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The Last of Us

O que é preciso para se fazer um grande game? Ao que parece, a Naughty Dog havia respondido a essa pergunta com a sua trilogia “Uncharted”. Partindo do princípio já estabelecido, a empresa virou o mesmo do avesso e desenvolveu “The Last of Us”, que acaba de chegar para o PlayStation 3.

A trama do novo game da desenvolvedora americana roda em torno do carpinteiro Joel, que vive com sua filha Sarah  próximo a Austin, no Texas. Pai solteiro que sonha em abrir seu próprio negócio, é na noite de seu aniversário que o inferno sobe à Terra; quando casos relatados de uma epidemia provinda de uma forma mutante de Cordyceps se espalha pelos Estados Unidos, atingindo o status de pandemia. A partir daí a história avança 20 anos no tempo.

Cordyceps é uma espécie de fungo. No caso do game, o nome deste Cordyceps é Ophiocordyceps unilateralis, que ataca apenas animais e passa a viver como neuroparasita, se espalhando pelos orgãos e consequentemente matando o hospedeiro. No game, o mesmo fungo é o responsável por toda a tragédia que acomete os EUA. Enquanto que sua versão no vida real não afeta seres humanos, na trama de “The Last of Us” uma versão mutante deste mesmo fungo torna as pessoas o seu principal alvo, a contaminação primária se dando através da inalação de esporos. O hospedeiro se torna uma espécie de zumbi, e como portador da doença também passa a espalhar o contágio através de mordidas. A ideia para o game veio após a equipe da Naughty Dog assistir um documentário sobre o Ophiocordyceps unilateralis na BBC.

“E aí, rola?”

Com o país do Tio Sam completamente devastado, o governo foi posto abaixo e os militares tomaram o poder, mantendo as pessoas em cidades usadas como zonas de quarentena e os infectados do lado de fora. Lutando contra essa ditadura militar está o grupo conhecido como os Vaga-lumes, que busca a reestruturação do governo. É neste futuro pós-pandêmico que um Joel envelhecido, taciturno e mais barbudo do que nunca toma a tela.

Agora Joel atua como contrabandista em Boston, onde passou a viver. Em uma destas transações de mercado negro, Joel e sua amiga Tess pagam por um grande número de armas. Acontece que a mercadoria é extraviada e os dois resolvem ir atrás do fornecedor e acabam descobrindo que as armas foram entregues aos Vaga-lumes. É nesta tentativa de reaver a mercadoria que o caminho de Joel cruza com o de Marlene, a líder dos rebeldes, que propôe um acordo a ele e a Tess: levar Ellie, uma jovem de 14 anos até um grupo de Vaga-lumes pronto para recebê-los no Congresso da cidade, e em troca eles teriam suas armas de volta. Relutantes, Joel e Tess aceitam o serviço. O motivo da entrega não importa, afinal a garota é apenas mais um trabalho.

Dois dos maiores fatores que fazem de “The Last of Us” um grande game são o roteiro de Neil Druckmann e a trilha sonora composta por Gustavo Santaolalla. Também atuando como diretor criativo do game, Druckmann concebeu um script excelente. Com uma trama linear, reintroduzindo os clássicos dissabores de parceiros que não se suportam à princípio, “The Last of Us” apresenta um roteiro tão sólido, que o que realmente sustenta o novo título da Naughty Dog é a relação gradativa de pai e filha que se desenvolve entre Joel e Ellie, pincelada de modo visceral (literalmente) por Druckmann. Claro que isso só é obtido através da performance dedicada de Troy Baker (“Metal Gear Solid V The Phantom Pain”) como Joel e Ashley Johnson (“Os Vingadores”) como Ellie, através do processo de motion capture.

Ashley Johnson (Ellie), Troy Baker (Joel), Neil Druckmann e Annie Wersching (Tess)

Já a trilha do argentino Santaolalla pode facilmente ser comparada ao mar, não sabendo onde começa ou termina, mas o sentindo a cada nova onda; você pode tentar pular, mas nunca sabe para onde elas vão te levar. Isso tudo com um quê de música clássica e algumas batucadas. O maestro já compôs para grandes sucessos do cinema, tais como “O Segredo de Brokeback Muntain” (2005), pelo qual ganhou o Oscar de melhor trilha original, e para a Trilogia da Morte do premiado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu. “O Informante” (1999), “Diários de Motocicleta” (2004), “Na Natureza Selvagem” (2007) e “Biutiful” (2010) também tiveram suas trilhas compostas por Santaolalla.

Mas “The Last of Us” não é um filme, e não pode ser avaliado somente por um bom roteiro e trilha sonora espirituosa! E quanto ao gameplay? Ao contrário das acrobacias de Nathan Drake e seus golpes desvairados que representavam o suprassumo da aventura, em “The Last of Us” o principal objetivo é representar a mais pura tensão. Sendo assim, os movimentos de Joel e Ellie são mais limitados, com a câmera acompanhando os protagonistas da cintura para cima. Com este plano de câmera devidamente centrado no jogador, a tensão do que pode acontecer ao redor se torna muito maior. Enquanto a câmera se torna um tanto quanto restrita, a liberdade cresce no quesito de customização de armas. Joel pode melhorar suas pistolas, revólveres, espingardas, rifles e até um arco e flecha. Mas o arsenal do jogador não se resume a essas armas básicas. Em “The Last of Us” Joel pode montar bombas de pregos, facas e coquetéis molotov. O interessante é que os mesmos ingressos que formam os molotovs, por exemplo, também podem ser usados para preparar curativos; a escolha ficando inteiramente nas mãos do jogador que pode e será, constantemente, pego em situações inesperadas.

