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Jogos Vorazes

Tudo tem um fim. Com o último livro da série Harry Potter sendo lançado em 2007 era hora de os grandes estúdios de cinema começarem a procurar por uma nova saga adolescente para adaptarem para as telonas, eis que a Summit abocanhou a Saga Crepúsculo da escritora americana Stephanie Meyer.

Agora Harry Potter nada mais é do que um sopro do passado, seus oito filmes são a lembrança bem lucrativa de uma década de filmes que fez muitas crianças, adolescentes e adultos demasiado felizes. Além de Harry, os personagens da Saga Crepúsculo também já estão se despedindo com Amanhecer, última parte da saga também dividida em duas partes assim como aconteceu com a adaptação de As Relíquias da Morte de J. K. Rowling.

Aproveitando a deixa a Lionsgate viu que era hora de também pegar a sua fatia do um dia findouro bolão das adaptaçoes de romances adolescentes. Buscando algo menos nhenhenhém que a Saga Crepúsculo o estúdio adquiriu os direitos sobre a trilogia Jogos Vorazes da romancista Suzanne Collins.

Jogos Vorazes se passa em um futuro pós-apocalíptico não definido com uma América rica que consiste na Capital e nos 12 precários distritos que a cercam. Anualmente são realizados os chamados Jogos Vorazes onde um casal de cada distrito entre 12 e 18 anos são escolhidos para participar, eles são chamados de tributos. Os Jogos Vorazes são na verdade uma espécie de reality show transmitido para os 12 distritos onde os tributos são soltos na selva com apenas um objetivo: a sobrevivência. Os 24 participantes precisam literalmente se matar para que apenas um deles posso voltar vivo para casa e honrar o seu distrito.

Eis que temos a história da protagonista Katniss Everdeen vivida por Jennifer Lawrence que infelizmente não surpreende nem em interpretação e nem em beleza como havia fascinado em X-Men Primeira Classe. Exímia arqueira, Katniss vive para a mãe e a irmã, a pequena Primrose de apenas 12 anos. Quando Prim é escolhida para participar da 74ª edição dos Jogos Vorazes, Katniss se oferece como tributo para ir no lugar da irmã. Junto dela também é escolhido o jovem Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e o casal do Distrito 12 é levado então para a Capital onde serão preparados por um mentor que lhe ensinara técnicas de sobrevivência e a como conseguir patrocinadores, aqueles que lhes darão apoio durante os jogos.

Depois de os 24 tributos serem apresentdos em um grande evento para toda a Capital os Jogos Vorazes têm início.

O diretor Gary Ross que também cuidou do texto ao lado da própria Suzanne Collins e Billy Ray, nos entrega um filme que antes de assistirmos não sabemos bem o que esperar além de um Big Brother sangrento e visceroso carregado de uma violência gratuita ilimitada. Isso é o máximo que podemos esperar de Jogos Vorazes, porém o diretor e o estúdio não seguiram como deviam as regras do jogo. Tão ávidos em fazer o filme esqueceram o manual de instruções dentro da caixa.

Mal desenvolvido, o roteiro segue arrastado durante a primeira hora do filme, evidenciando o objetivo de não fazer o filme parecer um curta. Enquanto o lengalenga vai se desdobrabdo na tela o tédio vai dando aquele soninho de velho que dorme sentado na poltrona. Quando tudo parece se agitar e os jogos começam o ritmo lento de um roteiro que mais parece uma sinopse de capa de DVD continua o mesmo, só que um pouquinho mais decepcionante. A matança que deveria ser generalizada é acompanhada de falas toscas com crianças lentas que mesmo empunhando uma faca se tornam alvos, mas seus algozes são tão lentos quanto suas vítimas e vivem parafraseando jargões pré-assassinatos que funcionavam muito bem em filmes dos supremos reis da ação dos anos 80 como Schwarzenegger e Stallone.

O filme de Ross acaba cometendo os mesmos erros de Imortais do indiano Tarsem Singh que foi um desfile bem afetado de escola de samba. Ao tentar criar dois mundos distintos, o da rica Capital e os nada convidativos 12 distritos, Gary Ross e a figurinista Judianna Makovsky quiseram dar um ar de corte francesa do sec XVII para a Capital, mas o exagero de cores e maquiagem que parecia ser tão original se tornaram uma verdadeira palhaçada, principalmente em relação aos personagens masculinos. A barba toda desenhada de Wes Bentley e sua casaca vermelha são vergonhosos. Tony Jones se transformou em uma couve flor, o único a conseguir tirar bom proveito de sua fantasia foi Stanley Tucci que como sempre roubou a cena mesmo com sua peruca azul e seus dentes postiços muito eficientes em arrancacar boas gargalhadas em plena sessão.

