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Uncharted 3: Drake’s Deception

Desde sempre, ou quase sempre, a humanidade foi ávida para desbravar o desconhecido e mergulhar no inexplorado, nem sempre para se obter o conhecimento de outras civilizações e culturas mas muitas vezes apenas pela sede de aventura, pela paixão de ousar. De Marco Polo a Cristóvão Colombo o mundo nunca foi tão vasto e ao mesmo tempo tão pequeno para se descobrir tesouros, desmitificar lendas como El Dorado e descobrir novos mundos. Na ficção o caso é o mesmo desde Allan Quartermain no século XIX em As Minas do rei Salomão de H. Ridder Haggard, Doc Savage em pubicações pulp dos anos 30 e 40 até Indiana Jones e Tomb Raider, o gênero “caça ao tesouro” sempre foi motivo de fascínio para o público, seja ele feito de amantes da literatura, dos quadrinhos, entusiastas do cinema a gamers vorazes.

Com o terceiro filme de Indiana Jones lançado em 1989 e as aventuras já entediantes e nada originais de Lara Croft era preciso um novo herói para representar o gênero, eis que em 2007 fomos apresentados a Nathan Drake, protagonista de Uncharted: Drake’s Fortune, título exclusivo para PlayStation 3 que revolucionou tudo o que já sbíamos sobre o gênero, nos dando um personagem contemporâneo que não era nenhum professor de arqueologia, milionária ou rato de biblioteca. Drake é um cara comum como eu e você mas sempre metido em situações incomuns. Acumulando prêmios e o fãs ao redor do mundo a série da Naughty Dog acaba de ganhar o seu terceiro capítulo, Uncharted 3: Drake’s Deception, tendo sempre como seu maior trunfo nunca se levar tão a sério, a ponto de tranformar o inacreditável em algo plausível.

Em Drake’s Deception a trama começa de modo muito diferente dos games anteriores, dessa vez com Nate e Sully limpos e elegantemente vestidos em ternos em um típico pub londrino onde Nate se encontra com um homem chamado Talbot para vender o seu anel de estimação que pertencera quatrocentos anos atrás a seu antepassado, Sir Francis Drake. Após acusar Talbot de tentar comprar o anel com dinheiro falso as coisas saem de controle e uma violenta e típica briga de bar começa até que a dupla consegue sair para se depararem com Katherine Marlowe, que há vinte anos perdera o anel para Nathan e que é a contratante de Talbot. Marlowe pega o anel de Drake e foge.

Nathan e Suly vão atrás da vilã que descobre que o anel que apanhou de Nathan era uma réplica. Marlowe possui um decodificador cujo anel é a chave mas que se mostra inútil com a peça falsa. Nathan toma posse do decodificador e descobre que Sir Francis estava em busca da cidade perdida de Ubar, ou como se referia o famoso arqueólogo T. E. Lawrence, Atlândida das Areias, oculta em algum ponto do deserto de Rub’ al-Khali. Munido de um mapa de Sir Francis e de anotações de Lawrence, Nathan e seus companheiros tem de encontrar a tal cidade perdida antes de Marlowe e Talbot, cidade esta que devido a sua arrogância sucumbiu às areias pela ira de Deus.

Drake no deserto de Rub’ al-Khali

A história escrita por Amy Hennig traz de volta a mesma a fórmula usada nas duas últimas aventuras de Nathan Drake: figuras históricas, segredos milenares, civilizações perdidas e muita correria e situações impossíveis, ou quase. De diferente e talvez um tanto incômodo para os fãs mais perfeccionistas sejam os retoques dados pelos programadores as feições de alguns personagens, como é o caso de Elena e Chloe na tentativa de suavizar seus rostos, mas que na verdade acabaram deixando ambas menos carismáticas que nos jogos passados tornando-as menos atraente aos jogadores. Atraentes como pessoas eu quero dizer, antes que algum engraçadinho me leve a mal, fazendo com que trabalhemos  novamente o denso relacionamento já desenvolvido com elas nos jogos passados. Tá bom, pode parecer besteira, mas é nisso o que Uncharted se resume, em desenvolver uma relação com o jogador para que ele não se esqueça jamais das aventuras de Nathan Drake. Na verdade é nisto que qualquer jogo devia devia se basear… bom, também não vou virar um piegas e tentar transformar a franquia em um sitcom mela cueca como queria fazer o diretor David O. Russell quando estava vinculado à adaptação da série para o cinema.