 O game não apresenta mais de um caminho para que se chegue ao seu final, porém a Naughty Dog criou vastos cenários que podem ser explorados antes que o caminho a se seguir seja encontrado. E acredite, revirar cada centímetro dos ambientes é mais do que necessário, é algo vital. As balas e itens são escaços, principalmente no modo “sobrevivente”. A fala “Faça cada bala contar”, repetida constantemente no jogo não deve nunca sair da mente do jogador.

Aqui se faz…

O game também traz um nível alto de violência, com uma quantidade de sangue de fazer inveja a Quentin Tarantino, mas menos estilizada. Tiros de espingarda que arrebentam cabeças, granadas que destroçam corpos inteiros, golpes de tijolos, canos de ferro, facadas, a coisa é gore mesmo! Tanta groselha e violência fazem parte dos gráficos espetaculares de “The Last of Us”, que apresenta sem a menor sombra de dúvida, uma das representação mais realista desta sétima geração de consoles. A odisseia de Joel e Ellie atinge um grau incomparável de realismo, dando uma grande atenção a todos os detalhes de ambiente, roupas e feições. O perfeccionismo empregado é tanto que nas cenas de combate corpo a corpo, onde Joel ataca seus inimigos com as armas brancas já citadas, ou até mesmo esfarelando suas mãos no queixo de um infectado qualquer, a tensão que é transmitida faz a adrenalina do jogador explodir dentro do organismo tão feroz quanto o vírus que assola o universo do game. Nem em títulos de guerra como “Call of Duty” e “Battlefield” que costumam apresentar um visual sem precedentes, são capazes de fazer as pontas dos dedos formigarem com tanta tensão como “The Last of Us” é capaz de fazer.

…aqui se paga

Sendo um dos últimos títulos a ser lançado para o PlayStation 3 antes da chegada do seu sucessor no final do ano, “The Last of Us” se consolida como um marco dos videogames. Não apenas por ser um dos games mais bem acabados desta geração, mas também por deixar evidente a atenção que a industria de jogos eletrônicos está dando ao Brasil. Exemplo disso é a dublagem em português do Brasil que “The Last of Us” traz, encabeçada pelo dublador veterano Luiz Carlos Persy que faz a voz de Joel e estabelece o tom do game em sua versão brasuca, causando inveja no áudio original inglês. No currículo do brasileiro estão Lord Voldemort dos filmes de “Harry Potter” e Marte de “Os Cavaleiros do Zodíaco”.

Em suma, o novo game da Naughty Dog redefine o gênero survival horror tão bem quanto “Resident Evil” fez quando foi lançado para o PlayStation em 1996. O Novo título também prova que a Naughty Dog pode ir fundo e entregar jogos menos “Sessão da Tarde” ao seus seguidores. “The Last of Us” simplesmente não pode faltar na coleção dos gamers mais hardcore.

Trailer

Trilha sonora

“Os Miseráveis” – A maior obra-prima da história dos musicais

Hoje escreverei minha primeira crítica sobre cinema para o Chico Louco, tarefa essa sempre designada ao ilustríssimo senhor João Figueiredo. A pergunta é: “Por que resolvi escrever essa crítica?”. A resposta é simples. Nenhum filme, de todos que já assisti, me causou tanta empolgação como o que vi a pouco nas telonas.

Minha paixão por essa história surgiu ainda na adolescência, após achar perdido em casa uma adaptação da história original de Victor Hugo traduzida e compactada por Walcyr Carrasco. Foi amor à primeira lida. Envolvi-me demais com o drama dos personagens e das histórias que mesclam amor, carinho, opressão e luta. Procurei pela história na íntegra, mas nunca consegui encontrar os 5 volumes originais.

Em meio ao cenário da Revolução Francesa, o destaque da história está sempre focado em nosso herói, Jean Valjean (Hugh Jackman), com toda uma vida oprimida pela justiça insaciável do Inspetor Javert (Russel Crowe), após roubar um pão para saciar a fome de sua família, quando ainda muito jovem. 19 anos preso, tem sua condicional, mas decide se entregar às mãos de Deus e começar uma vida nova, com outro nome e outro destino selado. Após muitas reviravoltas, Valjean se torna o prefeito e industrial Madeleine, que cruza seu destino com Fantine (Anne Hathaway). Puts, acho que vou desistir de resumir essa história, é muito longa!

Vamos ao que interessa, o filme em si! Les Miserablés é a adaptação do musical da Broadway de mesmo nome, que por sua vez é uma adaptação do romance de Victor Hugo. O musical feito para as telonas, além de fantástico, com imagens alucinantes, efeitos de câmera maravilhosos e atuações impecáveis, contou com a emoção em sua plenitude, presente em cada cena cantada (que ocupa 90% do tempo do filme). É impossível não sentir a angústia e a melancolia presente em Fantine durante sua interpretação de “I Dreamed a Dream” – esqueça Susan Boyle, Hathaway na cabeça -, assim como também é impossível não se emocionar com a atuação musical de Éponine (Samantha Barks), cantando seu amor não correspondido em meio um cenário shakespeariano de Paris. Também não há quem não tenha se arrepiado com o canto de revolta e justiça pronunciado em coro pelos revolucionários que lutavam por uma França livre. Veja a canção abaixo.

