Crítica: Lanterna Verde

Lanterna Verde é o último filme de super-herói que faltava sair este ano. Aqui no Brasil a produção chegou com dois meses de atraso o que para muitos minguou o entusiasmo de assistir a adaptação de um dos mais queridos super-hérois da DC Comics para as telonas.

Na trama somos apresentados através de narrações em terceira pessoa à Tropa dos Lanternas Verdes, guardiões da paz intergalática que tem de enfrentar um antigo inimigo chamado Parallax, um destruidor de mundos sedento por vingança e que se alimenta da venenosa força amarela do medo. Após a morte de Abin Sur, um dos mais destemidos do corpo dos Lanternas por Parallax vemos o seu anel ir a escolha de um novo portador, eis que a jóia escolhe pela primeira vez um humano, e um dos mais improváveis, o irresponsável Hal Jordan, piloto de jatos da Ferris Aeronáutica.

Certo de que o anel fez a pior das escolhas, Hal Jordan (Ryan Reynolds) escolhe não se juntar a Tropa e é aí que o filme tropeça no enredo. O anel escolhe o mais destemido, mas Hal Jordan que parece tão determinado em certas passagens acaba se mostrando meio perdido em outras, mas é forçado a ver o que realmente deve fazer quando tem de bater de frente com Hector Hammond vivido por peter Sarsgaard que foi infectado pela energia amarela do medo ao examinar o corpo de Abir Sur ferido pelos poderes de Parallax.

Além de passar por cima de seu medo e lutar em prol da Tropa dos Lanternas ameaçada por Parallax e impedir o extermínio da Terra pelo vilão alienígena que une forças com o invejoso Hector Hammond, Hal ainda tem de remediar seu romance mal resolvido com Carrol Ferris, filha do dono da Ferris Aeronáutica interpretada pela estonteante Blake Lively.

O filme foi escrito seguindo os maiores clichês das histórias de adaptações cinematográficas de super-heróis, clichês de uma época em que realizar esse tipo de filme era algo ainda novo onde os produtores usavam o básico do mocinho contra o bandido e uma namorada para o protagonista. Se parar para pensar todo filme do gênero segue esse esquema, mas bem escrito, devidamente explorado, ainda mais um universo tão amplo quanto o do Lanterna Verde que foi pouco desbravado.

No quesito elenco não se pode reclamar mas também não é algo que se possa rasgar elogios. Ryan Reynolds desempenha relativamente bem o seu papel como Hal Jordan, o astro tem talento como já ficou comprovado em outros filmes, mas olhar para ele e não pensar imediatamente em uma comédia romântica qualquer é tarefa tão árdua quanto derrotar o terrível Parallax. Quem sabe um corte de cabelo mais parecido com o do personagem não ajudasse a convencer os fãs?

O que mais se destaca em atuação é o britânico especialista em vilões Mark Strong que aqui vive Sinestro, membro da Tropa dos Lanternas. A interpretação autera mas elegante garante a simpatia do personagem que tem um certo charme por baixo de toda aquela maquiagem roxa.

Mas sem dúvida um dos maiores erros de Lanterna Verde é a escolha de Parallax para vilão-mor da história. Apesar de manjado o embate mano a mano entre Jordan e Hammond pelo coração da donzela é sem dúvida nenhuma muito mais envolvente e excitante do que ver o protagonista batendo papo com uma gigantesca nuvem marrom com uma cabeça saída direto de Marte Ataca.

Ao todo o filme não é ruim, mas com certeza é muito fraco em narrativa e dirigido por um diretor que admitiu somente ter aceito o cargo pela bolada que levaria. Em Lanterna Verde o visionário Martin Campbell nos apresenta um filme superficial, já que ele próprio disse não conhecer absolutamente nada sobre a mitologia do herói, mas sem dúvida o peso da culpa recai sobre os ombros dos roteiristas Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim, Michael Goldenberg que apresentaram um texto medíocre e nada original e que para piorar ainda foi aprovado pela Warner. Resultado: péssimo retorno nas bilheterias. O vazio dos US$200 milhões de dólares que custou o filme ainda não foi preenchido. Mas não acaba por aí. Em outubro o estúdio contratou novamente os três primeiros nomes para escrever a primeira versão da sequencia de Lanterna Verde que já foi entregue ao estúdio e que atualmente passa por revisão pelas mãos de Michael Goldenberg. Talvez a Warner devesse tomar umas lições com a Marvel Studios ou mesmo pedir alguns conselhos a Christopher Nolan.

Trailer: Lanterna Verde

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Publicado em 25 de agosto de 2011, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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