Amor como veneno

Filmes franceses do tipo de Amor como Veneno costumam atrair o público feminino geralmente por abordarem temas sentimentais e dramáticos, e atrair os homem por na maioria das vezes mostrar mulheres bonitas e nuas. Você deve estar se perguntando que filmeco despudorado é este. Bem, se Amor como Veneno é um filmeco então tudo o que já foi escrito sobre cinema até hoje está errado.

Na trama acompanhamos a história de Ana, jovem de 14 anos em sua volta do internato para a casa dos familiares no interior da França. A descoberta de que o pai abandonou o lar pra viver com outra mulher abala a adolescente. Quando sua melhor amiga sai de férias com a família Ana só pode contar com sua mãe fragilizada pelo abandono do marido e o avô paterno, velho doente por quem nutre um carinho especial, e o belo padre François vivido pelo ator italiano Stefano Cassetti, que acaba por ter sua fé posta em cheque devido a um rápido e confuso envolvimento com a mãe da garota. Ana está para crismar. É quando conhece Pierre, garoto pouco mais novo que ela e coroinha na igreja que Ana freqüenta com a família. Ela e Pierre desenvolvem um forte laço e acabam descobrindo juntos o mundo da sexualidade. Tentada pelos prazeres da carne Ana se vê confusa, sentindo-se dividida entre seguir o caminho da fé e entregar seu corpo e alma a Jesus ou viver como qualquer outra mulher desempedida para fazer uso de seu livre arbítrio. Além disso há a dúbia promessa que o pai lhe fez de levá-la para morar com ele. Transtornada em seu âmago, seus sentimentos explodem em um turbilhão de emoções com a morte do adorado avô logo após a jovem regressar ao colégio interno. Diante do caixão deste é então que Ana vê-se segura de que caminho deve trilhar e parte da capela onde está sendo velado o corpo segura do que deve fazer.

O filme é escrito e dirigido pela cineasta francesa Katell Quillévéré. Este é o primeiro longa-metragem da diretora, que até então havia somente realizado curtas como À Bras le Corps(2005), L’Imprudence(2007) e L’Échappé(2009). Quillévéré soube como manter o olhar do espectador preso na tela e ainda realizar uma espécie de degustação para os olhos. Os cenários, assim como a posição precisa das câmeras e o jogo habilmente construido entre luz e sombra prende inconscientemente a atenção de quem se deleita com as imagens que passam na tela.

O filme é uma excelente película dramática que nos faz pensar em nossa juventude. O clima é hospitaleiro, principalmente quando vemos as performances de Clara Augarde e Michel Galabru que vivem respectivamente Ana e seu avô.

A passagem onde Pierre, interpretado pelo jovem ator Youen Leboulanger-Gourvil prende Ana sob seu corpo em uma rocha ao sol e lhe rouba um beijo pode parecer um tanto incômoda, mas de alguma forma o involvimento com aquelas poucas e imperfeitas personagens é tão profundo que passamos a enxergar durante a uma hora e meia que dura o filme as cenas de nudez da garota de 14 anos como algo normal.

Trailer:

Essa crítica foi escrita durante a 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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Publicado em 13 de dezembro de 2011, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Nossaaaa, muito boa ! Parabéns vc escreve muito bem! Vou falar p/ o Rodrigo Groto ler, ctz que ele vai gostar.
    PS. O filme deve ser muito bom, daqueles que eu gosto.

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