Entrando no quesito estratégia e sobrevivência, os mais importantes para um filme desse tipo,  os piores erros são cometidos, ficando claro o esforço do diretor em não fazer seu trabalho como deveria. Sem spoilers digo apenas que entre cortar um tronco de árvore e simplesmente derrubar uma colméia de inexistente vespas teleguiadas, dormir durante uma campana ou dormir enquanto procurado e cantarolar como os sete anões da Branca de Neve em plena selva mortal está apenas no manual de sobrevivência de idiotas. Cachorros não brotam do chão e essa sim seria a melhor hora para subir em uma árvore. Opa, spoilers, foi mal.

Resumindo, Jogos Vorazes é um filme sem moral que depois do primeiro deslize só consegue arrancar risadas da plateia que nem se importa mais se está falando alto ou não no cinema, porém o filme tem um gancho original que poderia ser muito melhor explorado e desenvolvido e até usado como crítica para as massas obtusas reféns de uma mídia manipuladora. No mito clássico do minotauro que a autora usou como inspiração para sua trilogia, atualmente tem os papeis invertidos e os atributos oferecidos para a besta é a sociedade. No final do mito adivinha quem sai perdendo.

Trailer

 

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John Carter entre Dois Mundos

Pois é, já se foram 100 anos. Em 2012 um grande ciclo se completa para o clássico personagem de ficção científica John Carter que apareceu pela primeira vez em publicações pulp saído da mente do escritor Edgar Rice Burroughs, mais conhecido por também ser o pai de outro personagem icônico, o Tarzan. Mas quem diabos já ouviu falar em John Carter? Bom, eu aposto que muita gente não. O primeiro livro do personagem se chama John Carter e a Princesa de Marte e faz parte da coleção de ficção científica intitulada Barsoon, nome do planeta Marte nas histórias de Burroughs. Ao total o autor escreveu 12 romances protagonizados pelo personagem.

Em 1931, Bob Clampton procurou Burroughs para adaptar seus livros sob a marca da MGM. O autor aceitou e o processo de um filme animado teve início, já que fazer um live-action na época sobre a obra de Burroughs era algo inviável, pelo menos nesse mundol. Porém, com as críticas das sessões teste de exibição, a MGM decidiu que o projeto não teria lucro algum e mandou Clampton produzir uma série animada do Tarzan. Para desgosto de Clampton a Universal Studios lançou em 1936 uma série animada de Flash Gordon que teve um estrondoso sucesso nos Estados Unidos. Nos anos 70 o neto de Edgar Rice Burroughs achou entre as coisas do avô material do filme produzido por Clampton que nunca fora usado. Se tivesse sido lançado o filme de John Carter teria sido o primeiro filme animado do mundo no lugar de Branca de Neve e os Sete Anões de Walt Disney em 1937.

Durante esse um século de existência o herói de Burroughs já foi adaptado para as telas inúmeras vezes, mas foi em 2007 que a Disney anunciou que faria a sua própria versão das história do herói, coisa que pretendia fazer há anos, desde lá da década de 1980 quando o diretor John McTiernan havia sido escolhido para dirigir mais esta adaptação e Tom Cruise encarnaria o personagem, porém a precariedade de tecnicas visuais da época desanimaram o diretor que pulou fora do projeto que foi esquecido. A validade de compra dos direitos expirou e a Disney perdeu os direitos sobre o material que foi parar nas mãos da Paramount e teve ligados ao projeto nomes como Robert Rodriguez e Jon Favreau. Depois de muita água correr entre esses mundos a Disney conseguiu novamente os direitos sobre o personagem e o entregou para a Pixar.

A nova adaptação do romance teve seu título modificada para soar mais sutíl aos ouvidos daqueles que nunca haviam sequer ouvido falar no personagem. Em inglês o título é pura e simplesmente, John Carter, no Brasil porém recebeu o nome de John Carter entre Dois Mundos.

Na trama, John Carter, ex-capitão do Exército Confederado dos Estados Unidos está à procura de ouro em territótio Apache. Após ser preso pelo coronel Powell ao se recusar em ajudar seus conterrâneos americanos na batalha contra os indígenas, Carter consegue fugir mas é pego em um tiroteio entre os nativos e os caras pálidas. Na tentativa de fugir acaba encontrando em uma caverna um estranho medalhão que o leva para outro planeta, adivinha qual!

