Jack o Caçador de Gigantes

Era uma vez um reino muito, muito distante, onde todos os sonhos eram possíveis. O nome deste lugar cheio de magia era Hollywood. Formado pelos poderes dos grandes estúdios de cinema que financiam os sonhos das pessoas ao redor do mundo, Hollywood vinha passando nos últimos anos, por um processo de bloqueio criativo. Foi então que os estúdios resolveram adaptar para as telas romances adolescentes, HQs, games e recentemente, contos de fadas. O mais novo blockbuster desta lista é “Jack o Caçador de Gigantes”.

Dirigido por Bryan Singer, o filme conta a história do jovem fazendeiro Jack, vivido por Nicholas Hoult. Certo dia, o tio de Jack o manda ao reino de Cloister para vender seu cavalo e sua carroça, na esperança de conseguir dinheiro suficiente para consertar o telhado. Eis que durante a estadia do rapaz, ele acaba se tornando o proprietário de uma porção de feijões mágicos, e é alertado para que jamais os molhe. Bom, como o próprio tio do rapaz costuma dizer, Jack nunca foi muito atento aos detalhes.

Em um minuto, um gigantesco pé de feijão se eleva até as nuvens, levando até a terra dos gigantes que há muito já haviam se tornado apenas lendas para os homens. Para piorar a situação, a jovem princesa de Cloister, Isabelle (Eleanor Tomlinson), é levada para aquela terra de horrores. É aí que Jack percebe que as histórias que seu pai lhe contava na infância eram verdadeiras. Destemido, o jovem fazendeiro tem de provar o seu valor tanto para conquistar a princesa, quanto para salvar toda a terra dos homens da ira dos gigantes sedentos por vingança. O resto, bom, o resto é lenda.

O filme se baseia em dois contos de fada, “João e o Pé de Feijão” e “Jack o Matador de Gigantes”, este menos conhecido. Misturando ambas as histórias, o roteiro que foi concebido em 2005 por Darren Lemke e revisado por Christopher McQuarrie e Dan Studney após a entrada de Singer no projeto, é sutil e desfaz o preconceito contra as recentes deturpações de contos de fadas para as telonas. Ágil, o roteiro é o maior trunfo da produção, que dá ao filme uma linha narrativa inteligente que não se trai em busca por continuações ou por transformar a história em algo real demais. Deste modo, passa a ininterrupta impressão de que estamos na verdade presenciando a origem de uma história fascinante que percorreria os séculos até o leito de milhões de crianças ao redor do mundo.

Esteticamente, “Jack o Caçador de Gigantes” também surpreende. Não dá para saber ao certo se o filme tenta ser uma obra de pura aventura ao estilo Indiana Jones, ou algo voltado para o público infantil, o que acaba por fundir um visual cheio de brilho aos fatores primordiais para um bom filme onde o herói sempre triunfa no final. Com um bom equilíbrio visual, os gigantes são pavorosos, mas não chegam a serem orcs demoníacos. Destaque para o gigante de duas cabeças, Fallon, interpretado por Bill Nighy e John Kassir. Também vale ressaltar a mais nova peruca de mal gosto de Stanley Tucci e o topete estilizado de Ewan McGregor, além do figurino de Ian McShane como o rei de Cloister, muito similar à armadura de ouro de Sagitário de “Os Cavaleiros do Zodíaco”.

“Você é grande mas não é dois! Não, péra…”

Sob a batuta de Singer, o filme não entra na onda de querer ser uma versão dark ou adulta ou real, ou seja lá o nome que os figurões de Hollywood usam constantemente para descrever suas produções hoje em dia. O filme cumpre seu objetivo de mergulhar o espectador na mais pura fantasia sem transformá-la em um draminha barato. E assim, no fundo da fantasia, todos viveram felizes para sempre. Mas cuidado, não vá regar demais.

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Publicado em 28 de março de 2013, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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