Emoção e atuação foram os pontos fortes da trama. Cossete (Amanda Seyfried) surpreendeu a todos com sua voz lírica singela e confortante. O revolucionário apaixonado por Cossete, Marius (Eddie Redmayne), tem aquela voz forte daqueles cantores da Broadway, que saem dos palcos do teatro para abrilhantarem as telas de cinema. Monsieur Thenardier (Sacha Baron Cohen) foi o destaque cômico do musical, que manteve sua linha de atuação despojada e bem humorada, sempre com sua maestria Borática. Russel Crowe surpreendeu-me com sua voz forte e com uma releitura diferente do personagem Javert, menos carregado na seriedade e na frieza do personagem do livro. Hugh Jackman mostrou uma potência vocal semelhante à de Serj Tankian, inclusive com timbre bem parecido. Ta aí, mostrando suas garras… (sem alusão a outro personagem dele, ok?)

Enfim, em um contexto geral, esse musical prendeu minha atenção, me fez segurar lágrimas, me arrepiou e me deixou orgulhoso de poder ver como uma boa história jamais morre. Enquanto assistia, comecei a comparar cada personagem com suas respectivas interpretações, tanto no filme de 1999 estrelado por Liam Neeson, quanto naquela magnífica série estrelada por Gerard Depardieu, de 2000. Não consigo dizer qual é a melhor adaptação do livro de Victor Hugo, pois cada um tem uma proposta diferente. Minha única conclusão é que pretendo ver esse filme ainda muitas vezes, comprar o DVD, comprar a trilha-sonora e admirá-lo para sempre.

Entrou para a minha lista dos melhores filmes de minha vida. Sou suspeito para falar de uma história pela qual sou apaixonado desde meus 13 anos, mas hoje, com quase 21, também tenho o direito de expor minha opinião. Hoje, realizei o sonho de ver uma adaptação digna de aplausos. Hoje, “I dreamed a dream”!

Prometheus

Prometeu era o deus que fora banido do Monte Olímpo por Zeus após entregar o dom do fogo para a humanidade. Além de banido, fora aprisionado e condenado a viver eternamente sob o tortuoso martírio de ter seu fígado devorado todos os dias por um abutre. À noite, devido a sua imortalidade, seu orgão se regenerava para que na manhã seguinte a lamúria recomeçasse. Já no Prometheus de Ridley Scott, o deus do cinema toma de volta a mitologia que criou há mais de 30 anos para contar sua origem, porém, será que a chama continuará acessa?

Em Prometheus acompanhamos a nave que dá título ao filme em uma expedição espacial no ano de 2093, cerca de cem anos antes da história do primeiro Alien feito em1979. Tendo como base as teorias de Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), os tripulantes estão em busca da origem da humanidade que acreditam ter surgido em algum ponto do espaço.

Quem patrocina a busca é a Weyland Corp. sob a chefia de Madeline Vickers, interpretada por Charlize Theron que desde o início do filme se firma como uma figura opositora à personagem de Noomi Rapace, apaixonada e crédula em sua busca por respostas.

O caso é que, quando se depara com um filme da magnetude de Prometheus, acreditamos realmente estarmos perante um gigante, mas tamanho não é documento. O filme, feito nos moldes do Alien original, tanto em aspectos do roteiro como visuais dá aquela sensação de dejá vù. Um passageiro clandestino à bordo da nave, todo mundo inocente tratando formas de vida pra lá de esquisitas com dentes enormes e o formato clássico de uma vulva como se fossem gatinhos de estimação. A protagonista magricela mas carregada de uma presença sexual que paira no ar sempre com aquela sunguinha branca. Realmente, nada original.

Na verdade, há originalidade em Prometheus, mas isso não quer dizer que ela seja boa. Se nós viemos de onde o filme diz que viemos, é muito mais preferível continuar a viver na dúvida eterna. Fora isso o roteiro é mal desenvolvido, com passagens pouco aprofundadas e repetitivas e cansativas. Por diversas vezes a personagem de Charlize Theron que como sempre rouba a cena, é esquecida para depois de uns 20 minutos aparecer novamente, em uma atuação incrível de um cubo de gelo, o mais frio e belo que jamais existiu.

Charlize Theron quebrando o gelo

No elenco também estão Michael Fassbender como o ciborgue David, outro que rouba a cena fácil; Idris Elba e Guy Pierce. O resto não faz muita diferença, já que os nomes menos conhecidos são sempre os primeiros a morrer.

Em suma, Prometheus é uma promessa furada e estafante que é um balde de água fria para muita gente que esperava ver um legítimo Alien. Sombrio, com a pegada característica de Ridley Scott que ficou de fora de Alien: A Ressureição, o novo capítulo da franquia é só mais um spin off que não será levado em conta por muita gente.

Trailer

Max Payne 3

Depois de um hiato de 8 longos anos, Max Payne está de volta para mostrar para muitos shooters por aí o que um game de temática densa e visceral é de verdade, sem censura, sem poupar balas e dando hora extra para muito coveiro de Nova Jersey à São Paulo.

Sem rumo certo a não ser se acabar no fundo de uma garrafa, o ex-detetive mais barra pesada de Mahnattan se vê chafurdado de álcool e analgésicos até as orelhas, penando de bar em bar em Nova Jersey, onde foi morar depois das tragédias que marcaram sua vida nos dois games anteriores da série criada pelo escritor finlandês Sam Lake.

É nesse ínterim desgovernado que o traumatizado anti-herói cruza seu caminho com o de Raul Passos, segurança particular da família do rico empresário imobiliário brasileiro, Rodrigo Branco. Sem luz no fim do tunel, ou melhor, da fossa que virou sua vida, Max aceita o convite do latino e os dois se tornam parceiros à serviço da família Branco, viajando com os ricaços ao redor do mundo, só na mamata. Porém, por mais que tente, Max não consegue afogar seus demônios nas garrafas de uísque que vorazmente ingere.