Após despertar em Marte, Carter é aprisionado por Tars Tarkas, líder de um povo chamado Tharks. No planeta Carter descobre devia a diferença de sua densidade corpórea e a gravidade de Marte que tem a habilidade de dar pulos de incontáveis metros e ainda detém uma força sobre-humana, algo que Carter descobre ser muito útil quando descobre que caiu em meio a uma guerra milenar pela sobrevivência de Barsoon.

Carter luta pela sobrevivência contra dois macacos albinos

A princípio lutando somente por si, Carter acaba aos poucos se apaixonando pela princesa da cidade de Helium, a mesma princesa que dá nome ao título do romance original de Burroughs. A princesa, Dejah Thoris está de casamento marcado com Sab Than, príncipe de Zodanga que massacra Helium com seu exército. O casamento na verdade serve como um cessar fogo para a guerra. Além disso Carter tem de lutar contra a indecisão de regressar para a Terra ou permanecer no planeta vermelho ao lado da mulher que ama.

John Carter e Dejah Thoris

Produção grandiosa rica em efeitos especiais, John Carte entre Dois Mundos não apresenta uma história original, o que é realmente original é a forma como ela nos é contada. O diretor Andrew Staton trabalhou duro ao lado dos roteiristas Mark Andrews e Michael Chabon para que cada página do roteiro fosse indispensável para o filme de mais de duas horas e meia de duração.

Apesar de ser rotulado como ficção científica esta só serve mesmo é de pano de fundo para uma clássica história de romance e tragédia com um protagonista altruísta mas despedadaçado emocionalmente, uma beldade audaciosa de sangue nobre e um vilão tão sádico quanto ganacioso. No caso o vilão Sab Than é vivido por Dominic West. O canadense Taylor Kitsch encabeça o elenco ao lado de Lynn Collins, ambos trabalharam no incrível X-Men Origens: Wolverine de 2009. Aqui, Collins se parece muito mais com a personagem que desempenhou no filme do carcaju. Mês que vem Kitsch também poderá ser visto ao lado da cantora Rihanna em Battleship, adaptação do clássico jogo Batalha Naval. Willen Dafoe, Mark Strong, Ciáran Hinds e Samantha Morton fecham o elenco de astros do filme.

Com um custo na casa dos US$250 milhões, John Carter entre Dois Mundos já tem sua continuação nos planos da Disney, a adaptação do segundo livro do personagem, The Gods of Mars, cujo título provisório adotado pelo estúdio é John Carter: The Gods of Mars. O plano da Disney é fazer uma trilogia com o personagem de Edgar Rice Burroughs.

John Carter entre Dois Mundos é sem dúvida um dos maiores filmes do ano. Na verdade ele é mais do que isso. É mais porque parece ser algo vindo de outro planeta e que jamais havia sido descoberto. Esse estranho sentimento de que o nosso futuro pode estar guardado em nosso passado e nem desconfiamos disso é algo estranho mas muito mais inspirador e que consegue acalentar nossas mentes e por quê não, nossos espíritos?

Trailer

Crítica: A Garota da Capa Vermelha

Na semana passada, a última de minhas férias eu passei alguns dias na esbórnia, então não foi de se admirar quando comecei a sentir os efeitos do cansaço nos dias posteriores, eis que resolvi ficar em casa e assistir alguns filmes que já havia algum tempo vinham mofando (mentira) na estante de meu quarto e entre eles estava A Garota da Capa Vermelha.

O filme dirigido por Catherine Harwicke, a mesma de Crepúsculo é uma versão moderna do clássico Chapeuzinho Vermelho do conto dos irmãos Grimm, pelo menos da versão mais popular da obra que por gerações vem sendo contada para as crianças de todo o mundo. Em inglês a obra dos irmãos alemães tem o nome Little Red Ridding Hood, mas o filme não tem nada de Little… e nem no título, por apresentar um romance entre adolescentes.

Na trama uma jovem chamada Valerie encarnada por Amanda Seyfried que vive num pequeno e afastada vilarejo chamada Daggerhorn situado na horla de uma floresta negra que esconde muitos perigos intenta fugir com seu grande amor de infância, Peter, um caçador, porém nesse mesmo dia a irmã mais velha de Valerie é assassinada por um lobisomem que assombra o vilarejo há gerações mas que durante os últimos vinte anos não havia atacado ninguém, recebendo em troca o melhor gado da população local que não se atrevia a entrar na floresta durante a noite.

