Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras

Apesar de Batman ser dado como o maior detetive do mundo não podemos nos esquecer que antes do morcegão bater suas asas com seus incontáveis apetrechos tecnológicos, Sherlock Holmes, criação do médico e escritor escocês Arthur Conan Doyle já havia desvendado crimes e revelado conspirações tão intrincadas quanto a de qualquer super-vilão. Desde que deu as caras em 1887 com Um Estudo em Vermelho, o excêntrico personagem não saiu mais de moda, sendo reinventado inúmeras vezes no passar desses 125 anos de existência.

Em 2006 o produtor Lionel Wigram fundiu vários elementos de diversas aventuras de Sherlock Holmes e desenvolveu sua própria história além de criar um vilão baseado em uma figura real. Lord Blackwood é baseado em Alesteir Crowley, ocultista e poeta britânico que ao contrário de Blackwood não intentava dominar o governo britânico. Essa característica sobrenatural veio direto de O cão dos Baskerville, escrito por Conan Doyle em 1902. Após ter escrito o roteiro Wigram transformou-o em HQ com desenhos de John Watkiss. Três anos depois o sucesso da HQ se converteu no filme estrelado por Robert Downey, Jr. e Jude Law.

Arte de John Watkiss em “Sherlock Holmes”, HQ de Lionel Wigram

Grande fã de Sherlock Holmes, Wigram visualizou em sua mente uma versão de Sherlock muito diferente das vistas em produções cinematográficas anteriores desde o século passado. “Uma boa parte da ação que Conan Doyle se refere, na verdade se manifesta em nosso filme. Muitas vezes Sherlock Holmes vai dizer coisas como: ‘Se eu não fosse especialista em luta de bastões, eu teria morrido naquela vez’ ou ele remete a uma luta fora da tela. Estamos colocando estas lutas na tela. “, disse Wigram que  também transformou Sherlock em um boêmio com um estilo de se vestir digno de um artista e não mais de um homem arcaico da época vitoriana. Porém as excentricidades que marcaram o personagem através dos anos o fazendo um herói incomum se mantiveram na nova versão. Com excelente direção de Guy Ritchie e a presença do irreverente Robert Downey, Jr. como Sherlock, sem falar de Jude Law que nos dá uma versão quase exata do Dr. Watson, deixando para trás aquele estigma centenário que o doutor carregou de ser um reles coadjuvante gordo e sem atrativos. Com seu físico em forma, Law se parece mais com o Watson que conhecemos dos livros de Conan Doyle, um homem forte que jogava Rugby nas horas vagas. O sucesso do filme de 2009 gerou a seqüência Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras.

A trama de O Jogo de Sombras se passa no mesmo ano que a aventura anterior, 1891 (para quem é fã do detetive sabe muito bem a importância desse ano). O filme começa com o Dr. Watson nos introduzindo à história do filme até que mergulhamos de vez em seus eventos, que perde seu narrador. Em busca pela verdadeira resposta de diversos atentados a bomba, Sherlock Holmes intercepta em Paris em pacote explosivo dado por Irene Adler a um certo dr. Hoffmanstahl a mando do professor Moriarty. De volta a Londres, Sherlock segue a pista da carta que afanou de Irene durante o incidente em Paris, pista essa que o leva até uma cigana chamada Simza, vivida por Noomi Rapace, a mesma da versão sueca da Trilogia Millennium. Com Simza se juntando aos companheiros, os três partem em uma viagem através da Europa para impedir os novos planos do Napoleão do Crime de iniciar uma Guerra Mundial. De Londres para Paris, o trio também passa pela Alemanha e pela Suíça com um desfecho que é puramente sherlockiano.

O filme traz de volta alguns personagens da produção anterior como Irene Adler, Mary Morstan (Kelly Reilly) como a esposa do Dr. Watson e o inspetor Lestrad da Scotland Yard além de introduzir novos personagens como Mycroft Holmes (Stephen Fry), irmão mais velho de Sherlock e Sebastian Moran. Curiosamente Mary Morstan e Sebastian Moran são personagens que apareceram pela primeira vez em O Signo dos Quatro de 1890, segunda aventura de Sherlock escrita por Conan Doyle, porém os filmes de Lionel Wigram e Guy Ritchie não fazem parte do cânone original das aventuras de papel do personagem.

Grande sacada do filme é introduzir o professor James Moriarty, nêmesis de Sherlock também nas histórias de Conan Doyle. Provido de um intelecto tão extraordinário quanto o de Sherly (apelido carinhoso dado a Holmes por seu irmão) o professor Moriarty o usa para fins maléficos que possam beneficiá-lo de algum modo. Apesar de ser geralmente lembrado como um homem corcunda e muito magro com uma cabeçorra calva como ficou marcado pelas magníficas ilustrações de Sidney Paget para os contos de Sherlock Holmes que depois de terem passado por publicações como Beeton’s Christimas Annual e Lippincott’s Monthly Magazine foram publicados na Strand Magazine. Em O Jogo de Sombras o vilão é interpretado por Jared Harris que infelizmente, assim como Noomi Rapace, apesar do bom desempenho de seus papéis não foram capazes de cativar o público como Mark Strong no papel de Lord Blackwood e Rachel McAdams no filme anterior. Alguns dizem que o Moriarty de Harris foi baseado em Simon Newcomb, uma das inspirações que Conan Doyle também usou para criar seu vilão.

Jared Harris e professor Moriarty nos traços clássico de Sidney Paget

Em termos de narrativa o novo Sherlock Holmes não se difere muito de seu antecessor apesar da exceção de que na película de 2009 o detetive dava as respostas para os mistérios e uma série de flashbacks acompanhava a narrativa do herói nos mostrando os elementos que Sherlock utilizou para chegar a sua resposta. Em O Jogo de Sombras tais elementos são mostrados discretamente na tela para que o espectador possa tentar chegar a resposta antes mesmo do detetive, o que nos faz continuar de olhos fixos na tela despertando um sentimenmto de auto-satisfação quando nos equivalemos a Sherlock.

Misturando comédia, ação e mistério, tudo embalado pelo afinado e dançante ritmo chiclete da trilha de Hans Zimmer, Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras faz uma incrivel homenagem a um dos maiores personagens de todos os tempos e a seu criador. Sherlock Holmes pode ser um homem deveras excêntrico mas como todo mundo mostra que ninguém é uma ilha. Entre acordos e dissabores com o Dr. Watson e Irene Adler nos passa que mesmo o homem mais perspicaz do mundo pode amar enquanto desvenda crimes.

Veja o trailer de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras

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Publicado em 17 de janeiro de 2012, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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