A trama do game tem início de verdade quando Fabiana, mulher de Rodrigo, é sequestrada em plena rave pelos integrantes da facção criminosa chamada Comando Sombra. Depois de muita tensão em uma tentativa mal sucedida de pagar o resgate pela garota aos miliante torcedores do Galatians Futebol Clube, em um tiroteio épico em pleno estádio, a verdadeira tensão do game começa.

Max curtindo a balada

Seguindo o mais clássico de tramas de filmes policiais dos anos 80 mais a narrativa de Dan Houser, escritor do supra-sumo dos games, Red Dead Redemption, também da Rockstar, mais os elementos enraizados na franquia de Sam Lake, o game consiste na linearidade total da história de um herói decadente sem nada mais a oferecer e inútil até na hora de proteger a própria cabeça de um péssimo corte de cabelo.

Para manter o jogador totalmente dentro da trama, a Rockstar não deixou espaço para reflexão a não ser nos monólogos deprimentes e inspiradores de Max, afinal, as maiores obras de arte nascem das maiores tragédias. Quase como se o viciado policial estivesse falando diretamente para nosso cérebro, ainda temos o fato de que o estúdio anulou completamente as telas de loading, para que nem por um segundo o gamer posso tirar os olhos da tela. A impressão que dá é como se fôssemos cavalos com aquelas viseiras laterias para não nos desviarmos do caminho que seguimos, isso dá um estupor psiquico que torna jogar o game algo massante, mas no lado bom da coisa, é como se estivéssemos passando psicologicamente e em tempo real pelo que o protagonista está vivenciando ali em nossa frente, mas há um porém, já que o loading ocorre durante as cutscenes, elas são impossíveis de serem cortadas, o que desanima na hora de jogar o game pela segunda vez quando estamos mais interessados na ação e menos na história.

Tratando-se de jogabilidade todos os velhos movimentos de Max estão de volta, principalmente suas marcas registradas, o Bullet Time e o Shootdodge, o primeiro que consiste em deixar tudo em câmera lenta para um melhor desempenho do próximo ato a ser desempenhado pelo jogador e o segundo, também em câmera lenta para poder se esquivar e ainda acertar com mais precisão seus inimigos. A beleza do Bullet Time em Max Payne é a imersão de realidade ao poder ver cada projétil cruzando o cenário, estilhaçando vidraças, se enterrando em paredes e atravessando o corpo de Max em takes um mais cinematográfico que o outro. Apesar da jogabilidade simples e eficaz que neste novo capítulo da saga do persoangem também integra o atual Take Cover de muitos games, mas esse sistema de cobertura as vezes não ajuda ao querer passar de uma parede para outra por exemplo, já que não é possível fazer isso pelo simples toque de um botão ou contorná-las, aí é balaço na certa, isso, somado a câmera que em determinados momentos é menos livre do que deveria ser acaba decepcionando um pouco.

Max realizando um Shootdodge

O game também não traz um mano a mano eficiente para não estragar o estilo consagrado de tiroteio e cabeças explodindo e balas voando, aliás, saindo no braço seus oponentes sempre terminam com os miolos espalhados pelo cenário, de um jeito ou de outro. Nós jogadores queremos cada vez mais realidade mas também facilidade nos games, isso é fato.

Graficamente, Max Payne 3 dá um baile, com texturas e efeitos de luz incríveis, as cenas da favela em São Paulo são as melhores, com um cuidado gráfico sem par, é também uma obra de arquitetura, tamanha a pesquisa que a Rockstar desempenhou na ambientação da comunidade. A pesquisa foi feita também a respeito da mais alta classe paulistana, nada de artista de televisão, mas os ricos empresários que vivem como nababos nas coberturas de bairros como o Morumbi e o Panambi.

Favela Nova Esperança

As feições de Max são as mais caprichadas, usando a aparência do ator James McCaffrey que pela terceira vez também empresta sua voz gutural e melancólica ao personagem. Ainda falando na dublagem, o capricho dado as falas dos personagens paulistanos merece respeito. Sotaques dos mais diversos, gírias e muito mais, mostrando a mescla que inunda a cidade. Sempre que você ouvir um personagem que fala português arriscar o inglês, vai ouvir aquele inglês meio de soquinho e sem sotaque, bem natural para quem não é dos States. Isso gera um desconforto no início, porque estamos tão acostumados com games e filmes em inglês que quando ouvimos a língua falada por um não nativo achamos que a dublagem do game é ruim, mas muito pelo contrário, essa sensação é só mais uma prova do esmero com que foi feito Max Payne 3 que teve um atraso de três anos antes de chegar às lojas. Destaque para a voz de Bira Castro, locutor do canal pago TNT, aqui como o comandante Becker do batalhão de forças especiais da polícia de São Paulo.

O realismo alcançado pelo game é um de seus elementos principais que vinha fazendo falta nos videogames desde Max Payne 2 em 2003. Ao contrário de games como Uncharted onde o oponente alvejado pelos disparos apresenta movimentos lentos que não correspondem aos tiros desvairados da AK de Nathan Drake, com Max a história é outra e cada disparo pode ser visto em pleno ar devido ao Bullet Time e o inimigo atingido responde perfeitamente ao impacto de cada bala, fazendo parecer que está sendo exorcizado até bater no chão.

Pondo a bala na agulha de uma vez e a pena no papel com lamentos um mais poético que o outro, Max Payne 3 traz o melhor da violência e realismo para saciar a ânsia de anos e anos por um shooter de verdade sabe-se lá desde quando, talvez desde Max Payne 2 ou dos X1 de Counter Strike nas Lan Houses do bairro.

