Arquivo mensal: julho 2013

HQ dos irmãos Costa ganhará adaptação em curta-metragem

A história em quadrinhos “Matinê” dos irmãos gêmeos Magno e Marcelo Costa está prestes a saltar das páginas para as telas. A ideia de adaptar a HQ veio do cineasta Elder Fraga, que trabalhou com os gêmeos em seu último curta-metragem, “Boca Fechada”, lançado no início do ano.

Em “Matinê” (2011) vemos a rotina de um grupo de traficantes de drogas virar de cabeça para baixo quando se deparam com um matador misterioso. Com traços próprios, os irmãos Costa também se inspiraram em artistas como Mike Mignola (X-Men, X-Force, Homem-Aranha, Hellboy) e Ben Templesmith (30 Dias de Noite) para compor a sua obra. “Matinê” também traz diálogos breves e quadros concebidos como ângulos de câmera de um filme. A HQ nada mais é que uma homenagem aos filmes dos machões do cinema de ação e contou com a participação do artista Marcio Moreno

A adaptação porém, só poderá sair do papel (literalmente) através do método crowdfunding. Para quem não sabe, este meio de financiamento nada mais é que pessoas comuns doando verba para que um determinado projeto ganhe vida. Para a adaptação de “Matinê”, Elder Fraga e os irmãos Costa pretendem arrecadar o valor de R$61 mil. O valor elevado se dá devido aos altos custos dos efeitos visuais e em 3D que o cineasta usará para transportar fielmente a HQ para as telas. Alguns projetos que atualmente fazem uso do crowdfunding são o filme independente da detetive juvenil “Veronica Mars” e o game “Shadow of the Eternals”, continuação do aclamado “Eternal Darkness”, de 2002.

Esperando o sinal verde, “Matinê” já está com o elenco definido. Encabeçando a lista está o ator Julio Rocha, no papel do matador que manda os traficantes para a terra dos pés juntos. Atualmente o ator está no ar como o Dr. Jaques Sampaio da novela “Amor à Vida” da Rede Globo. No elenco também estão nomes como Ricardo Gelli (“O Último Dia”, “Boca Fechada”), Roberto Brito (“Nigéria – Fim da Linha”), Camila dos Santos, Gabriel Losso (“O Último Dia”), entre outros.

Diretor de cinema e produtor teatral, Elder Fraga já assinou quatro curtas-metragens. Os premiados “O Último Dia”, “Nigéria – Fim da Linha”, “Boca Fechada” e o ainda inédito “Os Bons Parceiros” da Obra de Plínio Marcos, que será lançado no fim do ano. Com seus primeiros três filmes o cineasta ganhou 15 prêmios e participou de 56 festivais nacionais e internacionais.

Para mais informações sobre “Matinê” e sobre como ajudar para que o projeto ganhe vida, entre no site do filme, abaixo.

http://matineofilme.com.br/

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O Homem de Aço

Mesmo voando alto e com quase US$700 milhões de bilheteria nas costas o Homem de Aço chegou com um mês de atraso na nossa terrinha verde e amarela. Mas esses 30 dias extras só fizeram aumentar a vontade em ver o reboot cinematográfico do último filho de Krypton.

Com uma trama linear, “O Homem de Aço” começa com a já conhecida destruição do planeta Krypton. Dessa vez a causa do fim do planeta não é impacto iminente contra o sol vermelho que se dirige em direção ao planeta, mas sim a escassez de recursos naturais de Krypton por seus habitantes. Sendo assim, Krypton se tornou instável o bastante a ponto de implodir. Na esperança de evitar a total extinção de sua raça, Jor-El planeja mandar seu único filho, Kal-El, para um planeta com o ecossistema mais parecido com o do seu; no caso, a Terra. Nesse meio tempo o general Zod tenta um golpe de estado mas após se digladiar com Jor-El é preso e aprisionado na já conhecida Zona Fantasma. Vingativo, Zod jura destruir o filho de Jor-El. A partir daí o filme só caminha em linha reta, mostrando o jovem Kal-El já na Terra, sob o nome adotivo de Clark Kent e fazendo de tudo para esconder suas habilidades especias de nós terráqueos e em constante busca do seu verdadeiro destino e de sua origem.

“Moço, deixa eu entrar! Esqueci minha licença para voar na outra roupa.”

