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Espadas Voadoras

Nunca um título serviu tão bem a um filme. “Espadas Voadoras”, do chinês Tsui Hark chega apelando para as fantasias reprimidas de quem é fã de filmes como “Matrix” e “O Tigre e o Dragão” e suas lutas coreografadas que desafiam as leis da física.

Durante a dinastia Ming, bandidos e mercenários entram em conflito na tentativa de descobrir a localização de um templo que guarda um enorme tesouro. De acordo com a lenda, a cada 60 anos tal templo se ergue do mar de areia por apenas duas horas. É nesse curto período de templo que os rivais tem de decidir entre a vida, a morte e a riqueza.

Estrelado por Jet Li, o longa traz um show magistral de coreografias de lutas, saltos e muitos efeitos especiais. Com cenários grandiosos, figurinos impecáveis e uma fotografia ambiciosa, “Espadas Voadoras” é visualmente inesquecível. Todo o trunfo, porém, se mantém nos aspectos já citados. No quesito roteiro, o filme de Hark é um fiasco. Com tramas que são simplesmente esquecidas e substituídas por outras e uma quantidade incrivelmente desnecessária de personagens, o filme se torna confuso e a atenção se volta apenas para a parte estética da película. Em determinado momento, não será surpresa se questionar sobre qual é a verdadeira trama do filme.

Com um ritmo veloz quando necessário, por muitas vezes o filme acaba tomando o rumo oposto e se torna enfadonho. Isso porque a narrativa de cenas de lutas constante e diálogos tão afiados quanto as espadas que permeiam a produção, vez ou outra se tornam sequencias lentas cheias de falas imponentes mas quase que completamente desnecessárias. Personagens são esquecidos por cerca de 30 minutos antes de voltar à baila, deixando morrer a chama do entusiasmo, que precisa se reacesa com novas cenas de luta.

A produção é uma grande fonte de prazer para quem gosta do mais completo exagero. Sem um rumo certo a seguir, “Espadas Voadoras” acerta em cheio em suprir a necessidade dos fãs de filmes megalomaníacos e de artes marciais.

Trailer

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A Menina dos Campos de Arroz

O filme “A Menina dos Campos de Arroz” acompanha os dias da pequena A Qiu, de apenas 12 anos. A garota mora com o irmão mais novo e os avós em uma aldeia no sul da China, tirando seu sustento da plantação de arroz dos arredores.

Narrado em primeira pessoa pela jovem protagonista como a um diário, a vida de A Qiu se modifica quando sua avó morre e seus pais tem de voltar da cidade para cuidar dela e de seu irmão. A sobrevivência se torna mais difícil e a família se vê frente a frente com desafios cada vez mais ferrenhos para conseguir se manter e realizar seus sonhos.

Dirigido por Zhu Xiaoling, o filme tem ares de uma produção documental e constrói sua narrativa de modo tão semelhante à realidade que logo de início a ideia de uma história verídica se estabelece e se mantém até o final do filme, quando os créditos começam a subir. Afinal, porque alguém iria conceber um filme ficcional de modo tão real?

Com uma sacada sutíl, “A Menina dos Campos de Arroz” se submete a retratar a vida como ela é, seguindo de modo linear até um clímax completamente inesperado, assim como a vida em si. Mas este é só mais um capítulo passageiro que não merece mais destaque que qualquer outro já mostrado. Xialing mostra que as vezes não adianta remar contra a correnteza, pois certos caminhos já estão traçados.