 Trailer

História: 8,5

Gráficos: 9,5

Jogabilidade: 8,0

Som: 7,8

Replay: 9,0

Nota Final: 8,6

O melhor: O retorno de um grande personagem e todo seu realismo

O pior: Cutscenes que não podem ser cortadas

O Corvo

Mais de 170 anos depois, até hoje o mistério que cerca a morte do escritor Edgar Allan Poe ainda persiste. Poe foi encontrado em um banco de parque em Baltimore na manhã do dia 3 de outubro de 1849 delirando. Morreu quatro dias depois em um leito de hospital aos 40 anos. O mistério reside nas suas últimas horas antes de ser encontrado, usando roupas que não eram suas e pedidno que Deus tivesse piedade de sua alma. O Corvo toma emprestado o título de uma das obras mais renomados de Poe para o filme de James McTeigue que traça os acontecimentos desconhecidos dos últimos dias de vida do autor e as causas de sua morte e delírio.

Na trama acompanhamos Edgar Allan Poe e o inspetor de polícia Emmett Fields vividos respectivamente por John Cusack e Luke Evans na caçada a um assassino em série cujo os crimes são cometidos tendo como base as mortes escritas por Poe em algumas de suas obras literárias. Para piorar para o lado de Poe, sua amada, vivida por Alice Eve é sequestrada pelo assassino para manter o escritor em sua teia de morte e suspense.

Que Poe era excêntrico é fato, e Cusack encarna a personalidade do autor americano como ninguém. Se deixando levar pelos exageros lúgubres e romantizados de Poe no meio da rua ou da redação do Patriota enquanto gesticula aos brados por aí com um cálice na mão vamos sendo levados pela narrativa e pelas sequencias de assassinatos inspirados nos escritos de Poe. Inicialmente tudo parece meio genérico, até que a violência gratuita, e aqui ponho gratuita não de modo pejorativo, afinal, pelo menos o ingresso foi pago, porém o excesso inesperado de violência explícita e litros e litros de sangue deixam o filme com aquela cara sinistra e gélida presentes nas obras do escritor.

Caracterização incrível de Cusack como Poe

O filme aparenta ser muito original, mas o ritmo inicial dá aquela cara de produção que quer fazer sucesso usando uma figura real em uma situação improvável e fantástica, porém a ligação entre os personagens é muito bem tecida pelo diretor James McTeigue que rege seus atores de modo linear e calmo, tirando os excessos de Poe de tempos em tempos para quebrar a superfície de espelho do thriller. Assim, a primeira boa impressão do filme retorna e segue até o final, porém o toque de desfecho do último ato fica meio na cara, trincando o bom andamento até tal ponto.

A cinematografia sisuda de Danny Ruhlmann em azul e negro com choques tênues de amarelo e mogno pincelam a atmosfera tenebrosa e pouco acalente, classuda, que as vezes toma aquele ar Sherlockiano de corre corre atrás de um assassino cuja mente se equivale a do protagonista fora do comum.

O Corvo dá um bom pairecer para o mistério ao redor da figura de Edgar Allan Poe e uma verdadeira análise de sua personalidade extravagante e de sua mente ardilosa sem muitos freios morais. Vale a pena assisitir, nem que seja para depois querer reler o autor.

Trailer

Captain America: Super Soldier

Aproveitando que o filme de Os Vingadores está bombando mundo afora (eu já vi três vezes), o Chico Louco vos traz a crítica, um tanto atrasada na verdade, do game do Sentinela da Liberdade que foi lançado ano passado junto com o filme Capitão América: O Primeiro Vingador.

Na história do game, Captain America: Super Soldier, acompanhamos o Bandeiroso Steve Rogers em eventos que se passam durante a história do filme do ano passado. Na trama o Capitão América tem de invadir o castelo centenário da família do Barão Zemo na Bavária que serve de base nazista para pesquisas onde o Dr. Zola a mando do Caveira Vermelha tenta recriar o Soro do Super Soldado que tranformou o nosso corajoso Capitão no vingador que é até hoje.

Passando por inimigos clássico do cânone do personagem como Madame Hydra (Víbora), Barão von Strucker e Iron Cross, os eventos totalmente originais mas ao mesmo tempo fiéis às HQs também tem a presença dos Invaders. A reunião de personagens clássicos do herói somados a linha narrativa simples dá aquela nostagia agradável de quando líamos as histórias originais do Capitão ainda pela pena de Joe Simon e pelo traço de Jack Kirby, mas com um diferencial: aqui nós somos o Capitão América.

Chris Evans, Hayley Atwell entre outos reprisam seus papeis dos cinemas no game. Curiosamente, na época de lançamente do jogo acreditava-se que a atriz Natalie Dormer de The Tudors dublaria Madame Hydra, o que não ocorreu de fato. Porém a informação deu margem para o rumor de que a personagem estaria no filme, já que Natalie também está, mas não foi o caso.

Natalie Dormer

Natalie Dormer

Lançado há quase um ano, o jogo feito pela empresa independete Next Level Games e distribuido pela japonesa Sega é livremente baseado no super-sucesso Batman Arkham Asylum desde a engine de combate até o mundo aberto em ambientes labirínticos e segredos escondidos. Porém o estilo se encaixou tão bem para o Capitão quanto para o Cavaleiro das Trevas e não pode ser considerado como uma cópia embalada na produção da Rocksteady.

Visualmente o game surpreende, carregado de brilho e detalhes tanto nos três uniformes do Capitão quanto nos de seus inimigos que são minuciosamente trabalhados, porém quando se trata de sombras e texturas de paredes por exemplo, olhando atentamente a qualidade tende a cair ao ponto de se tornarem nódoas embaçadas.

O game não chega a ser repetitivo, porém os combates contra ordas de soldados da Hydra são intermináveis, o que é bastante envolvente para ver os movimentos fluidos do Capitão e as infinitas façanhas de seu escudo, mas fora isso não há nada de novo.