Sob a batuta única de Zack Snyder, produção dedicada de Christopher Nolan e escrita detalhista de David Goyer, “O Homem de Aço” dá uma boa repaginada no personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster 75 anos atrás. Agora completamente contemporâneo, o novo Superman tenta ser tão pé no chão quanto foi a trilogia do Cavaleiro das Trevas dirigida por Nolan. Kal-El não é tratado como um super-herói ou um ser divino. O último filho de Krypton é visto como um alienígena que serve como resposta para a questão se estamos ou não sozinhos no universo. Apesar de uma boa ficção, a produção consegue se estabelecer com uma certa verossimilhança em sua trama, o que mostra o seu diferencial.

Sexta grande produção realizada em live action sobre herói com o selo da Warner Bros., “O Homem de Aço” se mostra equivalente ao que foi “Batman Begins” oito anos atrás, da trilogia citada acima. Uma história de origem que sem pressa evita tropeços antes de mostrar o seu protagonista adequadamente trajado com seu uniforme clássico. Porém, ao contrário do primeiro filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas, em que os dois primeiros atos trazem a grande sacada de mostrar como Bruce Wayne se transforma em Batman e o começo de sua atuação em Gotham, para terminar com um último ato com o básico embate de mocinho contra bandido, em “O Homem de Aço” acontece o oposto. Atravessamos o começo e o meio do filme extremamente ansiosos, mas não apenas pelo que nos é mostrado de imediato, mas sim porque tudo o que aparece na tela fomenta a curiosidade pela primeira aparição de Clark Kent vestido como Superman e pelo clímax do filme e o inevitável embate entre o homem de aço e Zod.

Apesar de famoso em todos os cantos do mundo e ser o precursor de todos os super-heróis modernos, sendo o primeiro da chamada Era de Ouro das histórias em quadrinhos, Superman sempre foi um personagem que dividiu opiniões. Por ser praticamente indestrutível e ser um verdadeiro escoteiro ao representar os ideais do que é correto acima de tudo, sempre acabou sendo superior a qualquer outro super-herói, e é isso o que acaba por criar uma falta de simpatia de muita gente por ele. Afinal, ninguém gosta de alguém muito certinho. Acontece que no novo filme uma boa parte dessas características é moldada não de modo a favorecer o personagem, mas justamente o oposto. No filme de Zack Snyder é abordado o sacrifício do herói em fazer suas escolhas em nome do que é certo. Isso dá um senso de dramaticidade ao personagem que evidentemente sofre com muitas das escolhas que faz. É o preço que se paga por ser um caxias.

“It’s not an ass.” Não, péra!!!

Aproveitando o fato de ser um dos mais poderosos super-heróis de todos os tempos e também o mais popular deles, a tríade Snyder/Nolan/ Goyer resolveu não ficar jogando na cara do espectador cada habilidade do Superman e outros fatos já conhecidos de seu cânone. Economizando copiões resolveram mostrar enfim o que os bíceps de Kal-El podem fazer. Em uma mescla de “Transformers” com “Dragon Ball Z” e uma edição mais corrida do que o necessário, os cineastas entregaram cenas de lutas longas e intermináveis que acarretam na destruição de boa parte de Smallville e Metrópolis. A porradaria entre os kryptonianos atinge proporções catastróficas para nós, pobres humanos. Mas quem liga?! O que importa é que enfim o Superman virou homem (agora ele usa a cueca para dentro da calça)!

Falando em homem, dessa vez quem veste a capa vermelha do herói é o britânico Henry Cavill. A interpretação do ator é profunda e eficiente em transmitir o sentimento de solitude vivida pelo personagem e também a sua ira e dor ao emitir gritos que fazem dilatar todas as veias do pescoço. Se dá vontade de sair correndo de medo com os gritos de Hugh Jackman na pele de Wolverine e David Hayter na de Solid Snake, com os de Cavill é melhor sair voando, porque o rapaz se empolga mesmo! Dessa vez as fraquezas que fazem de Kel-El um humano são exploradas de modo significativo que resultam em ações explosivas do herói, e não nas lamentações entediantes de outras produções, tanto filmes como muitas de suas aventuras nas histórias em quadrinhos. Nas palavras do próprio Zack Snyder, “A inocência morreu.”

