Crítica: A Garota da Capa Vermelha

Na semana passada, a última de minhas férias eu passei alguns dias na esbórnia, então não foi de se admirar quando comecei a sentir os efeitos do cansaço nos dias posteriores, eis que resolvi ficar em casa e assistir alguns filmes que já havia algum tempo vinham mofando (mentira) na estante de meu quarto e entre eles estava A Garota da Capa Vermelha.

O filme dirigido por Catherine Harwicke, a mesma de Crepúsculo é uma versão moderna do clássico Chapeuzinho Vermelho do conto dos irmãos Grimm, pelo menos da versão mais popular da obra que por gerações vem sendo contada para as crianças de todo o mundo. Em inglês a obra dos irmãos alemães tem o nome Little Red Ridding Hood, mas o filme não tem nada de Little… e nem no título, por apresentar um romance entre adolescentes.

Na trama uma jovem chamada Valerie encarnada por Amanda Seyfried que vive num pequeno e afastada vilarejo chamada Daggerhorn situado na horla de uma floresta negra que esconde muitos perigos intenta fugir com seu grande amor de infância, Peter, um caçador, porém nesse mesmo dia a irmã mais velha de Valerie é assassinada por um lobisomem que assombra o vilarejo há gerações mas que durante os últimos vinte anos não havia atacado ninguém, recebendo em troca o melhor gado da população local que não se atrevia a entrar na floresta durante a noite.

Os homens do vilarejo decidem então irem a caça da fera, entre eles está Henry, jovem de família abastada a quem Valerie foi prometida em casamento por sua mãe, interpretada por Virginia Madsen. A rivalidade entre o caçador e o jovem fidalgo vivdo por Max irons na disputa do coração de Valerie se estabelece nesse ponto mas culmina na morte do pai de Henry, que culpa Peter pela fatalidade. Apesar de acreditarem terem matado a fera a visita do padre Solomon na pele do veterano Gary Oldman lhes diz que a besta ainda corre solta pela floresta e que pode ser qualquer uma das pessoas que vivem em Daggerhorn, o que tece sobre os habitantes um denso manto de desonfiança.

Os atores, pelo menos alguns deles como sempre estão impecáveis, como é o caso da estrela em ascensão Amanda Seyfried, sem dúvida a melhor opção para o papel cuja pele leitosa e cabelos louros contrastaram perfeitamente bem com o vermelho saturado de seu figurino. Gary Oldman como sempre convence em mais este papel, padre da igreja e pai de duas filhas… e Vírgina Madsen, que há algum tempo estava sumida ressurge mostrando a quem Valerie puxou garra e beleza.

Apesar de se tratar da adaptação de um clássico o que se desenrola na tela é mais uma versão vazia do primeiro filme da Saga Crepúsculo. A abertura de ambos os filmes se parecem muito e a história pouquíssimo original de romance com falas bem decepcionantes entre os apaixonados deixam a desejar. Outras semelhanças com o romance água sem açucar de Stephanie Meyer também são bem nítidas, como a figura do lobisomem, onde a imagem clássica do licantropo irracional que se move em duas patas é deixada de lado sendo substituida por um simples lobo que consegue conversar com a protagonista, onde já vimos isso… Outra semelhança crepuscular que tira o filme totalmente fora do contexto é o personagem Peter interpretado por Shiloh fernandez. Um caçador e lenhador que vivia em uma floresta, séculos e séculos atrás deveria ter qual aparência? No mínimo um homem de barba crescida, já que lâminas de barbear não deviam ser muito poupulares na época, e corpo forte, já que derrubar árvores a machadadas não é tarefa para um franzino qualquer. Porém no filme de Catherine Harwicke nos deparamos como uma “nova” versão de Edward Cullen, pouco expressivo com aquele penteado moderninho que mais se parece com um ninho de rato sustentado por muito gel de cabelo, tipo de penteado  que deixa os mais “descolados” horas no frente do espelho.

Realmente é difícil saber o que atraiu atores de tal porte para a produção que apresenta um roteiro tosco e mal desenvolvido. Se querem ver uma versão de Chapeuzinho Vermelho no mundo do cinema vale a pena conferir a animação Deu a Louco na Chapeuzinho, o roteiro é no mínimo incrível.

Ao decorrer do filme se esquece que este é baseado na obra da Chapeuzinho Vermelho, pois as semelhanças entre um e outro são muito poucas, e não é surpresa quando você se perguntar porque Amanda Seyfried anda para cima e para baixo com a tal capa vermelha.

Trailer: A Garota da Capa Vermelha

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Publicado em 10 de agosto de 2011, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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