Capitão América fazendo mingau de seus inimigos

Mais dois elementos vindos direto de Arkham Asylum são as fitas de gravações das sessões psiquiátricas com os internos que em Super Soldier foram substituídas pelo diário do Barão Zemo que é coletado página por página ao decorrer do jogo e ajudam no desenvolver da trama. O outro ponto semelhante são os desafios oferecidos fora da narrativa principal que são bastante fáceis de conquistar a pontuação máxima. Em suma não é nada difícil alcançar os 100% de troféus ou achievements oferecidos pelo jogo.

Barão Zemo por Steve Epting

Quando os estúdios Marvel lançaram Homem de Ferro, seu primeiro filme, em 2008, um game veio acompanhando a estreia do Vingador Dourado no cinema. O título para consoles desenvolvido sob a marca da Sega era mais uma adaptação mal acabada que pegava carona em um blockbuster. Com os filmes seguintes dos heróis da Marvel chegando as telonas nos anos posteriores, mais adaptações furrecas também surgiram, mas esse não é o caso de Captain America: Super Soldier.

O game merece fácil uma continuação, mas fica a dúvida: aparentemente a Sega não possui mais os direitos para produzir games com os personagens Marvel já que o game dos Vingadores foi cancelado em um ano e um novo título será lançado ano que vem pelas mãos da Ubisoft. Quem sabe a francesa não faz novamente uso da Next Level Games para a continuação do Bandeiroso.

História: 7,5

Gráficos: 8,0

Jogabilidade: 8,0

Som: 6,0

Replay: 8,0

Nota Final: 7,5

O melhor: Vestir o uniforme clássico desenhado por Jack Kirby

O pior: Não poder usar o uniforme clássico desde o New Game

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Vale dos Esquecidos

O calor não importava mais. O crepitar incessante das altas chamas não podia mais ser ouvido. As línguas de fogo havia vaporizado todo e qualquer tipo de vida existente. E junto estava matando seu espírito. Pois é, bem piegas mesmo, mas é a realidade e é disso que o documentário Vale dos Esquecidos da iniciante Maria Raduan retrata. Não especificamente de queimadas mas sim da morte do espírito da nossa terra que há mais de 40 anos vem sendo palco de uma batalha interminável entre índios, fazendeiros, sem terras e posseiros no estado do Mato Grosso do Sul.

Com o tamanho equivalente a nada mais nada menos do que 252 ilhas de Manhattan, a chamada Fazenda Suía-Missú foi fundada lá nos anos 70 por um grupo empresarial chamdao SUDAM que forneceu a quantia estimada de US$30 milhões para Funai, que na época atendia pelo nome SPI, isso apenas depois que a fundação que representa os direitos dos remanescentes indígenas no país afirmar à SUDAM que na área não existia nenhum índio. Consequentemente com a chegada dos novos moradosres os caras-vermelhas foram literalmente postos para correr na base da bala!

Em Vale dos Esquecidos a cineasta não fez apenas um relato da guerra, ela poetizou toda a matança e tragédia infindável de décadas, o que aumentou ainda mais a dramaticidade dos eventos que nos nossos dias atuais onde até a vida se tornou algo tão banal, a possibilidade de se chocar voltou a ser algo possível e menos maquinal do nosso cotidiano cibernético de passatempos vis. A descoberta de algo real e palpável como a injustiça, morte e sangue, tudo caído sobre a terra como adubo faz o cérebro pegar nem que seja no tranco. E se engana quem pensa que Maria Raduan focou-se somente nos índios, a cineasta ouviu todos os lados dessa guerra para mostrar preto no branco e no vermelho a real situação enfrentada por essas pessoas sem paz.

Porém o relato dessa realidade também conta com o corte de Jordana Berg e a fotografia de Sylvestre Camp que nos deleitam com o cenário cálido e árido; verde e azul do Mato Grosso, com suas texturas e a distância infinita que parece haver de lá para cá. É o arco sem fim de um caos enraizado na pele e na terra, um arco de um lugar não esquecido por Deus mas sim pelo sempre, ou quase sempre, governo e seus bolsões cheios de omissão.

O documentário que parece ainda passar batido para os menos interessados ou menos afinados com o circuito, já participou de festivais em Chicago e Canadá. O descaso dos grandes interesseiros midiáticos, dos passatempos vis, de nós mesmos, apagam a verdade que nem chegamos a saber sobre o terror de nosso próprio solo.

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Os Vingadores

Os Vingadores nos mostra o ápice de uma evolução cinematográfica que começou em 2008 quando os estúdios Marvel lançaram o seu primeiro filme, Homem de Ferro. Aparentemente o filme parecia apenas mais uma adaptação de quadrinhos para a telona, mas depois da cena pós-créditos onde Nick Fury surge na morada de Tony Stark para discutir sobre a chamada Iniciativa Vingadores a humanidade pode ter o primeiro vislumbre de um novo universo que se formava. Era como se tudo o que viera antes em adaptações do gênero tivesse sido apenas uma catapulta, como a peça de um foguete que se solta no espaço.

Os integrantes deste foguete mais que cinematográfico se apresentaram nos anos subsequentes; O Incrível Hulk, Homem de Ferro 2, Thor e Capitão América – O Primeiro Vingador. Combinados os filmes servem como uma ponte onde sua sustentação é sempre as cenas pós-créditos de cada um. Do outro lado da ponte, os heróis mais poderosos da Terra.

Na trama de Os Vingadores, Loki, considerado morto após a batalha contra Thor é resgatado pela raça alienígena Chitauri que lhe concede o direito de liderar seu exército contra a Terra e recuperar o Cubo Cósmico. Em retribuição Loki estaria livre para dominar os humanos e se tornar rei de Midgard (Terra).