Batendo de frente com o herói está o clássico vilão General Zod, interpretado por Michael Shannon, extremamente brutal e impiedoso. Desta vez o personagem está menos diplomático e caricato, sem um figurino à la Seco & Molhados como o utilizado por Terence Stamp em “Superman II”. Ao lado de Zod está a bela atriz alemã Antje Traue como sua segunda em comando, Faora. As feições da atriz parecem saídas do traço da desenhista brasileira Adriana Melo, com linhas firmes de uma beleza clássica que se encaixaria muito bem em uma graphic novel. Ainda no time feminino está Amy Adams no papel da intrépida jornalista Lois Lane do Planeta Diário. Se Antje Traue tem os traços de um desenho de Adriana Melo, então Amy Adams tem os de uma das garotas de J. Scott Campbell, mas muito mais sutis e linda o bastante para fazer o sujeito na fileira atrás da minha durante a sessão soltar: “Meu Deus, que mulher!”, durante a primeira aparição da personagem no filme. A participação da repórter se mostra realmente relevante para o desenvolvimento da trama, deixando de ser uma personagem plana com a cabeça voltada apenas para seus furos de reportagem e se tornando uma personagem redonda (não, ela não ganhou peso para o papel). Agora Lois traz emoções e pensamentos menos gananciosos, pensando de modo geral nas situações pelas quais passa e nas consequências que suas ações podem trazer. Afinal ela já tem um Pulitzer, o que mais ela pode querer?

Kal-El indeciso entre Amy Adams e AntjeTraue

Completando o elenco temos Russel Crowe como Jor-El, dando seu show habitual de puro talento na pele do kryptoniano e pai biológico do Superman. Kevin Costner e Diane Lane fazem os pais adotivos do herói, Jonathan e Martha Kent. Ayelet Zurer faz a mãe biológica do home de aço, Lara Lor-Van; Laurence Fishburn interpreta o editor do Planeta Diarío, Perry White, e Christopher Meloni o coronel Nathan Hardy do exército americano.

Em termos estéticos “O Homem de Aço” se desvencilha totalmente dos filmes clássicos estrelados por Christopher Reeve e embalados pelo clássico tema composto por John Williams. A sociedade estatal de Krypton criada para este novo filme é bem desenvolvida nas telas, que também destaca a fauna e flora do planeta, nada mais de cristais brancos para lá e para cá. É uma roupagem totalmente nova, mas sem deixar de lado elementos básicos da mitologia do personagem e do universo DC Comics, como a inteligência artificial Kelex e referências a passagens e diálogos de quadrinhos cultuados do Superman, além de alguns easter eggs bem interessantes. Mas o conceito mais importante de “O Homem de Aço” é o significado do “S” que Superman ostenta em seu peito. Na verdade a letra é um símbolo que significa esperança. Cada família de Krypton tem seu próprio brasão e significado. Pode ser piração da minha cabeça, mas o brasão da família do general Zod é muito parecido com a foice da bandeira da antiga União Soviética. Só ficou faltando o martelo.

Um dos fatores que tornaram os filmes antigos do Superman inesquecíveis foi o tema principal escrito por John Williams. Dessa vez o cargo de escrever a nova trilha sonora ficou com Hans Zimmer, compositor da trilogia do Cavaleiro das Trevas, “A Origem” e a dobradinha de filmes de Sherlock Holmes estrelados por Robert Downey Jr. nos últimos anos. É triste dizer, mas a nova trilha não se compara nem com os trabalhos passado de Zimmer. Com quase duas horas de duração todas as composições são similares entre si, distantes e com cara de que vieram de outro planeta. Infelizmente nada digno de nota. Basta ouvir apenas o tema principal para se captar o sentimento de esperança que permeia o filme, mas esta tem que ser ouvida separadamente, porque durante o filme mal a percebemos.

Em suma “O Homem de Aço” é um verdadeiro filme de super-herói e claramente a melhor produção que já conseguiu adaptar o Superman para todos os públicos. Apesar das mudanças sofridas, não há com o que se preocupar, o último filho de Krypton ainda é o mesmo de quando surgiu nos anos 30. Agora só nos basta aguardar pela sequência e também pelo filme da Liga da Justiça. Zack Snyder já confirmou que voltará para a sequencia de “O Homem de Aço” que será novamente escrita por David Goyer, que também assinou para escrever o filme da Liga. Bom, por hoje chega de escrever!

