Crítica: Capitão América: O Primeiro Vingador

O cinema desde seus primórdios sempre cativou com fantasia e a possibilidade de por cerca de duas horas esquecer da própria vida e mergulhar de cabeça na vida de outra pessoa. Fazer parte de uma intriga internacional, sobreviver a caçada contra um vampiro até o nascer do sol, viver um grande romance, daquele tipo que na vida real são raros de acontecer. Viajar pelo mundo, viver bem… a lista de possibilidades não tem fim. Os filmes sempre foram usados como instrumentos de influência e manipulação desde sabe-se lá quando, mas o mais importante é que é através deles que podemos sonhar.

Sabe aqueles filmes dos anos 40 cheios de efeitos que ressaltavam os mais importantes ideais do homem, dizendo ser as massas a força motriz que fazia girar a nação, chamando-os para se alistar nas Forças Armadas e juntos expurgarem do mundo o mal do nazismo? Isso! Aqueles filmes de campanha militar que fazia a todos se sentirem “Super Soldados” e que eram usados também pelos inimigos do Eixo, filmes estes que eram transmitidos pelo rádio ou exibidos nas sessões de cinema. Capitão América: O Primeiro Vingador e como esses filmes, pois depois que você deixa a sala escura o sentimento de euforia continua a se espalhar dentro de você, fazendo-o se achar invencível, capaz de sair pela rua usando um colante azul royal, proteger os oprimidos e até mesmo conquistar aquela ruiva bonita da recepção.

A trama de Capitão América mostra o clássico e o básico da mitologia do herói criado nos anos 40 por Joe Simon e Jack Kirby com elementos da repaginação feita por Stan Lee duas décadas depois. Em plena Segunda Guerra Mundial o franzino Steve Rogers na pele de Chris Evans tem a ambição de se alistar e ir servir no exterior trazendo novamente a paz para as vidas dos homens. Após ser rejeitado inúmeras vezes ele recebe do dr. Abraham Erskine a chance de se tornar o primeiro de uma nova linha de combatentes, os chamados Super Soldados. Após receber o soro que amplifica suas condições físicas e agilidade ele presencia a morte do dr. Erskine por um agente da Hydra. Depois disso o Capitão América se torna uma atração dos palcos incentivando o recrutamento militar e somente depois de resgatar cerca de 400 prisionaieros de guerra é que seu valor é reconhecido e ele passa a ver visto como o futuro da nação.

Ao contrário do filme de Thor o romance entre Steve Rogers e a agente Peggy Carter interpretada pela britânica Hayley Atwell é moldado sutilmente como costuma acontecer na vida real, um sorriso, uma frase a mais, tudo muito romântico mas sempre baseado nas qualidades tanto de um como de outro. Em determinada passagem do filme, você saberá qual, fica evidente que Peggy não se apaixonou pelo homem musculoso e viril que se tornou Steve, mas sim pelo rapaz franzinho com alma de guerreiro, pelo homem bom que havia dentro dele.

Em contra posição está o ganacioso Johann Schmidt, o terrível Caveira Vermelha vivido com naturalidade por Hugo Weaving. O sotaque é excelente. De posse de um tesseract carregado de um poder inimaginável que um dia enfeitou a sala de tesouros de Odin, o chefe da Hydra, divisão científica do Terceiro Reich, pretende passar por cima do próprio führer e dominar o mundo.

O que vem depois é o clássico de qualquer filme de super-herói: mocinho contra bandido, disputa essa que culmina em um final digno de qualquer romance dos anos 40 capaz de comover até o mais durão dos fãs, tudo embalado pela trilha harmoniosa de Alan Silvestri que consegue junto ao diretor Jon Johnston e aos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely realizar um dos melhores filmes de super-herói já feitos até hoje. Um filme no estilo do primeiro Homem-Aranha lá de 2002, uma produção fiel ao que conta e que apesar das fantasias faz questão de mostrar as histórias de seres humanos e a luta ferrenha que nasceu junto com a racionalidade humana: o bem contra o mal… o azul contra o vermelho.

Capítão América: O Primeiro Vingador foi escrito com calma para correr exatamente desse modo, calmamente. Vemos todas a s fases do herói, desde o pequeno rejeitado, até a atração dos palcos para animar os soldados nos campos de batalha (usando o mais clássico de seus uniformes), depois o Vingador, entao o homem apaixonado e por fim o herói altruísta.

Assim como a cineasta alemã Leni Riefenstahl revolucionou a linguagem do cinema em 1934 com o documentário O Triunfo da Vontade que servia de propaganda nazista acompanhando os acontecimentos do Sexto Congresso de Nuremberg e contava histórias de como Adolf Hitler conseguiu mover multidões de acordo com suas ideias desvairadas de poder e loucura, Capitão América: O Primeiro Vingador estabelece uma nova visão sobre os filmes de super-heróis e também sobre os sonhos e de que o impossível não existe perante a perseverança.

Trailer: Capitão América: O Primeiro Vingador

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Publicado em 15 de agosto de 2011, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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