Os homens do vilarejo decidem então irem a caça da fera, entre eles está Henry, jovem de família abastada a quem Valerie foi prometida em casamento por sua mãe, interpretada por Virginia Madsen. A rivalidade entre o caçador e o jovem fidalgo vivdo por Max irons na disputa do coração de Valerie se estabelece nesse ponto mas culmina na morte do pai de Henry, que culpa Peter pela fatalidade. Apesar de acreditarem terem matado a fera a visita do padre Solomon na pele do veterano Gary Oldman lhes diz que a besta ainda corre solta pela floresta e que pode ser qualquer uma das pessoas que vivem em Daggerhorn, o que tece sobre os habitantes um denso manto de desonfiança.

Os atores, pelo menos alguns deles como sempre estão impecáveis, como é o caso da estrela em ascensão Amanda Seyfried, sem dúvida a melhor opção para o papel cuja pele leitosa e cabelos louros contrastaram perfeitamente bem com o vermelho saturado de seu figurino. Gary Oldman como sempre convence em mais este papel, padre da igreja e pai de duas filhas… e Vírgina Madsen, que há algum tempo estava sumida ressurge mostrando a quem Valerie puxou garra e beleza.

Apesar de se tratar da adaptação de um clássico o que se desenrola na tela é mais uma versão vazia do primeiro filme da Saga Crepúsculo. A abertura de ambos os filmes se parecem muito e a história pouquíssimo original de romance com falas bem decepcionantes entre os apaixonados deixam a desejar. Outras semelhanças com o romance água sem açucar de Stephanie Meyer também são bem nítidas, como a figura do lobisomem, onde a imagem clássica do licantropo irracional que se move em duas patas é deixada de lado sendo substituida por um simples lobo que consegue conversar com a protagonista, onde já vimos isso… Outra semelhança crepuscular que tira o filme totalmente fora do contexto é o personagem Peter interpretado por Shiloh fernandez. Um caçador e lenhador que vivia em uma floresta, séculos e séculos atrás deveria ter qual aparência? No mínimo um homem de barba crescida, já que lâminas de barbear não deviam ser muito poupulares na época, e corpo forte, já que derrubar árvores a machadadas não é tarefa para um franzino qualquer. Porém no filme de Catherine Harwicke nos deparamos como uma “nova” versão de Edward Cullen, pouco expressivo com aquele penteado moderninho que mais se parece com um ninho de rato sustentado por muito gel de cabelo, tipo de penteado  que deixa os mais “descolados” horas no frente do espelho.

Realmente é difícil saber o que atraiu atores de tal porte para a produção que apresenta um roteiro tosco e mal desenvolvido. Se querem ver uma versão de Chapeuzinho Vermelho no mundo do cinema vale a pena conferir a animação Deu a Louco na Chapeuzinho, o roteiro é no mínimo incrível.

Ao decorrer do filme se esquece que este é baseado na obra da Chapeuzinho Vermelho, pois as semelhanças entre um e outro são muito poucas, e não é surpresa quando você se perguntar porque Amanda Seyfried anda para cima e para baixo com a tal capa vermelha.

Trailer: A Garota da Capa Vermelha

Trailer: “Os homens que não amavam as mulheres”

O trailer da nova versão de “Os homens que amavam as mulheres” do diretor David Fincher caiu na rede, mas não oficialmente, já que o trailer foi exibido somente em alguns cinemas da Europa e em poucas salas americanas em algumas cópias de “Se beber não case 2”. O video que está na internet foi filmado em um cinema na Holanda e divulgado três dias atrás.

O vídeo de um minuto e meio ao som de Immigrant Song do Led Zeppelin remixado por Trent Reznor e Karen O se inicia com a tarja vermelha que indica que o filme contém cenas fortes e inapropriadas para menores de idade, coisa rara de se ver em filmes americanos que geralmente procuram ser acessíveis a todos os públicos. Sem uma narrativa oral nas clássicas palavras guturrais que existem em todos os trailers hollywoodianos o video se deixa levar pela música e pelo corte rápido das imagens, apresentando uma atmosfera impactante de violência regada a muito sangue, exemplo é a visão que impressiona de um Daniel Craig banhado em sangue agonizando em uma banheira. O visual excessivamente sombrio e agressivo mostra o retorno do estilo de David Fincher de anos atrás.

A versão americana de “Os homens que não amavam as mulheres”, adaptação da primeira parte da aclamada Trilogia Millennium do falescido escritor sueco Stieg Larsson será lançada em dezembro deste ano.

 

01/06.

Ontem o trailer oficial do filme foi divulgado na rede apresentando a tarja verde no lugar da vermelha que aparecia na versão anterior. A cena mencionada nas linhas acima de Daniel Craig coberto de sangue em uma banheira não aparece nesta versão.

O casal protagonista, Rooney Mara e Daniel Craig

 

Trailer oficial de “Os homens que não amavam as mulheres”

 

Trailer: “Os homens que não amavam as mulheres”