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Nuts

Produções francesas são sempre sinônimo de filmes cult que trazem uma concepção esclarecedora sobre algum assunto. Sendo assim, “NUTS”, longa estrelado por Éric Elmosnini, Sophie Quinton e Valeria Golino se propõe a mostrar a relação de um paciente psiquiátrico com sua família após ter recebido alta.

O filme acompanha François que acabou de deixar a clínica em que estava internado. Sem emprego ou ter onde morar, François tem apenas um objetivo em sua vida: reconquistar a ex-mulher, Anna. Para isso ele tem de provar não apenas para ela, mas também para sua mãe, seu pai e sua psiquiatra que está curado.

O filme de Yann Coridian se dispõe a mostrar uma história interessante, não original, mas factual. Porém o tempo é curto demais ou o diretor se estendeu com personagens e situações descartáveis com o intuito de mostrar o quão profundo pensou ter desenvolvido o pobre François. Figuras aleatórias aparecem na vida do protagonista como se o espectador tivesse a obrigação de saber quem são. E Quando vão embora, ainda não sabemos de quem se trata.

A impressão que se tem é que Coridian cronometrou errado suas filmagens e só se deu conta disso no último ato do filme, que se torna rápido, não em montagem ou ritmo, mas em concepção. Com uma ideia que não faz sentido sequer para François, o filme acaba, não porque encontrou o seu final, mas talvez porque os rolos de filmes dentro das câmeras tenham acabado

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Como um Leão

Nunca imaginaria que um filme chamado “Como um Leão” falaria sobre futebol. Eis a surpresa, quando descubro que o filme, do original em francês “Comme un Lion” é um trocadilho com o time francês Lyon, time preferido do protagonista. O jogo de palavras já destaca a sagacidade da produção.

O jovem Mitri de apenas 15 anos tem um sonho: se tornar jogador profissional de futebol. Nascido em Senegal, ele e seus amigos se vêem diante de uma oportunidade única quando durante um campeonato, são observados por um olheiro que escolherá apenas um deles para levar até a Europa. Mitri se destaca entre os demais e é o escolhido, porém não tem o dinheiro necessário para a viagem. Sem desistir de seu sonho, Mitri convence a avó a ajudá-lo, colocando a família em dívida com a aldeia em que moram.

É quando os locações douradas e cálidas, cheias de risadas do Senegal mudam drasticamente para uma Paris cinzenta e depressiva, que Mitri, justamente com o espectador se descobrem enganados. Mitri por ser abandonado ao léu por aqueles que o trouxeram à França com promessas falsas, e o espectador por ser surpreendido com a mudança impactante de atmosfera, não só visual, mas dramática, trazida pelo roteiro antagônico ao primeiro ato.

Sem ter onde morar ou o que comer, o caminho de Mitri se cruza com o de um treinador de futebol de um time de garotos. Querendo provar do que é capaz, Mitri invade o campo e mostra sua habilidade. As vidas de ambos se entrelaçam tanto fora como dentro do campo, onde o sempre otimista aspirante a jogador se choca com a personalidade autodestrutiva de seu novo técnico e amigo, que descobre em Mitri um filho.

Escrito e dirigido por Samuel Collardey, “Como um Leão” se mostra um filme de balanço em todos os sentidos. O drama não é pesado ao ponto de tornar o filme massante, assim como as personalidades dos protagonistas se completam e também o cenário e a própria escrita do roteiro com as locações internacionais tão distintas.

Apesar de tratar de futebol, mesmo os que não são entusiastas do esporte não vão ter do que reclamar; afinal, o tema principal do filme de Collardey é a busca cega de um sonho e de como sujar as mãos, nesse caso os pés, para realizá-lo.

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