Sentimento musical

Qualquer ser humano com um entendimento musical apurado sabe que são poucos os intérpretes que conseguem transmitir verdade, emoção e desabafos pessoais em suas canções.
Isso também não é fácil para grandes compositores, afinal, não são muitos que conseguem abrir sua intimidade ou expressar o sentimento que o corrói em um esboço de canção.
Porém, existem aqueles ícones musicais, que de forma sutil e impecável conseguem adicionar todos esses elementos complicados e puros em uma música.
Vou citar, mostrar e tentar explicar algumas situações dessa “arte” de sentir, emocionar e compartilhar.

Começaremos com talvez, o maior cantor e compositor que já pisou nesse mundo, Freddie Mercury.
O vocalista da banda Queen teve uma vida não tão feliz quanto sua carreira profissional.
Assumidamente bissexual, Freddie possuía excentricidades excessivas, que o afastava de relacionamentos verdadeiros. Passou toda uma vida buscando Somebody to Love (alguém para amar), como diz o título de uma de suas memoráveis canções, mas nunca conseguiu encontrar. O que ele tinha era uma vida de relacionamentos curtos sentimentalmente vazios.
Dizia ser uma pessoa triste, mas um certo dia entristeceu ainda mais. Freddie foi acometido pelo cruel vírus da AIDS. Já esperava pelo pior, sua legião de fãs ficou chocada, sua carreira se escondeu atrás dos muros de sua mansão. Freddie viveu uma reclusão da sociedade. Se escondeu, talvez tentando encontrar dentro de si uma força que o levasse adiante, que lhe trouxesse esperança de ainda conhecer o amor de sua vida.
Infelizmente não foi possível, uma broncopneumonia impulsionada pelo HIV o levou a óbito.
Um mês antes de sua morte, presenteou o mundo com uma das mais belas canções já feitas. Uma música com melodia forte e letra emocionante retratando sua vida após a descoberta da doença e talvez, trazendo ao líder da banda Queen, um resto de esperança que ainda existia dentro daquele coração que nunca foi amado.
Freddie Mercury já sabia, The Show Must Go On!

Outra canção de um grande gênio, talvez nem tão aclamado quanto Freddie, retrata o sofrimento vivido durante toda a vida por Morrissey.
O ex-vocalista da banda The Smiths, que desde 1988 segue em carreira solo, escreveu uma canção em 2004 relatando a dificuldade que passou durante toda sua vida por ser Assexual. Seria um indivíduo que não sente atração, tanto pelo sexo oposto quanto pelo sexo igual, devido à uma disfunção sexual.
Muito se fala sobre a assexualidade, mas Morrissey sempre deixou muito claro que sofreu e ainda sofre por ser assim. Na música I Have Forgiven Jesus ele consegue expressar de uma forma magnífica toda a sua dor e angústia por não conseguir aceitar muito bem esse problema.
Na verdade, a música acaba sendo seu desabafo, de uma vida preconceituosa, confusa e complicada.

A tradução da música:

Eu Perdoei Jesus

Eu fui um bom garoto
Eu não te faria nenhum dano
Eu fui um garoto legal
Com uma rota legal de entrega de jornais
Perdoe-me qualquer dor
Que eu possa ter te trazido
Com ajuda de Deus, eu sei
Sempre estarei perto de você

Mas Jesus me magoou
Quando me abandonou, mas
Eu perdoei Jesus
Por todo o desejo
Que ele colocou em mim
Quando não há nada que eu possa fazer
Com esse desejo

Eu fui um bom garoto
Através do granizo e da neve
Eu iria apenas para te ultrajar
Eu carreguei meu coração em minhas mãos
Você compreende?
Você compreende?

Mas Jesus me magoou
Quando me abandonou, mas
Eu perdoei Jesus
Por todo o amor
Que ele colocou em mim
Quando não há ninguém para quem eu possa me voltar
Com este amor

Segunda – humilhação
Terça – sufocamento
Quarta – condescendência
Quinta – é patético
Lá pela sexta – a vida me matou
Lá pela sexta – a vida me matou
(Oh, lindo,
Oh, lindo)

Por que você me deu tanto desejo?
Quando não tenho aonde ir
Para descarregar este desejo?
E por que você me deu tanto amor
Num mundo sem amor
Quando não há ninguém para quem eu possa voltar
Para liberar todo esse amor?

E por que você me mutila
Com ossos e pele auto-depreciativos?
Jesus, você me odeia?
Por que você me mutila
Com ossos e pele auto-depreciativos?
Você me odeia?
Você me odeia?
Você me odeia?
Você me odeia?
Você me odeia?

Quando ele diz “Eu perdoei Jesus por todo o desejo que ele colocou em mim, quando não há nada que eu possa fazer com esse desejo” ele cita o fato de não sentir atração por ninguem, e assim, guardar dentro de si o afeto amoroso que nunca conseguiu compartilhar com uma pessoa que poderia passar o resto da vida.

O último caso citado nesse post será de uma interpretação de uma música.
Elvis Presley foi outro impressionante cantor que se perdeu no mundo por conta de problemas de saúde derivados ao excesso. O eterno Rei do Rock possui uma infinidade de músicas compostas por ele mesmo, mas sempre disse em entrevistas que a música que ele mais gostava de cantar, era My Way de Frank Sinatra. Nunca se soube o motivo, mas anos depois de sua morte, Ginger Alden, a ex-namorada de Elvis disse a uma emissora de televisão que ele se identificava muito com a letra pois ele já sofria muito com o vício do alcool quando cantou a canção pela primeira vez em um show, em 1973, no Hawaii.
Logo na primeira frase, a música diz “E agora o fim está próximo”, como se Elvis já soubesse do fim que levaria. Ao decorrer da canção, a letra fala de coisas erradas feitas pelo caminho até então percorrido e termina com uma frase que caracteriza de forma completa a trajetória de Elvis na Terra: “Os registros mostram que eu apanhei muito, mas eu fiz do meu jeito!”

Se alguém se lembrar de mais uma grande canção que tranpasse toda emoção e significados sinceros, compartilhem conosco nos comentários!

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Sobre Bruno Rizzato

Jornalista com idéias diferentes na cabeça, buscando um espaço para compartilhá-las com vocês, internautas intelectos. Amante de boa música e assuntos relacionados a esporte, blogueiro por satisfação e feliz por opção. Formado em 2013, pela Universidade Anhembi Morumbi, atualmente cursando pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Multimídias, tem vasta experiência na área, já tendo trabalho em redação, assessoria de imprensa e mídias sociais. Já trabalhou com os jogadores da Seleção Brasileira, Paulinho e Bernard, fez estágio de treinamento na Sociedade Esportiva Palmeiras e o maior orgulho foi a realização de um documentário sobre o rock progressivo brasileiro na década de 70.

Publicado em 17 de julho de 2011, em QUALQUER ASSUNTO, ROCK N' ROLL e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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