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Tomb Raider

Nada mais apropriado que o lançamento nacional de “Tomb Raider” ocorrer justamente no Dia Internacional da Mulher. A maior personagem feminina dos games, Lara Croft, está de volta completamente reformulada depois de um período de três anos sem dar as caras. A questão é: será que a heroína ainda é capaz de honrar o título de “musa dos games”? É o que vamos descobrir.

Este novo capítulo da série “Tomb Raider” não é apenas mais um game no universo da destemida arqueóloga, é também um recomeço para toda a franquia. Depois de tantos games travadões e sem a profundidade emocional necessária para carregar suas histórias, Lara Croft já não era mais o que se propusera a ser quando surgiu em meados dos anos 90. O maior fator para esta revolução no mundinho de Lady Croft foi o surgimento de Nathan Drake e o seu bem humorado e desenvolvido, “Uncharted”. O concorrente era visivelmente baseado nos próprios games de “Tomb Raider”, mas, sem me ater a  meias palavras, infinitamente melhor.

Anunciado no final de 2010, o novo game simplesmente batizado de “Tomb Raider”, visa desconstruir tudo o que se conhecia até então sobre Lara Croft. A premissa é abordar a jovem em sua primeira aventura e mostrar como a Condessa de Abbington, herdeira da fortuna de Richard e Amelia Croft, se tornou a maior caçadora de tumbas da ficção.

O game começa com Lara a bordo do navio Endurance em uma expedição para encontrar o lendário reino de Yamatai, governado pela figura da deusa do sol, Himiko. Com 21 anos e ansiosa para deixar sua marca na história, é quando o Endurance naufraga nas misteriosas águas do Mar do Diabo, que Lara (Camilla Luddington) põe pela primeira vez os pés na lenda que ela mesma viria a se tornar. O jogador tem de lidar com uma garota inocente, que nunca na vida sequer chegou a imaginar que um dia passaria pelos terrores que viveria na inóspita ilha japonesa.

Camilla Luddington

Na busca pela própria sobrevivência e de seus companheiros, Lara tem de percorrer cerca de 15 horas de gameplay passando por russos barbudos e nativos hiperativos armados com espingardas, bananas de dinamite e arco e flecha. Quando as balas estão chegando ao fim, a censura não é um problema; pedradas, ataques de machado e a última bala do pente disparada a queima-roupa direto na cabeça do inimigo durante um close de câmara, não devem ser muito agradáveis de se ver para os gamers mais açucarados. Entre neve e chuva, muita chuva mesmo, Lara tem de percorrer toda a extensão da ilha passando por rituais macabros, templos de impecável arquitetura japonesa e samurais de pedra. A trama do game está diretamente ligada ao mistério de navios e aviões desaparecerem no Mar do Diabo.

Escrito por Rhianna Pratchett, o game vem com um roteiro impecável repleto de situações que fazem compreensível o amadurecimento emocional da protagonista. A cada pancada ou até mesmo a tentativa de estupro, ou ver as pessoas pelas quais se luta morrerem diante de seus olhos, mais as referências sutis aos games antigos da franquia, são a combinação sem par entre um excelente script e uma equipe de desenvolvedores igualmente exemplar. Tudo isso e muito mais é o novo “Tomb Raider”. Se não controlássemos Lara, o game poderia ser visto perfeitamente como um filme. Simplesmente não existem loadings no decorrer da trama e os planos de câmera são ágeis e em nada lembram outros games. Em outras palavras, prepare-se para o imprevisível, por mais contraditório que seja dizer  (escrever) isso.

Em se tratando de gameplay, o novo “Tomb Raider” é uma mistura de “Uncharted” com a dobradinha dos games “Batman Arkham”. O mix resultou em um dos melhores games do gênero exploração/aventura já feitos, e é de longe a melhor das aventuras já protagonizadas por Lara Croft. Os movimentos da jovem arqueóloga são uma reprodução dos de Nathan Drake, como os pulos exagerados e os pequenos movimentos orgânicos que a personagem faz, como correr os dedos por uma parede ao se aproximar dela, além do sistema de seleção de armas similar ao do aventureiro topetudo. Não que isso seja ruim, na verdade é muito justo, afinal como já foi dito, “Uncharted” é claramente inspirado nos games anterior de “Tomb Raider”. Já o sistema de cobertura é autêntico e muito natural. Ao se aproximar de uma quina de parede, por exemplo, Lara se abaixa em paralelo, sem se encostar totalmente. Quando próxima do perigo, ela passa a andar com os joelhos curvados, já que não existe um botão para se abaixar no game. Isso é muito útil, pois nos deixa alertas sobre algum perigo próximo só detectado por Lara.

Já do homem-morcego o jogo pegou emprestado o sistema de navegação. Um mundo aberto incrivelmente vasto, cheio de passagens secretas que pode ser explorado a qualquer momento da jogatina. Nada frustrante como costumava ser esse tipo de coisa nos games passados de Lara. Basta selecionar a relíquia ou tumba desejada no mapa e seguir uma espécie de “batsinal”, ativado pelo L2, que põe para funcionar o “modo de sobrevivente”, como se fosse a visão de detetive dos títulos do Cavaleiro das Trevas. Outra característica que os programadores da Crystal Dynamics foram buscar em Gotham City é o sistema de melhoria de habilidade e de equipamentos. Simples: junte pontos de experiência e melhore suas armas. Inclusive, muitas das bugigangas improvisadas que Lara usa são semelhantes as usadas pelo morcegão, como a Grapnel Gun e o Arpéu Avançado. Algumas coisas, porém, seriam inacreditáveis  até para o vigilante de Gotham, mas não para Lady Croft, como transformar uma Type 100 da Segunda Guerra Mundial em uma AK 47 com uns pedaços de metal e madeira.

Com gráficos bem trabalhados, apesar dos cabelos sem movimentação e os rostos sem muita expressão, “Tomb Raider” traz um incrível nível de detalhe nos ambientes e alterações climáticas. Ver o sol nascer após sair de uma caverna não tem preço (R$170,00). A cada machucado, o dano no corpo da heroína e em suas roupas é permanente. Se rastejar por um córrego de sangue enquanto afasta corpos em plena decomposição é incrivelmente belo de se ver. Só com muita chuva pra retirar todo esse ketchup.

Não chora não

A resposta à pergunta feita no começo deste texto é “sim”. Lara Croft ainda é a musa dos videogames. O título agora é tão relevante quanto jamais foi. O novo “Tomb Raider” não é apenas mais um game, é “O” game. E como não podia deixar de ser, Lara Croft prova toda a bravura do seu ser feminino neste Dia Internacional da Mulher. Presentão para as gamers. Gradativamente, o espírito de sobrevivente de Lara passa a aflorar dos seus machucados, cortes e arranhões, irrompendo pela pele rasgada até transformar a menina em mulher; a sobrevivente em guerreira; o nome em lenda.

Veja outras matérias sobre “Tomb Raider” aqui no Chico Louco
Retrospectiva “Tomb Raider”

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Descubra em 5 motivos porque Kelly Brook deve ser a nova “Tomb Raider”

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