Trailer

Trilha sonora

The Last of Us

O que é preciso para se fazer um grande game? Ao que parece, a Naughty Dog havia respondido a essa pergunta com a sua trilogia “Uncharted”. Partindo do princípio já estabelecido, a empresa virou o mesmo do avesso e desenvolveu “The Last of Us”, que acaba de chegar para o PlayStation 3.

A trama do novo game da desenvolvedora americana roda em torno do carpinteiro Joel, que vive com sua filha Sarah  próximo a Austin, no Texas. Pai solteiro que sonha em abrir seu próprio negócio, é na noite de seu aniversário que o inferno sobe à Terra; quando casos relatados de uma epidemia provinda de uma forma mutante de Cordyceps se espalha pelos Estados Unidos, atingindo o status de pandemia. A partir daí a história avança 20 anos no tempo.

Cordyceps é uma espécie de fungo. No caso do game, o nome deste Cordyceps é Ophiocordyceps unilateralis, que ataca apenas animais e passa a viver como neuroparasita, se espalhando pelos orgãos e consequentemente matando o hospedeiro. No game, o mesmo fungo é o responsável por toda a tragédia que acomete os EUA. Enquanto que sua versão no vida real não afeta seres humanos, na trama de “The Last of Us” uma versão mutante deste mesmo fungo torna as pessoas o seu principal alvo, a contaminação primária se dando através da inalação de esporos. O hospedeiro se torna uma espécie de zumbi, e como portador da doença também passa a espalhar o contágio através de mordidas. A ideia para o game veio após a equipe da Naughty Dog assistir um documentário sobre o Ophiocordyceps unilateralis na BBC.

“E aí, rola?”

Com o país do Tio Sam completamente devastado, o governo foi posto abaixo e os militares tomaram o poder, mantendo as pessoas em cidades usadas como zonas de quarentena e os infectados do lado de fora. Lutando contra essa ditadura militar está o grupo conhecido como os Vaga-lumes, que busca a reestruturação do governo. É neste futuro pós-pandêmico que um Joel envelhecido, taciturno e mais barbudo do que nunca toma a tela.

Agora Joel atua como contrabandista em Boston, onde passou a viver. Em uma destas transações de mercado negro, Joel e sua amiga Tess pagam por um grande número de armas. Acontece que a mercadoria é extraviada e os dois resolvem ir atrás do fornecedor e acabam descobrindo que as armas foram entregues aos Vaga-lumes. É nesta tentativa de reaver a mercadoria que o caminho de Joel cruza com o de Marlene, a líder dos rebeldes, que propôe um acordo a ele e a Tess: levar Ellie, uma jovem de 14 anos até um grupo de Vaga-lumes pronto para recebê-los no Congresso da cidade, e em troca eles teriam suas armas de volta. Relutantes, Joel e Tess aceitam o serviço. O motivo da entrega não importa, afinal a garota é apenas mais um trabalho.

Dois dos maiores fatores que fazem de “The Last of Us” um grande game são o roteiro de Neil Druckmann e a trilha sonora composta por Gustavo Santaolalla. Também atuando como diretor criativo do game, Druckmann concebeu um script excelente. Com uma trama linear, reintroduzindo os clássicos dissabores de parceiros que não se suportam à princípio, “The Last of Us” apresenta um roteiro tão sólido, que o que realmente sustenta o novo título da Naughty Dog é a relação gradativa de pai e filha que se desenvolve entre Joel e Ellie, pincelada de modo visceral (literalmente) por Druckmann. Claro que isso só é obtido através da performance dedicada de Troy Baker (“Metal Gear Solid V The Phantom Pain”) como Joel e Ashley Johnson (“Os Vingadores”) como Ellie, através do processo de motion capture.

Ashley Johnson (Ellie), Troy Baker (Joel), Neil Druckmann e Annie Wersching (Tess)

Já a trilha do argentino Santaolalla pode facilmente ser comparada ao mar, não sabendo onde começa ou termina, mas o sentindo a cada nova onda; você pode tentar pular, mas nunca sabe para onde elas vão te levar. Isso tudo com um quê de música clássica e algumas batucadas. O maestro já compôs para grandes sucessos do cinema, tais como “O Segredo de Brokeback Muntain” (2005), pelo qual ganhou o Oscar de melhor trilha original, e para a Trilogia da Morte do premiado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu. “O Informante” (1999), “Diários de Motocicleta” (2004), “Na Natureza Selvagem” (2007) e “Biutiful” (2010) também tiveram suas trilhas compostas por Santaolalla.