Elena Fisher em Uncharted 2: Among Thieves

Elena Fisher em Uncharted 3: Drake’s Deception

Cada detalhe em Uncharted 3 é motivo para se parar a jogatina e ficar contemplando cada pedacinho de parede, cada raio de sol que atravessa as copas dos arvoredos, cada flor oscilante ao toque do vento, as gotas de chuva que despencam de uma calha ou os grãos de areia que se prendem aos cabelos de Nate, tudo feito com um realismo e capricho que também se estende aos movimentos incrivelmente humanos de Drake que continuam a impressionar, como quando chegamos perto de uma parede e o personagem se apoia nela com as mãos ou como enxuga da testa o suor com os dedos e até mesmo os diversos jeitos que corre dependendo do estado físico ou emocional em que se encontra, relaxado, cansado, em perigo ou mesmo com medo. Cada gesto de Drake e como ele interage com o ambiente ao seu redor tornam o jogo uma experiência diferente de qualquer outro produto do gênero já feito, pois mesmo em total estado de repouso a movimentação é constante, como a vida em si, que é o maior objetivo dos games hoje em dia, parecer o mais vivo e real possível e Uncharted, não apenas este capítulo da série mas os anteriores também são os jogos mais “orgânicos” já realizados.

Talvez tanta “vida” assim acabe por prejudicar, porém muito pouco, o game. Em certos momentos a movimentação excessivamente realista de Drake pode fazer o choque de um salto contra uma beirada parecer descompassado, à medida que a movimentação de ambiente e personagem as vezes requerem um novo movimento de Drake, mesmo que mínimo, que não ocorre, como por exemplo pular em direção a uma plataforma que está caindo para se lançar em direção a outra, o jogador verá que a mão de Drake mesmo que alinhada a plataforma não o está com a superfície na qual se agarrou, o que pode vir a gerar um pequeno glimpse, onde sem mais nem menos a posição do personagem se modifica para se adaptar a superfície. A única diferença de Uncharted 3 em termos de jogabilidade para com seus antecessores é o novo sistema de combate corpo a corpo pegado emprestado de Batman Arkham City, possibilitando que Drake possa lutar com mais de um oponente ao mesmo tempo e ainda arremeçar de volta granadas atiradas pelos inimigos.

No quesito dublagem, responsável por grande parte do sucesso da franquia, falas e captura de movimentos mais uma vez foram realizadas por Nolan North, Richard McGonagle, Emily Rose e Claudia Black, tornando o jogo ainda mais realista do que o método comumente usado de se gravar as falas separadas da captura de movimentos, não que tal processo não seja usado para falas adcionais. Grande novidade é que o game também apresenta uma dublagem em português brasileiro que não deixa nada a desejar, com destaque para a voz de Sully que é a mais parecida com a versão original. Uma primeira versão foi recusada pela Naughty Dog onde muitos iriam reconhecer a voz de Nathan como sendo de Ricardo Schnetzer e a de Sully como de Mauro Ramos. Apesar de a versão final do jogo ter uma boa dublagem fica evidente que a versão rejeitada pela Naughty Dog estava em um nível superior, sendo um daqueles aspectos que nos faz sentir confortáveis ao lado dos personagens. A versão que está no jogo foi feito em Miami enquanto que a rejeitada foi feita aqui no Brasil. Além de Nicolas Cage, Ricardo Schnetzer é conhecido por dar voz a Al Pacino, Tom Cruise e Richard Gere e Mauro Ramos, Pumba, personagem do Rei Leão e o Coisa nos 2 filmes doQuarteto Fantástico e Mumm-Ra na nova versão de Thundercats ainda por ser exibida no Brasil. No desenho dos anos 80 Mumm-Ra era dublado por Silvio Navas.

Uncharted 3: Drake’s Deception é um jogo excelente que não pode faltar na coleção do gamer apaixonado por uma boa aventura à la Indiana Jones mas sem o chapéu e o chicote. Agora que você acabou de ler saia da frente do PC e vá salvar o mundo na pele do mais improvável dos heróis.

Dublagem final

Dublagem rejeitada

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Uma proposta que não se pode recusar

Em 2005 uma versão do clássico O Poderoso Chefão de Francis Ford Coppola foi lançada pela EA Games para os videogames. O game se baseava no primeiro filme da trilogia e teve até uma continuação alguns anos depois, mas agora quem recebe as cinco famílias mafiosas de Nova York são os usuários do Facebook.

Na trama do game intitulado The Godfather Five Families o jogador pode escolher entre as famílias rivais Corleone, Tattaglia, Stracci, Cuneo e Barzini e fazer um nome por conta própria e galgar através dos desafios a serem transpostos e se tornar o Don da família que escolheu. O jogo é desenvolvido pela Kabam, especialista em games para redes sociais em parceria com a Paramount Digital Entainment e deve ser lançado ainda esse trimestre.

 

Trailer: The Godfather Five Families