crítica: tropa de elite 2

É possível se contar nos dedos os filmes feitos em território nacional que realmente valham a pena serem assistidos. O novo Tropa de Elite definitivamente é um desses filmes.

Assim como o primeiro filme que foi o maior sucesso de vendas de cópias piratas e que levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2008 e deixou muita gente de cara virada, Tropa de Elite 2 promete um sucesso igual ou ainda maior. Diferente da película de 2007 o novo Tropa muda sua visão preta e branca entre policiais e traficantes para diversos tons de cinza. Para quem gostou de ver bandido apanhando e levando bala no outro filme vai adorar este aqui e também vai se  revoltar com algumas cenas onde parece que o peito vai explodir, tanta é a adrenalina bombeada na corrente sangüínea, seja por um sentimento bom ou ruim, mas é para isso mesmo que serve o cinema.

Na película, conduzida com maestria por José Padilha, mesmo diretor do anterior, o protagonista comandante Roberto Nascimente, novamente encarnado por Wagner Moura tem de enfrentar um novo inimigo depois de ter passado por cima do tráfico de drogas dos morros cariocas. As milícias e a politicagem corrupta.

A história se desenvolve dez anos depois do filme original. Nascimento se tornou comandante geral do BOPE, mas após um fiasco no presídio de Bangu I, no Rio de Janeiro é exonerado do BOPE e passa a ser Sub Secretário de Inteligência. É desse novo posto, onde a farda preta é substituída pela vestimenta de terno e gravata que Nascimento desfere um golpe fatal no tráfico de drogas, transformando seu antigo batalhão de “Caveiras” em uma verdadeira máquina de guerra. Mas o que Nascimento não percebeu foi que seu inimigo era ainda mais perigoso e difícil de se agarrar.

As milícias, facções formadas por policiais corruptos que vendem proteção contra si mesmos aos moradores dos morros são o novo tormento de Nascimento, e eles não estão sozinhos, já que uma boa corja de políticos está na cola dos militantes, que arrecadam, por assim dizer, os votos dos moradores das comunidades para os safados de colarinho branco de Brasília.

Nascimento no final das contas tem de juntar forças com o deputado Diogo Fraga, admiravelmente interpretado por Irandhir Santos, que no passado destruiu sua carreia no BOPE na operação anteriormente citada de Bangu I como um miltante dos Direitos Humanos e agora atual marido de Rosane, ex-mulher de Nascimento interpretada por Maria Ribeiro. Juntos eles batem de frente com o sistema, em uma guerra que nas palavras do próprio Nascimento será muito longa mas não impossível de ser ganha.

O filme porém não faz uma crítica superficial à política. É algo bem mais profundo que mostra a degradação do homem corrompido pela boa vida que o dinheiro fácil e manchado de sangue pode proporcionar.

O orçamento de Tropa de Elite 2 foi milionário e o filme foi feito realmente para as telonas com tudo o que uma excelente produção tem que ter. Tudo funciona com harmonia, como o mecanismo de um relógio, desde anglos de câmera, falas bem elaboradas e uma perfeita sincronização do timing de cada cena.

No elenco escolhido a dedo estão ainda André Ramiro que reprisa seu papel como o capitão André Matias, Sandro Rocha como o desprezível Major Rocha, o músico Seu Jorge como o presidiário Beirada, André Mattos como o hilário e repugnante apresentador de televisão Fortunato que é livremente inspirado no apresentador Datena, Milhen Cortaz como Tenente-Coronel Fábio Barbosa, o Nº 2 do filme anterior. Emilío Orciolo Neto e a belíssima e talentosa Tainá Müller também fazem parte dos grande astros do filme.

Aqui está tudo o que você precisa saber sobre Tropa de Elite 2, aquele tipo de filme que faz quem é aficcionado por cinema sentir orgulho de ser brasileiro. E isso realmente vale muito.

Veja o trailer abaixo.

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Publicado em 17 de outubro de 2010, em CRÍTICA - FILMES e marcado como , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Joseph Francis Wall

    Para alguém que conheço de tão longa data e com gostos artísticos notadamente eurocêntricos, fico feliz em ver que vem dando, cada dias mais, valor à terrinha. Ainda que pouco divulgada, nossa arte brasileira é ouro. Demais, a bela crítica e a perfeita redação só mais evidenciam isso na figura de nosso futuro cronista, escritor de folhetins e incisivo jornalista, João Barbosa!

    Um abraço!

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