Após chegar causando destruição e morte, somos reapresentar a cada um dos Vingadores, primeiramente com o filme focando-se na discordância e na lavação de roupa suja de cada um, afinal todo mundo sabe que todo super-herói antes de se dar bem com o outro tem que ter um belo arranca rabo.

Finalmente em posse do Cubo Cósmico, Loki abre o portal para a outra dimensão onde o exército extraterrestre espera para dar início a guerra contra a humanidade.

Misto da aventura que deu origem ao grupo de Stan Lee e Jack Kirby lá em 1963 com elementos retirados de Os Supremos de Mark Millar e Bryan Hitch mais a escrita original e meticulosa de Joss Whedon, o mesmo do não tão bem sucedido Serenity – A Luta pelo Amanhã, Os Vingadores simplesmente é um filme sem falhas. Whedon também foi o criador do seriado Buffy e com  certeza foi sua destreza em conseguir conciliar a quantidade exagerada de personagens de um roteiro de duas horas como estes sem que um personagem se sobreponha ao outro que o trouxeram para a Iniciativa Vingadores de Kevin Feige, presidente dos estúdios Marvel.

Os Supremos

O maior medo dos fãs era que uma produção com tantos personagens acabasse simplesmente não dando certo e alguns deles não tivessem o verdadeiro destaque que merecem, esse medo imperou principalmente em relação a Viúva Negra e ao Gavião Arqueiro que não tiveram seus filmes solo (ainda) e apareceram somente nas produções dos outros Vingadores, a Viúva em Homem de Ferro 2 onde a personagem apenas fez sucesso por ser interpretada por Scarlett Johansson, pois no filme do Vingador Dourado a espiã não trazia quase nenhuma referência das HQs. Já o Gavião fez uma ponta em Thor. Mas tal medo não se concretizou e ambos os personagens se mostram relevantes para a trama quanto qualquer outro, tendo seu valor e peso dentro de suas próprias narrativas quanto na principal.

Outro que não fez feio, ou melhor, fez muito bonito foi o Hulk na pele verde de Mark Ruffalo que também deu vida ao monstrengo na captura de movimentos. O Gigante Esmeralda é tão fiel em personalidade quanto em aparência, o que deixa a dúvida, será que Mark Ruffalo é mesmo o Hulk? Brincadeiras à parte, a construção e interpretação do Hulk e de seu alter ego Bruce Banner conquistam fácil, mas apagar da memoria as lembranças enjoativas da versão de Ang Lee interpretada por Eric Bana de 2003 é algo que ainda vai levar algum tempo. Mesmo o Hulk de 2008 da Marvel tinha algo faltando que no Hulk de Ruffalo e Whedon tem em sobra, talvez seja a união de verdadeira mostruosidade com humor, já que o personagem é o maior resposável pelas cenas engraçadas do filme que permeiam toda a produção mas sem perder o tom característico alcançado por Whedon.

Viúva Negra e Hulk em Os Vingadores

Com o Capitão América, Homem de Ferro e Thor não há muito o que inventar, apenas a excitação de os ver novamente em ação. Chris Evans aqui é tão Capitão América quanto foi no filme do ano passado, se mostrando menos sentimental e mais bruto, principalmente com Tony Stark que como sempre não para quieto, acabando com a paciência do Bandeiroso.

Robert Downey Jr. E Chris Hemsworth reprisam seus papeis como Homem de Ferro e Thor respectivamente. Ao lado deles está Tom Hiddleston, o Loki, tão perverso e elegante quanto esteve no filme de seu irmão em 2011. Samuel L. Jackson e Clark Gregg também estão de volta reprisando seus papeis como Nick Fury, diretor da SHIELD e Gregg como o carismático agente Coulson. Junto da dupla se junta Colbie Smulder encarnando Maria Hill, a braço direito de Fury.

Os Vingadores conclui a primeira etapa dos planos da Marvel de criar seu próprio universo cinematográfico totalmente interligado em uma espécie de cronologia quase orgânica, tão viva que se tornou. Enquanto que o primeiro Homem de Ferro pode ser considerado o marco zero que culminou com Os Vingadores, Homem de Ferro 3 que sai ano vem marca o início de uma segunda etapa que seguirá até Os Vingadores 2.

Os Vingadores foi um dos eventos mais aguardados de 2012, o outro é o fim do mundo no final do ano. Pura balela, é claro, mas mesmo que seja verdade a humanidade pode se acabar mais do que satisfeita, pois acaba de realizar o seu maior feito, o feito para a qual milênios e milênios de evolução se destinaram. Se bem que se o mundo acabar não vai haver a continuação… E agora, quem poderá nos salvar? Avante Vingadores!

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Jogos Vorazes

Tudo tem um fim. Com o último livro da série Harry Potter sendo lançado em 2007 era hora de os grandes estúdios de cinema começarem a procurar por uma nova saga adolescente para adaptarem para as telonas, eis que a Summit abocanhou a Saga Crepúsculo da escritora americana Stephanie Meyer.

Agora Harry Potter nada mais é do que um sopro do passado, seus oito filmes são a lembrança bem lucrativa de uma década de filmes que fez muitas crianças, adolescentes e adultos demasiado felizes. Além de Harry, os personagens da Saga Crepúsculo também já estão se despedindo com Amanhecer, última parte da saga também dividida em duas partes assim como aconteceu com a adaptação de As Relíquias da Morte de J. K. Rowling.

