“Os Miseráveis” – A maior obra-prima da história dos musicais

Hoje escreverei minha primeira crítica sobre cinema para o Chico Louco, tarefa essa sempre designada ao ilustríssimo senhor João Figueiredo. A pergunta é: “Por que resolvi escrever essa crítica?”. A resposta é simples. Nenhum filme, de todos que já assisti, me causou tanta empolgação como o que vi a pouco nas telonas.

Minha paixão por essa história surgiu ainda na adolescência, após achar perdido em casa uma adaptação da história original de Victor Hugo traduzida e compactada por Walcyr Carrasco. Foi amor à primeira lida. Envolvi-me demais com o drama dos personagens e das histórias que mesclam amor, carinho, opressão e luta. Procurei pela história na íntegra, mas nunca consegui encontrar os 5 volumes originais.

Em meio ao cenário da Revolução Francesa, o destaque da história está sempre focado em nosso herói, Jean Valjean (Hugh Jackman), com toda uma vida oprimida pela justiça insaciável do Inspetor Javert (Russel Crowe), após roubar um pão para saciar a fome de sua família, quando ainda muito jovem. 19 anos preso, tem sua condicional, mas decide se entregar às mãos de Deus e começar uma vida nova, com outro nome e outro destino selado. Após muitas reviravoltas, Valjean se torna o prefeito e industrial Madeleine, que cruza seu destino com Fantine (Anne Hathaway). Puts, acho que vou desistir de resumir essa história, é muito longa!

Vamos ao que interessa, o filme em si! Les Miserablés é a adaptação do musical da Broadway de mesmo nome, que por sua vez é uma adaptação do romance de Victor Hugo. O musical feito para as telonas, além de fantástico, com imagens alucinantes, efeitos de câmera maravilhosos e atuações impecáveis, contou com a emoção em sua plenitude, presente em cada cena cantada (que ocupa 90% do tempo do filme). É impossível não sentir a angústia e a melancolia presente em Fantine durante sua interpretação de “I Dreamed a Dream” – esqueça Susan Boyle, Hathaway na cabeça -, assim como também é impossível não se emocionar com a atuação musical de Éponine (Samantha Barks), cantando seu amor não correspondido em meio um cenário shakespeariano de Paris. Também não há quem não tenha se arrepiado com o canto de revolta e justiça pronunciado em coro pelos revolucionários que lutavam por uma França livre. Veja a canção abaixo.

Emoção e atuação foram os pontos fortes da trama. Cossete (Amanda Seyfried) surpreendeu a todos com sua voz lírica singela e confortante. O revolucionário apaixonado por Cossete, Marius (Eddie Redmayne), tem aquela voz forte daqueles cantores da Broadway, que saem dos palcos do teatro para abrilhantarem as telas de cinema. Monsieur Thenardier (Sacha Baron Cohen) foi o destaque cômico do musical, que manteve sua linha de atuação despojada e bem humorada, sempre com sua maestria Borática. Russel Crowe surpreendeu-me com sua voz forte e com uma releitura diferente do personagem Javert, menos carregado na seriedade e na frieza do personagem do livro. Hugh Jackman mostrou uma potência vocal semelhante à de Serj Tankian, inclusive com timbre bem parecido. Ta aí, mostrando suas garras… (sem alusão a outro personagem dele, ok?)

Enfim, em um contexto geral, esse musical prendeu minha atenção, me fez segurar lágrimas, me arrepiou e me deixou orgulhoso de poder ver como uma boa história jamais morre. Enquanto assistia, comecei a comparar cada personagem com suas respectivas interpretações, tanto no filme de 1999 estrelado por Liam Neeson, quanto naquela magnífica série estrelada por Gerard Depardieu, de 2000. Não consigo dizer qual é a melhor adaptação do livro de Victor Hugo, pois cada um tem uma proposta diferente. Minha única conclusão é que pretendo ver esse filme ainda muitas vezes, comprar o DVD, comprar a trilha-sonora e admirá-lo para sempre.

Entrou para a minha lista dos melhores filmes de minha vida. Sou suspeito para falar de uma história pela qual sou apaixonado desde meus 13 anos, mas hoje, com quase 21, também tenho o direito de expor minha opinião. Hoje, realizei o sonho de ver uma adaptação digna de aplausos. Hoje, “I dreamed a dream”!

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Sobre Bruno Rizzato

Jornalista com idéias diferentes na cabeça, buscando um espaço para compartilhá-las com vocês, internautas intelectos. Amante de boa música e assuntos relacionados a esporte, blogueiro por satisfação e feliz por opção. Formado em 2013, pela Universidade Anhembi Morumbi, atualmente cursando pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Multimídias, tem vasta experiência na área, já tendo trabalho em redação, assessoria de imprensa e mídias sociais. Já trabalhou com os jogadores da Seleção Brasileira, Paulinho e Bernard, fez estágio de treinamento na Sociedade Esportiva Palmeiras e o maior orgulho foi a realização de um documentário sobre o rock progressivo brasileiro na década de 70.

Publicado em 2 de fevereiro de 2013, em CRÍTICA - FILMES, FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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