Nigéria – Fim da Linha

Quase nas alturas com seus afiados arranha-céus aos pés das estrelas, São Paulo, a maior metrópole da América Latina não é só badalação com suas casas noturnas, avenidas brilhantes e cartões postais de boa vida para o resto do mundo. Por baixo disso tudo, na rasteira até mesmo dos edifícios mais luxuosos é onde acontece a verdadeira festa. Corrupção, traição, assassinato, segredos. Provavelmente será assim que a história se lembrará de nós. Com toda a sujeira encoberta por grandes produções  de comédia pastelão ou produções esnobes de falso requinte para a tevê e convenhamos, péssimos textos, já era hora de alguém mostrar a outra face da nossa terrinha da garoa.

Nigéria – Fim da Linha acompanha a corrente que há entre a máfia nigeriana e São Paulo no tráfico de drogas, mostrando a ascensão dentro deste círculo restrito do personagem Niger (Rogério Brito) que nada mais é que um “eliminador de problemas”, o homem responsável por colocar as coisas de volta nos eixos do submundo do tráfico, fazendo todo o esquema voltar a funcionar com a precisão de um relógio. De terno impecável e pistola na mão age como um verdadeiro hitman.

Já em sua vida pessoal Niger está envolvido com a sorrateira Branca, mulher de uma frieza quase reptiliana vivida impecavelmente pela hipnótica Renata Fasanella. Entre God Black, chefe local da máfia (Carlos Francisco) e Branca, Niger tem de tomar uma decisão que mudará completamente sua vida, algo que não o agrada nem um pouco. Mas o que um homem é disposto a fazer por amor, mesmo o mais calculista deles?

Com este novo filme, o diretor e roteirista Elder Fraga (O Último Dia) se mostra no mesmo patamar de grande cineastas como José Padilha, Fernando Meirelles, Hector Babenco e o iniciante Afonso Poyart do recente 2 Coelhos ao retratar a podridão marginalizada da nossa sociedade. Desde os nomes de seus personagens até a história contada nada é jogado na tela sem um propósito, mesmo que você não seja capaz de percebê-la a intertextualidade está presente.

Visualmente o filme, assim como foi com O Último Dia traz referências de quadrinhos como a série 100 Balas e de produções da estirpe de Kick Ass de Matthew Vaugh que junto do corte e da montagem impecável e sempre precisa de Gustavo Clive Rodrigues somos levados de ambientes fechados pincelados por uma cenografia incrível de nuances variados até as mais plácidas paisagens onde a calmaria de um take é simplesmente estilhaçada pela agonia do corte seguinte, mesclada com sotaques daqui e dali sem se prender as velhas amarras de que todo personagem nacional deve ser um “José da Silva”. Sendo assim Elder Fraga consegue conciliar dois cantos tão distintos do mundo que nos 20 minutos de seu filme parecem tão iguais. Não seria exagero chamar Fraga de David Cronenberg da cinematografia independente brasileira.

Assim como foi com O Último Dia, vencedor de prêmios como melhor filme de juri popular e melhor direção de arte no Festival ART DECO 2011, Fraga mais uma vez nos mostra o lado podre de cada indivíduo, provando que a ganância e a malevolência residem em todos nós e em todos os lugares.

Trailer

Anúncios

Publicado em 25 de abril de 2012, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: