme The Fury do mestre Brian de Palma. Curiosamente em Snake Eater um dos vilões teria o nome de The Fury.

Além disso todo o conceito de furtividade do universo Metal Gear surgiu dos filmes Fugindo do Inferno(The Great escape) e Os Canhões de Navarone(The Guns of Navarone) de 1961. Outra curiosidade acontece em Snake Eater quando o major Zero, superior de Naked Snake escolhe o codinome de Tom para ser chamado entre as conversas de rádio, isso porque ele disse este ter sido o nome do túnel pelo qual os prisioneiros do filme Fugindo do Inferno, que haviam construido três túneis conseguiram escapar do campo nazista de segurança máxima onde estavam presos. Depois que a missão falha omajor informa Snake de que este era o nome de um dos túneis em que nada ajudou os prisioneiros e que o túnel pelo qual eles escaparam foi um dos outros dois. Big X e capitão Virgil do filme se assemelham aos nomes de Big Boss e coronel Volgin, vilão de Snake Eater. De acordo com kojima Metal Gear não existiria se não houvem as histórias de James Bond. Kojima afirma que os conflitos de espião contra espião, ameaças nucleares, personagens peculiares e o desejo de domínio mundial por parte dos vilões não seriam possíveis se não houve o agente 007, criado em 1953 pelo escritor britânico Ian Fleming com o romance Cassino Royale. Atualmente James Bond é interpretado nos cinemas pelo ator inglês Daniel Craig.

 

Metal Gear Solid Theme

 

The Best Is Yet To Come

 

Heavens Divide

 

Calling To The Night

 

Snake Eater

 

Here’s To You

 

Way To Fall