Eamon

Eamon é um daqueles filmes que poderia facilmente passar batido por qualquer freqüêntador de cinema. Por quê, com tantos títulos em cartaz um simples filme irlandês de baixo orçamente e sem nenhuma divulgação deveria ser assistido? Se você está pensando que este é um daqueles filmes chatos para cinéfilos e críticos de gostos excêntricos e refinados então você está mais do que errado.

A trama gira em torna da figura do pequeno garoto de seis anos e pele sardenta com hiperativismo devido à altos níveis de açúcar no sangue, Eamon. De férias da escola o menino se vê em casa com os pais, torcendo por um pouco de atenção. Seus pais que pouco parecem perceber a presença da criança é um casal que se deixa enveredar pelos rumos que a vida lhes impõe e que sofrem com uma situação financeira instável. A mãe, Grace, tenta empurrar o garoto para a casa da avó, que recusa a criança. Sem alternativas Grace, Eamon e o pai Daniel viajam de carro para a recatada casa de praia da família em Meremore. Lá as tensões entre a mãe egoísta com complexo de gorda e o pai sexualmente frustrado chegam ao seu ápice.

Sufocando-se em seus próprios hormônios Daniel tenta por várias vezes voltar para o leito de Grace, que sempre se mostra avessa à suas investidas. Grace por sua vez passa a reparar em um banhista de corpo atlético, ombros largos e barriga trançada de músculos que vive a perambular pela areia, preparando seus próprios planos para os dois, mas que acaba em uma situação realmente surpreendente quando Daniel entra nessa história na cena do banheiro masculino.

Frustrado pela solidão e pela humilhaçãoe de ter sido expulso do grupo de brincadeiras das crianças da praia devido a falta de dinheiro de seus pais, Eamon volta a passar seu tempo com Grace e Daniel, que o abandonam freqüêntemente do lado de fora de lojas e bares.

O roteiro e a direção ficaram à cargo da diretora Margaret Corkery que conduz aqui de um modo vagaroso mas cativante a história de uma família que poderia ser a sua, a minha ou a de qualquer um. As situações e personagens são criadas desde seus psicológicos com minúcias que nos fazem compreender o interior de cada um mesmo naquelas cenas onde não se há uma única frase de diálogo. A diretora nos faz ver o lado de cada um, fazendo-nos despertar apatia por todos aqueles que transitam pela tela, independentemente de seus desvios de caráter.

A maioria das cenas se passa na praia deserta, o que reflete para o espectador a solidão em que se encontram os personagens. Eamon por exemplo, só parece esquecer dos pais, que são a verdadeira causa de sua tristeza mas também dos seus raros momento de alegria quando está rodeado de outras crianças, brincando e se divertindo.

O trio de protagonistas é composto por Robert Donnelly, Amy Kirwan e Darren Healy que respectivamente vivem Eamon, Grace e Daniel. Os três atores britânicos que aqui desenpenham uma performance digna de admiração são desconhecidos do grande público por atuarem mais em filmes independentes.

Eamon fez grande sucesso na Europa, sendo indicado na maior premiação do cinema e da tevê irlandesa nas categorias de melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor atriz para Amy Kirwan, além de fazer parte da seleção oficial do Festival de Toronto e concorrer como melhor filme independente no Festival Karlovy Vary na República Tcheca.

Depois do clímax do filme onde tudo parece enfim ter se resolvido em um típico final feliz de cinema hollywoodiano se é possível compreender que a vida daquelas pessoas continuará depois dos créditos finais do filme e que muitos outros altos e baixos virão e que nem sempre dizer “eu te amo” pode ser o bastante, e isso até uma criança de seis anos foi capaz de perceber.

Trailer:

Essa crítica foi escrita durante a 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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Publicado em 13 de dezembro de 2011, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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