O Corvo

Mais de 170 anos depois, até hoje o mistério que cerca a morte do escritor Edgar Allan Poe ainda persiste. Poe foi encontrado em um banco de parque em Baltimore na manhã do dia 3 de outubro de 1849 delirando. Morreu quatro dias depois em um leito de hospital aos 40 anos. O mistério reside nas suas últimas horas antes de ser encontrado, usando roupas que não eram suas e pedidno que Deus tivesse piedade de sua alma. O Corvo toma emprestado o título de uma das obras mais renomados de Poe para o filme de James McTeigue que traça os acontecimentos desconhecidos dos últimos dias de vida do autor e as causas de sua morte e delírio.

Na trama acompanhamos Edgar Allan Poe e o inspetor de polícia Emmett Fields vividos respectivamente por John Cusack e Luke Evans na caçada a um assassino em série cujo os crimes são cometidos tendo como base as mortes escritas por Poe em algumas de suas obras literárias. Para piorar para o lado de Poe, sua amada, vivida por Alice Eve é sequestrada pelo assassino para manter o escritor em sua teia de morte e suspense.

Que Poe era excêntrico é fato, e Cusack encarna a personalidade do autor americano como ninguém. Se deixando levar pelos exageros lúgubres e romantizados de Poe no meio da rua ou da redação do Patriota enquanto gesticula aos brados por aí com um cálice na mão vamos sendo levados pela narrativa e pelas sequencias de assassinatos inspirados nos escritos de Poe. Inicialmente tudo parece meio genérico, até que a violência gratuita, e aqui ponho gratuita não de modo pejorativo, afinal, pelo menos o ingresso foi pago, porém o excesso inesperado de violência explícita e litros e litros de sangue deixam o filme com aquela cara sinistra e gélida presentes nas obras do escritor.

Caracterização incrível de Cusack como Poe

O filme aparenta ser muito original, mas o ritmo inicial dá aquela cara de produção que quer fazer sucesso usando uma figura real em uma situação improvável e fantástica, porém a ligação entre os personagens é muito bem tecida pelo diretor James McTeigue que rege seus atores de modo linear e calmo, tirando os excessos de Poe de tempos em tempos para quebrar a superfície de espelho do thriller. Assim, a primeira boa impressão do filme retorna e segue até o final, porém o toque de desfecho do último ato fica meio na cara, trincando o bom andamento até tal ponto.

A cinematografia sisuda de Danny Ruhlmann em azul e negro com choques tênues de amarelo e mogno pincelam a atmosfera tenebrosa e pouco acalente, classuda, que as vezes toma aquele ar Sherlockiano de corre corre atrás de um assassino cuja mente se equivale a do protagonista fora do comum.

O Corvo dá um bom pairecer para o mistério ao redor da figura de Edgar Allan Poe e uma verdadeira análise de sua personalidade extravagante e de sua mente ardilosa sem muitos freios morais. Vale a pena assisitir, nem que seja para depois querer reler o autor.

Trailer

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Publicado em 22 de maio de 2012, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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