Mas “The Last of Us” não é um filme, e não pode ser avaliado somente por um bom roteiro e trilha sonora espirituosa! E quanto ao gameplay? Ao contrário das acrobacias de Nathan Drake e seus golpes desvairados que representavam o suprassumo da aventura, em “The Last of Us” o principal objetivo é representar a mais pura tensão. Sendo assim, os movimentos de Joel e Ellie são mais limitados, com a câmera acompanhando os protagonistas da cintura para cima. Com este plano de câmera devidamente centrado no jogador, a tensão do que pode acontecer ao redor se torna muito maior. Enquanto a câmera se torna um tanto quanto restrita, a liberdade cresce no quesito de customização de armas. Joel pode melhorar suas pistolas, revólveres, espingardas, rifles e até um arco e flecha. Mas o arsenal do jogador não se resume a essas armas básicas. Em “The Last of Us” Joel pode montar bombas de pregos, facas e coquetéis molotov. O interessante é que os mesmos ingressos que formam os molotovs, por exemplo, também podem ser usados para preparar curativos; a escolha ficando inteiramente nas mãos do jogador que pode e será, constantemente, pego em situações inesperadas.

 O game não apresenta mais de um caminho para que se chegue ao seu final, porém a Naughty Dog criou vastos cenários que podem ser explorados antes que o caminho a se seguir seja encontrado. E acredite, revirar cada centímetro dos ambientes é mais do que necessário, é algo vital. As balas e itens são escaços, principalmente no modo “sobrevivente”. A fala “Faça cada bala contar”, repetida constantemente no jogo não deve nunca sair da mente do jogador.

Aqui se faz…

O game também traz um nível alto de violência, com uma quantidade de sangue de fazer inveja a Quentin Tarantino, mas menos estilizada. Tiros de espingarda que arrebentam cabeças, granadas que destroçam corpos inteiros, golpes de tijolos, canos de ferro, facadas, a coisa é gore mesmo! Tanta groselha e violência fazem parte dos gráficos espetaculares de “The Last of Us”, que apresenta sem a menor sombra de dúvida, uma das representação mais realista desta sétima geração de consoles. A odisseia de Joel e Ellie atinge um grau incomparável de realismo, dando uma grande atenção a todos os detalhes de ambiente, roupas e feições. O perfeccionismo empregado é tanto que nas cenas de combate corpo a corpo, onde Joel ataca seus inimigos com as armas brancas já citadas, ou até mesmo esfarelando suas mãos no queixo de um infectado qualquer, a tensão que é transmitida faz a adrenalina do jogador explodir dentro do organismo tão feroz quanto o vírus que assola o universo do game. Nem em títulos de guerra como “Call of Duty” e “Battlefield” que costumam apresentar um visual sem precedentes, são capazes de fazer as pontas dos dedos formigarem com tanta tensão como “The Last of Us” é capaz de fazer.

…aqui se paga

Sendo um dos últimos títulos a ser lançado para o PlayStation 3 antes da chegada do seu sucessor no final do ano, “The Last of Us” se consolida como um marco dos videogames. Não apenas por ser um dos games mais bem acabados desta geração, mas também por deixar evidente a atenção que a industria de jogos eletrônicos está dando ao Brasil. Exemplo disso é a dublagem em português do Brasil que “The Last of Us” traz, encabeçada pelo dublador veterano Luiz Carlos Persy que faz a voz de Joel e estabelece o tom do game em sua versão brasuca, causando inveja no áudio original inglês. No currículo do brasileiro estão Lord Voldemort dos filmes de “Harry Potter” e Marte de “Os Cavaleiros do Zodíaco”.

Em suma, o novo game da Naughty Dog redefine o gênero survival horror tão bem quanto “Resident Evil” fez quando foi lançado para o PlayStation em 1996. O Novo título também prova que a Naughty Dog pode ir fundo e entregar jogos menos “Sessão da Tarde” ao seus seguidores. “The Last of Us” simplesmente não pode faltar na coleção dos gamers mais hardcore.

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Trilha sonora