Aproveitando a deixa a Lionsgate viu que era hora de também pegar a sua fatia do um dia findouro bolão das adaptaçoes de romances adolescentes. Buscando algo menos nhenhenhém que a Saga Crepúsculo o estúdio adquiriu os direitos sobre a trilogia Jogos Vorazes da romancista Suzanne Collins.

Jogos Vorazes se passa em um futuro pós-apocalíptico não definido com uma América rica que consiste na Capital e nos 12 precários distritos que a cercam. Anualmente são realizados os chamados Jogos Vorazes onde um casal de cada distrito entre 12 e 18 anos são escolhidos para participar, eles são chamados de tributos. Os Jogos Vorazes são na verdade uma espécie de reality show transmitido para os 12 distritos onde os tributos são soltos na selva com apenas um objetivo: a sobrevivência. Os 24 participantes precisam literalmente se matar para que apenas um deles posso voltar vivo para casa e honrar o seu distrito.

Eis que temos a história da protagonista Katniss Everdeen vivida por Jennifer Lawrence que infelizmente não surpreende nem em interpretação e nem em beleza como havia fascinado em X-Men Primeira Classe. Exímia arqueira, Katniss vive para a mãe e a irmã, a pequena Primrose de apenas 12 anos. Quando Prim é escolhida para participar da 74ª edição dos Jogos Vorazes, Katniss se oferece como tributo para ir no lugar da irmã. Junto dela também é escolhido o jovem Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e o casal do Distrito 12 é levado então para a Capital onde serão preparados por um mentor que lhe ensinara técnicas de sobrevivência e a como conseguir patrocinadores, aqueles que lhes darão apoio durante os jogos.

Depois de os 24 tributos serem apresentdos em um grande evento para toda a Capital os Jogos Vorazes têm início.

O diretor Gary Ross que também cuidou do texto ao lado da própria Suzanne Collins e Billy Ray, nos entrega um filme que antes de assistirmos não sabemos bem o que esperar além de um Big Brother sangrento e visceroso carregado de uma violência gratuita ilimitada. Isso é o máximo que podemos esperar de Jogos Vorazes, porém o diretor e o estúdio não seguiram como deviam as regras do jogo. Tão ávidos em fazer o filme esqueceram o manual de instruções dentro da caixa.

Mal desenvolvido, o roteiro segue arrastado durante a primeira hora do filme, evidenciando o objetivo de não fazer o filme parecer um curta. Enquanto o lengalenga vai se desdobrabdo na tela o tédio vai dando aquele soninho de velho que dorme sentado na poltrona. Quando tudo parece se agitar e os jogos começam o ritmo lento de um roteiro que mais parece uma sinopse de capa de DVD continua o mesmo, só que um pouquinho mais decepcionante. A matança que deveria ser generalizada é acompanhada de falas toscas com crianças lentas que mesmo empunhando uma faca se tornam alvos, mas seus algozes são tão lentos quanto suas vítimas e vivem parafraseando jargões pré-assassinatos que funcionavam muito bem em filmes dos supremos reis da ação dos anos 80 como Schwarzenegger e Stallone.

O filme de Ross acaba cometendo os mesmos erros de Imortais do indiano Tarsem Singh que foi um desfile bem afetado de escola de samba. Ao tentar criar dois mundos distintos, o da rica Capital e os nada convidativos 12 distritos, Gary Ross e a figurinista Judianna Makovsky quiseram dar um ar de corte francesa do sec XVII para a Capital, mas o exagero de cores e maquiagem que parecia ser tão original se tornaram uma verdadeira palhaçada, principalmente em relação aos personagens masculinos. A barba toda desenhada de Wes Bentley e sua casaca vermelha são vergonhosos. Tony Jones se transformou em uma couve flor, o único a conseguir tirar bom proveito de sua fantasia foi Stanley Tucci que como sempre roubou a cena mesmo com sua peruca azul e seus dentes postiços muito eficientes em arrancacar boas gargalhadas em plena sessão.

Entrando no quesito estratégia e sobrevivência, os mais importantes para um filme desse tipo,  os piores erros são cometidos, ficando claro o esforço do diretor em não fazer seu trabalho como deveria. Sem spoilers digo apenas que entre cortar um tronco de árvore e simplesmente derrubar uma colméia de inexistente vespas teleguiadas, dormir durante uma campana ou dormir enquanto procurado e cantarolar como os sete anões da Branca de Neve em plena selva mortal está apenas no manual de sobrevivência de idiotas. Cachorros não brotam do chão e essa sim seria a melhor hora para subir em uma árvore. Opa, spoilers, foi mal.

Resumindo, Jogos Vorazes é um filme sem moral que depois do primeiro deslize só consegue arrancar risadas da plateia que nem se importa mais se está falando alto ou não no cinema, porém o filme tem um gancho original que poderia ser muito melhor explorado e desenvolvido e até usado como crítica para as massas obtusas reféns de uma mídia manipuladora. No mito clássico do minotauro que a autora usou como inspiração para sua trilogia, atualmente tem os papeis invertidos e os atributos oferecidos para a besta é a sociedade. No final do mito adivinha quem sai perdendo.

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CHICOCAST 1 – Batman Arkham City

O ano de 2012 será cheio de surpresas para os leitores do Chico Louco!
Entramos na onda dos Podcasts!
Agora temos o CHICOCAST, o Podcast do Chico Louco!
Para começar em grande estilo, um debate sobre o jogo Batman: Arkham City.
Ouçam e tirem suas próprias conclusões sobre o game que agitou o mercado.

E não deixem de comentar, compartilhar com seus amigos e deixem sugestões para outros temas a serem discutidos por nossos autores.
Enjoy!

Link para ouvir o CHICOCAST: CHICOCAST – Batman Arkham City