Depois da Chuva

Em ano de manifestações, nada melhor do que um filme carregado de consciência política para fazer a tarde valer a pena. É o caso de “Depois da Chuva”, primeiro longa da dupla Cláudio Marques e Marília Hughes.

Situado em Salvador no ano de 1984, a trama acompanha o introspectivo Caio, que a seu modo luta contra a visão reacionária de seu colégio conservador logo após a queda da ditadura militar. A história do jovem se mescla com a fase pela qual passa o país naquele momento. Ao mesmo tempo que os anos de chumbo ficam para trás e a escolha de um novo presidente da República começa a se agilizar, o mesmo acontece no colégio de Caio. Porém, enquanto o novo presidente do Brasil seria eleito pelo Colégio Eleitoral, sem o envolvimento direto do povo, o mesmo acontece nas eleições para presidente do grêmio da escola de Caio, onde o novo representante seria escolhido a dedo pela direção do colégio.

Após a revolta dos estudantes que exigem ter o poder de escolher seu representante, o esquerdista Caio causa o barulho necessário dentro da escola com sua banda de punk rock e ganha a empatia dos outros alunos, se lançando como um dos candidatos a presidente do grêmio. Tal ato causa revolta em seus amigos mais extremistas mas também acaba por despertar a admiração da personagem de Sophia Corral.

Escrito por Cláudio Marques, “Depois da Chuva” não é apenas um filme de conflitos adolescentes como muitos que tem saído por aí ultimamente. É na verdade uma crítica à política brasileira e também a alguns políticos que circulam nos corredores do poder até hoje e que lá atrás, defendiam a visão opressora que castigou o país desde o golpe militar de 1964.

Produtores do festival baiano Panorama Internacional Coisa de Cinema, Cláudio Marques e Marília Hughes já assinaram os curtas “O Guarani” (2008), “Nego Fugido” (2009), “Carreto” (2010), “Sala de Milagre”s (2011) e “Desterro” (2012).  Com tamanha experiência a dupla mostra com “Depois da Chuva” uma conotação diferente para um “filme cabeça”, pois sem tentar se provar cult, o longa age diretamente na consciência de quem o assiste. É mais que um filme, é uma lição de cidadania que mostra que “um filho teu não foge à luta” jamais.

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Publicado em 3 de novembro de 2013, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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